Capítulo 38

- Jaremy? - Mel se levanta rapidamente e corre até o homem.

- Oi mãe. - Ele a abraça.

- Por que não me avisou que viria? - Pergunta.

- Quis te fazer uma surpresa. - Ele sorri abertamente.

Donna também se aproxima dele e o abraça, e ele retribui o carinho.

- Sentiu minha falta? - Ele pergunta para Donna.

- Mas é claro. - Ela o abraça novamente.

- Eu também senti a sua. - Ele beija o topo da sua cabeça.

- Você está bem Lina? - Mel pergunta. - Está pálida.

- Estou bem. - Minto.

Quando olhei rapidamente para trás quando Jaremy pigarreou, meu coração se acelerou no peito. Eu jurava que era o Mateo, e até agora estou impressionada em como os dois se parecem.

Meu coração ainda está acelerado, e sinto todo meu corpo tremer, mas estou me esforçando para não desmonstar meu nervosismo, e deixar Melissa preocupada.

- Deixa eu lhe apresentar meu filho. - Mel pega minha mão. 

Me levanto com calma, e caminho até ele com Melissa segurando minha mão.

- Essa é Lina. - Ela fala para o filho. - Faz parte da família agora.

- Muito prazer Lina. - Ele me oferece a mão em cumprimento.

- O prazer é todo meu. - Retribuo o aperto de mão.

- Não sabia que tínhamos um novo hóspede. - Jeremy fala.

- Lina não é hóspede. - Mel fala. - Como eu já falei antes, faz parte da nossa família agora.

Ele não fala nada, apenas fica me observando com olhares interrogativos.

- Espero que minha presença não...

- Não se preocupe Lina. - Ele me corta. - Se minha mãe gostou de você, então tenho certeza que é uma boa pessoa.

- Eu acho que sou. - Sorrio fraco.

- Você é maravilhosa. - Mel me da um tapinha no ombro.

- Não exagere. - Peço sem graça.

- Não estou exagerando. - Ela retruca. - E você sabe que estou certa.

Apesar de estar dependendo da ajuda de Melissa no momento, não pretendo ser um sangue suga, então espero que Jeremy não pense que estou abusando da boa vontade da mãe dele.

Quando fugi deixei tudo para trás, até mesmo a herança que minha mãe deixou para mim. Achei que seria arriscado mexer no dinheiro, então decidi sumir apenas com minhas roupas e meus documentos.

Elisa me deu um pouco de dinheiro, mas estou guardando caso aconteça algo, ou eu tenha que fugir novamente.

- Vejo que conquistou minha mãe Lina. - Jaremy fala.

- Por quê? - Pergunto confusa.

- Dona Melissa não é uma pessoa muito sociável, então se ela gostou tanto de você, realmente deve ser uma pessoa maravilhosa.

- Sua mãe está certa. - Donna fala. - Lina é maravilhosa.

- Parem com isso. - Peço. - Estão me deixando sem graça. 

Sinto minhas bochechas esquentarem, então provavelmente estou parecendo um pimentão de tão vermelha.

- Sente-se querido. - Donna puxa uma cadeira para Jeremy. - Se eu soubesse que estaria vindo para casa, teria feito seus pratos preferidos.

- Você terá bastante tempo para fazer isso, então não se preocupe. - Ele sorri abertamente.

Agradeço mentalmente por Donna mudar de assunto, então me sento no meu lugar novamente, e começo a beber o leite que Donna havia me dado.

- Veio de mudança Jeremy? - Mel pergunta.

- Por enquanto sim. - Fala. - Quero passar um tempo com a senhora, e ajudá-la com a fazenda.

- Fico feliz por isso, mas não vai se arrepender disso? - Ela pergunta. - E a sua clínica?

- Julie vai cuidar por enquanto. - Ele fala. - Então não se preocupe, eu nunca me arrependeria de passar um tempo com minha mãe.

- Tem certeza disso filho?

- Claro mãe. - Ele sorri abertamente. - Posso abrir uma clínica na cidade, ou até mesmo ser o veterinário dos vizinhos, eles sempre quiseram isso.

- Não faça nada que vá se arrepender depois. - Ela fala. - Então pense bem...

- Eu já pensei. - Ele a corta. - E decidi que vou ficar com a senhora.

Mel e Jeremy parecem ter uma relação de mãe e filho maravilhosa. Vê-los conversando assim me lembra os momentos que passei com minha mãe, e minha saudade aumenta ainda mais.

- Está chorando Lina? - Mel pergunta preocupada.

- Caiu um cisco no meu olho. - Minto.

- O que foi querida? - Donna surge ao meu lado.

- Acho que são os hormônios. - Falo.

- Tem certeza? - Mel pergunta.

- Lembrei da minha mãe ao ver você e seu filho conversando. - Assumo. - Então não se preocupe, estou chorando por qualquer coisa.

