Capítulo 11
Mateo
- Se não veio aceitar minha proposta, o que veio fazer aqui Lina? - Pergunto.
- Eu vim para podermos conversar. - Ela fala.
- Sobre o quê?
- Vou te fazer uma proposta. - Ela diz.
Lina parece querer estar em qualquer lugar do mundo, menos na minha frente. Ela parece nervosa, e isso só a deixa ainda mais parecida com uma mulher inocente.
Lina está mal vestida, mas isso não interfere nem um pouco em sua beleza. Tenho vontade de beijá-la, mas me controlo ou acabaria todo meu plano.
Há anos venho planejado me vingar de Thomas Harris. E com toda certeza não deixarei nem Lina e nem ninguém me impedir de acabar com Thomas.
Ela teve azar de ser filha do homem que mais odeio no mundo, o homem que acabou com minha família sem remorso algum.
Tive paciência e esperei por longos anos, mas agora tenho em minhas mãos a oportunidade perfeita de me vingar.
Talvez Lina seja diferente do pai, mas acho isso bem improvável, então não terei nenhuma pena em acabar com os dois de uma vez.
Thomas parece mimar a filhinha, e isso prova o quanto ele ama a filha. Que opção seria melhor do que me vingar atráves da sua filha amada?
- Que proposta seria essa? - Pergunto.
- Que tal namoramos por um período de tempo antes de casar?
Fico um pouco surpreso por ela pedir isso. Na verdade espera ela aceitar logo de cara, mas como isso não aconteceu decidi esperar. Lina provavelmente está jogando comigo, um jogo que terá apenas um jogador no final. Eu!
Ela deve ter feito planos com seu pai, de como conseguir tirar a maior quantidade de dinheiro possível de mim.
Thomas é bajulador, mas não me engana. O motivo de praticamente me vender a filha, é porque está planejando algo, mas o que ele não sabe é que antes de fazer algo irei acabar com ele.
Se Lina realmente fosse uma mulher decente, jamais aceitaria se casar com um homem sem amor. E isso só me fez ter mais certeza que ela não presta tanto quanto o pai.
Ela parece ser uma menina inocente, e por alguns segundos realmente pensei que fosse, mas logo percebi que estava errado.
Tenho que admitir que ela é uma excelente atriz, quase me fez acreditar que ela é uma boa garota.
- Aceito sua proposta. - Digo.
- Sério? - Ela parece não acreditar.
- Sim.
Não tenho outra alternativa a não ser aceitar seu pedido. Posso me sacrificar por mais um período de tempo, o que mais tenho é paciência, e quando a minha hora chegar eu não gostaria de estar na pele dos dois.
- Obrigada. - Ela agradece.
- Pelo quê?
- Por aceitar minha proposta. - Ela sorri fraco.
Por algum motivo desconhecido me sinto desconfortável, ao ver Lina abatida e nem um pouco feliz, mas não me deixo enganar, pois provavelmente é mais uma das suas armações.
- Não precisa agradecer. - Forço um sorriso.
- Tinha certeza que não iria aceitar. - Ela suspira alto.
Me mantenho em silêncio apenas a observando. Ela me mexe desconfortável diversas vezes em seu lugar, e seus dedos estão brancos de tanto apertar as mãos.
Talvez seja a primeira vez que ela tenta enganar um homem, ou talvez ela saiba fingir tão bem que está me deixando com dúvidas.
Quando conheci Lina na minha casa, não a reconheci logo de cara. Sentia que a conhecia de algum lugar mas não me lembrava de onde.
Já havia pesquisado sobre sua vida e de seu pai. Lina morou um tempo com o pai após a morte da mãe, mas depois que começou a cursar pedagogia começou a morar com uma amiga.
Talvez seu pai tenha ficado bravo por ela querer cursar algo que não era relacionado ao seu trabalho, e então a expulsou de casa, mas como o amor de pai falou mais alto a perdoou.
