Capítulo 16
- Você é tão linda quanto imaginei.
- Obrigada. - Agradeço sem graça.
- Deixa eu me apresentar. - Ela oferece a mão. - Sou Elisabeth, mas pode me chamar de Elisa.
- Muito prazer Elisabeth. - Retribuo o cumprimento. - Me chamo Lina.
- O prazer é todo meu querida. - Ela sorri abertamente.
Mateo se parece muito com a mãe, está explicado de onde veio sua beleza. Elizabeth tem os cabelos castanhos escuros, e olhos da mesma cor.
- Sente-se querida. - Ela me aponta o sofá.
- Obrigada. - Agradeço.
Mateo se senta ao meu lado e pega minha mão e segura firme entre a sua.
- Não te falei mãe, que ela era linda?
- Você tinha razão. - Ela fala.
- Estão me deixando sem graça.
- Não precisa. - Elisa fala. - Estamos falando a verdade.
Tenho que assumir que estou bem surpresa com sua atitude tão amigável comigo. Não achei que ela me trataria tão bem logo de cara, ou está fingindo por estar perto do filho.
Um celular começa a tocar então Mateo fala:
- Me dão licença. - Ele se levanta. - Preciso atender esse telefonema.
- Tudo bem querido. - Elisa fala.
Mateo me oferece um sorriso antes de sair, e tenho que admitir que a minha vontade e de segui-lo.
- Fingi gostar de você perto do meu filho, mas espero que dê uma boa olhada em si mesma e largue ele. - Elisa fala séria.
- Eu...
- Não quero meu bebê namorando, então siga o meu conselho ou irá se arrepender.
Fico quieta, apenas escutando ela falar e falar. Sei que tenho que me defender, mas não me vem resposta alguma a mente.
- Estou brincando com você. - Ela começa a gargalhar.
- O quê? - Pergunto incrédula.
- Não se preocupe. - Ela fala zombeteira. - Sou um amor de pessoa, verá isso com o tempo.
- Você me assustou. - Assumo.
- Você está tão tensa, então acabei aproveitando a oportunidade de brincar um pouquinho.
Eu estava prestes a fugir, mas graças a Deus não passou de uma brincadeira da sua parte.
- Acho que é aceitável eu estar nervosa. - Falo.
- Também já estive no seu lugar, o problema era que minha sogra não gostava nem um pouco de mim.
- Por quê?
- Seu filho era rico, e eu apenas uma empregada doméstica. - Fala. - Mas nem mesmo todo seu ódio foi capaz de me separar do meu amor.
Elisa sorri triste e abaixa a cabeça. Provavelmente está se lembrando do falecido marido.
- Me perdoe pela pergunta, mas como seu marido faleceu? - Pergunto. - Mateo apenas me falou que ele não é mais vivo, mas não me falou o motivo.
- Depois que ele foi enganado e perdeu todo seu dinheiro, ele entrou em uma depressão profunda e acabou morrendo alguns meses depois.
- Sinto muito. - Falo sincera.
- Tantos anos se passaram e parece que tudo aconteceu ontem. - Ela suspira alto. - Foi muito difícil para Mateo perder o pai tão jovem. Ele não teve uma infância feliz, como a maioria das crianças.
- Sei como se sente. - Assumo. - Também perdi minha mãe muito jovem, então entendo sua dor melhor do que ninguém.
Nenhum ser humano deveria sentir a dor de perder alguém que ama. Mas em algum momento da vida isso acontecerá com qualquer um.
Se ao menos eu tivesse meu pai para me amparar, como Mateo teve a mãe, tenho certeza que tudo seria mais fácil, mas infelizmente foi onde o meu inferno pessoal começou.
- Deveria ser eu a pessoa mais forte, mas acabou que meu filho teve que ser o adulto. - Elisa diz. - Eu só chorava, não saia de casa, e acabei não vivendo, e quando me dei conta meu filho já era um adolescente. Eu deveria cuidar dele, mas acabou que Mateo cuidou de mim.
