Capítulo 27
Quintou com capítulo novo!!
Aproveitem 💜
***
Kiara Evans
O fim de semana estava estranho, David havia feito uma pequena viagem para São Francisco. Eu não entendi bem o motivo mas ele disse que tinha que resolver coisas lá então não questionei.
Na verdade, desde o jantar com meus pais que David tem estado estranho. Tem estado pensativo e me olha de uma maneira indecifrável todo o tempo, não é algo ruim mas é algo diferente. O tipo de olhar que faz o meu coração disparar igual uma menininha apaixonada.
Eu estava tão confiante nos últimos dias, depois da visita de Policatro. Eu estava me sentindo muito mais confiante sobre o meu trabalho, sobre querer melhorar mais e mais. Os três meses trabalhando no German Royalty me ajudou muito na minha evolução com a gastronomia.
Estava em casa praticamente desmaiada, Gerluza estava de folga e eu estava sozinha. Entendiada de mais, resolvo por fazer uma torta.
De minuto em minuto checo meu celular para ver se há alguma mensagem ou algo do tipo, mas a barra de notificações está vazia.
Preparo o creme, o recheio, a cobertura e logo depois coloco para gelar. Assim que termino de lavar as louças que usei, escuto a campainha tocar. Quando abro a porta dou de cara com Angelique.
— Surpresa!! – ela exclama me abraçando.
— Sua louca, o que faz aqui? Achei que estaria indo para Paris. – pergunto fechando a porta atrás de nós.
— Meu vôo foi cancelado, então decidi passar aqui. – disse se jogando em meu sofá. — Não imagina o quão cansativo tem sido esses dias. Aquele filme tem tudo para ser o filme do ano! – sentei ao lado dela.
— Estou muito orgulhosa de você! – digo e ela me sorri.
— Eu sei. – riu. — Você precisa ver meus figurinos, eu me sinto uma mulher do século XIX.
— Talvez seja porque a história se passa no século XIX. – digo com obviedade. Ela fica uns minutos sem responder.
— Faz sentido. – reviro os olhos.
— E como vai seu namorado de mentira? – pergunto me levantando e indo em direção a geladeira.
— Ele é um estúpido! – ela exclama me seguindo. — Você não tem noção do quão irritante ele é, ele sempre quer ser o centro da atenções e não concorda com nada que eu faça!
— Fico surpresa com o fato da mídia achar que vocês realmente são o casal do século. – rio abrindo a geladeira. — Sorvete?
— Por favor! – exclama sentando-se sobre o banco do balcão. — Ele é metido, se acha o último homem do mundo, sabe aquele que todas as mulheres vão cair em cima querendo ele? – afirmo colocando o pote de sorvete sobre o balcão. — Exatamente, é ele.
— Considerando sua personalidade, vocês devem se odiar mesmo. – rindo coloco duas colheres sobre o balcão e me sento na frente dela.
— Nos odiamos mesmo, menos quando estamos transando. – solta antes de enfiar uma grande colherada de sorvete na boca. Arregalo meus olhos a olhando chocada.
— O que? Vocês estão transando?
— E nos odiando. – concluiu. — Eu e ele no odiamos e esse ódio acende uma certa chama nos dois. – deu de ombros. — Ele é gostoso, burra seria eu de não me aproveitar da situação.
— Angelique sua vadia! – exclamei rindo em seguida a fazendo rir também.
— Chega de falar de mim, como vão as coisas, David e você? – me olhou com malícia.
— Tudo tem sido tão mágico! É como se tivessemos trazido da Floresta Negra toda aquela magia de conto de fadas.
— Você está apaixonada? – perguntou me fazendo parar para olha-la.
Estou apaixonada?
— Estou? – pergunto incerta. — Não sei, com David as coisas são tão... intensas.
— Eu sei bem disso. – me deu um sorrisinho pervertido. — Mas digo, o que você realmente sente? – solto um suspiro antes de comer uma colherada.
— Eu me sinto confusa, com Jason foi tudo tão diferente. Ele foi um grande babaca, tudo que envolvia ele era babaca. Saímos por seis meses e eu nunca me senti como eu me sinto. Nós começamos o relacionamento como geralmente jovens normais fazem, uma festa, número de celular, dois encontros e pronto. Estamos namorado!
