Capítulo 21

- Não seja infantil Mateo. - Reviro os olhos.

- Não estou sendo infantil Lina. - Ele retruca com irritação.

- Pela milésima vez, Dimitri é meu amigo.

- Não gosto dos seus amigos. - Ele fala emburrado.

- Quem tem que gostar sou eu, você tem que respeitar minha decisão, como eu respeito a sua.

Mateo colocou na cabeça que Dimitri está interessado em mim, e nada do que eu digo o faz mudar de ideia.

Ele e Luane haviam se encontrado fora do prédio, e quando ela abriu a porta e ele me viu deitada no ombro do Dimitri, invadiu o apartamento e me tirou de perto dele.

Dimitri não falou nada, apenas se despediu de nós e foi embora.

- Ele está morrendo de ciúmes Lina. - Luane sorri abertamente.

- Não estou com ciúmes coisa nenhuma. - Ele retruca bravo.

- Assuma Mateo. - Ela revira os olhos. - Está estampado em seu rosto, e sua atitude só nos deixa com mais certeza que está morrendo de ciúmes da Lina.

- Não provoca Lu. - Peço.

Já havíamos discutido antes por causa do George, e agora ele começa novamente por causa do Dimitri.

- Precisa confiar em mim. - Falo.

- Em você sim, mas nos seus amigos não. - Fala com desdém.

- Tenho uma ideia. - Digo. - Vamos nos casar, e viver em uma ilha deserta somente nós dois.

- O quê? - Ele me olha confuso.

- Assim não terei que ficar aguentando suas bobeiras sem sentido algum, seremos só nós dois. - Digo.

- Ótima ideia Lina. - Luane bate palmas. - Terá Lina só para você Mateo, está feliz agora?

Ele bufa alto, senta no sofá e cruza os braços.

- Pense bem antes de casar minha amiga. - Luane faz uma careta. - Pelo que estou vendo ele vai te trancar dentro de casa, para que nenhum homem chegue perto de você.

Luane é tão incrível, que me ajuda na discussão com meu namorado. Como não amar minha amiga?

- Você tem razão. - Digo. - Talvez seja melhor acabar com esse namoro de vez.

Finjo que irei tirar meu anel, e no mesmo instante Mateo se levanta e segura minha mão.

- Você não pode me deixar. - Ele fala. - Nunca!

Um calafrio estranho percorre meu corpo, e eu não entendo por qual motivo, mas ignoro a sensação ruim que se apodera de mim.

- Se você se comportar, não precisa se preocupar em ser deixado. - Falo. - Vamos ver como se sairá de agora em diante.

- Vou te fazer a mulher mais feliz desse mundo. - Ele sorri confiante.

- Você está de prova Lu. - Aponto para ela.

- Se não cumprir sua promessa. - Ela aponta para suas partes íntimas. - Pode dar adeus ao seu...

- Está louca? - Ele a corta de olhos arregalados.

- Apenas estou lhe dando um aviso. - Ela sorri sombriamente. - É bom que faça minha amiga muito feliz, caso contrário. - Lu imita uma tesoura com os dedos. - Você já assistiu o filme doce vingança Mateo?

- Não. - Ele responde.

- Então assista. - Luane sorri malévola. - Terá uma ideia do que será feito com você se magoar minha Lina. 

Mateo me olha e parece confuso, em seguida olha para Luane novamente, que ainda sorri como uma psicopata.

- É melhor não assistir esse filme. - Cochicho para ele.

- Por quê? - Ele pergunta.

- Não queira saber. - Digo.

- Se me dão licença, irei tomar um banho. - Luane fala.

Mateo pega minha mão e me puxa em direção ao meu quarto. Ele abre a porta e adentramos o ambiente, e ele fecha a porta em seguida.

- Acho melhor se sentar. - Ele fala.

Acho estranho ele dizer isso, mas obedeço e me sento em seguida.

- O quê está acontecendo? - Pergunto.

- Promete não ficar brava comigo? - Ele sorri fraco.

