Capítulo 9

- Como f...

Luane se cala quando me viro para ela depois de fechar a porta.

- O que aconteceu com você?

Ela corre até mim, me olha dos pés a cabeça preocupada.

- Está tão mal assim? - Sorrio fraco.

Cada passo que dou todo meu corpo dói, e quando paro de frente para o sofá Lu me ajuda a me sentar com cuidado.

- Obrigada. - Agradeço.

- Precisa ir ao hospital Lina.

- Eu já fui.

Dimitri me levou praticamente a força, mas por sorte não tive nenhuma costela quebrada.

O médico que é seu amigo me passou apenas alguns remédios para inflamação e dor.

Estava estampando em seu rosto curiosidade, mas Dimitri pediu para ele não fazer pergunta alguma.

Vi ódio na feição de Dimitri, mas ele não perguntou nada, e nem o motivo de eu ter apanhado.

- Você está bem?

- Só com um pouco de dor. - Assumo.

- Por que ele te bateu dessa vez?

- Por discordar dele em alguns assuntos.

Fiquei o caminho inteiro pensando em qual desculpas iria dar para Luane. Ela jamais pode saber dos planos do meu pai, pois seria capaz de ir até ele e fazer um escândalo.

Espero que ela nunca descubra que estou me sacrificando por amor a ela e seus pais. Se pelo menos lhe passar isso pela cabeça, tudo irá por água abaixo, e estará tudo perdido para todos nós.

Conheço meu pai bem o suficiente para saber que ele cumpre sua promessa. Ele não se importa nem com a própria filha, muito menos com outras pessoas.

- Vou matar aquele desgraçado! - Ela se levanta e começa a andar de um lado para o outro.

- Não vale a pena manchar suas mãos com um homem daquele. - Suspiro alto.

Tudo que se planta colhe, então tenho certeza que algum dia terei justiça por toda maldade que ele já fez e faz comigo.

Não acredito que ele possa mudar algum dia, e mesmo se isso acontecesse, não sei se seria capaz de perdoá-lo.

Normalmente não sou uma pessoa rancorosa, mas meu pai não merece respeito algum vindo de mim, muito menos amor e perdão.

Sempre fui tratada como lixo, ele faz e desfaz o que bem entende sem ao menos pedir minha opinião. Um homem como ele não merece ser chamado de pai, mas sim um monstro sem coração.

- Como ele pode bater em você apenas por discordar?

- Não foi a primeira vez. - Falo. - E acho bem improvável que seja a última.

Mesmo sendo obrigada a me casar com um homem que não amo, tenho um pouco de esperanças que meu marido possa me proteger dele de alguma forma.

Mas para minha desgraça não sei ao certo se posso confiar em Mateo. Ele parece esconder algo, e isso me deixa com muito receio.

- Se ele tocar em você novamente. - Luane faz uma cara do mal. - Eu quebro a cara dele.

- Não vou tentar impedi-lá.

Fico feliz por minha amiga estar do meu lado, e do seu jeito tenta me proteger, mesmo sabendo que não tem chance alguma contra ele.

- Deveríamos fugir? - Ela pergunta. - Vou com você para qualquer lugar.

Isso já passou pela minha mente, mas tenho total certeza que ele descobriria, e o que eu teria que enfrentar em seguida não seria nada comparado ao que já sofro, seria muito pior.

Não posso e não quero estragar a vida de Luane e seus pais, apenas para fugir do meu pai. Terei que viver assim pelo resto da minha vida, se quiser proteger quem eu amo.

- Não tenho para onde fugir. - Digo. - Apenas tenho que aceitar calada.

- Isso não é vida Lina. - Ela fala brava.

- Eu sei disso. - Suspiro alto. - Mas o que eu posso fazer a não ser suportar?

- Vamos começar do zero em outro lugar.

- Jamais pediria isso para você Luane. - Digo. - Você ama o que faz, tem seus pais ao seu lado. - Pego sua mão e aperto de leve. - Não vou permitir que sacrifique sua vida por mim.

- E você Lina?

- Eu sobrevivo do meu jeito. - Sorrio fraco. - Espero não viver assim para sempre.

Em algum momento da minha vida espero ser feliz, nem que seja um pouquinho.

- Não precisa aguentar isso Lina. - Seus olhos se enchem de lágrimas.

Se for para mantê-la segura e bem eu preciso, caso contrário todos os seus sonhos estariam acabados em um estalar de dedos.

- Não se preocupe comigo. - Forço um sorriso largo.

- Como não? - Retruca. - Olhe para o seu rosto.

Ganhei um belo de um hematoma no canto da boca do tapa que recebi. Minhas costelas doem, e provavelmente estará roxo amanhã.

- Não vou permitir que ele me bata novamente. - Falo.

Decidi concordar com seus planos, mas espero que ele não me bata novamente, ou revidarei com todas as minhas forças sem arrependimento algum. Não sou um saco de pancadas que ele usa sempre que é contrariado.

- Você sempre fala isso.

- Dessa vez é diferente Lu.

Antes eu tinha esperanças que ele poderia mudar algum dia, mas hoje percebi que isso jamais acontecerá. Então se toda vez que eu discordar dele ele me bater e eu aceitar, isso jamais acabará.

- Eu te ajudo a bater nele se for necessário. - Luane mostra os braços magricelos.

- Estaríamos ferradas. - Começo a rir.

Me calo no instante seguinte, ao sentir uma onde de dor pelo corpo.

- Já tomou o remédio?

- Sim. - Faço uma careta de dor.

- Acho bom você ir para cama. - Ela se levanta.

Luane pega minha mão e me ajuda a me levantar com cuidado, em seguida pega minha bolsa e caminha lado a lado comigo até o quarto.

- Eu vou tomar um banho primeiro.

- Quer minha ajuda?

- Não precisa.

- Se precisar é só chamar.

Aceno com a cabeça e caminho em direção ao banheiro. Fecho a porta assim que adentro o ambiente, e então começa uma luta para tirar minhas roupas.

- Lu! - A chamo.

Segundos depois a porta é aberta e ela pergunta:

- O que foi?

- Não consigo me abaixar para tirar minha calça. - Falo.

- Vou te ajudar.

Pela primeira vez na vida precisei da ajuda da minha amiga para tornar banho, e de alguma forma me senti humilhada por estar nessa situação sem ter feito nada.

Depois do banho Luane me ajuda a vestir meu pijama, e a me deitar.

- Quer mais alguma coisa?

- Não. - Falo. - Obrigada pela ajuda.

- Não precisa agradecer. - Ela me dá um beijo na testa.

Luane apaga a luz do quarto, em seguida sai fechando a porta atrás de si.

Sinto minha visão turvada pelas lágrimas, então não as seguro mais. Estava me fazendo de forte perto dela, mas nesse momento quero chorar e é isso o que faço.

- Eu sabia. - Luane abre a porta.

Ela entra no quarto, caminha até a cama e se deita ao meu lado.

- Estava escutando atrás da porta? - Sorrio em meio as lágrimas.

- Sim. - Assume.

- Você é muito xereta.

- Eu sei.

Ela me abraça e passa a mão pelas minhas costas, e de alguma forma isso sempre funciona quando estou triste. Tenho sorte por ter uma amiga de verdade, que está ao meu lado em todos os momentos, seja eles bons ou não.

Depois de alguns minutos me acalmo, e acabo adormecendo pensando em como enfrentar Mateo e dizer que aceito me casar com ele.

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