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» Olivia

Mesmo com um certo receio, precisava fazer aquela pergunta. Um frio no estômago me subiu enquanto eu encarava aqueles grandes olhos azuis.

Ele corresponde o olhar, inclina a cabeça, suspira e fecha os olhos. Levanta o rosto, sorri e me aperta mais em seus braços.

– Via... – ele põe meu cabelo atrás da orelha. – Isso é importante agora?

– É.

– Às 0h22 da manhã? – Ele me olha com um meio sorriso.

– Tom... Hoje eu... Sei lá. – suspiro – Eu acho que nunca me importei muito com esse negócio de casamento, mas aí vendo as meninas apaixonadas... eu percebi que é um negocio muito, muito sério. E quando chegou a carta nós havíamos acabado de completar um mês juntos, é muita loucura pensar nisso. Independente da sua resposta, está tudo bem. – passo a mão em seu rosto.

Era um peso ter que fazer essa pergunta, mas a curiosidade me mataria se eu não soubesse a resposta.

– Via... – ele olha para baixo e sorri – Sim, eu me casaria com você. Assumo que inicialmente foi algo que veio na minha cabeça sem pensar, mas eu seria capaz disso para te ter por perto.  Parece algo louco, e realmente é, se for pensar pelo pouco tempo de relacionamento que temos. Mas eu não seria capaz de te ver ir, de ficar longe de você sabendo que poderia ter feito algo.

Suspiro e dou um pequeno sorriso de lado. Encosto minha cabeça entre a curva do pescoço e ombros dele.

– Obrigada por isso, Tom. – digo ainda sentindo o cheiro de sua pele – Você é uma das melhores pessoas que já conheci.

Ele me aperta em seus braços.

– Tudo bem, meu amor. Faria esse "sacrifício" por você. – nós rimos – Pretendo me casar um dia mesmo. – ele fala essa última frase um pouco mais baixo.

Fecho meus olhos e continuo ali na mesma posição. Ok, "pretendo me casar um dia mesmo". Ok, casamentos me assustam um pouco... Mas ele não falou que era comigo... Mas nós estamos em um relacionamento... E falando sobre casamento... Ok, não vou deixar minha insegurança falar mais alto, olha o que esse homem seria capaz de fazer por mim...

Respiro fundo deixando minhas inseguranças de lado, levanto minha cabeça e vejo que ele já voltara para o livro.
Faço um caminho de beijos do pescoço até os lábios. Percebo que ele sorri e ouço quando ele joga o livro na mesinha ao lado. Tom faz menção de tirar minha blusa e eu abro os braços. Coloco minhas pernas uma de cada lado do corpo dele fazendo movimentos leves indo e voltando. Percebo nossas respirações ficarem pesadas e sinto quando Tom levanta e sai andando comigo agarrada a ele até o quarto. Rio com a rapidez.

                                                                               »»»«««

                                                                     1 semana depois

» Thomas

Deitado, vejo Olivia checar pela segunda vez a lista de coisas para pôr na mala.
Ela confere e arruma minimamente cada coisa.

Nosso voo em direção ao Brasil sairá às 15h, e ainda são nove da manhã. Percebi que essa ansiedade dela não é apenas por conta da viagem em si, mas o que acontecerá depois dela. Ficaremos por alguns dias e eu farei questão de fazê-la aproveitar um pouco, ela anda muito estressada com esse assunto de família. 

Aproveito para ir ao meu apartamento e assim como ela, conferir tudo. Saio do prédio e sinto um vento frio, espero que não chova para não atrapalhar nosso voo. Fiquei um tanto pensativo com essa pergunta que ela me fez porque sei que ela teme casamentos, se por assim dizer.

No caminho para casa, resolvo passar em uma joalheria, havia visto um pingente de um pássaro muito delicado e pretendo presenteá-la, adoro mimá-la.

                                                                               »»»«««

Me mexo na poltrona e sinto um leve balançar no meu braço.

– Tom? – Olivia me chamava – Tom! Vamos, já estão saindo do avião. – ela diz baixo. Abro os olhos e olho ao redor. Por quanto tempo eu dormi? Já pousamos?  A olho e vejo que ela parecia ter acordado a pouco também. Logo nos levantamos e vamos em direção a parte de fora. 

Após pegar uma extensa fila para adentrar ao aeroporto e um trânsito extremamente cansativo, finalmente chegamos ao hotel em que ficaríamos. Me sinto morto, que viagem cansativa, por Deus. Só quero um banho quente e uma cama. No táxi, percebo que Olivia estava um tanto longe, não sei se pelo cansaço ou pelo o que ela verá pela frente.

