Capítulo 11

Olá, turo bom? Cheguei!

Mais um capítulo pequeno mas no próximo posto dois, combinado?

Aproveitem 💜

***

Kiera Evans

O fato de David se preocupar com o que eu estava fazendo, era de certa forma significativo! Ele estava confiando em mim, e como eu queria, ele estava surpreso comigo.

Chegamos no supermercado próximo a casa da minha família e compramos tudo bem rápido. Quando cheguei em casa, eu fui pega totalmente de surpresa ao ver a cozinha lotada de meus colegas de trabalho. Eles já estavam trabalhando, e quando me viram ficaram mais surpresos ainda. Mas muito pouco pude dar atenção a eles, pois estava preocupada com o bolo. Meus pais tinham confiado em mim para fazer algo tão grandeoso como este bolo.

— A cozinha está muito lotada, não vou conseguir fazer aqui. – digo a David.

— E sabe de algum lugar onde podemos fazer? – ele me questiona.

Paro um pouco para pensar, a casa era gigante. Foi então que lembrei do pequeno salão de festa do outro lado da casa.

— Sim, há um salão de festa do outro lado da casa. – digo. — Vamos! – saímos da cozinha e entramos na sala de estar com o vai e vem dos empregados organizando a área, ao passar pelas escadas lá estava Angelique e Austin nos olhando.

— Este não é o seu chefe que me salvou na noite do bar? – questiona Angelique com o cenho franzido em confusão.

— Oh, você é a moça do Stive Wonder. – David disse a encarando.

— Ela cantou Stive Wonder para você? – perguntei incrédula.

— Sim, e devo confessar que nunca vi um cover tão bom quanto aquele de Superstition. – David responde fazendo Angel rir.

— Calma, este é o seu chefe super legal e compreensível que você dizia idolatrar? – Austin questiona em provocação e o fuzilo com o olhar. Ele se aproxina de David e estende a mão. — Prazer, Austin Evans. Irmão da Maria Kiera. É um prazer te conhecer! – disse e por um segundo quase larguei os ingredientes para lhe estrangular.

David me olha surpreso.

— Ahm, digo o mesmo. – David respondeu confuso. — Maria? – ele questiona.

— Que bom que conheceu o Austin Mônica. – retruquei fazendo meu irmão me olhar feio. — De qualquer forma, temos mais o que fazer agora. Eu deixo para te empurrar da escada mais tarde. – digo ao meu irmão. — Vamos indo. – subo na frente sendo seguida por David.

Não demoramos a chegar no salão, mesmo que tivéssemos que dar uma volta inteira pela casa. Ao entrar, organizamos tudo e higienezamos todo o local para poder trabalharmos. Não que estivesse um caos, o pessoal que trabalha em casa faz um bom trabalho.

— Primeiro vamos fazer a massa. – digo o olhando. — É uma massa de chocolate. Você pode ir preparando o recheio. Na verdade eu posso fazer os dois, eu consigo fazer os dois. Mas o tempo é curto, talvez você... ou, na verdade é completamete simples mas só se você quiser porque você tem muito mais coisa a se fazer do que–

— Respira! – ele me interrompe rindo. E eu o faço após notar que acabei falando de mais. — Certo, tudo bem por mim ficar com o recheio. A chefe hoje é você Kiera, faça o que achar melhor e eu lhe seguirei. – ele diz me pegando de surpresa antes de se afastar.

Por essa eu não esperava.


Comecei batendo a massa e ele o recheio, estavamos entretidos demais em nosso próprio trabalho e por isso ficamos em silêncio por um bom tempo. Quando eu iria imaginar que algo assim estaria acontecendo?

Coloquei o bolo para assar no forno quando pronto e me aproximei para ajuda-lo com o recheio e com a cobertura.

— Seu nome é Maria? – perguntou do nada.

— Sim. Meu nome de fábrica é Maria, mas depois que fui adotada meus pais quiseram me americanizar um pouco sem deixar minhas raízes e adicionaram o Kiera. – explico.

— Então você é adotada. – disse parecendo surpreso.

— É, eu sou. – respondi concentrando-me na cobertura branca que eu mexia.


Não que falar sobre a minha adoção me deixe desconfortável. Muito pelo contrário, eu me orgulho muito de ter sido adotada por pessoas tão incríveis e amorosas.


Por mais que algumas pessoas pensem que tive uma infância livre de preconceitos por meus pais serem ricos e famosos, eu passei por muita merda do tipo. Eu, uma garota negra, estrangeira com pais ricos e brancos. Choveu pessoas que  achavam que eu não merecia algo do tipo, me tratavam sempre como a diferente, demorou muito para que as pessoas me considerassem de fato filha dos Evans. Mas depois comecei a não ligar, a única consideração que me importava era a dos meus pais. E querendo ou não, eles são os meus pais e é tudo o que importa.

— Eu também sou. – David solta após um logo silêncio. Franzi o cenho sem entender e o encarei.

— É o que?

— Adotado. – minha boca se abre em pura surpresa. — Meus pais me adotaram quando eu tinha quatro anos. – ele diz sem me olhar. — Nasci na Alemanha.

— Eu nasci no Brasil. – digo e ele me encara. — Fui abandonada aqui quando tinha uns três anos e no mesmo ano meus pais me adotaram. Quase fui mandada de volta para o Brasil, mas felizmente eles chegaram à tempo.

