Capítulo 18

- Tão brincalhão como sempre. - Gargalho alto.

Mateo pigarria alto,  pega minha mão e me puxa para o seu lado.

- Sinto muito mas você chegou tarde demais. - Ele diz irritado.

- Quem é você? - George pergunta petulante.

- Sou Mateo, noivo da Lina.

- Fiquei tão animada quando o vi que acabei esquecendo de apresentá-los. - Digo.

Os dois se entreolham de cabeça erguida, e parecem preparados para uma briga a qualquer momento.

- Mateo não é? - George pergunta. - Vocês ainda não se casaram, então ainda tenho uma chance.

- George pare de brincadeira. - Peço.

- Relaxe cara. - George ri alto. - Parece que está bem irritado.

- Não estou nem um pouco irritado. - Mateo sorri de canto.

Está estampado em seu rosto que está mentindo, ele está muito irritado nesse momento.

- Estou apenas brincando. - George fala. - Lina foi meu primeiro amor, mas a superei com o tempo.

- George...

- Eu te amava. - Ele me corta. - Mas você sempre ignorou meus sentimentos.

- Você era uma criança. - Falo.

- Não sou mais. - Ele sorri com malícia. - Já sou homem o suficiente para te fazer minha mulher.

- Para mim ainda é uma criança. - Pisco para ela.

Nunca dei muita importância para as coisas que ele falava. George era muito brincalhão, então sempre soube que sua paixão por mim não passava de piada.

- Você está mais linda do que nunca. - Ele fala.

- Não exagere. - Digo.

- Estou falando sério.

Mateo aperta tão forte minha mão, que escuto meus dedos estralarem.

- Se puder parar de apertar meus dedos agradeceria. - Peço para ele.

- Desculpe. - Ele pede.

- Acho que ele vai me bater Lina. - Ele aponta para Mateo.

- Pare de provocar. - Peço para George.

Ela exibe um sorriso largo, enfia a mão no bolso da calça e pega um celular. Ele parece procurar por alguma coisa, e depois de alguns segundos ele nos mostra uma foto.

- Ela não é linda? - Ele pergunta.

- É sua namorada?

- Sim. - Ele sorri todo animado. - Estamos juntos há dois anos.

- Parabéns. - Lhe desejo.

- Obrigada.

Mateo não diz nada, e continua o encarando sério.

- Estava brincando com você cara, relaxe. - George fala. - Mas tenha em mente que se fazer Lina sofrer, farei o mesmo com você.

- Pare com isso George. - Reviro os olhos.

Os dois começam a se encarar novamente, então depois de alguns segundos Mateo pergunta:

- Vamos Lina?

- Vamos. - Respondo.

- Me passa seu número. - George pede. - Precisamos colocar os assuntos em dia. 

Ele me entrega o seu celular, então salvo o meu contato e lhe entrego o aparelho em seguida.

- Vamos marcar um dia para sair. - Falo.

- Ok. - Ele diz. - Então até mais.

Sou pega de surpresa quando George me dá um rápido beijo na bochecha, e vai embora sem se despedir de Mateo.

- Pare de me olhar assim.

- Assim como? - Retruca com irritação.

Ele está me encarando tão irritado que está até corado. 

- Esqueça. - Suspiro alto.

Começo a andar em direção ao elevador e Mateo vem ao meu encalço.

Aperto o botão do elevador e alguns segundos depois a porta se abre.

Permanecemos em silêncio, mas não deixo de sentir um calafrio nas minhas costas. Provavelmente ele está me fulminando com o olhar.

A porta do elevador se abre, então saio e começo a caminhar em direção ao meu apartamento.

- Sim senhora. - Lu abre a porta. - Sim senhora.

Ela suspira alto e parece cansada, então depois de alguns segundos finaliza a ligação.

- Está indo para onde? - Pergunto.

- Minha chefe quer que eu ajude ela com uns trabalhos.

- Lu...

- Preciso ir. - Ela me corta porque sabe que sou contra esse abuso de poder. - Estou atrasada.

Ela me dá as costas e corre para o elevador, então a observo de longe.