- Não fique triste minha querida. - Mel passa a mão por minhas costas. - Serei como uma mãe para você de agora em diante.

- Obrigada. - Agradeço. - Não sabe o quanto essas palavras me deixa feliz.

Enxugo as lágrimas com a palma das mãos, e tento me segurar para não começar a chorar novamente.

- Vou dar uma volta pelo jardim. - Me levanto rápido.

- Quer que eu vá com você? - Donna pergunta.

- Não precisa. - Sorrio fraco. - Jeremy deve estar com saudades, então lhe façam companhia.

- Se precisar de algo me fale. - Donna diz.

- Obrigada. - Lhe dou um beijo no rosto.

Saio da cozinha rapidamente, antes que eu volte a chorar novamente, e caminho em direção a porta que sai para o jardim.

Alguns segundos depois me sento no banco abaixo de um árvore, e fico olhando para o campo.

Sempre quando me sinto triste, sento nesse banco, e não sei por qual motivo esqueço dos problemas ao observar o horizonte.

Mas como nem tudo é flores, quando me lembro de Thomas todo sossego vai embora, e eu começo ficar neurótica.

- Está melhor?

- Que susto. - Levo as mãos ao peito.

- Desculpe. - Jeremy pede. - Não foi minha intenção assustá-la.

- Está tudo bem. - Sorrio fraco.

- Posso me sentar? - Ele pergunta.

- Claro. - Digo.

Jeremy se senta ao meu lado, cruza os braços e começa a olhar para o céu.

- Esse é o meu lugar preferido dessa fazenda. - Ele diz.

- É o meu também, apesar de ter visto pouca coisa. - Digo.

Jeremy se volta para mim, me encara com os olhos grandes e por algum motivo ele parece enxergar minha alma.

- Você não é uma mulher tentando dar um golpe em uma senhora não é Lina? - Ele pergunta.

- Não. - Nego com a cabeça.

- Me desculpe por perguntar isso.

- Não precisa se desculpar. - Digo. - No seu lugar faria o mesmo.

Olhando para Jeremy de perto, percebo que ele é ainda mais parecido com Mateo, e nesse momento percebo que isso vai complicar ainda mais minha vida.

Estou lutando para esquecer Mateo, e ter um homem parecido com ele vivendo na mesma casa que eu não ajudará em nada.

- Por que está me encarando? - Ele sorri de canto.

- Você se parece meu marido. - Tapo a boca no momento que percebo que falei demais.

- Você é casada? - Ele pergunta.

- Sim. - Digo apenas.

- Onde está seu marido?

- Em Nova York.

- Por que você não está com ele? - Jeremy continua com o interrogatório.

- Porque eu fugi dele. - Assumo.

Não conheço Jeremy, e talvez eu esteja sendo uma idiota por confiar nele, mas ele precisa saber a verdade, se não acabará pensando o pior de mim.

- Deixa eu ver se entendi. - Ele coloca a mão no queixo. - Minha mãe te acolheu depois que você fugiu do seu marido? Ela sabe disso?

- Exatamente. - Confirmo com a cabeça. - E sim, ela já sabe de tudo.

- Como conheceu minha mãe?

- Através da Elisabeth. - Digo.

- Elisa? - Ele arregala os olhos. - Você é casada com Mateo?

- Sim.

- Uau. - Ele faz uma cara de espanto.

Jeremy parece não acreditar no que acabou de descobrir, e nesse momento começo a me preocupar, então pergunto:

- Você é amigo do Mateo?

- Não. - Ele nega com a cabeça. - Éramos amigos, mas as escolhas de Mateo fizeram nossa amizade acabar pouco a pouco.

- Fico aliviada. - Suspiro alto.

- O quê?

- Não é que eu esteja feliz porque a amizade acabou, mas se ainda fossem amigos você poderia contar para ele onde estou.

- Não se preocupe. - Ele diz. - Não falo com Mateo há muitos anos.

Jeremy parece triste, então penso que ele deve sentir falta do amigo.

- Por qual motivo deixaram de ser amigos? - Pergunto.

- Mateo estava se tornando um homem frio, e a única coisa que importava para ele era colocar sua vingança em prática. - Ele suspira alto. - Então pouco a pouco fomos nos distanciando, até o ponto de não sermos mais amigos.

- Então ele planejava isso já faz muitos anos?

- Sim. - Confirma com a cabeça.

- Desgraçado. - Murmuro entredentes.

- Espera... - Jeremy se vira para mim surpreso. - Então você é a mulher que ele casou por vingança?

- Infelizmente sim. - Assumo.

- Eu torcia para que ele tivesse mudado de ideia, mas pelo jeito ele conseguiu colocar seus planos em prática.

Saber que Mateo planejara isso há tantos anos, só me faz ter ainda mais raiva dele. Cai feito uma idiota na sua armadilha, mas apesar de tudo algo bom aconteceu, terei um filho, e esse é o único motivo que me faz feliz nesse momento.

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