Capítulo 14
- Pai? - Arregalo os olhos surpresa.
- Olá minha querida. - Ele me abraça com força.
Ele invade meu apartamento logo após me soltar, como se lhe pertencesse. Na verdade pertence, acabei esquecendo que ele comprou o prédio.
Ele vai até Mateo e o cumprimenta, e então começa com a falsidade.
- Entre Dimitri. - Falo.
Ele fica me encarando e não dá um passo sequer em minha direção.
- Não precisa convidá-lo para entrar. - Meu pai fala. - Ele espera aí fora.
- Entre Dimitri. - Digo novamente.
- Não se preocupe senhorita. - Ele fala. - Irei esperar aqui fora.
- Não me faça pedir novamente. - O encaro séria.
Meu pai pode ser o dono do prédio, mas isso não lhe dá o direito de interferir e proibir alguém que estou convidado de entrar no meu apartamento.
- Lina querida. - Papai pega minha mão. - Ele é apenas um empregado, não precisa tratá-lo como se fosse da família.
- Não me importo se ele é seu empregado ou não. - Falo seria. - Estou o convidando para entrar no meu apartamento porque ele é meu amigo.
- Seu amigo? - Ele retruca.
- Por que está surpreso? - Pergunto. - Não posso ser amiga dele? Não sou melhor do que ele.
- Não. - Ele fala.
Seu olhar sobre mim é mortal, mas ele mantém a máscara de bom pai porque Mateo está por perto.
- Ótimo. - Bato palmas.
Caminho até Dimitri e o abraço, o que o pega de surpresa. Em seguida pego sua mão e puxo para dentro do apartamento e fecho a porta em seguida.
Não estou tentando provocar meu pai, realmente gosto de Dimitri, e nos tornamos amigos depois que nos conhecemos. Sempre nos falamos por telefone, e colocamos as conversas em dia.
- Essa é minha amiga Luane.
- Muito prazer senhorita. - Ele acena com a cabeça.
- O prazer é meu. - Ela fala.
Luane lança um olhar interrogativo sobre mim, em seguida olha para Dimitri novamente. Está bem estampado na sua cara de safada seu interesse imediato por ele.
- Olá minha querida. - Meu pai abraça Luane.
Ela o empurra disfarçadamente, enquanto exibe um sorriso forçado nos lábios.
- Olá. - Ela diz apenas.
- Já faz algum tempo que não nos víamos. - Ele fala.
- Poderia continuar sumido. - Ela retruca. - Não faz falta alguma.
Ele leva a mão a barriga enquanto solta uma gargalhada forçada.
- Engraçada como sempre. - Meu pai aperta sua bochecha.
Luane limpa seu rosto enquanto faz uma cara de nojo, e nem se preocupa em disfarçar seu ódio por ele.
- Você continua chato como sempre. - Ela sorri abertamente.
Mateo continua observando tudo em silêncio, e quando seu olhar se encontra com o meu me preocupo.
Aponto para o sofá para Dimitri e ele se senta, meu pai se senta ao seu lado, mas está estampado em sua cara que não está nem um pouco feliz.
Fico com medo do que ele será capaz de fazer com Dimitri quando estiverem a sós, mas ele não é louco de tentar agredi-lo igual faz comigo. Dimitri acabaria com meu pai com facilidade.
- O que está fazendo aqui? - Pergunto para meu pai.
- Estava com saudades. - Ele fala. - Faz dias que não vai me ver.
Meu desejo é de não ver sua cara na minha frente pelo resto da minha vida, mas infelizmente nem tudo acontece como desejo.
- Não tive tempo. - Minto.
- Precisa arrumar um tempinho para visitar seu pai.
- Para quê? - Luane pergunta. - Para chegar em casa toda machucada novamente?
- Você se machucou? - Mateo se pronuncia.
Encaro Luane seria, e nego com a cabeça para ela não dizer mais nada.
- Não foi nada. - Forço um sorriso.
- O que aconteceu minha querida? - Meu pai finge estar preocupado. - Como se machucou?
- Eu tropecei porque estava escuro e acabei caindo. - Minto.
- Men...
- Quero conversar com você um segundo Luane. - A corto antes que ela diga mais alguma coisa.
Me levanto e caminho até ela, pego sua mão e a puxo em direção ao meu quarto.
- O que está fazendo Lina? - Ela pergunta ao entramos no quarto. - Por que está mentindo sobre como se machucou? E por que seu pai está te tratando dessa forma?
