< 30 >
2 anos depois
» Olivia
Muita coisa mudou durante esses dois anos. Principalmente quanto ao trabalho, com a livraria sendo nossa, agora eu passo metade na escola em que já trabalhava e metade nela. É incrível ver como ela cresceu mesmo depois de pouco tempo.
Hoje seria um dos dias em que ficaria na livraria o dia todo já que não teria turno na escolinha, então poderia continuar deitada. Ouço Tom levantar, se arrumar e vir até mim me dando um beijo antes de sair.
Em dias "normais", levantamos e saímos juntos, e dias como hoje costumo dormir um pouquinho mais, mas a minha ansiedade não deixou.
Há mais de uma semana que digo para mim mesma fazer isso logo, mas sempre penso que é paranóia ou algo do tipo.
Levanto após um tempinho para me certificar de que ele já tenha saído, pois se o que está prestes a acontecer for o que eu estiver pensando, é bom fazer uma surpresa.
Desde o mês passado venho desconfiando disso. Saio da cama e pego a sacola com os dois testes de gravidez que havia comprado e escondido indo para o banheiro.
Ok. Não é nada demais, se der positivo, tudo bem, preciso ficar calma que dará tudo certo. Eu acho. Se der negativo então aí sim devo me preocupar, pois meu ciclo está atrasado e posso estar doente.
Eu posso pensar demais as vezes.
Sinto um nervosismo percorrer meu corpo e faço o que tenho de que fazer, deixando o primeiro teste de cabeça para baixo enquanto aguardo os segundos.
Tom ficará tão feliz se for positivo... Sorrio pensando na reação dele.
Ok. Respiro fundo. Viro para minha frente e vejo dois pauzinhos.
— Positivo. — confiro na caixa. — 7 semanas. — Fico incrédula e com vontade de rir e chorar. Mas? 7 semanas?
Pego o segundo teste e refaço a ação. Positivo novamente. Rio de nervoso.
Incrédula, sinto minha pele arrepiar-se a medida que vários pensamentos circulam minha cabeça. Eu vou ser mãe. Caralho.
Saio do banheiro ainda sem acreditar. Ouço patinhas correrem até mim e pego Bobby nos braços.
— Você ganhará um irmãozinho ou irmãzinha, Bobby! — acaricio seu pelo negro.
Me arrumo e vou em direção a biblioteca.
Cliente entrava, cliente saía e minha ansiedade junto do nervosismo só aumentava. Eu não via a hora de contar a ele, mas teria de ser de forma especial. É uma notícia e tanto... Rio. Uau.
Ando para lá e para cá, passo a mão em alguns livros, os cheiro, folheio alguns... E lembro do meu pedido de casamento.
Sorrio lembrando de Tom me levando até a sessão de Dom Casmurro e pedindo minha mão.
— É uma ótima ideia para adaptar... — digo para mim mesma.
Procuro a mesma sessão e afasto alguns livros. Pego um livro de histórias infantis para dormir e o ponho lá, anotando a sessão e o número do livro. Bem que queria ser mais criativa como meu marido.
Então... é isso. Vou esperar ele chegar aqui e entregar o papel com as informações e pedir para ele buscar para mim.
Eu quero chorar.
Estou me segurando para não contar a nenhuma das meninas porque quero que ele seja o primeiro a saber.
Ai, pelo amor de Machado, o segundo, no caso. Aguardo com ansiedade a chegada dele.
[...]
O dia passa e logo o fim de tarde chega.
— Só mais algum tempinho. — murmuro enquanto fito o relógio.
— Falando sozinha, Olivia? — ouço uma voz familiar soar atrás de mim. Me viro em sua direção e vejo Vivian ali parada.
Que?
— Não vai me dar um abraço? — ela diz com um sorriso tímido.
Fui até ela e a abracei. Não acreditava que ela estava ali. Essa era a primeira vez que nos víamos pessoalmente desde... aquilo. Continuamos nos falando online aos poucos e agora ela estava aqui. Pessoalmente.
