Capítulo 47

- Thomas?

- Lina minha querida, peça para esses homens me soltarem. - Ele diz.

- Por que eu faria isso? - Pergunto. - Não confio em você.

- Eu vim te pedir perdão Lina. - Continua fugindo de bom pai. - Eu estava morrendo de saudades de você.

- Pode parar com o teatrinho Thomas, eu não acredito em você.

Sua feição vacila um pouco, mas no segundo seguinte a máscara de bom pai está estampado no seu rosto novamente.

- Por que Lina? - Ele pergunta. - Estou falando a verdade.

- Não perca seu tempo tentando me convencer de que está falando a verdade. - Sorrio incrédula. - Não sou tão burra a ponto de acreditar em você.

Algum tempo atrás eu poderia acreditar no seu arrependimento, mas conheço Thomas bem o suficiente para saber que ele jamais será capaz de mudar. Não acredito em nenhuma palavra que saia da sua boca, e mesmo que por um milagre ele mudasse, não iria querer um homem que tentou matar meus filhos por perto.

Jamais irei perdoá-lo por isso, mesmo que se arrependa algum dia, o que acho bem improvável.

- Como encontrou a Lina? - Mateo pergunta para Thomas.

- Você não foi tão esperto em esconder seus rastros como da outra vez. - Ele sorri de canto.

- Como da outra vez? - Olho para Mateo confusa.

- Um ano depois que você fugiu eu consegui te encontrar. - Ele me responde. - Mas voltei para Nova York depois de ver você com um homem.

- Sabia onde eu estava o tempo todo?

- Sim. - Ele confirma com a cabeça. - Você pareceria feliz, então eu pensei que estragaria sua felicidade naquele momento, então decidi ir embora.

Uma parte de mim fica decepcionada por Mateo ter ido embora sem falar comigo, mas ao mesmo tempo agradeço, porque era tudo tão recente, e eu ainda não o tinha perdoado por completo, então acabariamos brigando, e talvez tudo ficaria ainda mais complicado. Com toda certeza ele me viu com Jeremy, porque ele é o único homem que sou amiga no Texas.

- Chame a polícia Carlos. - Jeremy pede. - Até onde eu sei esse homem é um fugitivo.

- Vai deixar Lina? - Thomas pergunta.

- Com toda certeza eu vou. - Cruzo os braços. - Você precisa pagar por seu crimes, então não tenho motivo algum para tentar impedir algo.

- Eu sou seu pai. - Ele retruca.

- Temos o mesmo sangue correndo nas veias, mas você deixou de ser meu pai no momento que tentou matar meus filhos. - Digo seria. - Jamais te perdoarei por isso, então se for passar o resta da sua vida na prisão, ainda acho pouco por toda maldade que já fez.

- Tentou? - Ele pergunta mas o ignoro.

Um homem mau como Thomas não merece ser chamado de pai, e mesmo ele sendo meu pai, não tenho a obrigação de ser boa com ele. Depois de tudo o que ele me fez passar, quero mais é que ele apodreça na prisão.

Não acho que eu esteja sendo cruel ao pensar dessa forma, apenas cansei de sofrer na sua mão, cansei de acreditar na sua redenção, então não tenho motivo algum para sentir pena dele.

- Sua vadia egoísta. - Ele murmura entredentes.

- Não estava arrependido papai? - Pergunto com sarcamos.

- Cuidei de você a vida toda e é dessa forma que me agradece?

- Cuidou de mim? Você nunca fez nada por mim, a não ser me maltratar e me usar em seus planos nojentos e doentios.

- Tudo que tem hoje é graças a mim.

- Está enganado. - Falo. - Tudo o que tenho foi graças aos meus esforços, porque se fosse depender de você, eu realmente seria uma vadia.

Apesar de crescer em um ambiente nojento, eu não me deixei influenciar pelas coisas ruins a minha volta. Eu disse a mim mesma que seria completamente diferente do meu pai, eu disse a mim mesma que jamais iria usar as pessoas para meu benefício próprio.

Na mente doentia de Thomas, ele acha que fez alguma coisa boa por mim, mas na verdade tudo o que ele me mostrou foi a podridão das pessoas, e esse foi mais um dos motivos de eu jamais querer ser como ele.

Não gosto nem de imaginar o que eu teria me tornado se tivesse lhe dado ouvidos e escutado seus maus conselhos, e por sorte fui madura o suficiente para escolher um bom caminho.