- Isso vai depender do que irá me contar. - Digo. - Não posso prometer isso.

Mateo se senta ao meu lado, pega minha mão e a beija.

- Eu marquei a data do nosso casamento. - Ele diz.

- O quê?! - Pergunto incrédula. - Por que fez isso sem me perguntar?

- Queria te fazer uma surpresa. - Ele diz.

- Você conseguiu. - Retruco.

Ele deveria ter me dito algo, mas tenho que assumir que gostei da sua atitude romântica.

- Vamos nos casar em segredo.

- Está louco Mateo? - Pergunto. - Tudo bem marcar a data do nosso casamento, mas se casar em segredo é exagero.

Não quero uma festa extravagante, e por mim nem teria uma, mas acabei aceitando por Elisa querer comemorar esse dia.

- Depois fazemos uma cerimônia com nossa família. - Ele diz.

- Por que está fazendo isso?

- Não quero ficar longe de você. - Ele faz uma cara de cachorro sem dono. - Eu te amo, e quero passar cada segundo da minha vida ao seu lado.

- Eu também quero isso, mas...

- Apenas aceite. - Ele me corta. - Vamos fazer uma loucura juntos.

Nunca fiz algo impensável e radical em toda minha vida, sempre vivi corretamente, e tenho que assumir que de vez em quando sinto vontade de fazer algo louco. Seria essa minha oportunidade?

- Para que dia marcou o casamento? - Pergunto.

- Amanhã.

- Amanhã?! - Grito.

- Xiu. - Mateo tapa minha boca com a mão.

- Achei que seria daqui um mês. - Digo.

- Aceita se casar comigo amanhã Lina? - Ele pergunta.

Mateo parece preocupado, e impaciente. Será que ele realmente me ama, ou teria algo por trás desse repentino casamento?

- Você tem certeza que me ama Mateo? - Pergunto séria.

- Sim. - Ele responde. - Eu te amo Lina, nunca tenha dúvidas dos meus sentimentos por você.

O medo de me decepcionar me tornou uma pessoa insegura. Sei que preciso confiar, mas depois de viver anos dessa forma não é tão fácil quanto parece.

- Então vamos nos casar. - Sorrio abertamente.

- Tem certeza disso? - Ele pergunta.

- Sim. - Falo.

Mateo se levanta, pega minha mão e me puxa para junto de si.

- Você não vai se arrepender. - Ele beija todo meu rosto.

- Espero que tenha razão quanto a isso. - Digo. - Caso contrário Luane irá acabar com você.

Sei que minha amiga não teria chance alguma com Mateo, mas ela sempre cumpre suas ameaças, e nunca vi ela fugir de uma boa briga.

- Não te farei feliz por medo das ameaças da Luane. - Ele revira os olhos. - Te farei feliz porque te amo.

- Eu também te amo, e se depender de mim será o homem mais feliz desse mundo. - Lhe dou um beijo nos lábios.

De repente me vem uma pergunta a mente. O que meu pai fará quando descobrir sobre meu casamento? Talvez ele não fique bravo, visto que comecei namorar Mateo por sua causa.

- Eu deveria contar para Luane.

- É melhor não. - Ele diz.

- Mas precisamos de uma testemunha. - Digo.

- Eu me viro. - Mateo sorri abertamente.

Espero que ela não se sinta excluída, ou me mate quando descobrir a loucura que estou prestes a fazer. Provavelmente Luane ficará animada, pois será a primeira coisa que faço de uma forma irresponsável.

- Pegue o que irá precisar para amanhã.

- Por quê? - Pergunto.

- É melhor você dormir no meu apartamento.

- Tem razão. - Falo.

- Depois buscamos o restante dos seus pertences.

- Espero que não nos matem quando descobrirem. - Suspiro alto.

- Eu te protegerei. - Ele me abraça.

Me aconchego ainda mais em seu abraçado apertado, e com a promessa de proteção sinto que talvez eu tenha a chance de fugir das garras do meu pai.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top