Depois de algumas curtas explicações de sua vinda que seu deu por conta de seu namorado, saímos para tomar um café em um shopping ali próximo. O dia está para surpresas.
— A livraria está linda, vocês fizeram um ótimo trabalho em reformá-la. E o seu corte de cabelo te deu uma leveza sem igual, está muito linda. — ela diz tomando um gole da sua bebida. — Sempre gostei dele mais curto.
— Obrigada. — dou um meio sorriso — A nossa intenção é fazer com que ela vire uma biblioteca daqui há alguns anos. Pensamos muito alto em relação a ela. — digo e ela assente. — E como estão todos? — pergunto.
— Bem, por incrível que pareça. Ainda há muitas brigas e falatórios por dinheiro, é um saco. O dinheiro ainda é o principal na cabeça de todos. E pensar que quase perdi você por algo assim. — suspira desapontada — E você e Tom?
Suspiro. Nada sob o novo sol.
— Será se eles não vão mudar nunca? — digo pensativa — Estamos bem, muito bem. — sorrio.
Nossa vida de casado é realmente muito boa, não posso negar. Acho que somos privilegiados por termos um ao outro. Tom é um homem incrível, claro que ele tem seus defeitos, mas de jeito algum eles ficam a cima de suas qualidades.
— Alguma novidade? — ela me olha curiosa.
Novidade? Conto? Ou não conto? Tom tem que ser o primeiro... ou não? Sim. Ele será o primeiro.
— Já vi que sim! — ela ri — De quanto tempo está?
O QUE? Me assusto.
— C-como você sabe? — pergunto tão incrédula como quando a vi.
Vejo que ela arregala os olhos e fica com cara de chocada.
— OLIVIA VOCÊ ESTÁ... — faço um gesto com a mão para que ela se cale. Ela entendeu e continuou me encarando.
— Como você sabe? Está na cara? Dá para perceber? — digo olhando minha barriga — Não notei nada muito diferente.
— Olivia! — ela riu — Eu não sabia de nada! Eu apenas joguei um verde na brincadeira e você caiu... — ela ainda parecia chocada, mas com um sorriso no rosto — Ah meu Deus! Eu não acredito que você está grávida! — ela ri — De quanto tempo está?
Não acredito que caí nessa. Desculpa, Tom, foi sem querer. Suspiro e rio. Era normal isso acontecer na nossa infância.
— Sete semanas. Eu já vinha desconfiando, mas só tomei coragem para tirar a prova hoje. Fiz dois testes nesta manhã. Nem acreditei quando vi, ainda estou um pouco em choque para falar a verdade. — rio. — Irei contar a ele hoje a noite, quero fazer de um jeito especial, ele sempre teve esse desejo de ser pai.
— Eu estou tão feliz com a forma que você levou sua vida, superou cada coisa! Mudou para melhor e amadureceu muito! — ela sorri e pega minha mão sob a mesa — E agora vai ser mamãe e eu titia!
Nós rimos e continuamos nossa conversa.
Já estávamos indo de volta em direção a livraria quando Vivian decidiu parar em uma loja para crianças. Ah, sério?
Iria entrar mas meu telefone tocou, era Tom.
Um frio bom na barriga me sobe e eu atendo. Ele disse que já estava indo para casa e eu lhe contei rapidamente que Vivian havia vindo para cá. Ele ficou tão surpreso quanto eu.
Antes de desligar, fiz uma pequena ceninha.
— Ah, Tom, tem como você passar antes aqui na livraria? Chegaram algumas coisas novas e preciso da sua ajuda.
"Sem problema, logo estou aí".
Me despeço assim que ouço Vivian gritar de longe vindo até mim.
— OLIVIA, VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR NO QUE EU ENCONTREI! Eu tive de comprar!
Ela me mostra duas mini-chinelas-havaianas amarelas para bebês com uma pequena bandeirinha do Brasil.
Era fofo. Agradeci, rimos e nos despedimos com um abraço apertado e um até logo. As coisas já poderiam voltar aos poucos, parecia que tudo já estava se normalizando.