O clima de Florianópolis estava agradável, pelo o que Olivia me falou, a maior parte do tempo que ela passou aqui era assim. A vejo rir junto do motorista quando tento pronunciar o nome da cidade. Difícil, assumo. Ela me contou que passou pouco tempo morando aqui, então não conhece muito, já que logo após que sua família mudou-se para cá ela foi para Londres, disse antes morava numa outra região, que ela descreveu ser linda e muito, muito quente. Ri com a especificidade. Novamente, ela e o motorista riem ao me verem tentar pronunciar "Fortaleza" e "Nordeste". Achei que por falar um pouco de espanhol seria mais fácil. 

Adiós, gringo e mocita bonita! – Ouço o motorista falar antes de ir embora. Eu e Olivia nos entreolhamos  e rimos. Que carismático. 

Após fazer o check-in no hotel, finalmente subimos para o quarto. Olivia deixa as malas próximo a cama e se joga na mesma dando um longo suspiro. Faço o mesmo. 

– Como está se sentindo? – pergunto fitando o teto assim como ela.

– Cansada, ansiosa... – ela suspira – No momento só quero pensar em tomar um banho e tentar aproveitar um pouco aqui. E com você isso será mais fácil. – ela vira o corpo e sorri para mim. – Obrigada por estar aqui, Tom. Obrigada, de verdade. – ela me olha nos olhos.

Sorrio e toco seu rosto.

– Não precisa me agradecer, Via. – retribuo o olhar – Estou aqui com você e para você. – ela fecha os olhos e sorri – Via, por favor, vamos tentar aproveitar essa viagem... Sei que ela carrega uma carga emocional muito grande em você, e eu espero que tudo se resolva. E também é a nossa primeira viagem juntos, eu quero fazer dela especial para você, independente de tudo. 

– Eu tentarei. – ela suspira – Prometo.

                                                                               »»»«««

Acordo e logo estranho o lugar que estou. Vejo que estou sozinho na cama e escuto o barulho do chuveiro. Olivia. Viagem. Brasil. Levanto e sinto uma leve dor de cabeça, esfrego meus olhos e me espreguiço. Mas que horas são?  Vou até a janela e afasto um pouco a cortina, logo sou cegado pela tamanha claridade que fazia lá fora. 

–  Bom dia e boa tarde. – ela fala em português assim que sai do banheiro. Estava usando um vestido azul curto e enxugava os cabelos com a toalha. – Dormiu bem?

–  Bom dia. – digo. – Ainda um pouco quebrado, mas dormi sim. Que horas são? – digo me levantando e indo em direção ao banheiro. Passo por ela e beijo sua testa.

– Meio-dia. – ela aperta os olhos – Dormimos demais. – ela solta uma risadinha – Que tal descermos e almoçarmos lá em baixo? 

– Seria ótimo.

Após tomar meu banho, visto uma bermuda e uma camisa branca. Descemos e vamos em direção ao restaurante do hotel, que havia uma "ponte" para a piscina. Entramos e escolhemos uma mesa no local aberto, que por sinal era bem ventilado e tinha vista para a piscina.

– Olá, boa tarde. – a garçonete vem até nós sorridente – Aproveitando a lua de mel? – ela fala em português e eu olho para a Olivia.

– É... não, não na verdade. Só estamos de viagem mesmo. – ela diz com um sorriso sem jeito.

– Oh sim. 

Fazemos nossos pedidos e continuamos nossa conversa. As pessoas passam para lá e para cá, crianças, adultos e idosos aproveitavam a piscina. Vejo uma moça passar apenas de biquíni, e que biquíni, quer dizer, tão fino, por Deus. Percebi que estava sendo inconveniente e olhando demais quando voltei a atenção para mesa e vi Olivia me encarar de sobrancelha erguida.

– É algo muito comum por aqui... – ela diz.

Levanto as sobrancelhas em resposta e trato de checar algumas mensagens. Respondo minha mãe e alguns colegas professores. 

Olivia falava com alguém ao telefone.

– Sim, Lucas... Não, certo. Amanhã iremos te encontrar sim. Outro, adeus. – a ouvi dizer. – Temos um lugar para ir amanhã de manhã, encontraremos Lucas, meu irmão. – ela diz assim que termina a ligação.

– Uhum. Aquele que ligou para você? 

– Esse mesmo.

Ficamos mais um pouco por ali e subimos de volta para o quarto. Ainda havia vestigios de cansaço da viagem.

A noite, Olivia é a primeira a cochilar. Sem sono, resolvo procurar pelo presente que havia comprado para ela, porém sem sucesso. Procuro pela minha mala e pela dela, e encontrei algo. Não era bem o que eu esperava, porque não era algo de se esperar: uma caixinha vermelha com uma aliança dourada dentro. Por que ela guardou isso? E por que trouxe junto?







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