— Pelo menos encontramos pessoas incríveis que nos dão amor e carinho, não importa o que. – ele diz me fazendo sorrir.

— Sim, eles são incríveis. – concordei. — Desculpe não ter dito que era filha deles, achei que poderia implicar com meu sobrenome ou algo do tipo. Eu queria conseguir uma vaga de emprego no segundo melhor restaurante da cidade pelos meus talentos e não por ser filha de quem eu sou. – ele me da um olhar compreensível.

— Eu sei e entendo, eu e minha irmã passamos muito por isso. – ele diz e o olhei sem entender.

— Quem são seus pais? – pergunto com os olhos arregalados e ele ri um pouco.

Ok, ja vi David Cooper rindo outras vezes no restaurante. Mas por que motivo ele parece incrivelmente atraente rindo aqui tão perto de mim?

— Meu pai era um astro do rock nos anos oitenta. Louis Cooper, fez muito sucesso na Inglaterra. Minha mãe era apenas uma mulher normal de família simples e humilde. – explicou.

Não pode ser!

— Calma, Louis Cooper, aquele integrante de uma banda que foi perseguido pela mídia e quase tentou... – não terminei e ele afirmou. — É por isso que nunca mostrou seu rosto! – concluo pasma com a descoberta.

— Sim, é exatamente por isso. – disse deixando explícito que não falaria mais do que isso.

— Já que estamos falando de família, como está sua irmã depois daquele ocorrido? – questionei tentando amenizar o clima que se instalou.

— Ela está bem e vingativa. – ele diz com uma careta me fazendo sorrir. — Ela está pior do que eu imaginava que pudesse ficar.

— Compreensível. Eu faria o mesmo.

— Todos fariam o mesmo.

— Sua irmã é uma boa pessoa, tem sonhos e luta pelo que quer. Não vai demorar muito para que ela consiga realizar os sonhos dela.

— Como sabe tudo isso? – cerrou os olhos sobre mim e dei de ombros.

— Intuição?

Será que se ele soubesse que eu e Isabel ficamos quase mais que amigas, friends, ele surtaria?

— Certo, se você diz. – deu de ombros. — Terminei o recheio, está como deve ser?

— Sim, está do jeitinho que deveria estar. – digo satisfeita e encaro seu relógio de pulso.

— O bolo já deve estar quase pronto. – corro até o forno para checar. — Mais dez minutos e podemos rechear.

— Certo. – ele disse.

Uns dez minutos mais tarde, cortamos a massa do bolo já assada e recheamos em camadas, camadas um tanto mais grossas do que as da receita original. Depois só restou a cobertura com chantili branco, deixando tudo bem liso e estruturado. Decoramos com cerejas e estava pronto o bolo.

Soltamos um suspiro aliviado ao ver o resultado e sorrimos satisfeitos.

— Terminamos! – ele comemorou e por puro impulso pulo em seu pescoço.

Mas juro que foi por puro impulso, eu falo muito sério.
Foi puro impulso.
PURO IMPULSO.
I-M-P-U-L-S-O

O soltei assim que percebi o que havia feito.

— Desculpa. – pedi envergonhada. — Foi calor do momento, eu juro.

— Está tudo bem. – ele diz tentando mostrar-se tranquilo, mas ficou tenso. — Vamos levar o bolo para a geladeira, e deixa que dessa vez eu mesmo levo para não correr riscos. – ele diz segurando o bolo com cuidado enquanto se locomove pelo salão.

Abro a porta principal e o sigo pela casa. Ao chegar na cozinha, mais uma vez sou pega de surpresa ao perceber que há muita comida pronta e sorrio com a agilidade dos meus colegas.

Guardamos o bolo na geladeira e depois fizemos um toque de mãos. O bolo está feito e está salvo!

— Pode ir se arrumar, eu cuido daquela bagunça. – ele diz.

— Não precisa, está tudo bem. – ele olha o relógio de pulso.

— Já está quase na hora da festa, pode ir. Não se preocupe. – sorrio sem jeito e afirmo.

Selena se aproxima com Dora ao seu encalço.

— Kiera, é verdade que você é filha de Bárbara Portilho? – Selena questiona em curiosidade assim como o restante da cozinha. Abro um sorriso e afirmo pegando todos de surpresa.

— Meu Deus! – Ralph exclama ebasbacado.

— Eu sou tão fã da sua mãe, ela é maravilhosa! – Dora diz e Annie concorda.

Abro um sorriso.

— Pessoal, eu espero que isso não mude nossa relação. Eu sou eu e minha mãe é minha mãe, ok? – digo e eles afirmam.

— Nada mudará, não se preocupe. – Mônica diz me sorrindo.

— Só mais uma pergunta. – Tony da ala dos doces começa. — Não há nenhuma chance da sua mãe ficar solteira até o fim do ano? – os outros lhe estapeiam e eu solto uma risada.

— Não meu querido, e eu não estou nem um pouco afim de ter um padrasto como você. – digo brincando e os outros riem. Encaro David pela última vez antes de deixar a cozinha e subir para o meu quarto.

Meu coração está dando umas batidas estranhas. Será que vou infartar?

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