Voltei para a biblioteca e vi que o carro de Tom já estava parado lá fora. O nervoso subiu a minha espinha novamente e, sem que ele visse, joguei a sacola para a bancada assim que entrei.
— Olá, meu amor. — digo indo até ele e o beijando. Ele estava de costas passa seus dois braços sobre meu corpo enquanto virava-se para mim e sorri.
— Senti sua falta. — ele diz e nos afastamos um pouco.
O abraço novamente deitando minha cabeça em seu peito e fico com vontade de chorar. O que ironicamente me faz rir. Hormônios?
— Eu amo você. — digo rindo e passo a mão em seu rosto.
Ele ri e fica sem entender.
— Eu amo você! — ele diz ainda rindo e passa a mão no meu cabelo.
Depois do nosso momento, mostro as caixas reais que haviam chegado, e que eu podia muito bem tratar disso sozinha, mas precisava dele ali.
Vejo ele checando se está tudo ok e vindo até mim para confirmar.
— Tom, você pode pegar esse livro, por favor? Preciso só de um minutinho aqui. — minto e lhe entrego o papel que indicava o local.
Ele assente o pegando e vai em direção a sessão. Rapidamente pego o presente de Vivian e o seguro o par com dois dedos mantendo as mãos atrás de meu corpo, para que ele não visse e vou em sua direção.
— Via, você tem certeza que é aqui? Não estou encontr... — ele para de falar e pega o livro em mãos.
Me aproximo dele e ele me olha sem entender.
— Um livro infantil? — sorri de lado.
— É melhor termos um em casa, não? — minha voz começa a falhar — Vai demorar até começarmos a ler para ele ou para ela, mas... — meus olhos começam a lacrimejar — É bom irmos treinando, não acha? — o olho e sinto uma lágrima cair.
Ele ainda estava parado estático me olhando.
— Como... Você... Via! V-você...? — o vejo começar a entender e levanto as duas chinelinhas em sua frente e rio em lágrimas.
—Sim! — ele vem até mim e me abraça. Sinto suas lágrimas em meu pescoço e me afasto para lhe dar um beijo. Ele me aperta mais e me roda no ar.
Nós literalmente rimos e choramos.
— Eu estou tão feliz! Tão feliz! — ele diz e eu passo a mão em seu rosto secando suas lágrimas.
— Eu também, meu amor!
— EU VOU SER PAI, VIA! NÓS VAMOS SER PAIS! — Gargalhamos totalmente felizes.
»»»«««
Um tempo depois
» Thomas
Termino meu chá e subo as escadas. Pelo o que acabei de ouvir, provavelmente Via já estava no quarto amamentando Ellie.
Nossa pequena cresceu tanto, nunca pensei que fosse sentir um amor tão profundo assim em dose dupla!
Nossa menina tinha cabelos claros como os meus, e todos diziam que ela tinha meus olhos, herdando o resto da mãe. Era linda! De longe a criança mais linda que já havia visto. Eu e Via sempre rimos quando falamos assim dela.
Abro a porta do quartinho amarelo pastel e vejo Via com Ellie em seus braços. A menina segurava com sua pequena mãozinha um dedo de sua mãe e sorria.
É o tipo de cena que faz com que você comece o dia bem. Faz você se sentir completo e amplamente grato.
Me aproximo delas beijando o topo da cabeça de minha esposa e logo volto a atenção para a pequena lhe dando um beijinho.
— Olhe, Ellie, papai está aqui. — Via diz chamando a atenção da bebê e me entregando para colocá-la para arrotar como sempre fazíamos.
Sento ao seu lado e cuidadosamente a posiciono em meu ombro. Não demora para que ela solte seu pequeno arroto fazendo com que eu e sua mãe nos olhássemos e rissemos como de costume. Volto a bebê para meu colo e beijo o topo de sua cabeça.
— Da pra acreditar que ela já está com sete meses? — Via diz enquanto brinca com o pézinho dela.