— Com David vem sendo tudo de cabeça para baixo, não é mesmo? – perguntou ela rindo.
— Completamente. Eu era uma das maiores fãs dele, admirei ele por um longo tempo, consegui uma vaga no restaurante dele, acusei ele de passar a mão na minha bunda no metrô, depois descobri que ele era meu chefe, ele me irritou, me chamou de inútil, fingiu ser meu namorado só para que eu não passasse por constrangimento com meu ex, confiou no meu trabalho, confiou no meu potencial, conheceu minha família, eu conheci a dele. Tudo isso em tão pouco tempo e...
— E...
— E ele faz meu coração disparar como se eu corresse uma maratona, eu me sinto confortável com ele, nós sempre brigamos mas depois passa e nós voltamos a nos acertar ou conversando sobre coisas estúpidas tomando vinho ou fazendo sexo. – me coloco de pé. — O sexo é bom, a convivência é boa, nós nos divertimos, eu sempre quero estar nos braços dele, sempre quero provocar ele, ouvir a risada dele, aquela risada estranha dele que parece uma foca rindo. – Angel ri. — Apesar de ser estranha e parecer uma foca, eu amo ouvir aquele som. Quando ele é debochado ou irônico, o quando ele me pega com força ou quando me pega com delicadeza. – sorrio e encaro Angelique com o sorvete. — Eu... eu acho que amo ele.
Angelique se engasga com o sorvete e começa a tossir desesperadamente.
Eu até poderia prestar socorro a minha amiga, mas estou muito ocupada paralisada com o fato de ter admitido em voz alta que eu amo David Cooper.
— Puta que me pariu, caralho! – Angelique exclama depois de tomar um copo de água. Me olhou com os olhos arregalados. — Você ama ele? – a olhei.
— Eu acho que amo.
— Você ama ele!
— Eu amo ele!
— Você ama ele! – repetiu e se aproximou de mim. — Você ama ele!
— Eu amo ele! – repito sorrindo e a abraço.
— Meu Deus você ama ele! – repetiu.
— Sim Deus, eu amo ele! – exclamo e com isso eu e Angelique começamos a pular abraçadas no meio da cozinha.
Nos separamos e no encaramos em choque.
— Puta merda, eu amo ele! – cubro minha boca com as mãos em um ato espantado.
Eu amo David Cooper, meu Deus!
— Tudo bem, eu... eu acho que preciso de álcool para poder digerir isso. – ela diz colocando a mão sobre o peito.
— Eu também. – concordo. — Eu não tenho bebida aqui Gerluza me proibiu.
— Então vamos sair para comprar. – afirmo e pego minha carteira sobre a mesinha de centro da sala.
— Vamos! – digo e ela me olha de cima a baixo.
— Vai vestida assim? – aponta para minha camiseta simples e minha calça de pijama simples junto das pantufas de ursinho.
— Vou, estou chocada de mais para pensar em roupa. – digo e ela faz sinal para que eu espere. Caminha até a bolsa dela sobre o sofá e coloca um chapéu grande e preto que cobre o rosto dela.
— Ninguém pode saber que eu saio com uma louca como você. – respondeu me fazendo revirar os olhos.
— Até porque um chapéu desse tamanho de noite não deve chamar a atenção. – respondo irônica. Ela resmunga e me empurra para fora.
Resolvemos ir a pé mesmo até um supermercado próximo de casa. Óbvio que minha roupa chamou bastante a atenção mas não me importei, eu estava anestesiada.
Eu amo David!
Compramos quatro garrafas de bebidas, assim que colocamos o pé para fora do supermercado eu abri a garrafa de vodca e comecei a tomar no gargalo.
— Você é louca? Que vergonha alheia! – Angel reclama cobrindo o rosto.
— Não enche, apenas beba! – estendo a garrafa para ela. Ela olha por alguns segundos hesitante mas depois toma da minha mão e bebe um bom gole.
— Eu amo aquele cara, da para acreditar? – pergunto tomando um gole da vodca enquanto caminhamos de volta.
— Você ama alguém que não é babaca! – ela diz rindo. — Essa é novidade.
— Eu não amei ninguém antes, sabe disso. O que eu estou sentindo é tão... tão surreal, Angel. Nunca me senti assim e é tão... bom. – sorrio tomando o último gole da vodca.