Não consigo entender o porque ela aguenta tudo em silêncio. Seu salário é bom, mas não vale a pena se matar por isso. Luane é uma excelente profissional, e com toda certeza acharia outro emprego fácil, mas continua aguentando aquela megera.

- Entre. - Digo para Mateo.

Ele adentra o apartamento, em seguida fecho a porta.

- Quer beber algo? - Pergunto.

- Não. - Diz apenas.

Caminho em direção cozinha, abro a geladeira e pego uma garrafinha de água. Despejo a água em um copo e a bebo em seguida.

Volto para sala e me sento ao lado de Mateo. Ele se distância de mim, tenho que assumir que isso me magoa.

- O que foi Mateo?

- Não é nada.

- Então pode ir embora se for continuar emburrado como uma criança.

Me levanto e me sento em uma poltrona do lado oposto dele.

- Não quero.

Ele cruza as pernas enquanto me observa sério.

- Ok então.

Me levanto e começo a caminhar em direção ao meu quarto, e fecho a porta assim que adentro o ambiente, e me sento na cama.

Passo as mãos pelo rosto, então alguns segundos depois Mateo parece no meu quarto.

- Eu que deveria estar bravo.

- Por qual motivo Mateo? - Pergunto.

- Aquele moleque ficou dando em cima de você na minha frente. - Ele retruca.

- Era apenas uma brincadeira.

Concordo que George passou um pouco dos limites com suas brincadeiras, mas que culpa eu tenho disso?

- Eu não gostei nem um pouco de você ter passado seu número para ele.

- Mateo coloque na sua cabeça uma coisa. - Suspiro alto. - George é meu amigo e continua sendo uma criança para mim, e é idiota estar com ciúmes dele.

- Não estou com ciúmes. - Retruca.

- Então por quê está bravo?

- Só não quero que se encontre com ele e nem atenda sua ligação.

- Você é meu namorado, mas isso não lhe dá o direito de me pedir isso.

Ele é tão cabeça dura quanto eu. Não vou desistir das minhas amizades porque ele quer, eu jamais pediria algo desse tipo para ele.

Se fosse uma má companhia lhe daria toda razão, mas não é esse o caso.

- Não gostei daquelo moleque petulante.

- Não vou tentar fazê-lo mudar de ideia porque seria perda de tempo.

- Lina...

- Você é tão cego que não percebe que te amo. - Suspiro alto.

Não foi assim que imaginei lhe dizer que o amo, mas quando me dei conta já havia dito.

Me levanto e caminho em direção a porta do banheiro e a abro. Esse homem sabe me irritar, mas ao mesmo tempo sinto uma pontada de alegria por ele estar com ciúmes de mim. Ele não assume, mas está estampado em seu rosto.

Tiro minhas roupas e entro debaixo da água morna, e me pergunto se ele ainda está no quarto.

Ele tem um pouco de razão por estar bravo. Eu também não gostaria de ver alguma amiga sua lhe beijando ou falando que iria se casar com ele, mas ele parece não entender que não tenho olhos para outro homem.

🌻

Depois de um longo banho, visto meu roupão e saio do banheiro. Mateo está deitado na minha cama com os braços cruzados acima da cabeça.

Quando ele percebe minha presença começa a me olhar de uma forma estranha.

- Vo... vou vestir uma roupa. - Digo sem jeito.

- Espere. - Ele se levanta rápido e vem em minha direção.

Sou pega de surpresa quando ele me abraça com força, então retribuo seu abraço.

- Você está cheirosa. - Ele diz.

- Eu sou cheirosa. - Digo.

Ele se distância de mim e em seguida me dá um rápido beijo nos lábios.

- Vamos parar de brigas. - Mateo fala.

- Ok. - Confirmo com a cabeça.

Ele me dá um rápido beijo nos lábios novamente e me levanta nos braços em seguida.

- O que está fazendo? - Arregalo os olhos.

- Já vai descobrir. - Ele sorri com malícia.

- Me coloca no chão. - Peço.

Mateo parece surpreso com meu pedido, mas ao mesmo tempo intrigado.

- O quê?

- Precisamos conversar.

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