Capítulo 5
- Onde esteve Lina? - Lu pergunta.
- Longa história. - Me jogo no sofá.
- O que houve com seu rosto? - Me olha preocupada.
Narro para minha amiga tudo o que aconteceu na noite passada, e como se era de esperar ela me dá uma bronca daquelas.
- Você é louca Lina?!
- Claro que não. - Falo.
- Quando se deparar com algo assim peça ajuda Lina, e não vá enfrentar um homem.
Sei que não tenho chance alguma com um homem, mas naquele momento só pensei em ajudar a moça, e acabei esquecendo que eu poderia entrar em uma enrascada, e foi isso o que aconteceu.
Por sorte Mateo surgiu para me ajudar, ou estaria bem ferrada. Não gosto nem de imaginar o que poderia ter acontecido.
- Aprendi minha lição. - Digo. - Não se preocupe.
- Acho bom mesmo. - Ela aponta o dedo para mim.
- Sim senhorita. - Sorrio abertamente.
- Ainda não acredito que Mateo cuidou de você. - Ela diz ainda incrédula.
- Por quê? - Pergunto.
- Mateo não é o tipo de homem que ajudaria alguém dessa forma.
Ele foi rude comigo quando nos conhecemos, e com toda certeza eu quis lhe matar por achar que eu era interesseira, mas depois que ele me ajudou mudei a minha opinião a seu respeito.
Espero não estar errada, mas mesmo se estiver a chance de nos encontramos novamente é nula.
- Ele foi um idiota, mas depois começou a me tratar melhor. - Falo.
- Incrível. - Lu bate palmas.
- Está exagerando. - Reviro os olhos. - Ele foi muito gentil.
- Por que está corando Lina?
- Não estou. - Desconverso.
- Aconteceu mais alguma coisa e você está escondendo de mim?
- Cla... claro que não. - Gaguejo para minha infelicidade.
É óbvio que deixei de contar para ela a parte que ele me beijou e eu retribuí.
- Pode me contar o que aconteceu. - Lu insiste.
- Não aconteceu nada. - Minto.
- Terei que perguntar para ele quando nos encontramos novamente?
- Você não faria isso. - Arregalo os olhos.
Lu seria capaz disso e muito mais, então terei que contar mesmo querendo manter isso em segredo.
- Você sabe que eu faria. - Ela cruza os braços. - Então conte logo.
- Bem... Então... O que aconteceu foi...
- Para de enrolar mulher. - Ela revira os olhos.
- Ele me beijou. - Digo por fim.
- Você... você... vocês... ele e você. - Ela fica boquiaberta.
No seu lugar eu também estaria bem surpresa, já que ele foi o primeiro homem que beijei na vida.
- Fale alguma coisa. - Digo.
- Não fico surpresa por ele, já que Mateo é um galanteador, mas nunca imaginei que você faria isso. - Ela ainda parece não acreditar.
- Eu sei. - Suspiro alto. - Ainda não acredito no que fiz, o pior de tudo foi que eu gostei.
- Mateo não é homem para ter um relacionamento Lina. - Ela diz. - Então se não quiser sofrer minha amiga, não se iluda.
Eu sei disso, mas mesmo sabendo que ele não presta, ainda assim tenho uma sensação estranha no peito.
- Não se preocupe. - Sorrio fraco. - Bem improvável que o veja novamente.
- Não sei não em... - Ela me encara. - Você está muito animadinha.
- Não sei de onde tirou isso. - Reviro os olhos.
- Falo isso não para te desencorajar, mas porque te amo demais para te ver se apaixonando por um homem como ele, e sofrer nesse processo.
- Não estou apaixonada por ninguém Lu. - Falo. - Está exagerando.
- Tudo bem então. - Ela ainda parece não acreditar.
Gostei do beijo, mas me apaixonar já é outro assunto bem diferente. Sei bem o tipo de homem que ele é, mas também sei que entregar meu coração para um homem que não presta seria minha sentença de morte.
