Capítulo 1


4 horas antes

O despertador me desperta de imediato. Demoro aproximadamente cinco minutos para que meu cérebro lento como uma porta finalmente acorde. Olho ao redor do quarto até que meus olhos param no calendário pendurado na parede e meus olhos se arregalam.

Eu finalmente inicio meu estágio hoje!

Coloco-me de pé de imediato e escorregando sobre o piso liso de meias, deslizo para fora do quarto em direção ao banheiro.

Maria Kiera Portilho Evans.

Meu nome original é Maria, foi assim que veio de fábrica. Mas ai quando meus pais me adotaram, eles enfiaram os outros três no meio. É uma loga história esta minha, talvez no futuro eu resolva conta-la.

Mas voltando para a minha ficha, eu tenho 25 anos e sou dona de uma beleza estuntiante. Desde pequena minha mãe me ensinou a ter auto estima lá em cima e muito amor próprio, então não se surpreenda se eu fizer elogios aleatórios sobre a minha pessoa. Afinal, eu mereço o mundo mas o mundo não me merece.

Eu falo muito as vezes, na verdade é o tempo todo. Vinte e quatro horas por dia, mas essa sou eu, fazer o que?

Voltando ao assunto principal, eu acabei de me formar em gastronomia. Recentemente consegui uma vaga em um dos restaurantes que eu mais admiro em Atlanta. O "German Royalty". Um dos maiores restaurantes da cidade, com um chef renomado e amado pelos críticos. David Cooper o nome, sempre o admirei mas nunca tive a chance de conhece-lo. Na verdade ninguém realmente o conhece pois o cara não gosta de sair na mídia, diz que faz comida por que ama e não por fama. Preciso dizer que me apaixonei por ele sem nem mesmo te-lo visto?

Depois de aproximadamente quinze minutos, eu sai do banho e fui para o meu closet para o trabalho mais difícil logo depois do meu cabelo, pois se tem algo mais difícil de arrumar que meu cabelo é a minha roupa do dia.

Tudo bem, eu tenho praticamente um shopping no lugar do closet, mas não tenho culpa se faço parte dos compulsivos por roupa. Já até tentei terapia em grupo mas não durou uma semana, mas digamos que nos dois últimos anos eu tenha melhorado um pouco.

Depois de dar umas voltas pelo closet, optei por vestir um terninho preto simples. Nada melhor do que ser apresentável no primeiro dia de emprego, não é mesmo?

Volto para o banheiro e encaro meu reflexo no espelho. Meu cabelo hoje estava de mal humor total. Meu cabelo é cacheado, coisa que eu simplesmente amo. É herança dos meus pais biológicos. Sou brasileira e fui adotada por pais americanos quando tinha três anos. Tenho a pele negra, os olhos castanhos claros e cabelo rebelde. Aquele que as vezes faz o que eu mando e as vezes aquele que faz birra e resolve simplesmente ser qualquer coisa.

No dia de hoje não foi diferente, por isso sou obrigada a prende-lo em um rabo de cavalo baixo.

Busco minha bolsa sobre o criado mundo e visto meu tênis branquinho. Se estou combinando ou não eu não me importo, nunca tive senso de moda mesmo.

Saio do quarto sentindo um cheiro ótimo de café, Gerluza é quem está preparando o mesmo.

Gerluza é a minha babá desde que meus pais me adotaram, mas depois que me mudei ela fez questão de vir atrás. Diz que sou louquinha de pedra e que preciso de supervisão ou o meu apartamento estaria aos pedaços. Se eu reclamei? Não.

Chego sorrateiramente por trás dela e a abraço fazendo com que ela se sobressalte com o susto.

— Menina se eu morro eu te mando uma alma divina vir te processar! – ela diz agora me dando um tapinha ardido no ombro.

— Gerluza, seus tapas doem. Vou te denunciar por agressão. – digo fazendo um biquinho manhoso.

— É para doer mesmo, eu sou velha! Se eu morro antes de você se casar eu não descanso lá do outro lado. – eu reviro os olhos enquanto enchia uma xícara com o café quentinho.