Pelo que percebi ele a trata muito bem, então fico me perguntando como ele tem coragem de acabar com famílias enquanto ama tanto a filha?
- Você está bem? - Lina pergunta.
- Estou ótimo. - Sorrio abertamente.
Ela me olha por alguns segundos, e então pergunta:
- Por que quer se casar comigo Mateo?
- Eu já te falei o motivo.
- Eu não acredito em você. - Ela fala.
- Eu fui sincero. - Minto.
Ela parece não acreditar em mim e continua me encarando de uma forma interrogativa.
- Sou tão sem graça perto das mulheres que já namorou. - Ela diz.
- Como sabe...
- Procurei na internet. - Ela fica sem graça.
- Boa parte é mentira. - Minto novamente.
Tenho que começar a ser um bom homem para não assustar Lina. Então terei que me fazer de vítima algumas vezes para ela não desconfiar e acabar descobrindo meus planos.
- Por algum motivo não acredito em você. - Ela sorri fraco.
- Como eu já havia falado antes, estou ficando velho então decidi me casar e ter um herdeiro.
- E se não me amar enquanto estivermos namorando?
- Isso também pode acontecer com você.
Farei Lina se apaixonar por mim custe o que custar. Terei que deixá-la dependente de mim, só então alguns dos meus planos darão certo.
Me apaixonar por ela está fora de cogitação, então nem me preocupo com essa possibilidade.
- Posso me apaixonar por você, e você não retribuir esse sentimento. - Lina diz.
- Descobriremos isso com o tempo. - Falo.
Pego sua mão e aperta de leve. Lina tenta puxar a mão do meu aperto mas não a solto.
- Por...
- Agora você é minha namorada. - Sorrio fingido. - Namorados dão as mãos.
- Isso é estranho.
- Estranho por quê? - Pergunto.
- Você não parece o tipo de homem que namora de mãos dadas. - Ela dá de ombros.
- Está errada. - Digo. - Há muitas coisas que não sabe sobre mim.
- Estou percebendo.
Tudo de bom que existia em mim foi se acabando aos poucos. Fui me tornando um homem frio e sem amor, e mesmo vendo no que eu estava me tornando não fiz nada para me impedir.
- Se casaria comigo mesmo não me amando? - Lina pergunta.
- Sim.
- Por quê?
- Porque sei que existiria a possibilidade de amá-lá depois do casamento.
Não irei amá-la nem agora e nem futuramente, mas preciso fazê-la acreditar que sim.
- É tão estranho ver você tão confiante em relação a casamento. - Ela diz. - Quando te conheci não achei que seria o tipo de homem que se prende em uma mulher tão facilmente.
- Antes eu pensava assim. - Sorrio de canto. - Mas depois que te conheci comecei a mudar de ideia.
Lina leva as mãos a boca e começa a tossir alto.
- Mas não tem tem nem um mês que nos conhecemos. - Ela fala depois de se acalmar.
- Eu sei. - Digo. - Talvez eu tenha me apaixonado por você no instante que te vi.
Ela parece incrédula, mas por alguns segundos percebo que ela ficou um pouco mexida com minha confissão mentirosa. Então aproveito seu momento de fraqueza e a puxo para mais perto de mim, e lhe dou um rápido beijo nos lábios.
- Por... por... que fez isso? - Ela gagueja.
- Por que eu quis. - Sorrio abertamente.
- Mas...
- Você é minha namorada. - A interrompo de dizer algo. - Vou te beijar muito de agora em diante, então pode ir se acostumando.
- E se eu não quiser? - Ela retruca.
Aproximo meu rosto do seu novamente, dou um beijo no seu rosto, em seguida no seu pescoço.
- Você não quer? - Cochicho em seu ouvido.
Lina não responde nada, então já tenho a resposta para minha pergunta. Junto nossos lábios em um beijo avassalador, e nesse momento percebo que não será tão difícil conquistar a filha do meu inimigo.
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