Capítulo 17
- Não vai mesmo responder minha pergunta?
Mateo me olha por um segundo, depois volta sua atenção para o tráfego.
- Não quero falar sobre isso. - Diz sério.
- Não confia em mim? - Pergunto.
Desde o início percebi que Mateo esconde algo, mas ele jamais irá me falar por livre e espontânea vontade.
- Não é algo que gosto de me lembrar.
- Seria melhor se desabafasse com alguém.
- Nem sempre. - Ele retruca.
- Não é bom guardar tudo para si. - Pego em seu braço.
- Você é tão teimosa. - Ele sorri abertamente.
- Tem toda razão.
Quando vejo alguém que eu gosto sofrendo, faço o possível para ajudar, mas parece que Mateo não está nem um pouco interessado em receber ajuda ou algum conselho de alguém.
- Não quero falar sobre isso, então não toque nesse assunto novamente.
- Tudo bem. - Reviro os olhos. - Pelo jeito não confia em mim.
Ele não responde nada e continua dirigindo, então também não toco mais no assunto.
Fico triste por ele não confiar em mim, e não me contar o motivo de querer se vingar de alguém.
Fico olhando para o movimento das ruas, e me pergunto se algum dia ele será capaz de se abrir comigo por completo. Eu também tenho um segredo, mas não posso contar porque eu não seria a única prejudicada, mas Mateo parece esconder algo mais sério, e para ser bem sincera fico com medo do que possa acontecer.
- Não fique brava...
- Esqueça. - O corto. - Não precisa me falar nada.
Insisti mais de uma vez e ele não quis falar nada, e provavelmente não irá dizer, então não irei perguntar mais nada. Talvez algum dia ele poderá confiar em mim, o que acho bem improvável, então até lá não irei ficar insistindo em perguntas sem respostas.
- Está brava?
- Não. - Digo apenas.
Não estou brava, mas sim magoada. Sinto que ele conhece quase tudo sobre mim, e eu não sei nada sobre ele.
- Está sim.
- Já falei que não estou brava. - Retruco com irritação.
Mateo tira a mão do volante e pega a minha em seguida.
- Me perdoe. - Ele pede. - Não foi minha intenção te deixar irritada.
- Até parece. - Murmuro entredentes.
- Eu te amo. - Mateo fala.
- Ok. - Digo apenas.
- Mulher sem coração. - Ele ri alto. - Eu digo que te amo e você só fala ok?
- Sim. - Dou de ombros.
Quase disse que também o amo, mas decido me manter quieta por um tempo.
Fiquei me perguntando vários dias seguidos se realmente estava apaixonada por ele, ou era somente interesse passageiro. Depois de me estudar por um bom tempo enfim tive a certeza que o amava.
Na verdade eu tinha medo de estar me precepidando, e acabar achando que o amava mesmo que isso não fosse real. Mateo é meu primeiro namorado, e o primeiro homem que amo, então esse foi um dos motivos dos meus receios.
Talvez eu estivesse apenas eufórica com um homem como ele interessado em mim. Talvez eu só gostasse do fato de enfim ter um namorado e confundice meus sentimentos. Mas depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que realmente era amor o que eu sentia.
Querer passar cada segundo perto da pessoa, amar seu sorriso e sua voz, querer fazer dessa pessoa o ser humano mais feliz do mundo ao seu lado. Sentir seu coração acelerar toda vez que o vê vindo em sua direção, e se pegar sorrindo igual uma boba quando essa pessoa é carinhosa. Isso não quer dizer que amo essa pessoa? Esse turbilhão de sentimentos que sinto, não seria apenas uma paixão passageira ou apenas admiração.
Entreguei meu coração pela primeira vez a um homem, e para falar a verdade tenho medo de me machucar, mas sei que se eu não tentar, jamais terei certeza de algo.
Vivo uma vida de riscos, então esse será mais um, e eu não pretendo fugir tão facilmente.
- Chegamos. - Mateo para o carro.
Tiro o cinto de segurança, abro a porta do carro e saio em seguida. Coloco a alça da bolsa sobre meu ombro, enquanto espero Mateo chegar ao meu lado.
- Amei conhecer sua mãe. - Digo.
