Capítulo 33
- Do que está falando Lina? - Mateo finge não saber. - De onde tirou essa ideia maluca?
- Então estou blefando? - Sorrio cínica.
- É claro que está. - Ele diz. - Me casei com você porque te amo, e não por causa de uma vingança que você está imaginando.
Tenho que assumir que uma parte de mim esperava ele assumir a culpa, e então pedir meu perdão, mas estava enganada. Mateo mente tão bem, que se eu não soubesse a verdade poderia acreditar na sua inocência.
Agora tenho certeza absoluta que ele jamais me amou de verdade, apenas me usou como um meio para prejudicar Thomas, mas o que ele não imaginava era que meu pai jamais moveria um dedo para me salvar do que ele estivesse planejando.
Mateo provavelmente ainda está em choque com o que acabou de descobrir, e deve estar muito bravo por ter sido enganado. O que ele poderá fazer agora? Ele sabe que Thomas não me ama, então seu plano de vingança em usar não dará certo.
- Você é um excelente ator. - Falo. - Tenho que lhe dar os parabéns.
- Lina, o que está acontecendo? - Ele pergunta.
- Tem certeza que não sabe?
- Se não falar não saberei. - Mateo fala.
Eu queria que ele pelo menos assumisse sua culpa e me pedisse perdão. Seria pedir demais? Ele me usou, abusou da minha confiança, fingiu me amar, e agora mente sem sentir culpa alguma.
Nunca imaginei que ele pudesse ser tão frio. Mateo soube fingir tão bem, que realmente preciso lhe parabenizar pela excelente atuação. Quem poderia imaginar que o meu devotado marido é um crápula? Ele sabe fingir ser um marido quase perfeito, mas por trás da máscara de bom marido existe um monstro sem coração.
- Por que fez isso comigo Mateo? - Pergunto enquanto lágrimas turvam minha visão. - Como pode ser tão baixo a ponto de me usar para se vingar de Thomas? Enquanto te amava cada dia mais, eu fui apenas uma peça no seu quebra cabeça.
- Você está enganada Lina...
- Pare de mentir! - Grito. - Seja homem e assuma o que você fez!
Enxugo as lágrimas com brusquidão, mas elas insistem em rolar sem eu querer. Eu deveria parecer fria, mas infelizmente meu coração está machucado demais, então não consigo segurar as lágrimas.
- Lina eu...
- Não me toque. - Puxo minhas mãos quando ele tenta pegá-las.
- Como soube...
- Eu ouvi você conversando com Elisa. - Falo. - Então não perca seu tempo fingindo me amar, eu já sei de tudo.
Mateo passa as mãos pelos cabelos bagunçados com nervosismo, enquanto abaixa a cabeça e não me olha nos olhos.
- Eu tive esperança que você assumisse sua culpa e me pedisse perdão. - Falo. - Sou tão idiota por colocar esperanças em um homem como você.
- Lina...
- Talvez eu poderia te perdoar, mesmo sabendo que não merece meu perdão, mas você só me fala mentira. - Digo. - Você é tão egoísta que nem por um momento pensou em como eu me sentiria.
- Me deixe explicar Lina. - Ele pede.
- Explicar o que Mateo? - Pergunto. - Que você nunca me amou, me usou como um objeto para atingir Thomas, e que se eu não descobrisse isso iria continuar mentindo até acabar comigo.
- Você está errada...
- Pare de mentir por favor. - Peço. - Eu lhe dei a oportunidade de dizer a verdade, mas tudo o que sai da sua boca são mentiras.
Não acreditaria em nada do que ele me dissesse nesse momento. Mateo quebrou a confiança que eu tinha nele, e provavelmente jamais conseguirá consertar isso.
- O que planejava fazer comigo Mateo? - Pergunto. - Eu sei que odeia Thomas, e entendo seu desejo de vingança, mas que culpa eu tenho? Eu deveria ser punida pela culpa de outras pessoas? Me odeia tanto que estava disposto a tudo para acabar comigo lentamente?
- Você não pode imaginar o quanto eu sofri Lina. - Ele fala. - Não pode imaginar a dor que senti ao ver meu pai morrer pouco a pouco por causa do seu pai, então tudo o que me restou foi meu ódio por ele, e pode ter certeza que Thomas ainda não está livre de mim.
- Você acha que foi o único que sofreu? - Sorrio incrédula. - Não quero justificar os erros de Thomas, mas você sempre foi amado por sua família, enquanto eu era amada apenas por minha mãe. - Enxugo as lágrimas. - Sabe como eu me sinto sempre quando sou agredida pelo homem que deveria me proteger? Eu sempre me senti impotente por não poder falar nada para proteger quem amo. Você disse que sofreu, e tenho certeza que não deve ter sido fácil para você, mas não pode imaginar a dor que senti e ainda sinto por ter um pai como Thomas.
- Eu... eu...
- Você pode imaginar como cresci? O que tive que suportar para estar onde estou? - O corto. - Uma menina que deveria ser amada pelo pai, tinha que ir para a escola toda coberta para ninguém ver seus hematomas, e mesmo estando com dor ainda assim tinha que exibir um sorriso nos lábios. Uma menina que fugia de homens repugnantes que seu pai mandava seduzir, em troca de manter o tratamento da sua mãe. Uma menina que desde criança era agredida, e abusada psicologicamente, e você ainda tinha planos para essa menina, que talvez seja pior que os do meu pai.
Apesar de saber que sempre tive uma vida decadente, tenho orgulho da mulher forte que me tornei. Em nenhum momento pensei em desistir da minha vida, e apesar de estar sofrendo e saber que talvez eu jamais me livraria de Thomas, ainda assim nunca pensei em desistir.
- Você sofreu, mas não chega nem perto do que eu passei. - Falo.
- Você deveria ter me contado. - Mateo fala.
- Teria feito alguma diferença? - Pergunto. - Provavelmente tentaria usar minhas fraquezas contra mim...
- Como pode pensar isso Lina? - Ele me corta.
- No que eu deveria pensar Mateo? O homem que amo se casou comigo apenas por vingança, iria me ajudar em algo? Se você planejava me prejudicar não iria estender suas mãos para mim, e sim iria aproveitar a oportunidade para me afundar.
- Você acha que eu seria capaz disso? - Ele pergunta.
- Eu não acho. - Falo. - Eu tenho certeza.
Seu plano desde o começo era acabar comigo e com Thomas ao mesmo tempo, então me ajudar a me livrar do meu pai seria algo fora de cogitação.
- Você está errada.
- Não. - Nego com a cabeça. - Estou certa.
- Você...
- Pode imaginar o quanto me magoou? - O corto. - Pode imaginar o quanto meu coração dói nesse momento?
- Lina, por favor...
- Em algum momento algo foi real para você Mateo? - Pergunto.
Ele abaixa a cabeça e não fala nada, então já tenho a resposta para minha pergunta.
- Thomas sempre soube me magoar, mas você o superou. - Enxugo as lágrimas. - Eu te amo Mateo, mas jamais te perdoarei por isso.
- Lina...
- Você nem ao menos perguntou sobre nosso bebê. - O corto novamente. - Eu sei que não quer ser pai, mas não deveria demonstrar pelo menos um pouco de compaixão pela minha dor? Não deveria parecer um humano em um momento como esse?
Mateo conseguiu me magoar novamente ao não demonstrar interesse algum por nosso filho, e parece que não se importa com sua morte mesmo que seja mentira.
Ele realmente é um humano? Ele realmente tem um coração batendo no peito? Como ele pode ser tão frio, e não se abalar pela falsa morte do filho?
- Eu quero o divórcio. - Digo com convicção.
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