- Mateo acha que ele é um excelente pai. - Explico. - Então, por favor não diga nada.
- Por que?
- Meu pai me ameaçou, então estou fingindo que somos uma família feliz.
- Conte tudo para Mateo, com certeza ele vai te ajudar.
- Nesse momento não posso confiar em ninguém.
Se não fizer o que meu pai manda, muitas pessoas serão prejudicadas, e com toda certeza não irei permitir isso. Talvez eu possa confiar meu segredo a Mateo e talvez não.
Se meu pai sonhar que irei contar algo para ele, estará tudo acabado para eu, Luane e sua família. Então me manterei em silêncio, e fazendo o jogo do meu pai até eu achar outra opção. Não acho que será possível, mas a esperança é a última que morre.
- Ainda acho que seria melhor contar tudo. - Lina fala.
- Vou manter em segredo por enquanto, então por favor não diga nada. - Peço.
- Tudo bem. - Ela revira os olhos. - Mas já vou avisando, se ele te bater novamente vou contar tudo.
- Ok.
Luane me olha preocupada, e está estampado no seu rosto a vontade de contar tudo, mas eu confio nela e sei que se manterá quieta por enquanto.
- Por que não me falou que tinha um amigo tão bonito? - Ela muda de assunto.
- Nem me lembrei.
- Ele é solteiro?
- Sim. - Falo. - Mas ele me falou que não está interessado em namorar no momento.
- Isso é porque não me conhece meu bem. - Ela olha para as unhas.
- Boa sorte então. - Desejo sincera. - Até que seria interessante vocês dois juntos.
Dimitri está se tornando um amigo incrível, Luane é minha família, então com toda certeza apoio se por acaso surgir algo entre os dois no futuro.
- Vamos. - Pego sua mão e a puxo em direção a porta.
- Vamos. - Responde.
Abro a porta e saímos do quarto, fecho a porta e volto para a sala.
- Desculpe a demora. - Peço.
Me sento ao lado de Mateo, e pego sua mão. O sorriso do meu pai se alarga ainda mais quando vê o que faço, mas ignoro seu olhar de orgulho.
Não está orgulhoso por mim, mas sim por estar conseguindo o que quer. Me pergunto o que ele está planejando, só que de uma coisa tenho certeza, não é nada bom.
Espero que Mateo perceba a tempo o ser humano horrível que ele é, e de alguma forma consiga acabar com seus planos.
- Vou embora minha querida. - Meu pai se levanta. - Já vi que está bem.
Não digo nada e apenas aceno com a cabeça em concordância.
- Faça uma boa viagem. - Luane sorri abertamente.
- Obrigada querida. - Ele agradece.
- Dirija com cuidado Dimitri. - Falo. - Me mande mensagem quando chegar em casa.
- Ok. - Ele sorri abertamente.
Luane os levam até a porta, e em seguida se despede de Dimitri e ignora meu pai.
- Não conseguimos nem comer algo. - Suspiro alto.
Meu pai chegou e atrapalhou tudo, e com toda certeza perdi o apetite assim que o vi.
- Vou embora também. - Mateo olha para o relógio sobre o pulso. - Já está tarde.
- Fica mais um pouquinho. - Peço.
- Desculpe. - Ele se levanta. - Preciso levantar cedo.
Mateo está frio, e sua feição parece de alguém com irritação contida.
- Vou dormir. - Luane fala. - Perdi a fome.
Ela se despede de nós e vai para seu quarto. Mateo caminha até a porta e eu o sigo.
- Por que está bravo? - Pergunto.
- Não estou. - Fala apenas.
- Está sim. - Digo.
Ele passa as mãos pelos cabelos e suspira alto.
- Não gostei de você abraçar aquele seu amigo.
- O quê? - Arregalo os olhos.
- Não quero que abrace outro homem que não seja eu.
- Ciumento. - Envolvo meus braços em torno do seu pescoço.
- Não sou. - Ele fala emburrado.
- Não? - Sorrio abertamente. - Estou percebendo.
Lhe dou um rápido beijo nos lábios, em seguida beijo todo seu rosto.
- Ainda está bravo?
- Sim. - Fala. - Talvez se me beijar novamente...
O calo com mais um beijo, então Mateo envolve minha cintura com os braços e me puxa para mais perto de mim.
- Ainda não foi o suficiente.
- Bobo. - Sorrio abertamente.
Ele me encara por alguns segundos, coloca uma mexa do meu cabelo atrás da orelha e fala:
- Não marque nada para esse final de semana, irei levar você para conhecer minha mãe.
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