Capítulo 52 ♡ Último Capítulo

- Quem é você? - Perguntamos ao mesmo tempo.

- Mas... Eu... Você... Nós. - Não consigo formar uma frase sequer.

- O que está acontecendo? - A mulher me olha confusa. - Por que você é exatamente como eu?

- Eu não sei. - Digo ainda boquiaberta.

- May? - O senhor Morgan aparece ao lado da mulher. - O que aconteceu? Por que bateu no Mateo?

- Ele me abraçou por trás. - Ela fala.

- Eu achei que era minha esposa. - Mateo explica. - Achei estranho o fato de estar com outra roupa de quando veio para a festa, mas como são idênticas acabei achando que era a Lina.

Hoje é seu dia de sorte, porque Mateo se livrou da morte por pouco.

- Você teve outra filha pai? - May pergunta. - Por que somos tão parecidas?

- Você é minha única filha. - Ele fala. - Mas também estranhei o fato de que Lina e você são tão parecidas.

- Tem certeza que não somos irmãs gêmeas? - Ela pergunta. - Poderíamos ter sido separadas no nascimento.

- Meu irmão é um ser desprezível, mas não acho que seria capaz de fazer isso. - O senhor Morgan passa as mãos pelos cabelos.

- Qual o nome do seu irmão? - Pergunto. - Poderia ser Thomas?

Ele se assusta quando falo o nome do meu pai, então nesse momento tenho ainda mais certeza que ele ser parecido com ele não é apenas uma coincidência.

- Mas... Como você sabia? - Ele arregala os olhos.

- Thomas é meu pai. - Digo.

- Isso é impossível.

- Por quê? - Pergunto.

- Thomas não podia ter filhos. - Ele diz.

- Então... Então quer dizer que sou sua filha e não do Thomas? - Levo as mãos ao peito. - Estou cada vez mais confusa.

Me sento na primeira cadeira que encontro, pois minhas pernas estão cada vez mais trêmulas.

- Você está bem Lina? - Mateo se abaixa perto de mim.

- Sim. - Suspiro alto. - Eu acho que estou.

- Você é filha da Justine? - Morgan pergunta.

- Sim. - Digo.

- Não estou entendendo nada. - Ele passa as mãos pelo rosto.

- Parece que o senhor foi enganado por seu irmão papai. - May fala.

- Como assim enganado? - Pergunto.

Ele pega uma cadeira e se senta de frente para mim, então me encara por algum tempo em silêncio.

- Eu e Justine namoramos em segredo por um tempo, mas não sabíamos que ela estava prometida ao meu irmão há muitos anos. Depois disso descobri que Thomas ainda não a conhecia, então contei para ele que era o namorado da sua mãe, e ele ficou ao meu lado e disse que falaria com nosso pai e seu avô para que eu me casasse com Justine e não ele. - Morgan sorri fraco. - Mas quando ele enfim a conheceu se apaixonou por ela a primeira vista, então Thomas começou a mudar, e não era para melhor. Depois disso começamos a nos distanciar, porque eu não abria mão da sua mãe e nem ele, mas como Thomas era o mais velho, meu pai disse que o direito de se casar com Justine era dele. - Morgan fecha os olhos por um tempo e leva a mão ao peito. - Iríamos fugir juntos, mas Thomas acabou descobrindo e contou para meu pai e seu avô, então fui expulso de casa, e sua mãe obrigada a se casar com meu irmão.

- O que aconteceu depois? - Pergunto.

- Thomas não permitia que Justine saísse de casa, e colocou guardar por todo lado para que ela não fugisse. Algum tempo depois descobri que ela estava grávida, então no mesmo instante tive certeza que o filho era meu, pois já sabia que meu irmão era estéril. Tentei de todas as formas me encontrar com Justine, mas nunca consegui depois que ela se casou com Thomas. Alguns meses depois ele apareceu no meu apartamento com uma criança nos braços e me entregou ela falando que era minha filha. - Morgan olha para May. - Thomas falou que Justine havia morrido depois que a filha nasceu, e que ele não queria e não tinha obrigação de cuidar da filha de outro homem.

- Ele mentiu sobre a morte da minha mãe. - Falo. - Ela já é falecida, mas isso só aconteceu quando eu estava na adolescência.

- Agora eu vejo que fui enganado.

- Por que ele separou as duas? - Mateo pergunta. - Isso não faz sentido.

