Capítulo 30
- Lina?
- Dimitri?
- O que aconteceu? - Ele pergunta preocupado. - Por que está aqui sozinha?
- Só estou pensando um pouco. - Forço um sorriso.
- Por que está chorando?
- Caiu um cisco no meu olho.
Ele sabe que estou mentindo, mas não pergunta mais nada.
- Como me achou?
Faz horas que estou andando pelas ruas, e para falar a verdade eu não tenho a mínima ideia de onde estou. Em algum momento acabei me perdendo, mas isso não me preocupou nem um pouco.
- Foi por coincidência. - Me responde. - Seu pai te ligou, mas como você não atendeu o celular, ele pediu para te buscar.
Quando saí de casa deixei meu celular na bolsa, e quando me lembrei desse detalhe, já estava longe demais para voltar.
- Esqueci em casa. - Falo.
- Você brigou com Mateo? - Dimitri pergunta.
- Não quero falar sobre isso agora. - Suspiro alto.
- Ok. - Ele diz apenas.
Dimitri abre a porta do carro para mim, então me sento no banco e coloco o cinto de segurança.
- O que meu pai quer comigo? - Pergunto quando ele se senta ao meu lado.
- Ele falou que é sobre sua herança. - Diz.
- Não está tudo resolvido?
- Não sei. - Fala. - Sou apenas um motorista.
- Ele já me passou o dinheiro. - Digo. - Por que iria querer falar sobre isso de novo?
- Realmente não sei.
Não tenho a mínima ideia do que ele quer nesse momento, mas algo me diz que essa conversa não será nem um pouco agradável.
🌻
- Eu não deveria te pedir isso, mas se algo acontecer me ajude. - Peço para Dimitri. - Sei que é egoísmo da minha parte, pois seu emprego está em jogo, mas...
- Se algo acontecer eu te ajudo. - Ele me corta. - Então não precisa se preocupar.
Não sei se Thomas seria louco de me agredir já que estou casada, mas vindo dele posso esperar qualquer coisa.
Talvez eu seja idiota ao obedecer sua ordem nesse momento, mas se eu recusar seria ainda pior, então é melhor acabar com essa história de herança de uma vez.
- Obrigada. - Agradeço.
Dimitri abre a porta e eu adentro a casa em seguida.
- Lina minha querida.
Thomas se levanta e vem em minha direção quando me vê, e me dá um abraço apertado.
- Não precisa fingir ser um bom pai, Mateo não está por perto. - Me distancio do seu toque nojento.
- Do que está falando meu bem? - Ele sorri cínico. - Papai sempre te amou.
- Imagina se não amasse. - Murmuro baixinho.
- Assim você magoa seu amado pai. - Ele faz cara de choro.
- O que você quer Thomas? - Pergunto. - Tenho certeza que não me chamou que aqui para fazer uma ceninha dessa.
- Thomas? Onde está seus modos Lina? - Ele pergunta. - Sou seu pai, e é assim que deve me chamar.
Começo a gargalhar incrédula da sua atitude sem sentido algum.
- Desde quando se importa como eu te chamo? - Pergunto. - Vai começar a se importar comigo agora papai? De repente me tornei uma filha para você?
Provavelmente está me tratando dessa forma, porque está de olho no dinheiro que minha mãe me deixou, caso contrário ele não perderia seu tempo em fingir ser um pai amoroso, a não ser na frente de Mateo.
- Não fale assim Lina. - Ele diz. - Eu sempre te amei.
- Pare de joguinhos e fale logo o que quer. - Digo.
- Quer comer algo? - Ele pergunta de repente.
- Não estou com fome. - Suspiro frustrada.
Thomas se senta no sofá, e bate a mão no lugar vago para eu me sentar ao seu lado. Caminho até a poltrona que está longe dele, e me sento em seguida.
- Vamos direto ao assunto. - Ele coloca a mão no queixo. - Quero que passe sua herança para mim.
- O quê? - Pergunto incrédula. - Está louco?
- Minha empresa está quase falida, então...
- Pouco me importo com sua empresa. - O corto. - Na verdade acho bom que isso esteja acontecendo.
- Lina...
Ele prejudicou tantas pessoas para fazer sua empresa famosa, mas não foi bom o suficiente para mantê-la de pé.
- Não vou dar para você o dinheiro que minha mãe deixou para mim.
- É seu legado querida.
- Jamais aceitaria algo vindo de você. - Digo com seriedade. - Muito menos algo que machucou várias pessoas para conseguir.
Meu pai nunca foi honesto se tratando da empresa, então quero distância desse legado. Não vou aceitar algo sujo, como também não ajudarei a se reerguer.
- Está exagerando Lina.
- Estou exagerando? - Sorrio incrédula. - São todos ladrões corruptos que trabalham para você, e ainda tem a cara de pau de dizer que estou exagerando?
- Você...
- Conseguiu tudo o que tem hoje com o sofrimento alheio, nada mais justo do que perder tudo nesse momento.
- Não me faça obrigá-la Lina. - Sua verdadeira face começa a aparecer.
Sinto meu corpo se estremecer enquanto ele me olha com irritação, mas me mantenho de cabeça erguida.
