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PENSILVÂNIA SÉCULO XV


ஜீ፝͜͜͡͡Fora melhor do que eu esperava.

Estar com Daynna naquela noite era como estar submerso dentro de um sonho do qual jamais iria querer ser acordado. Ela havia me levado às portas do paraíso e não podia sequer me imaginar com outra pessoa naquele momento. Queria permanecer ali com meus braços enlaçados ao redor dela, sentindo sua pele como a seda mais pura que já havia tocado. Almejava ter o cheiro das rosas que ela exalava em minhas narinas para sempre.

Eu estava um tanto apreensivo no começo. Nunca estivera daquele modo antes com uma mulher. Não sabia muito bem o que fazer. Sabia que queria tê-la com tudo em mim, no entanto temia que pudesse fazer algo de errado. Não se falava muito sobre aquilo, todavia pouco a pouco o medo foi passando quando Daynna tirou o seu vestido por completo e pude enfim contemplar as curvas acentuadas de seu corpo como a mais bela obra de arte que meus olhos já puderam contemplar em todo o tempo que vivi.

Mesmo não tendo nenhum luxo como sempre fui acostumado a ter, já que meu pai era um homem importante, ficar no chão sobre nossas próprias roupas não fez aquela tentativa ser menos agradável, pelo contrário, fez com que eu sentisse que nada poderia se comparar ao que vivi ali. Provar um pouco mais da pessoa pela qual estava apaixonado fora uma experiência totalmente nova. Senti-me em êxtase, como se pudesse pisar sobre as nuvens e chegar ao próprio céu.

Agora estava ali, sentindo o calor do corpo dela, abraçados, aquecendo um ao outro com o mundo passando lentamente ao redor. Tudo que queria e precisava estava ali em seus braços naquele momento. Desejei por um segundo morar ali para sempre, mesmo que soubesse que seria algo impossível.

— Eu acho que estou apaixonado por você Daynna — disse acariciando seu belo rosto pálido como a luz do luar. — Desde que te vi da primeira vez, sabia que você era a garota que tomaria meu coração.

Ela sorriu.

— Você é muito linda — soltei o ar pela boca completamente encantado com a visão de seu rosto. — Acho que nunca vou me cansar de olhar para você.

Mesmo com a pouca luz no ambiente, seus olhos brilhavam como se tivessem luz própria. Sua pele era macia como o algodão dos campos. Leve e despretensiosa. Não pude resistir e a beijei mais uma vez. Seu beijo era lento, experimentando minuciosamente o sabor de meus lábios assim como eu experimentava os seus. Por fim afastamos nossas bocas, mas continuamos próximos nos encarando e compartilhando nossa respiração.

O medo logo me assolou, fazendo-me sentir um calafrio em minha espinha. Sentei-me ao lado dela assistindo suas costas nuas por algum tempo até que ela se virou para me encarar. Seus olhos como tulipas negras desabrochando na primavera me encontraram e senti certo nervosismo em encará-la. Ela sabia do meu noivado com Victoria, porém também sabia que eu não a amava e me sentia preso àquela relação arranjada por nossas famílias. 

Queria terminar com tudo aquilo para poder ficar somente com ela. Queria provar apenas de sua boca, sem me preocupar com Victoria. Queria conversar com ela sobre aquilo, mas preferi não dizer nada, pois não queria estragar aquele momento. Tudo que eu sabia era que em tinha de arrumar coragem dentro de mim para expulsar de uma vez por todas Victoria da minha vida.

Temia não por ela, mas somente pelo meu pai. Não sabia o que ele poderia fazer comigo, caso eu dissesse que não queria mais me casar com Victoria, mas precisava encontrar dentro de mim a ousadia suficiente para falar de uma vez por todas o que eu queria qualquer que fosse a consequência daquela minha ação.

— Bem, acho melhor eu ir. Preciso terminar a ronda antes do amanhecer.

— Tudo bem! — disse concordando com a cabeça.

Senti um vazio intenso se abrindo dentro do meu peito por ela ter que ir. Queria tê-la ali por mais tempo, mas entendia suas responsabilidades. Ela levantou-se e observei seu corpo nu mais uma vez. Ela era linda. Seu corpo era escultural. Cada curva desenhada era como a medida exata da perfeição.

Ela vestiu-se completamente e eu assim também fiz. Ela pegou sua capa verde lodo e a colocou, logo em seguida apanhou sua aljava, pondo-a nas costas com as várias flechas dentro e por último segurou o arco com uma mão. Ao mesmo tempo que parecia delicada, ela também era uma guerreira. Sabia se defender sozinha e aquilo se tornou inegável desde o dia em que ela me salvou. Naquele momento eu tive a total certeza de que estava apaixonado por ela. 

Saímos daquele chalé abandonado finalmente. A lua estava cheia no céu e ao longe um uivo podia ser ouvido. Daynna pareceu atenta ao som. Por um segundo ela parou. O uivo soou mais uma vez porém desta vez bem mais próximo do que esperávamos. Daynna iluminou ao redor com a lamparina, mas não viu nada. Logo ao longe em meio a escuridão da floresta pude ver dois olhos brilharem apontei, denunciando, mas os olhos sumiram.

