Capítulo 19
Lina
- Sobre o que quer conversar? - Mateo pergunta.
- Me coloque no chão. - Peço.
Ele atende meu pedido, então aponto para a cama para ele se sentar.
- O que está acontecendo Lina?
- Bem.... É que preciso dizer algo. - Sorrio sem graça. - Poderá achar idiotice da minha parte, mas foi uma escolha que fiz há muitos anos atrás.
- Está me deixando preocupado. - Ele diz desconfortável.
- Não vou dormir com você antes de nos casarmos.
Coloco as mãos sobre meu rosto por medo da sua reação.
- O quê? - Ele pergunta. - Você está dizendo que não...
- Exatamente. - O corto. - Irei me casar virgem.
- Você ainda é vir...
- Sim. - Confirmo com a cabeça.
- Não acredito. - Ele diz de olhos arregalados.
- Pode acreditar. - Retruco.
Para algumas pessoas seja bobeira eu desejar me casar virgem, mas fiz uma escolha e não pretendo mudá-la. Mateo pode pensar o mesmo, como também pode não aceitar minha escolha, mas mesmo o amando não irei ceder.
Espero que ele respeite minha decisão, como eu respeitaria a sua se o caso fosse ao inverso.
- Isso é... uau. - Ele passa as mãos pelos cabelos.
- Está surpreso? - Pergunto.
Com toda certeza ele está surpreso, é uma pergunta inútil que lhe faço.
- Um pouquinho.
Caminho até ele e me sento ao seu lado.
- Tinha certeza que ficaria. - Digo.
- Quantos anos você tem Lina?
- Vinte e cinco. - Respondo.
- E ainda é virgem?
- Sim.
É um pouco raro hoje em dia, mas ainda existe algumas pessoas que fazem essa escolha, e eu sou uma delas.
Não me vejo tendo casos causais de uma noite apenas, e quando eu me entregar para alguém será por amor, e não apenas desejos passageiros.
- Você foi o primeiro homem que beijei. - Revelo mais um segredo.
- É sério?
- Sim. - Sorrio abertamente.
- Se tiver mais algum segredo aproveite e conte agora.
- Por enquanto é só isso.
O meu maior segredo não posso revelar para Mateo, mas ao mesmo tempo me vem uma pergunta a mente. Ele me ajudaria se soubesse o traste que é meu pai? Ou iria fugir de mim? Por não ter a reposta para essas perguntas, prefiro me manter em silêncio.
- Talvez não aceite minha decisão...
- Não me importo Lina. - Ele me corta. - Irei esperar por você pelo tempo que quiser.
- Está falando sério?
- Estou. - Ele sorri abertamente. - Fiquei em choque, mas ao mesmo tempo feliz por ser o primeiro.
- Obrigada por me entender. - Agradeço.
- Eu que tenho que agradecer. - Diz. - Obrigada por esperar por mim.
Foi mais fácil do que imaginei. Não achei que Mateo aceitaria tão facilmente minha decisão, e mesmo que não aceitasse não iria ceder.
Talvez seja egoísmo da minha parte, e talvez esteja pensando somente em mim, mas esse é o meu sonho, então não iria abrir mão dele tão facilmente.
- Se esse é o seu desejo, então iremos esperar até o casamento. - Ele diz.
- Já te falei que te amo?
- Acho que falou uma vez, e parecia bem irritada quando confessou. - Ele sorri de canto.
- Eu? - Finjo inocência.
- Você mesma senhorita.
Me levanto e sento no seu colo, em seguida lhe dou um beijo na bochecha.
- Então irei repetir sem estar irritada. - Sorrio abertamente. - Eu te amo.
- Fale novamente. - Mateo pede.
- Eu te amo.
- De novo.
- Eu te amo.
Ele coloca uma mexa do meu cabelo atrás da orelha e me dá um rápido beijo nos lábios.
- Eu também te amo.
- Fale novamente. - Peço.
- Eu te amo Lina.
- De novo.
- Eu te amo.
Meus olhos se enchem de lágrimas, então pisco várias vezes para contê-las.
- O que foi?
- Não é nada. - Desconverso.
- Me diga. - Ele pede novamente.
- Não escutei muito um eu te amo na minha vida. - Assumo.
Depois que minha mãe falaceu, Luane é a única que me diz isso. Quando olho para mim mesma, percebo o quanto sou solitária se tratando de amor.
- Seu pai não diz que a ama? - Ele pergunta.
- Meu pai não é tão carinhoso. - Digo.
- Mas parece...
- Ele tem os seus momentos. - Minto.
Meu pai nunca me disse que me amava na infância ou na minha fase adulta, e tenho certeza que jamais irei ouvir isso dos seus lábios, mas também não espero isso dele, e a única coisa que desejo vindo do meu pai é a minha liberdade.
- Eu direi todos os dias que te amo. - Mateo fala.
- Não me importaria em ouvir todos os dias. - Assumo sincera.
Mateo
Lina me acha com cara de idiota? Ela realmente pensa que irei acreditar na sua pureza?
Provavelmente é mais uma das suas armações, e uma tentativa inútil de me fazer me apaixonar por ela. Não acredito em nenhuma palavra vindo da sua boca.
Achei que teria a chance de me divertir com ela enquanto planejo minha vingança. Lina é uma mulher atraente, então não seria nenhum sacrifício dormir com ela. Mas infelizmente terei que fazer o papel de namorado compreensivo e aceitar essa bobeira de se casar virgem.
Tenho que fingir que acredito, e fazer suas suas vontades para que nada dê errado.
Fico me perguntando como ela ainda não percebeu que minhas declarações de amor não passam de mentiras. Lina provavelmente percebeu, mas para que os planos de seu pai e os dela dê certo, precisa fingir que acredita.
Lina parece ser uma garota ingênua e ao mesmo tempo decidida. Fiquei surpreso por ela me mandar embora depois da nossa discussão, tinha certeza que ela iria se fazer de boa moça e aceitar meu ciúme. Provavelmente é mais uma tática de conquista, que não dará certo.
Tenho que admitir que não gostei nem um pouco daquele garoto petulante beijando-a, e não sei por qual motivo isso aconteceu. Não tenho nenhum sentimento por Lina, e mesmo assim não gostei dela estar tão animada com outro homem que não seja eu.
Jamais irei me apaixonar por ela, e quando enfim conseguir minha sonhada vingança, Lina e seu pai estarão acabados.
- Vou vestir minha roupa. - Ela diz.
Meu celular toca no mesmo instante, então o pego e atendo a ligação.
- Alô?
- Senhor Carter temos um problema. Dylan diz.
- O quê aconteceu? - Pergunto.
- Consegui uns documentos sobre a herança da senhorita Lina deixada por sua mãe.
- O que diz nos documentos? - Pergunto impaciente.
- Se ela não se casar dentro de quinze dias, todo o dinheiro passará para seu pai.
- Me espere no escritório. - Falo. - Já chego aí.
Se Thomas pensa que isso irá acontecer está bem enganado. Esse dinheiro será da Lina, e enfim terei mais uma carta na manga.
- Preciso ir embora. - Falo.
- Aconteceu algo?
- Surgiu um imprevisto no trabalho. - Minto.
- Tudo bem. - Ela sorri abertamente. - Dirija com cuidado.
Lhe dou um rápido beijo nos lábios e caminho em seguida em direção a porta do quarto.
De repente me vem uma pergunta a mente. Por que Thomas está tentando casar a filha comigo? Ele sairia perdendo, pois não iria ficar com a herança da Lina. Provavelmente ele tem algo maior planejado, e eu juro que vou descobrir, custe o que custar.
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