Capítulo 49

- Que horas Dimitri chega? - Mateo pergunta.

- Ele me mandou mensagem dizendo que estava saindo do aeroporto agora mesmo. - Lhe respondo.

- Blincar papai! - Bryan pula em volta do Mateo.

- Ainda não está cansado? - Ele pergunta.

- Não. - Ele nega com a cabeça freneticamente.

- Lucy blincar. -

- Não tenho idade para ficar correndo por aí meus amores. - Mateo levanta os dois nos braços.

- Seu pai precisa descansar. - Digo para eles. - E vocês precisam ir para o banho.

Mateo saiu de manhã com Jeremy para procurar algumas fazendas que estão a venda nas redondezas, e desde que chegou Lucy e Bryan não lhe deram sossego.

Por sorte a fazenda ao lado estava a venda, e Mateo já a comprou. Na verdade nem conheço quem são os vizinhos de Jeremy.

Sempre que eles convidavam Jeremy e a família para alguma festa, eu não podia ir porque estava trabalhando ou cuidando das crianças, então não faço ideia de quem vendeu a fazenda para Mateo.

Não achei que ele iria conseguir comprar alguma com tanta rapidez, mas ainda bem conseguiu.

Fiquei tão aliviada por ele ter decidido morar no Texas. Eu realmente não queria voltar para Nova York, mas faria isso se ele pedisse.

Só tenho medo que ele se arrependa da sua escolha futuramente. É uma mudança drástica, e talvez ele não seja capaz de se acostumar com sua nova vida.

Mateo coloca as crianças no chão, em seguida caminha até eu e fala:

- Eu esqueci de te falar, mas o senhor que me vendeu a fazenda vai dar uma festa de despedida e nos convidou.

- Por que ele está indo embora? - Pergunto com curiosidade.

- Sua filha terminou a faculdade, e agora ele está planejando ir morar na cidade com ela.

- Que bom que você conseguiu comprá-la então. - Digo.

Mateo não fala nada, e parece pensativo de repente.

- No que está pensando? - Pergunto. - Está arrependido?

- Não. - Ele nega com a cabeça. - O senhor Morgan se parece com alguém que conheço, mas não consigo me lembrar de quem.

- Sério?

- Sim. - Ele diz.

- Talvez esteja enganado. - Falo.

- Pode ser, mas ainda acho que já o vi antes, ou alguém muito parecido com ele.

Por algum motivo fico curiosa para conhecer esse tal de Morgan. Não estava planejando ir na sua festa, mas agora decidi que irei.

- Vamos para o banho crianças. - Me levanto do sofá. - Daqui a pouco sua tia Luane, seu tio Dimitri e a prima Melanie chegarão, então vamos tomar um banho.

- Quelo blincar. - Lucy fala.

- Mais tarde vocês brincam, agora já para o banho. - Digo séria.

- Papai... - Lucy olha para Mateo.

Ainda bem que Mateo não tentou tentou mimá-la, ou me fazer mudar de ideia nesse momento. Vejo na escola alguns pais que acabam estragando os próprios filhos. O pai diz não para alguma coisa, aí vem a mãe e tira toda sua autoridade, e isso faz seus filhos perderem o respeito por ambos.

Quando se dão conta já é tarde demais. O filho não dá ouvidos a nenhum dos dois, e faz o que bem entende, porque não aprendeu sobre limites.

- Sua mãe mandou ir banhar, então é melhor obedecer. - Ele diz.

Ela faz um biquinho e cruza os braços fazendo pirraça, então falo:

- Por estar fazendo pirraça vai ficar sem ver TV por dois dias. - Digo. - Falei uma vez e não obedeceu, agora vai ficar de castigo.

- Mamãe...

- Quer que eu aumente mais dois dias? - A corto. - Farei isso se não me obedecer agora mesmo.

Bryan fica quietinho olhando para as pirraças da irmã. Por sorte ele ainda não tentou imitá-la, mas se fizer isso também será repreendido da mesma forma.

- É muito feio crianças desobedientes aos pais, então escuta sua mãe. - Mateo fala para ela.

Ela descruza os bracinhos, em seguida começa a correr em direção as escadarias.

- Se cair e se machucar vai ficar mais dois dias sem TV! - Grito.

Ela para de correr no mesmo instante e começa a caminhar.

Até agora nunca precisei bater nos meus filhos. Apanhei tanto do meu pai, que decidi criar meus filhos sem bater, apenas usando minha autoridade de mãe.

Lucy é mais pirraçenta, já Bryan é mais obediente, mas quando ambos estão fazendo alguma coisa errada, eu não bato, apenas mando parar, mas se não me ouviu da primeira vez terá algum castigo.

Eles tem que aprender desde pequenos que sim é sim, e não é não, então tento ao máximo educá-los da melhor forma possível e sem agredi-los.

Ainda são pequenos para entender algumas coisas, mas se for deixar para ensinar quando tiver idade o suficiente para saber o que é certo e o que é errado, talvez seja tarde demais.

Minha mãe nunca levantou a mão para mim, mas quando eu estava fazendo algo errado, ela apenas me olhava e eu já sabia que era para parar. Sempre a respeitei pela forma que ela me criou, e será da mesma maneira que pretendo educar meus filhos.

Thomas era totalmente o contrário. Ele não falava nada, apenas me batia eu devendo ou não.

🌻

- Até que enfim chegaram. - Sorrio abertamente.

- O pneu do carro furou, então demoramos mais um pouquinho. - Jeremy fala. - E para piorar ainda mais o step também estava furado, então tive que esperar passar algum carro para me dar carona até a cidade.