Nunca me apaixonei, porque ainda não encontrei um homem que me chamasse atenção, e quando de repente isso acontece, surge um cafajeste.
Sou pé no chão e não caio no papo de qualquer um, e até agora não acredito que baixei minha guarda e deixei Mateo me beijar.
Eu deveria ter o impedido, mas acabei cedendo, e o pior de tudo acabei gostando do beijo.
Só posso estar louca, ou não teria feito algo tão irresponsável dessa forma.
- Lina...
- Eu já entendi Luane. - Reviro os olhos. - Nem ao menos vou encontrá-lo novamente, então pare de se preocupar.
- Olhar para você já me deixa preocupada.
- Que mulher teimosa. - Digo.
- Sou mesmo... - Sorri abertamente. - E se for para te proteger, serei ainda mais teimosa.
- Está se preocupando atoa. - Falo.
- Arrume um bom homem minha amiga. - Ela diz. - Um que vale a comida que come.
- Não estou interessada em namoro no momento. - Suspiro alto. - Minha vida tá bagunçada demais para pensar nisso agora.
Já tenho problemas demais para arrumar mais um. Não quero trazer ninguém para minha vida bagunçada.
Segui meu sonho, mas o meu salário mal dá para pagar as contas, então não tenho certeza se fiz a escolha certa.
Sonho não colocará comida na mesa, mas ao mesmo tempo não me imagino fazendo algo que não gosto. Ser professora sempre foi meu desejo, e mesmo que seja difícil as vezes, ainda assim sou feliz com minhas crianças.
Quando começo a ter dúvidas, olho para elas e minhas forças se renovam. É óbvio que não é tudo perfeito, pois lidar com crianças não é nada fácil. Mas como sou uma pessoa calma, acabo tendo paciência, e para minha felicidade meus alunos são bem educados, e me dão muito orgulho.
- O que vai fazer com esse pijama? - Lu me tira dos meus devaneios.
- Vou devolver. - Falo.
- Vai na casa dele?
- Não. - Digo. - Vou mandar alguém entregar.
- Ou então vá até lá enquanto ele estiver no trabalho. - Ela diz.
- Depois resolvo isso.
Me levanto, pego minha bolsa e caminho em direção ao meu quarto lentamente.
Pego meu celular e o coloco para carregar, e quando o ligo fico supresa ao ver tantas ligações perdidas do meu pai.
- Que milagre. - Murmuro comigo mesma. - Lembrou que tem uma filha?
Nem me lembro quando foi a última vez que o vi ou recebi alguma ligação sua. De vez em quando lhe mando mensagens, mas nunca tenho repostas suas. Sou tão idiota que continuo mandando mensagens sabendo que ele não irá me responder.
Não retorno as suas ligações e deixo o celular sobre o criado mudo para terminar de carregar. Vou em direção ao banheiro para tomar um banho, mas antes que eu abra a porta meu celular começa a tocar.
- Alô? - Atendo a ligação.
- Lina? - Meu pai pergunta.
- Sim. - Respondo. - Com quem eu falo?
Ele suspira alto do outro lado da linha, e nesse momento tenho certeza que ele está inquieto.
- Quem mais poderia ser? - Pergunta rudemente. - É seu pai.
- Não tenho pais senhor. - Digo. - Ligou para a pessoa errada.
- Não me faça perder a paciência Lina. - Ele diz bravo.
- Você...
- Esteja pronta as 19 horas. - Ele me corta.
- Desculpe. - Peço a ele. - Mas eu já tenho compromisso.
- Meu motoristas irá te pegar as 19 horas. - Fala. - Não se atrase.
Ele desliga na minha cara como sempre faz, e nem ao menos me deixa falar algo.
Fico me perguntando o que ele quer comigo e porque ligou tão de repente. Mas de uma coisa tenho total certeza. Essa noite não será nem um pouco agradável.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top