- Provavelmente mentiu para minha mãe sobre a morte da outra filha. - Digo. - Ela nunca me falou sobre eu ter uma irmã gêmeas.

Thomas é ainda mais repugnante do que eu imaginava. Como um ser humano tem a capacidade de ser tão mau? Como conseguia dormir tranquilamente à noite, mesmo tendo  plena consciência de toda maldade que sempre fez?

Apesar de ser um monstro, ele ainda teve a decência de entregar May ao pai, ao invés de matá-la. Se Thomas teve coragem de tentar matar meus filhos, também seria capaz de matar um criança no passado.

Apesar de estar curiosa, nunca saberei o que ele falou para minha mãe sobre May. Mesmo que eu queira saber, jamais irei até ele para perguntar.

Espero que eu nunca mais coloque meus olhos sobre Thomas, e o que eu mais desejo é que ele apodreça atrás das grades, e pague por toda maldade que sempre fez.

- Eu deveria ter duvidado da sua palavra, mas mesmo se eu tivesse dúvidas se Justine estava morta ou não, Thomas jamais permitiria que eu entrasse em sua casa.

- Está explicado o motivo dele ter me maltratado a vida toda. - Falo. - Um pai de verdade não seria capaz de fazer com uma filha o que ele fazia comigo.

- Thomas te maltratava? - Ele pergunta surpreso.

- Você não faz ideia do que eu passei. - Digo.

- Com o tempo ele se tornou um homem frio, mas nunca imaginei que ele seria capaz de maltratar uma criança. - Morgan fala. - Ele era um bom homem, mas da noite para o dia mudou.

Ele deve ter sido sempre ruim, mas Morgan não percebeu porque amava o irmão. Um homem bom seria capaz de se tornar um monstro de repente apenas por que seu amor não era retribuído? Tenho certeza que Thomas jamais foi um homem decente, então acabou usando o fato de não ser amado como desculpas para ser cruel.

- Enquanto minha mãe estava viva ele me tratava bem, mas nunca demonstrou afeto por mim. - Confesso. - Mas depois que ela morreu  Thomas monstrou sua verdadeira face, e então começou minha vida infeliz e cheia de dor.

- Me perdoe. - Morgan pede. - Se eu soubesse...

- Você não tem culpa. - O corto. - O único culpado é Thomas, então não precisa me pedir perdão.

Morgan é tão vítima quanto eu, por isso não tem que se sentir triste ou culpado pela vida horrível que tive ao lado de Thomas.

- O quanto você sofreu? - May pergunta.

- Não queira saber. - Olho para ela.

- Thomas foi tão ruim assim? - Morgan parece não acreditar.

- Um homem que tentava usar a filha para seduzir alguém, que a agredia ao ponto de deixá-la cheia de hematomas, e que depois de ser contrariado agride a filha para tentar matar seus netos é ruim o suficiente? - Mateo pergunta.

- O quê?! - Morgan arregala os olhos.

- Isso é verdade? - May está incrédula.

- Sim. - Confirmo com a cabeça. - Infelizmente é a verdade.

- Como Thomas foi capaz... - Morgan passa as mãos pelos cabelos. - Como foi capaz de fazer isso com você?

- É o que me perguntei minha vida toda.

Por não ter sido amado por minha mãe, Thomas deve ter realizado sua vingado em mim, mas sendo sua filha ou não, eu não merecia nada do que ele me fez passar.

Se tivesse sido um bom homem, talvez teria conseguido o amor da minha mãe, mas sempre foi tão ruim e autoritário que a única coisa que conseguiu foi ser respeitado, mas não porque merecia respeito, mas sim por medo.

- Podemos fazer uma teste de DNA para ter certeza que realmente é minha irmã. - May diz. - Tudo indica que sim, mas é bom ter certeza.

O senhor Morgan pega minha mãe e aperta de leve, então pergunta:

-  É tarde demais para sermos uma família Lina?

- O quê?

- Não preciso de um teste de DNA para ter certeza que é minha filha, e a partir de agora quero aproveitar cada segundo que perdi longe de você.

- Se isso for o que realmente deseja. - Digo.

Não nos conhecemos e não temos nenhum tipo de intimidade, e mesmo que eu seja sua filha, ele não tem a obrigação de querer ficar ao meu lado nesse momento, mas acho que eu gostaria de passar por essa experiência.

Pelo pouco que percebi o senhor Morgan é um bom pai, então talvez algum dia sejamos capazes de amar um ao outro, e nos tornamos uma família unida.

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