- Sobre o que estão falando? - Mateo pergunta.
Ele se senta ao meu lado novamente, e pega minha mão.
- Sobre o passado. - Sua mãe o responde.
Percebo que ele fica tenso no mesmo instante. Talvez ele não goste de relembrar seu passado sofrido.
- Não vamos falar sobre o passado mãe. - Ele fala. - Não vale a pena.
- Está bem. - Ela revira os olhos. - Vou ver se o almoço está pronto.
Elisa se levanta, e sai da sala em seguida. Mateo continua sério, então pergunto:
- Você está bem?
- Sim. - Ele diz apenas.
- Não parece.
- Estou bem. - Ele olha para mim. - Não se preocupe.
Não acredito em sua palavra, mas decido não perguntar mais nada.
- Está quase pronto. - Elisa adentra a sala.
- Estou com fome. - Mateo fala.
- Margarete fez alguns cookies. - Elisa diz.
- Vou esperar o almoço.
- Aceita Lina? - Ela pergunta.
- Não. - Nego com a cabeça. - Ainda não estou com fome.
Para minha vergonha e desespero meu estômago ronca alto. Os dois se entreolham e em seguida começam a gargalhar.
- Desculpe. - Peço sem graça.
Estava tão nervosa que acabei não tomando café da manhã.
- Vou buscar algu...
- Não é necessário. - A corto.
- Tem certeza?
- Absoluta. - Digo.
Elisa se senta novamente, e eu agradeço mentalmente por isso.
- Me fale um pouco sobre você Lina. - Ela pede.
- Não tem nada de interessante na minha vida. - Sorrio fraco. - Minha mãe faleceu quando eu era criança, então depois de adulta decidi seguir seus passos e me tornei professora infantil.
Ela teve que se demitir depois que se casou com meu pai, mas ela sempre dizia como era feliz quando lecionava para suas crianças.
- Meu pai não ficou muito feliz com a minha escolha, pois ele queria que eu começasse a trabalhar em sua empresa, então saí de casa e comecei a viver com minha amiga de infância.
Tenho que tomar cuidado para não acabar falando demais, seria meu fim.
- Ele aceitou depois de um tempo, mas continuei morando com minha amiga, pois o apartamento onde moramos fica mais próximo da escola onde eu trabalho.
Uma mentira, pois eu não voltaria a morar com ele nem se me suplicasse.
- Uma garota obstinada. - Ela bate palmas. - Parabéns.
- Obrigada. - Agradeço.
- Quando começa a trabalhar novamente? - Mateo pergunta.
- Semana que vem.
Apesar de amar estar de férias, sinto falta dos meus alunos e não vejo a hora de encontrá-los novamente.
- Até que enfim arrumou uma namorada que vale a pena. - Elisa fala.
- Mãe...
- Sabe que estou certa. - Ela o corta. - Suas antigas namoradas eram todas fúteis.
- Nem conheceu elas pessoalmente.
- Não precisava. - Ela revira os olhos.
- Vamos mudar de assunto? - Ele pede. - Ou vamos ficar falando das minhas ex-namoradas?
- Desculpe Luna. - Elisa olha para mim. - Estou tão animada por ser a primeira namorada que ele traz em casa, que acabei falando demais.
- Primeira? - Arregalo os olhos.
Pelo que eu soube Mateo já namorou diversas vezes, mas nunca imaginei que ele não tivesse trazido alguma para conhecer a mãe.
- Você é a primeira. - Ele diz. - Como minha mãe falou eram fúteis, então não valia a pena apresentar nenhuma para minha mãe.
- Meu bebê está enfim apaixonado. - Elisa sorri radiante. - Achei que esse dia nunca chegaria.
- Por quê? - Pergunto curiosa.
- Mateo passou algum tempo cego por vingança, dizia jamais amar alguém, mas ainda bem que ele estava errado.
- Vingança? - Olho surpresa para ele.
Ele fuzila a mãe com o olhar, então já imagino que algo de muito ruim deva ter acontecido com ele por querer vingança.
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