Capítulo 37

Abro os olhos lentamente quando alguém chama por mim.

- Lina?

- Oi?

- Você está bem? - Melissa pergunta preocupada. - Você estava gritando.

- Acho que tive um pesadelo. - Limpo o suor da minha testa. - Desculpe ter te acordado novamente.

Já perdi as contas de quantas vezes incomodei Mel com meus gritos enquanto eu durmo.

- Tudo bem querida, não precisa se preocupar. - Melissa pega minha mão e aperta de leve. - Tente dormir novamente, ainda falta muito para o dia amanhecer.

- Vou tentar. - Sorrio fraco.

- Qualquer coisa me chame.

- Obrigada. - Agradeço. - E... me desculpe mais um vez.

Mel não diz nada, apenas me da um beijo na testa, e em seguida se levanta da cama e começa a caminhar em direção a porta do quarto.

Chuto o cobertor e me levanto rapidamente, e vou até a janela do quarto e a abro. Olho para fora e está tudo escuro, então volto minha visão para o relógio sobre o criado mudo e vejo que realmente ainda falta muitas horas para amanhecer.

Fecho a janela e volto para a cama novamente, e me deito. Como sempre, acabo perdendo o sono após mais um pesadelo, e sinto que isso está interferindo na minha saúde.

Praticamente todas as noites sonho com meu pai me encontrando e matando meu filho, e para piorar ainda mais minha situação, estou ficando neurótica.

Passo o dia todo dentro de casa, e quando saio até o jardim, fico olhando para todos os lados, e por isso não tenho paz.

Sei que deveria relaxar um pouco, mas o meu medo não deixa, mas se quero que meu bebê cresça saudável, preciso aprender a me controlar.

Tenho certeza que sempre estarei correndo o risco de ser achada, e esse  é o meu maior medo. Se Thomas ou Mateo me achar, terei que fugir novamente, mas talvez eu não consiga me esconder sem a ajuda de alguém.

Torço para que isso nunca acontece, pois apesar de conhecer Mel a pouquíssimo tempo, estou amando viver com ela.

Melissa é muito parecida com Elisa, e como não poderia ser diferente, amei conhecê-la. As duas se conheceram na faculdade e se tornaram amigas, mas se separaram após ambas se casarem

Mel se mudou para o Texas quando se casou, e não se mudou da fazenda após a morte do marido. Seu filho mora em Nova York, então ela amou quando me mudei, pois ela mora apenas com os empregados, mas todos se tratam como família.

Fiquei com receio de incômoda-la, ou que ela não gostasse de mim, mas ainda bem que eu estava errada, e nos demos bem logo de cara.

Melissa me lembra minha mãe, e isso só ajudou ainda mais nossa aproximação. Apesar de não conhecê-la muito bem, já sei que posso confiar nela.

Sempre quis morar em um lugar calmo, e aqui encontrei isso. Pelo que Mel me falou, tem uma escola não muito longe de sua casa, que está precisando de uma professora, então ficarei extremamente feliz se conseguir lecionar novamente.

Preciso trabalhar para ajudar Melissa com as minhas despesas. Ela já falou que não vai aceitar nada vindo de mim, mas mesmo assim sinto que estou abusando da sua boa vontade. E além de tudo terei um filho para cuidar, então não posso lhe dar ainda mais trabalho.

Eu sou responsável por essa criança, então tenho que fazer o possível para arrumar um emprego, e assim cuidar bem do meu filho e lhe dar tudo, então farei tudo que tiver ao meu alcance, e principal não faltará jamais, amor.

Vou reconstruir minha vida aos poucos, e espero que com o tempo eu esqueça Mateo e meu pai. Sei que não será uma tarefa muito fácil, mas tenho certeza que conseguirei se me esforçar ao máximo.

Sinto falta do Mateo, mas quando me lembro tudo o que ele fez por mim, sinto tanta raiva que seria capaz de matá-lo.

Não será uma tarefa fácil esquecer o amor que sinto por ele, mas eu preciso, já que não tenho a intenção de perdoar sua traição.

Odeio me pegar pensando nele e nos momentos felizes que passamos juntos, mas logo me lembro que era tudo mentira, então começo a ficar com raiva novamente.

Infelizmente eu não posso arrancá-lo do meu coração apesar de querer isso, mas custe o tempo que custar deixarei de amá-lo, e então esquecerei que Mateo existiu algum dia.

Talvez eu esteja apenas me enganando ao pensar dessa forma, e ao achar que deixarei de amá-lo com o tempo. Esquecer Mateo por completo jamais será possível, porque sempre terei nosso filho para me lembrar dele.

Nesse momento meu ódio é maior que meu amor, então usarei isso como um escudo para me defender.

- Pare de pensar naquele traste Lina. - Digo a mim mesma.

Fecho os olhos e tento pegar no sono, então depois de algum tempo sinto que estou sonolenta, e como todos os dias acabo adormecendo pensando no homem que destruiu minha vida, mas que continuo o amando como uma idiota.

🌻

- Bom dia criança. - Donna deseja.

- Bom dia. - Lhe dou um beijo no rosto.

- Está com fome? - Ela pergunta.

- Sim.

Puxo uma cadeira e me sento à mesa, em seguida Donna me serve um copo de leite.

- Obrigada. - Agradeço.

- Por nada querida. - Ela sorri carinhosa.

- Mel já acordou? - Pergunto.

- Ainda não. - Me responde. - Ela deve estar cansada.

- Culpa minha. - Suspiro alto.

Melissa me acorda todas as noites quando estou tendo pesadelos, e fica um tempo ao meu lado, então esse deve ser o motivo do seu cansaço.

- Não seja boba Lina. - Mel fala ao entrar na cozinha.

- Você sabe que estou certa.

- Não quero que fique pesando nisso. - Ela diz. - Estou muito feliz por ter você aqui, então não fique imaginando coisas.

Melissa puxa uma cadeira e se senta ao meu lado, em seguida pega uma xícara e serve um pouco de café.

- Que dia vai ir a escola? - Ela pergunta.

- Hoje. - Lhe respondo.

- Boa sorte. - Mel deseja. - Tenho certeza que conseguirá o emprego.

- Eu preciso. - Suspiro alto. - Em breve terei um filho para criar.

- Já falei para não se preocupar com isso. - Ela pega minha mão sobre a mesa e aperta de leve. - Não irá faltar nada para Lucy.

- Como sabe que será uma garota? - Sorrio abertamente.

- Meus instintos. - Ela também sorri.

- E se estiver errada?

- Eu não estou. - Ela pisca para mim.

Desde quando eu cheguei aqui Melissa falou que meu bebê é uma garota, e tenho que assumir que estou começando a gostar da ideia apesar de não ter preferência do sexo do bebê. Sendo uma menina ou um menino, irei amar da mesma forma.

Alguém pigarreia atrás de nós, então me viro rapidamente e no mesmo instante meu corpo gela, e meu coração se acelera.

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