— Quando eu falei para ir sem medo eu não estava falando disso mas já que você está feliz eu estou feliz. – ela diz. Mas paro no meio da calçada e a encaro com os olhos arregalados.
— E se ele não me amar? E se o amor não for correspondido? – pergunto aterrorizada com a possibilidade. Angel parece pensar na hipótese.
— Melhor abrir a outra garrafa. – ela diz puxando-a da sacola e abrindo também. — Se não amar de volta pelo menos pode dizer que amou alguém.
— Isso não melhora minha situação! – exclamo pegando a garrafa da mão dela e tomando um bom gole. — E se ele não me amar? E se eu estiver amando sozinha? Meu Deus, eu não amo mais não. Isso não é amor, é um tipo raro de tesão!
— É amor! – Angelique diz.
— Não pode ser amor se ele não me ama de volta. – a olho e começo a chorar. Agacho-me no chão e deixo as lágrimas caírem. — Eu só deveria ter cuidado de ser uma chef e não de ter me apaixonado pelo meu chefe e muito menos amar ele!
— Não vamos chorar por isso, seja forte! – Angel diz me puxando, mas por estarmos cambaleantes quase caímos. — Força menina! Vamos até aquele homem e você irá dizer a ele que você o ama e ele não vai poder fazer uma princesinha como você chorar. Vamos! – puxou meu braço.
— É na outra direção! – exclamo e no mesmo instante ela troca de direção.
— Agora vamos! – ela diz decidida. Caminhamos por longos minutos cambaleantes enquanto tudo ao meu redor parecia ter graça.
— Eu amo David, eu amo David. Sabe quem ama o David? Eu! – digo rindo.
— Já falou disso mil vezes, chega de amar o David! – Angel resmunga. — Chegamos, agora vai lá e diz que ama ele. – diz assim que paramos em frente a um prédio.
— Não! Vamos voltar para casa, David foi viajar.
— E você só me diz agora?
— Sim.
— Maria Kiera! – gritou.
— Angelique Regina! – gritei de volta. Ela bufou emburrada e se agachou no chão.
— Eu deveria estar em Paris a uma hora dessas, mas decidi fugir para cá. Só porque vi meu falso namorado com quem estou transando aos amassos com a minha empresária e depois vi que Guilhermo vai se casar. – disse com a voz embargada. — Minha melhor amiga está amando e eu estou... eu estou sendo Angelique. – bufou. — Agora vái lá vai! – me expulsou com a mãos. Me agachei até ela e a abracei.
— Eu não amo só o David, também te amo e isso é tudo o que importa. Homens são idiotas.
— Tão idiotas que você ama um. – retrucou. Nos encaramos e eu ri e ela também.
— Amo. – soltei um suspiro.
— Você merece um homem como o David, Kiera. – ela começou. — Você não imagina o quanto ver você sofrer em uma relação com aquele babaca ridículo nos fazia sofrer, mas não podíamos fazer nada, porque você não enxergava como nós. – ela soluçou. — Você merece alguém como ele, ele vem te fazendo tão feliz nos últimos meses que é satisfatório de ver. – sorrio.
— Eu sei. – soluço também.
— Eu quero que minha princesinha seja feliz. – me abraçou.
— Eu também quero. Mas e se ele não me amar?
— Bem... ai podemos nos entupir de doces e filmes por um longo tempo até que seu coração fique bem. Amar é bom mas também dói bastante. Se ele não te amar — o que eu acho impossível — apenas lembre-se que você se ama. Todo tipo de amor é importante, mas nenhum deve superar o próprio.
— Eu te amo, Angel. Você também merece ser feliz.
— Eu também te amo. – me abraçou antes de enxugar as lágrimas e me soltar. — Certo, como vamos voltar para casa? Eu não lembro mais a direção.
— Na verdade... – encarei o prédio. — nós já estamos em casa. – ela virou para encarar o prédio.
— Somos duas idiotas! – riu.
— Agora eu sei porque não me deixam beber. – digo rindo. — Vamos! – me coloquei de pé e a puxei quase nos fazendo ir ao chão novamente.
Com isso entramos no prédio em direção ao meu apartamento.
É isso mesmo, mundo. Eu amo David Cooper!
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