Capítulo 1

Passar sua vida toda apaixonada por seu melhor amigo, e não poder dizer nada, é um sacrifício que faço a muitos anos.

Ian e eu crescemos juntos. Nossas famílias sempre foram amigas. Dois melhores amigos que se casaram com duas melhores amigas, então sempre convivemos juntos.

Sempre foi nós dois contra o mundo por sermos filhos únicos, e ter a mesma idade, então isso ajudou ainda mais nossa aproximação.

Ian não sabe de meus sentimentos por ele. Tenho medo de estragar nossa amizade se caso eu disser algo. Mas não consigo mais ver ele saindo com a escola toda. Toda semana ele está com uma garota diferente. Mas eu sei que ele é apaixonado pela víbora da Cecília.

Para falar a verdade, é difícil achar um garoto que não babe em cima dela naquela escola.

Cecília é alta, magra, dos cabelos longos e negros, tem os olhos mais verdes que já vi. Ela é linda.

Enquanto eu sou uma loira sem graça. Meus olhos azuis são grandes demais para meu rosto pequeno, tenho cabelos longos e loiros, não posso dizer que sou baixinha e nem alta, estou em meio termo.

Não sou popular na escola, mas também não invejo quem é. Gosto de minha privacidade. Sou das poucas pessoas que não são pisadas por Cecília. Não deixo ela me humilhar como faz com muitos. Ela me odeia por não aceitar suas atitudes mesquinhas e egoístas. Estou sempre preparada para suas tentativas de me rebaixar. Mas para sua infelicidade isso não irá acontecer.

- É este. - Digo animada.

- Ficou linda meu bebê. - Diz minha mãe fazendo cara de choro.

- Mãe pare. - Sorrio para ela.

Dona Elisa é minha melhor amiga. Sempre me ajudou e me apoiou em tudo. Meu pai também é incrível, tenho tanta sorte em ter nascido nessa família.

- Está bem. - Diz enxugando os olhos. - Não irei passar vergonha em minha filha.

Estou experimentando um vestido, para a festa de formatura, que é daqui a uma semana. Para falar a verdade não estou nem um pouco animada, só vim escolher o vestido depois de muita insistência de minha mãe.

Depois que escolhemos o vestido saímos da loja, e começamos a andar pelo Shopping.

Escuto de longe a voz de Ian, olho em volta para poder acha-lo.

Quando o encontro sorrindo para mim, meu coração se acelera.

- Você sabe que tem que contar a ele não sabe? - Pergunta minha mãe baixando.

- Não sei do que a senhora está falando. - Tento desconversar.

- Sou sua mãe Emi. - Sorri. - Conheço você muito bem.

- Fica quieta ele está perto. - Cochicho.

Minha mãe gargalha alto e beija meu rosto.

- Boa tarde Elisa. - Cumprimenta minha mãe educadamente.

- Boa tarde querido.

Ian me encara sorrindo. Esse sorriso que acaba comigo aos poucos.

- Te liguei mas você não atendeu.

- Desculpe. - Peço. - Devo ter deixado o celular no silencioso.

- Mas já que te encontrei aqui vamos comer algo. - Diz animado. - Estou faminto.

Olho para minha mãe em busca de ajuda, mas ela apenas sorri.

- Vamos deixar para outro dia? - Pergunto. - Hoje é dia das garotas.

- Não precisa se preocupar comigo. - Diz minha mãe. - Já estávamos indo embora. - Sorri para Ian. - Aproveite e acompanhe seu amigo.

Sorrio sem graça.

- Se quiser podemos deixar para outro dia. - Diz me olhando estranho.

- Tudo bem. - Digo. - Já que minha mãe já está indo embora eu fico para te acompanhar.

Entrego minha sacola de compras para à minha mãe. Ela se despede e vai embora.

Ian e eu vamos para a área de alimentação. Escolhemos um lugar onde tem poucas pessoas e nos sentamos.

Ele fica me encarando mas não diz nada, está me deixando desconfortável.