— Parece que foi ontem que descobríamos o sexo, não é?! — digo a olhando e pego sua mão a levando aos lábios enquanto o outro segura Ellie que balbuciava alguns sons.
— Sim. — riu. — Ellie, por mais que eu queira que demore, não vejo a hora de você crescer pra te ver lendo vários livros. — a menina olhava a mãe atentamente — Porque você vai gostar de ler sim, é sua pequena obrigação.
Eu rio junto a ela.
— Ei, se nós mudássemos o nome da livraria para o nome dela? Pode ser um incentivo...
Ela para e faz como se estivesse pensando.
— Não sei, aí teríamos de mudar novamente quando o próximo vier ou ele poderia ficar com ciúmes.
Próximo?
— Próximo? Você considera ter mais filhos? — digo sorrindo.
— Você não? — ela brinca e nós rimos.
Sempre disse que adoraria ter filhos. Sim, no plural.
— Hum, talvez alguém tenha despertado muitos sentimentos em mim... — ela ri e se volta para Ellie que pula para os braços da mãe.
— Que bom, porque adoraria "treinar" com você até ter a casa cheia. — digo em seu ouvido e beijo seu pescoço.
— Tom! — nós rimos e ficamos ali.
Ouvimos um barulho e vemos dois rostos bem conhecidos.
— Own, vocês são tão fofos! Vem, Ellie, vem para sua madrinha. — Gabriela diz entrando no quarto sendo seguida por Anna.
— Como elas entraram? — pergunto baixo para Olivia com um tom de riso na voz.
— É o que me pergunto sempre. — ela diz e nós rimos.
Ali, no quarto da nossa filha, junto de um casal de amigas, eu percebo quanto sou feliz.
É tão gratificante e tão forte que acho que não existem palavras possíveis de declarar o quão feliz eu sou por poder chamar a mulher que amo de esposa, de poder acordar todos os dias ao seu lado e ver sorrir o fruto que fizemos juntos. É inexplicável e incontável o tanto de amor que sinto por essas duas.
Sou grato a tudo, principalmente a um certo autor, porque mesmo depois de defunto, conseguiu continuar agindo e juntando seres vivos.
E agora tenho que ir, ou fico sem lugar no balanço.
Fim
Ninguém me segura que eu tô emotiva! Gente, eu tenho tanta coisa pra falar, mas vou ser breve, se não é capaz de sair um capítulo com +10000 palavras. Haha.
Primeiro, obrigada a todo mundo que interagiu, leu, comentou, deu estrelinha... De verdade! Sou muito grata por vocês gostarem dessa história, espero sinceramente que tenham ficado encantados com ela! Essa foi minha primeira fic aqui no wattpad, e eu sempre vou ter um imenso carinho por ela! Eu sei que pode ter erros e alguns furos, e me desculpo por isso.
Mas essa história sempre vai ser muito especial, porque eu iniciei ela logo quando comecei a ser stan do meu biscoitinho vulgo Thomas William Hiddleston, (esse homem que é incrível e que eu amo cada dia maiss) e eu amo escrever, é uma das formas de me libertar, de pôr pra fora algumas coisas que eu queria tá sentindo e que pretendo sentir no futuro. ♥️
E é isso. É sério, eu falo muito.
Espero que vocês tenham gostado de verdade, e eu agradeço do fundo do meu coração por darem moral a ela! SOMOS QUASE 7K! VOCÊS TÊM NOÇÃO DISSO???
Um cheiro e um abraço apertado em cada uma 💘
Até a próxima fic com o Hiddles!
*E pra não morrerem de saudade de mim: Tenho outras fics no perfil 👀 Com o Sebastian Stan e com o Chris Evans!
Eu sei que eu disse que ia ser breve, mas não deu... Haha. E ah, qualquer coisa pode falar comigo, viu?!
Obrigada de verdade! Até mais, pessoal. Se cuidem 🥰💞 amo vocês 🥺🥺✌️😚
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top