- Impossível não amar aquela mulher.
Elisa me deu um susto e tanto ao fingir ser uma sogra rabugenta. Ainda bem que era apenas uma brincadeira, caso contrário teríamos que entrar em guerra, já que não pretendia largar do seu filho.
Pude perceber o quanto ela e Mateo se importam um com o outro, e tenho que assumir que fiquei com um pouco de inveja.
Infelizmente não terei minha mãe ao meu lado quando eu me casar, e quando eu tiver filhos. Não verei mais o seu sorriso, não escutarei o som da sua risada, e não ouvirei ela dizer o quanto me ama. E para minha infelicidade, a única família que me resta não vale o meu esforço.
Se depender de mim jamais deixarei meu pai chegar perto dos meus filhos, pois ele seria capaz de envenenar a mente de uma criança apenas para se divertir.
- No que está pensando? - Mateo pergunta.
- Minha mãe. - Suspiro alto. - Sinto tanto sua falta que dói.
- Eu te entendo. - Ele coloca uma mexa do meu cabelo atrás da orelha.
- Você ainda tem a sua mãe que te ama. - Digo.
- Você tem seu pai.
- Não tenho o que eu realmente queria dele. - Sorrio fraco. - Seu amo...
Me calo no mesmo instante que percebo a cagada que fiz.
- O quê?
Mateo me observa meio intrigado. Acabei falando demais, mas por sorte acho que ele não percebeu meu deslize.
- Não é nada. - Mudo de assunto. - Tenho sorte de ter meu pai ao meu lado, assim como você tem sua mãe.
Não tem nem comparação o tratamento que ele recebe da mãe, comparado com o que eu passo com meu pai. Elisa é uma excelente mãe, é carinhosa, e prestativa. Está sempre tentando fazer o filho sorrir, ao contrário de mim que sempre choro na mão do meu pai.
- Tenho a sensação que esconde algo de mim. - Ele fala.
- Eu penso a mesma coisa a seu respeito. - Retruco.
- Não escondo nada.
- Eu também não.
Eu sei que ele está mentindo, da mesma forma que ele também sabe que não estou sendo sincera.
- Depois que se casar comigo, prometo lhe contar tudo. - Ele diz.
- Lhe faço a mesma promessa. - Digo.
Mateo envolve minha cintura com as mãos e me puxa para junto de si.
- Não me esquecerei.
- Pode ter certeza que eu também não esquecerei. - Sorrio abertamente.
Mateo beija meus lábios rapidamente, em seguida pergunta:
- Vamos para o meu apartamento?
- O quê? - Arregalo os olhos.
- Você já foi na minha casa, mas não no meu apartamento. - Ele diz.
Enquanto eu luto para pagar aluguel, o homem tem uma casa gigantesca e um apartamento que provavelmente será do mesmo nível.
- Acho que precisamos conversar sobre um assunto delicado. - Sorrio sem graça.
- É sobre o quê? - Ele pergunta.
- Acho melhor subirmos para meu apartamento.
Mateo sorri com malícia, enquanto pego sua mão e começamos a andar lado a lado.
- Iremos apenas conversar, não espero nada mais.
Escuto ele bufar mas o ignoro o continuo andando.
- Lina? - Alguém me chama.
- George? - Pergunto surpresa.
- Quanto tempo!
George me puxa para um abraço e eu retribuo enquanto ele me rodopia no ar.
- Já faz o quê? - Pergunto quando ele me coloca no chão. - Cinco anos?
- Acho que sim.
- Se tornou um rapaz lindo. - Digo. - Está maior que eu.
- Obrigada. - Ele sorri abertamente.
George é o neto do porteiro do prédio, e apesar dele ser bem mais novo que eu, nos tornamos amigos. Ele sempre dizia que iria se casar comigo quando completasse dezoito anos, e eu sempre levava na brincadeira, pois ele era apenas um adolescente. George se mudou, pois seus pais iriam trabalhar em outro lugar, então perdemos contato.
- Voltei para cumprir minha promessa. - Ele diz.
- Qual promessa? - Pergunto.
Ele me fez tantas que acabei me esquecendo com o tempo.
- De me casar com você.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top