Charleston's Hope

Pastor Ian Charleston

Cheguei ao Velho Oeste americano com um coração fervoroso e uma missão clara: combater a injustiça e ser a voz dos oprimidos. Em tempos de crescimento e mudanças trazidas pela ferrovia, vi a crueldade dos poderosos se expandir, expulsando povos nativos e pequenos agricultores de suas terras. A ganância deles não tinha limites, e a dor das famílias desabrigadas ecoava como um grito de socorro que eu não podia ignorar.

Vim da Inglaterra, mas quando meus pés tocaram este solo árido e cheio de potencial, soube que Deus tinha me enviado aqui por uma razão maior. Fundar uma cidade para os despojados, para aqueles que perderam tudo, era mais do que um ato de caridade; era uma resposta divina às injustiças que presenciei. Minha missão aqui, no Velho Oeste, não era apenas espiritual. Era política, era humanitária. Charleston’s Hope nasceu do sonho de oferecer um refúgio para os despossuídos, um lugar onde pudessem recomeçar. Uma cidade que se tornou um farol de esperança para aqueles que o mundo havia esquecido.

Sou um pastor, mas não fecho os olhos para o mundo à minha volta. Minhas motivações são simples, mas pesadas como as pedras das montanhas que cercam nossa cidade: justiça, igualdade, e a convicção de que todos merecem uma segunda chance. Apoio os Hurricane Brothers não por amor ao crime, mas por reconhecer a necessidade de um contrapeso na balança da justiça. Rupert, Vincent e Oswald — os Hurricane Brothers — são os instrumentos pelos quais reequilibro essa balança, roubando dos ricos e corruptos para devolver aos necessitados. Não apoio a violência, mas às vezes, a justiça precisa de uma mão forte. Deus pode não aprovar todos os métodos que usamos, mas tenho certeza de que Ele aprova os resultados. 

Contudo, esse caminho não é sem dilemas. Carrego o peso da consciência de que ao apoiar foras-da-lei, estou violando leis humanas. Mas o que é a lei dos homens frente à lei divina de amor e justiça? Cada dia é uma luta interna, uma batalha entre a retidão e a necessidade de ações drásticas. Rezo para que Deus entenda minhas intenções e me perdoe por qualquer desvio de Seu caminho. Na escuridão do Oeste, busco ser a luz que ilumina a justiça divina.

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Os Hurricane Brothers cavalgavam rapidamente, com o sol do meio-dia lançando sombras longas sobre a paisagem desértica. Viper, segurando firme nos braços o casal supostamente apaixonado, Beatrice e "Jeremiah Taylor", estava atento a qualquer sinal de perseguição. Redeye liderava a comitiva, sua mente trabalhando freneticamente para traçar o próximo passo do plano.

"Temos que nos apressar," pensou Redeye. "Os patrulheiros não estão longe."

Beatrice, ou melhor, Hannah Lawyer, mantinha a calma apesar da situação. Observava cada detalhe ao seu redor, procurando uma oportunidade para escapar. Ao seu lado, Jed Smith, ainda sob a identidade de Jeremiah, lutava para manter a compostura.

"Precisamos achar um jeito de fugir," sussurrou Jed para Hannah, seus olhos cheios de determinação. "Não posso deixar que esses bandidos descubram sobre a invenção. Por sorte deixaram nossas malas conosco sem revistá-las"

Hannah assentiu, seus olhos fixos na figura de Redeye à frente. Sabia que qualquer tentativa de fuga precisava ser bem calculada, ou poderia custar-lhes a vida. Jed estava certo. Dentro de sua bagagem, estavam as suas armas, logo, se eles olhassem lá dentro, o seu disfarce de professora de música estaria comprometido. 

Enquanto cavalgavam, a paisagem começou a mudar. Montanhas se erguiam ao longe, e a vegetação se tornava mais densa. Era ali que os Hurricane Brothers se sentiam mais seguros, conhecendo cada trilha e esconderijo da região. Um lugar onde poderiam facilmente despistar qualquer perseguidor.

Finalmente, chegaram a um pequeno vale escondido entre as montanhas. Redeye deu o sinal para pararem e desmontarem. 

"Vamos descansar aqui por um tempo," ordenou. "Ox, cuide dos prisioneiros."

Ox, com seu físico imponente, pegou Hannah e Jed e os levou até uma pequena cabana abandonada. Trancou-os lá dentro, mas não antes de dar um aviso severo.

"Tentem qualquer coisa e será a última tentativa de suas vidas," rosnou.

Dentro da cabana, Hannah e Jed aproveitaram o momento de privacidade para discutir um plano de fuga.

"Temos que ser rápidos e silenciosos," sussurrou Hanna, enquanto olhava ao redor. "Eles estão muitos e bem armados."

Jed, observando pela pequena abertura da porta, viu uma oportunidade quando Viper e alguns homens começaram a discutir em voz alta.

"Agora, Hannah," disse ele, ajudando-a a sair por uma janela que não estava trancada.

Os dois conseguiram escapar da cabana e se esgueiraram pela mata densa. O som das vozes dos Hurricane Brothers se distanciava à medida que corriam. Cada passo era uma corrida contra o tempo, e a liberdade parecia uma possibilidade cada vez mais real.