Gerluza é uma senhora de uns 72 anos que se recusa a parar de trabalhar. Tem duas filhas adultas e casadas que moram na Grécia, país onde a minha babá nasceu. Veio jovem para os Estados Unidos atrás de novas oportunidades junto do marido, e assim que chegou trabalhou para meus avós e meus pais. Desde então ela vem sendo unicamente da família Evans.

— Se vai ficar esperando eu casar para morrer eu já vou logo preparando o funeral, pois só vai perder tempo. – digo antes de tomar um gole do café e receber outro tapa ardido no ombro.

— Você ainda vai se casar sim, eu sei que o mundo está mudado e tudo mas uma menina como você não pode ficar sozinha. – sorrio de leve.

Gerluza é aquele tipo de pessoa que acha que toda mulher precisa de um homem para sí, como se fosse um tipo de obrigação. Ela sabe sobre o que eu penso e as vezes respeita e eu não a julgo. Ela nasceu em outros tempos e foi criada para ter tal pensamento. Mesmo que nem todas pensem como ela no mundo atual, ainda a exceções e eu respeito.

— Eu não preciso de homem para cuidar de mim, Gerluzinha. Mas obrigada pela tentativa, agora eu preciso ir ou vou me atrasar.

— Você já está atrasada. – ela diz com certa obviedade na voz e eu rio.

— Podia fingir ao menos uma vez que eu sou responsável. – digo lhe beijando a bochecha. — Não vá embora tarde. – aviso antes de abrir a porta de entrada e sair do apartamento.

Desço de elevador, cumprimento o síndico, as vizinhas fofoqueiras e até mesmo o vizinho gostosão e ainda chuto a bola de uns garotinhos antes de sair do condomínio.

Deixo meu sedentarismo de lado e corro na velocidade da luz para chegar no metrô que era próximo ao meu apartamento. No meio do caminho ainda brinco com dois cãeszinhos e ainda aperto as bochechas de um bebê fofinho.

Foi necessário muito fôlego para que eu entrasse no trem antes que as portas se fechassem. Assim que agarrei a barra de ferro em cima da minha cabeça, pude soltar um suspiro aliviado.

Não havia como sentar então permaneci em pé ali. Um homem se aproxima com os fones de ouvido e se posiciona ao meu lado parecendo distraído mas apenas o ignoro.

A única coisa que me importa é o meu estágio, trabalharei com David Cooper! O cara deve ser tão incrível, meu sonho mais lindo. Meu maior sonho sempre foi trabalhar com comida, desde nuito jovem. Mas depois desenvolvi um problema alimentar e comecei a odiar tudo relacionado a comida e demorou um longo tempo para que eu conseguisse superar essa fase e tacar o foda-se para o que as pessoas diziam sobre meu corpo já que na época eu era bem gordinha. Mesmo que atualmente meu corpo seja considerado um corpo padrão, se eu engordasse novamente eu honestamente não me importaria. A pessoa feliz dentro de mim é a única coisa que importa e... por que tem alguém tocando na minha bunda?

Encaro o homem dos fones e ele parece entretido no celular. Me olha mas depois volta sua atenção para o celular novamente.

S u s p e i t o.

Olho para o outro homem ao meu lado, esse retirava uma catota do nariz. Apenas fiz uma cara de nojo e voltei a olhar para o nada.

Eu não estou louca, eu senti alguém pegando na minha bunda e... estou sentindo de novo.

Encaro os dois homens novamente, o de fones volta a me olhar e desviar o olhar. É então que eu perco a paciência.

— O senhor não te vergonha não? – pergunto alto o suficiente para os passageiros todos me olharem.

O homem dos fones me olha e depois olha ao redor para ter certeza de que estou falando com ele. Ele retira os fones e me encara.

— O que disse? – revirei os olhos.

— Não faça o sonso para mim, você está ai descaradamente passando a mão na minha bunda! – o acuso. Ele fica pálido como papel e os passageiros iniciam um burburinho.