- Nada do que falar irá me fazer mudar de ideia. - Digo.
- Até mesmo se seu querido marido for prejudicado? - Ele sorrio sombriamente.
- Pouco me importa o que fará com Mateo. - Murmuro entredentes.
- Já brigou com seu maridinho? - Ele gargalha de uma forma desagradável.
- Não tenho que lhe dar satisfação da minha vida. - Retruco com irritação.
Seu sorriso cínico morre nos lábios, então ele pergunta:
- Desde quando se tornou tão petulante Lina? Acha que pode se livrar de mim por quê se casou?
Calafrios percorrem meu corpo, e nesse momento tenho a certeza que não me livrarei de Thomas tão facilmente.
- Mateo irá me pagar por se intrometer nos meus negócios. - Ele diz. - Por causa dele você ficou sabendo da herança.
- Não iria me falar nada não é? - Pergunto. - Se não fosse por Mateo eu jamais saberia desse dinheiro.
- Você tem razão. - Ele cruza os braços. - Eu perdi esse dinheiro por culpa dele, agora terei que tirar algo que ele ama para me sentir menos irritado.
- Você é um sádico louco. - Falo incrédula.
Os dois se merecem, e com toda certeza deveriam afundar juntos. Eu estaria livre de dois monstros ao mesmo tempo.
Saber que Thomas foi o culpado por levar o pai de Mateo a morte só me faz odiá-lo ainda mais, mas eu não tenho culpa de ser filha de um monstro. Mateo não tinha o direito de me usar como um escudo para a guerra que pretende começar, sou tão vítima quando sua família.
Se meu pai fosse um homem bom, talvez eu também tentaria me vingar se alguém o prejudicasse. Entendo que Mateo queira vingança, mas deveria fazer isso com quem realmente é culpado, e não com uma pessoa que não tem nada haver.
Eu fui o meio mais fácil que ele achou para chegar até Thomas, mas o que ele não sabe, é que meu pai não moveria um dedo sequer para me proteger. Mateo poderia fazer da minha vida um inferno ainda maior, e mesmo assim, no final das contas eu estaria sozinha.
- Tenho um presente para você meu bem. - Thomas enfia a mão no bolso da calça e pega um envelope.
Thomas se levanta, caminha lentamente até mim e joga o envelope no meu colo.
- O que é isso? - Pergunto.
- Abre querida. - Ele sorri abertamente.
Abro o envelope com as mãos trêmulas, e quando vejo do que se trata meus olhos se arregalam e meu coração se acelera.
- Como... Como...
- Você realmente achou que ficaria livre de mim depois que se casasse? - Thomas passa a mão por meus cabelos.
Me levanto rápidamente e dou um passo para longe dele.
- Como conseguiu isso?
- Sou um pai prestativo. - Ele fala. - Como eu poderia não saber da gravidez da minha única filha?
- Você... você mandou alguém me seguir?
- Isso já acontece há anos. - Ele da um passo em minha direção. - Você que nunca percebeu meu bem.
- Fique longe de mim! - Grito quando ele se aproxima ainda mais.
Dou um grito de dor quando Thomas pega meu cabelo e puxa com força.
- Vovô te ama bebê. - Ele passa a mão pela minha barriga. - Mas infelizmente terei que sacrificar você.
- Me solte!
Tento me soltar, mas ele segura ainda mais firme o meu cabelo, se tornando impossível de escapar.
- Lina, Lina, Lina. - Ele nega com a cabeça.
- Por favor. - Peço em lágrimas. - Se algum dia me amou me deixe ir embora.
- Mas eu te amo querida.
- Por... por favor pai, não... não faça isso. - Soluço alto.
Thomas solta meu cabelo, então aproveito a oportunidade e o empurro, e começo a correr.
Para minha infelicidade ele me alcança e me derruba no chão, e começa a chutar minhas costas.
- Papai te ama meu bem. - Ele fala enquanto me chuta.
- Dimitri! - Grito o mais alto que consigo.
Protejo minha barriga com os braços enquanto ele continua me chutando sem um pingo de remorso. Minha visão se turva, quando um dos chutes acerta meu rosto, mas me forço a me manter acordada, só assim terei uma pequena chance de proteger meu bebê.
- Desgraçado! -
Escuto a voz de Dimitri, e então não sou mais golpeada com chutes.
- O que pensa que está fazendo Dimitri?! - Thomas grita.
Alguns segundos depois Thomas cai no chão, e então Dimitri começa a chutá-lo da mesma forma que ele fez comigo.
- Pare Dimitri. - Peço com a voz fraca.
Ele não me escuta e continua chutando Thomas, enquanto ele grita de dor. Uma parte de mim fica feliz por ele estar sentindo na pele a dor que sempre me causou, mas não posso deixar Dimitri ter problemas por minha causa.
- Por favor me ajude. - Peço em lágrimas.
Dimitri para de bater em Thomas, se agacha ao meu lado e me pega no colo com cuidado.
- Lina fique acordada. - Ele começa a correr comigo nos braços. - Vou te levar ao hospital.
- Obrigada por me salvar... - E então tudo se apaga.
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