- Pesando bem, você fez algo bom por mim. - Digo. - Se não fosse por você eu não teria me casado com Mateo, então eu tenho que te agradecer por isso.

- Deveria mesmo me agradecer.

- Mas você não contava com uma coisa. - Sorrio abertamente. - O homem que você achou que iria andar debaixo dos seus pés, lhe fez perder tudo, e agora você perdeu seus bens, e sua única filha.

- Você...

- Realmente devo te agradecer papai. - O corto. - Mateo me deu dois filhos incríveis, e ele me ama e está ao meu lado. Além de tudo ele sempre irá me proteger de você, então quando você achar que fez algo bom me casando com ele, na verdade você fez, mas não para você e sim para mim.

Mateo me fez sofrer sim, mas isso está no passado. O que realmente importa para mim é a vida que teremos de agora em diante, e tenho certeza que seremos muito felizes.

- Dois filhos? - Ele arregala os olhos. - Então quer dizer que o bastardinho não morreu?

- Não chame meus filhos de bastardos. - Mateo voa em cima dele e esmurra seu rosto.

Thomas cai no chão e Mateo continua batendo nele, então Jeremy o segura e o puxa para longe de Thomas.

- Pare Mateo. - Jeremy pede.

- Esse verme merece morrer!

- Eu sei, mas não pode sujar suas mãos com o sangue dele. - Jeremy diz. - Deixe que a justiça seja feita, mas não por você.

Corro até Mateo e seguro sua mão entre as minhas, e peço:

- Se acalme por favor.

- Depois de toda maldade que ele fez com você, merece apanhar ainda mais.

- Eu sei. - Digo. - Mas não quero que se prejudique por minha causa, então se acalme.

Sinto o corpo de Mateo todo trêmulo quando o abraço, e ele retribui. Ele vai se acalmando aos poucos, enquanto continuo o abraçando, e passando a mão em suas costas.

- O quê... - Elisa se cala ao ver Thomas no chão.

- Pegue algo para amarrá-lo Carlos. - Jeremy pede. - Ele pode acordar a qualquer momento.

Carlos sai da casa correndo, enquanto o outro homem fica de olho em Thomas desmaiado no chão.

- O quê aconteceu? - Elisa pergunta. - Como Thomas nos encontrou?

- Ele seguiu vocês. - Falo.

- Esse era meu medo. - Ela passa as mãos pelo rosto. - Eu sabia que Mateo iria agir de forma impensada, e isso faria com que Thomas te encontrasse.

- Vamos falar sobre isso depois. - Falo. - Agora se puder me fazer um favor, fique com as crianças...

Elisa nem espera eu terminar de falar e começa a correr em direção as escadarias.

- Você está bem? - Pergunto para Mateo.

- Estou melhor graças a você. - Ele sorri fraco.

- Eu te amo. - O abraço com força.

- Eu também te amo. - Ele beija o topo da minha cabeça.

Carlos aparece com uma fina corda nas mãos, e começa a amarrar Thomas com a ajuda do outro trabalhador.

- Não está com medo? - Mateo pergunta.

- Não mais. - Assumo. - Agora que tenho você ao meu lado, não tenho mais medo de Thomas.

- Vou proteger você e nossos filhos até o final, mesmo que eu morra tentando.

- Ninguém vai morrer. - Suspiro alto. - Ficaremos juntos por um longo tempo.

Olho para o lado quando Thomas começa a se debater e gritar.

- Me solte!

- Se não quiser ser amordaçado, eu sugiro que cale a boca. - Jeremy fala.

- Eu vou matar todos vocês! - Ele ameaça.

Jaremy tira as meias dos pés, em seguida faz uma bolinha com elas.

- Eu estava trabalhando então minhas meias devem estar fedendo chulé. - Ele sorri abertamente.

- Não ouse...

Jeremy enfia as meias na boca de Thomas, o fazendo se calar.

- Se tivesse me ouvido eu não iria precisar fazer isso. - Jeremy diz. - A culpa é toda sua.

Tenho certeza que continuo sendo uma boa pessoa, mas tenho que assumir que gostei de ver Thomas se ferrando dessa vez. Sempre fui eu a sofrer, e agora chegou a vez dele pagar por seus pecados, e tenho certeza que eles serão bem pesados.

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