— Anda, entra agora! — disse Daynna por fim me entregando a lamparina.

— Mas Daynna...

— Faz o que eu mandei agora!

Antes que eu pudesse me movimentar uma criatura rosnou saindo em meio às trevas entre quatro patas. O ser era como um lobo, porém mais medonho. Era enorme e seus pelos negros estavam eriçados claramente porque estava em pose de ataque. Ostentava presas afiadas que um lupino comum não teria. A criatura ficou de pé e andou sobre duas patas, então pude imaginar que ser poderia ser aquele.

Já havia ouvido muitas lendas sobre lobisomens naquela região, mas nunca pensei que pudessem ser reais. Alguns agricultores alegavam ter visto um licantropo entre suas plantações e alguns criadores de animais até mesmo já haviam perdido alguns gados para essa tal fera. Agora tudo parecia fazer sentido para mim. O lobisomem era mais real que nunca. Podia vê-lo em minha frente naquele momento com sede de sangue.

— Entra agora Sebastian!

Minhas pernas estavam pesadas demais naquele momento. Meu corpo parecia não querer me obedecer. Eu estava atônito demais para correr. Minha cabeça estava completamente travada. Até que ele avançou em nossa direção ferozmente, me tirando do transe em que me encontrava. Daynna atirou uma flecha na direção da besta, acertando seu olho esquerdo. O bicho urrou de dor e eu finalmente consegui me mover para dentro da chalé.

Me sentia um covarde por tê-la deixado ali fora com aquela criatura monstruosa, mas sabia que ela era capaz suficientemente de se defender sozinha, já que ela me salvara uma vez de uma besta tão horrenda quanto aquela.

Pela fresta da porta eu vi o animal avançando contra ela e arranhando-a. Nesse momento eu gritei por ela, mas ela tirou uma adaga da cintura e por fim cravou na lateral do corpo do bicho sobre ela que ganiu com o golpe. A criatura logo começou a se contorcer, enquanto eu abria a porta e corria na direção de Daynna para socorrê-la. Aos poucos os pelos no corpo do bicho foram se esvaindo, revelando uma pele clara por baixo daquela camada. Pouco a pouco o rosto lupino foi ganhando a forma de um humano, caindo para o lado já sem vida.

Daynna moveu-se e corri até ela para ajudá-la. Sua barriga estava com uma enorme marca de garras. Ela gemeu de dor, enquanto se colocava de pé com a minha ajuda. Ela tocou a barriga e seus dedos ficaram molhados com o seu sangue. Aquilo parecia muito grave.

— Daynna, você precisa tratar isso! — disse por fim.

— Não, tudo bem.

Fiquei um pouco perplexo pelo modo frio como ela agia naquele momento como se o corte que não parava de jorrar sangue de sua barriga, fosse apenas uma fissura insignificante.

— Eu tenho um pouco de água benta! — disse ela pegando algo dentro de sua bolsa de couro anexada ao cinto de couro em sua cintura. — Eu sempre carrego comigo em casos de contaminação demoníaca.

Ela pôs o conteúdo do frasco sobre a cicatriz que soltou uma fumaça negra, tirando qualquer partícula demoníaca que tivesse por ali e por fim sarando pouco a pouco a ferida, que foi se fechando até deixar a pele dela completamente lisa, como na primeira noite em que fui ferido por um Inferius. Havia sentido a sensação da ferida se fechando em mim e talvez nunca me acostumasse em presenciar aquilo. Era como um milagre.

— Bem, acho melhor te acompanhar até em casa — disse ela por fim. —, afinal você é um mocinho em perigo e eu não posso te deixar passar pelos perigos dessa noite sozinho.

Sorri e assenti. Ia amar ter a companhia dela por mais algum tempo, encerrando minha noite com a leveza que eu precisava depois do conturbado acontecimento minutos atrás. Olhei para o corpo pálido e totalmente sem vida do homem que outrora estava encarnado na pele de um lobo. Seu olho bom estava aberto sem expressividade alguma, enquanto  o outro olho ainda estava com a flecha cravada com sangue por todo o lado. Sua boca estava marcada pelo sangue que escorrera para fora banhando tudo com sua cor carmesim. Seu corpo era levemente peludo diferentemente da criatura lupina. Talvez antes da maldição ele fosse um homem comum vivendo a sua vida simples naquele povoado. Nem podia imaginar como seria viver sob uma maldição tão impiedosa como aquela. Em silêncio rezei pela alma daquele pobre homem que ali se encontrava, pedindo para que Deus tivesse piedade da sua alma.

Olhei para Daynna que carregava uma expressão compassiva em seu rosto, entendendo exatamente o que eu estava fazendo ali. Ela tocou meu ombro. Precisávamos ir embora. Respirei fundo e por fim seguimos floresta adentro de volta para casa. 

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