Entretanto, a liberdade não seria tão fácil de alcançar. Viper, com sua habilidade aguçada, notou a ausência dos prisioneiros rapidamente. Alertou os outros, e logo a mata estava cheia de caçadores à espreita.

Hannah e Jed corriam como se suas vidas dependessem disso — e, de fato, dependiam. A bolsa de Hannah agarrou em um galho, fazendo-os perder tempo e, ouvindo o som das vozes se aproximando, não viu outra alternativa a não ser abandoná-la e seguir em frente. Mais à frente, encontraram um rio e decidiram segui-lo, esperando que a água apagasse seus rastros. 

Foi então que avistaram um grupo de homens cavalgando em sua direção. O líder, um homem de aspecto nobre e vestes clericais, se apresentou como pastor Ian Charleston. Seus olhos brilharam ao ver Jed e Hannah. Ele era um homem alto com cabelos loiros levemente grisalhos e olhos que refletiam uma determinação implacável.

"Rápido, subam nos cavalos!" ordenou Charleston. "O bando que os persegue não está longe. Precisamos nos apressar!"

Sem hesitar, Hannah e Jed montaram nos cavalos oferecidos pelos homens de Charleston. O pastor, liderando o grupo, os guiou por uma trilha segura, longe do alcance dos foras-da-lei. Ele disse que os levaria para a sua cidade, onde eles poderiam se alimentar e descansar para poderem se recompor.

Enquanto cavalgavam para a segurança da cidade chamada Charleston’s Hope, Jed sentiu uma onda de alívio misturada com gratidão. 

"Obrigado, Pastor," disse ele. "Você salvou nossas vidas."

"Meu filho," respondeu Charleston, "a justiça de Deus não falha. Hoje, vocês foram resgatados, mas lembrem-se de que o trabalho pela justiça está apenas começando.”

A viagem até Charleston’s Hope foi longa e silenciosa. Jed e Hannah estavam visivelmente desconfortáveis, especialmente depois do encontro com os Hurricane Brothers. Quando finalmente chegaram, a visão da cidade foi um alívio. As casas eram simples, mas bem construídas, e havia um senso de comunidade que emanava de cada esquina.

“Bem-vindos a Charleston’s Hope," disse o pastor, assim que chegaram à entrada da cidade. "Esta cidade é um refúgio para aqueles que foram injustiçados."

Ele os guiou por ruas movimentadas, explicando a história e os propósitos da cidade. "Aqui, oferecemos uma segunda chance. Trabalhamos juntos, plantamos, construímos.”

Hannah observava tudo. Os olhos atentos a cada detalhe. Jed parecia um pouco mais relaxado, mas ainda estava cauteloso. Quando chegaram à casa do pastor, ele os convidou a entrar. O cheiro de comida invadia as narinas de ambos, mostrando o quanto estavam famintos.

“Parece que chegamos na hora certa.” Ian disse, sorrindo ao sentir o cheiro delicioso. Vão se lavar e venham comer conosco. Não é nada grandioso, mas suficiente para mostrar nossa hospitalidade."

Hannah e Jed seguiram um garoto que o pastor ordenou que os levasse até o poço, onde retiraram água para beberem e se lavarem. Após a higiene, eles retornaram até a casa, onde uma generosa mesa estava posta.

Enquanto comiam, Ian falou sobre seu trabalho. Sobre como a cidade havia crescido e prosperado apesar das adversidades. "Nós não somos ricos em dinheiro, mas somos ricos em espírito e solidariedade. A cada dia, enfrentamos as injustiças que nos cercam e lutamos para construir um futuro melhor."

Após a refeição, Ian decidiu apresentar a eles seu braço direito. "Há alguém que vocês precisam conhecer," disse ele, levantando-se e indo até a porta. "Rupert Oldwood, por favor, entre.

Hannah sentiu um calafrio percorrer sua espinha quando viu Rupert entrar na sala. Os olhos dele, mesmo sem a máscara, eram inconfundíveis. Eram os mesmos olhos do líder do bando que assaltou o trem.

"Rupert, estes são nossos novos amigos, Jeremiah e Beatrice. Eles estão sob nossa proteção agora," Ian apresentou, ignorando a tensão crescente.

Rupert sorriu, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Hannah agarrou a mão de Jed e puxou-o em direção à porta. "Nós precisamos ir," disse ela, a voz carregada de urgência.

Mas antes que pudessem escapar, Oswald e Vincent bloquearam a saída. "Para onde vão com tanta pressa?" perguntou Vincent, um sorriso malicioso nos lábios. "Ainda não servimos a sobremesa."

A sala estava carregada de tensão. Hannah e Jed estavam presos, e a situação só parecia se complicar. "Vamos, sentem-se," disse Rupert, com um tom que era uma mistura de convite e ordem. "Temos muito a discutir."

O olhar de Rupert nunca deixou Hannah, e ela sabia que estavam em sérios apuros. Ele trazia a bolsa que ela deixou na mata durante a fuga e, colocou duas pistolas cromadas sob a mesa. Ela reconheceu as suas armas imediatamente e se alarmou ainda mais. Jed aparentava estar a um fio de explodir e começar a falar tudo o que não podia. Precisavam encontrar um jeito de sair daquela situação com urgência.

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