— Moça, você é louca? Eu nem sequer te toquei! – ele diz.

— Isso é o que todos dizem! Mas saiba que eu sei muito bem lidar com lixos tóxicos como você. – virei-me para o cara da catota. — O senhor pode por favor ligar para a polícia? – esse arregala os olhos e afirma retirando o celular do bolso.

— Ei, Ei, Ei! – o tarado diz me chamando a atenção. — Como você pode ter certeza de que sou eu sendo que há dois homens ao seu lado? – me questionou. — E olha para minha cara de que fica pegando em bunda alheia!

— E você tem provas de que seja ele e não você? – questionei e ele riu debochado.

— E a senhorita tem alguma prova de que tenha sido eu?

Ok, ele me pegou.

Sem que eu tivesse uma resposta a altura ele riu e continuou:

— Viu só? É muito fácil sair acusando os outros sem provas! Eu não peguei na sua bunda, ok? E minha consciência está limpa e lisa. Se quiser chamar a polícia, chame. – me enfrentou com um olhar frio.

Tudo bem, talvez eu devesse ter averiguado melhor a situação antes de sair acusando o cara sem provas.

No mesmo instante a voz eletrônica avisa que o trem já está parando em uma linha.

— Chegou minha parada! – exclamei. — Deixa a polícia para próxima, com licença. – digo empurrando os passageiros para me colocar para fora do trem.

As portas se abrem e eu me coloco para fora em passos largos para ver se sou despistada da vergonha alheia.

Solto um suspiro de alívio quando já estou bem afastada do trem em questão. Resolvo olhar pelos mapas e quase arranco os cabelos de frustração.

Estou em uma parada dez vezes mais longe que o restaurante.

Maldita hora que eu fui emprestar o carro para Austin!

Austin, meu irmão mais velho. Um anjo de pessoa, um juiz. Orgulho dos meus pais e meu. Mas depois eu falo dele pois agora eu tenho um trem para pegar.


~~

Quase uma hora depois eu finalmente estava atravessando as portas elegantes do German Royalty. Foi um grande sufoco ter que esperar um trem que viesse para tal área.

Caminho em direção a recepção onde Sra. Morgan está conversando com uma funcionária. Me aproximo ganhando sua atenção.

— Mil desculpas pelo atraso, realmente não estava nos meus planos me atrasar. Se não fosse por causa de um idiota eu não havia arrumado confusão e nem perdido o trem mas eu cheguei. Me perdoa pelo atraso prometo que não irá acontecer de novo! – despejo em desespero.

— Hey, se acalme querida. – ela diz rindo e me estendendo um copo de água que eu virei tudo em um gole. — Você não está atrasada, chegou no horário.

— C-cheguei? – perguntei confusa.

— Sim, estava marcado para as onze.

Merda Kiera!

Eu devo ter ficado tão ansiosa pela manhã que não devo ter percebido que troquei as horas.

— Oh, claro. – sorrio sem graça.

Mico: 2 x Noção: 0

— Está pronta para começar?

— Oh, claro! Completamente pronta! – sorrio eufórica.

Bem, e foi ai que todo o inferno começou.


***




SUUUPER ESTRÉIAAAAA!!!

Gostaria de começar dizendo que sou uma autora bem organizada e planejada que já tem todo o cronograma dos dias de postagem mas... choquem: não sou essa autora.

Sou o desastre em pessoa, então me perdoem por isso.  Não posso chegar aqui dando 100% de certeza dos dias que irei publicar, e nem prometer que não será aquela demora digna de um mês que foi com Suspeita Parceria. MAAAAAS irei tentar o meu melhor para sempre atualizar vocês com capítulos quentinhos.

E quem for acompanhando por favor mostrem esses rostinhos perfeitos por aqui e comentem bastante, já deixem a estrelinha ai pois me faz bem feliz e assim eu sei se estão acompanhando.

Também participem do grupinho no whatsapp que eu tenho e que tem andado mais parado que saci de patinete. O link ta lá na minha bio.

Espero que gostem do livro 💜

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