Ele coloca duas malas no canto da parede, e caminha até eu em passos largos.

- Onde está o Dimitri e Luane? - Pergunto.

- Dimitri estava acordando a sua amiga.

- Devem estar cansados. - Olho para a porta aberta. - Ainda bem que chegaram todos em segurança.

- Onde estão todos? - Ele olha em volta.

- Dormindo. - Lhe respondo.

Mateo estava esgotado, então acabou adormecendo enquanto esperava. Elisa, Donna e Mel também acabaram indo dormir, porque Jeremy estava demorando demais.

- Com licença. - Olho para o lado e vejo Dimitri entrando na casa.

- Por favor entrem. - Jeremy diz.

Dimitri está com uma garotinha dormindo nos braços, enquanto Luane está logo atrás.

- Sentiu minha falta? - Ele vem até mim e me abraça com cuidado para não acordar a filha.

- É claro que sim. - Meus olhos se enchem de lágrimas.

- Também sentimos a sua. - Ele fala.

Dimitri coloca Melanie no meu colo com cuidado, então lhe dou um rápido beijo na sua bochecha rosada.

- Ela se parece tanto com você.

- Não deixe Luane escutar isso. - Ele cochicha para mim.

Luane está de braços cruzados olhando para o lado oposto de onde estou, então devolvo Melanie para Dimitri e caminho até ela.

- Oi Luane.

Ela me ignora e continua olhando para o outro lado.

- Está parecendo minha filha fazendo pirraça. - Digo baixinho.

- Sua filha?! - Ela se vira para mim rapidamente.

Caminho para mais perto dela, e lhe dou um abraço. Luane tenta me empurrar, mas a aperto ainda mais e não a solto.

- Me solte Lina. - Ela pede.

- Não quero. - Continuo a abraçando.

- Mande ela me soltar Dimitri.

- Vocês duas resolvam seus problemas, me deixe de fora dessa. - Ele diz.

- Senti tanto a sua falta. - Suspiro alto.

- Sentiu tanto que nem ao menos me mandou uma mensagem. - Ela retruca.

Me distancio dela e a encaro olho no olho.

- Eu sei que está brava comigo por eu ter fugido sem ao menos falar nada, mas eu não me despedi ou liguei, porque estava pensando na sua segurança. - Falo. - Você sabe que Thomas era e é capaz de qualquer coisa, então saber onde eu estava poderia lhe colocar em perigo.

- Eu não me importava.

- Mas eu sim. - Retruco. - Como acha que eu iria me sentir se Thomas fizesse algo com você por minha causa? Acha que eu me perdoaria algum dia? - Pergunto. - Pois eu preferia ver você brava comigo e em segurança, do que saber onde eu estava e correndo algum risco.

Provavelmente Thomas colocou alguém para vigiá-la, e se percebessem que ela sabia de algo, iria usar da força para descobrir meu paradeiro, então pensei que era melhor pedir ajuda a mulher que ele não iria desconfiar.

- Agora está brava comigo, mas tenho certeza que se fosse você no meu lugar faria a mesma coisa. - Falo. - Tudo o que eu fiz foi pensando na sua segurança, e eu gostaria que entendesse isso.

- Eu entendo Lina, mas você acha que eu fiquei como quando você sumiu? - Ela pergunta. - Eu imaginava que seu pai havia te sequestrado, ou estava te torturando em algum lugar desconhecido ou até mesmo te matado. Não precisava me dizer para onde ia, apenas deveria ter me contado sobre seus planos, então eu não teria ficado igual louca achando que tinha perdido minha amiga.

- Eu assumo meu erro. - Suspiro alto. - Eu deveria ter contado, mas naquele momento eu não estava pensando direito.

- Sim, você errou e feio.

- Me perdoe. - Peço. - Não quero que fique brava comigo de agora em diante.

- Terá que ralar muito para conseguir meu perdão. - Ela fala.

- Talvez me perdoe depois de conhecer meus filhos. - Sorrio abertamente.

Apesar de estar brava comigo nesse momento, tenho certeza que ela irá me perdoar. Luane tem um bom coração, então não seria capaz de me odiar por muito tempo.

- Filhos? Não havia perdido o bebê? - Dimitri pergunta.

- Eu pedi para o médico mentir. - Assumo. - Se Thomas soubesse que meu bebê estava vivo, poderia tentar matá-lo novamente.

- Você falou filhos? - Luane me olha confusa.

- Estava grávida de gêmeos. - Sorrio abertamente. - Se chamam Lucy e Bryan.

- Onde estão? - Ela pergunta.

- Estão dormindo.

- Fico feliz por saber que não perdeu o bebê. - Luane fala.

- Obrigada. - Agradeço. - Para tudo ficar ainda melhor, preciso ser perdoada por minha amiga.

Ela suspira alto enquanto passa as mãos pelo rosto.

- Eu te perdoou porque te amo demais Lina, mas se ao menos sonhar em fugir sem falar nada novamente, não precisa ir atrás de mim ou me ligar, porque nossa amizade estará acabada.

- Não precisa se preocupar, isso não vai acontecer novamente. - Sorrio abertamente.

Ela abre os braços enquanto também sorri para mim, então dou um passo em sua direção e a abraço.

- Nunca mais vamos nos separar. - Ela fala.

No mesmo instante me lembro que não irei voltar para Nova York, e torço para que Luane não fique brava novamente, ao descobrir que ficaremos longe uma da outra.

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