- O que está acontecendo Emi? - Pergunta por fim. - Percebi que você está me ignorando.

- Imaginação sua. - Digo sorrindo.

- Eu não sou bobo Emili. Sei que tem alguma coisa acontecendo e você não quer me dizer.

Nunca tive tanta dúvida em minha vida. Conto a ele que o amo e me arrependo, ou não conto e também me arrependo.

- É que... - Digo baixinho. - Ian eu te...

Sou impedida de terminar a frase pelo atendente que chegou.

Suspiro aliviada. Você já se livrou de uma cagada que iria fazer em cima da hora? Pois foi exatamente isso que conheceu agora.

- O que vão querer? - Pergunta o rapaz gordinho de covinhas na bochecha.

- Sorvete de chocolate. - Digo.

- O mesmo para mim. - Diz Ian.

O rapaz anota nossos pedidos em uma caderneta, e sai para atender outros clientes que chegaram.

- O que você ia dizer antes de sermos interrompidos? - Pergunta.

- Ah. Não era nada importante. - Digo. - Já até me esqueci.

- Sei... - Passa a mão pelo cabelo enquanto me encara.

Ian cada dia que passa fica mais bonito. Ele sempre usou seus cabelos castanhos na altura dos ombros, seus olhos são castanhos claros e lábios carnudos e rosados. Ian é bem mais alto que eu, tem o corpo atlético exibindo músculos demais para um rapaz de 18 anos. Ele sempre foi vaidoso, cuidando de sua aparência física.

Ian faz parte do time de futebol americano da escola, tem que estar sempre em boa forma. Ele também faz parte dos populares, está sempre rodeado de garotas.

- Aqui. - Diz o atendente colando meu sorvete em minha frente.

- Obrigada. - Sorrio.

- Por nada. - Retribui o sorriso.

Começo a tomar meu sorvete. Está uma delícia. Ian começa a sorrir de repente.

- O que foi? - Pergunto confusa.

- Você sempre se lambuza. - Diz sorrindo.

- Está sujo? - Pergunto. - Onde?

- Aqui. - Passa os dedos com calos de guitarra no canto de minha boca.

- Obrigada. - Digo corando.

Eu esqueci de dizer que além de lindo, Ian também é multitarefas. Toca guitarra muito bem. Seu sonho de infância era se tornar músico e ter uma banda, mas quando descobriu o futebol desistiu.

Ian leva o polegar aos lábios lambendo o sorvete que estava em meu rosto.

- Está animada para a festa de formatura? - Pergunta.

- Não muito. - Digo.

- Por quê?

- Você me conhece. Sabe que não gosto muito dessas coisas. - Reviro os olhos. - Prefiro meus livros.

Sou apaixonada por livros. Por isso resolvi cursar literatura. Estou esperando ser chamada pela Universidade California Riverside, mas até agora não entraram em contato. Ian não sabe ainda de minha escolha. Ele está pensando que irei com ele para Nova York. Ele não ficará feliz quando souber de minha escolha.

Meus pais apoiaram minha escolha, eles sabem que sou uma boa aluna. Então não tiveram tanto receio em me deixar ir para Califórnia, apesar de ser bem perto de Los Angeles.

Não tive coragem de contar a ele ainda, sei que ele ficará extremamente chateado comigo.

- Você anda tão estranha ultimamente. - Diz Ian me tirando de meus devaneios.

- Não é nada Ian. - Minto.

Ele me encara mas não diz nada.

Como eu gostaria de ter coragem de contar a ele como me sinto, mas o medo de perde-lo é maior. Pelo menos tenho ele ao meu lado como meu amigo, eu sei que não por muito tempo se eu for aceita pela universidade.

    
                               ⚘

- Você sabe que Ian ficará muito bravo com você não sabe? - Pergunta minha mãe.

Acabei de receber um e-mail dizendo que fui aceita na universidade. Eu já estava perdendo as esperanças.

- Eu sei. - Suspiro.

- Por que não contou a ele ainda?

- Não tenho certeza. - Digo. - Eu não quero ser a amiga chata que mudou os planos.

- Você sabe que uma hora ou outra terá que dizer a ele. - Diz pegando minha mão.

- Eu sei. - Sorrio nervosa. - Eu sei.

Minha mãe me abraça e beija meus cabelos.

- Estou orgulhosa de você. - Diz feliz.

- Está orgulhosa de quem? - Pergunta meu pai atrás de nós.

Mamãe me solta a vai até ele, o abraço e beija como faz todos os dias quando ele chega do serviço.
Meu pai é advogado, seguiu os passos de meu avô. Continuou com o escritório de advocacia com minha tia Laura que também é advogada. Esse era meu sonho de infância, até eu conhecer o mundo literário.

Eu sei que meu pai queria que eu seguisse seus passos, mas ele me apoiou em minha decisão.

- Emi conseguiu entrar para a Universidade Bob. - Sorri animada.

Meu pai vem até mim com um sorriso nos lábios.

- Parabéns meu amor. - Diz me levantando e rodopiando no ar.

- Obrigada Papai. - Beijo seu rosto depois que ele me coloca no chão.

- Temos que comemorar. - Diz minha mãe animada.

Fico muito contente em saber que estou deixando minha família orgulhosa de mim.

- Vamos fazer um jantar e chamar Jane, Tom e Ian. - Diz papai.

- Tia Laura também.

- Deixa aquela megera sem ser chamada. - Diz papai fingindo irritação.

Eles sempre se elogiam, brigam como loucos mas se amam.

Tenho tudo que uma garota de 18 anos poderia desejar, uma família que amo, um amigo verdadeiro, e agora irei realizar meu sonho de cursar literatura.

Minha vida poderia ser perfeita se Ian me amasse também, mas infelizmente nem tudo na vida acontece como desejamos.

                               ⚘

- Ouvi dizer que tenho uma sobrinha universitária. - Diz tia Laura me abraçando por trás. - Parabéns minha querida.

Ela está vestida impecavelmente como sempre. Cabelos longos e negros preso em um rabo de cavalo, um vestido justo ao corpo de cor verde claro. É incrível como tudo que minha tia veste lhe cai bem, se eu usar um vestido verde fico parecendo um pepino gigante.

Papai e tia Laura se parecem demais. São altos, os olhos de ambos são castanhos claros, pele parda, lábios carnudos. Não existe muita diferença entre eles.

Mamãe já é loira e baixinha, sou sua cópia mas nova, somos em quase tudo parecidas. A única coisa que puxei meu pai foi a paciência. Gosto de tranquilidade, e ficar em casa. Enquanto mamãe gosta de sair.

- Obrigada titia. - Digo sorrindo.

Ela odeia quando a chamo de titia, só para provoca-lá sempre a chamo assim.

- Não me faça lhe dar umas palmadas garota. - Diz fingindo irritação. - Você já está bem gradinha para apanhar de sua tia.

- Você é muita velha para conseguir correr atrás de mim.  - Digo gargalhando.

- É o que menina? - Diz vindo em minha direção correndo.

Eu que não sou boba começo a correr também.

- Não me pega. - A provoco.

Ficamos igual loucas correndo em volta do sofá da sala.

- Para. - Diz ofegante. - Realmente não tenho mas idade para isso.

Gargalhamos alto.

- As crianças já terminaram a brincadeira? - Pergunta papai.

- Cale a boca.

Minha tia mostra o dedo do meio para ele enquanto vai para a cozinha.

- Ainda vou quebrar esse dedo. - Grita meu pai para ela ouvir.

A campainha toca. Corro para ir abrir a porta.

- Boa noite minha querida. - Deseja Tom beijando meu rosto.

- Boa noite Tom. - Digo. - Entrem.

- Você cresceu Emi? - Pergunta Jane.

- Para os lados eu tenho certeza. - Pisco para ela.

Ela sorri para mim.

Ian está logo atrás com cara de poucos amigos, provavelmente já sabe o porque desse jantar.

Espero que ele me perdoe, não quero ir embora brigada com meu amigo.


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