IV
E aí gente, espero que vocês estejam bem.
Com todas essa coisas ruins acontecendo só fui conseguir escrever hoje e sinceramente não sei quando vou conseguir de novo é tanta notícia ruim que é difícil sair da desesperança e ter algum tipo de inspiração. Eu queria conseguir proporcionar uma fuga dessa realidade terrível, mas na maioria das vezes eu não saio dela. Bem, eu realmente espero que vocês estejam bem por favor se cuidem e cuidem das pessoas que vocês gostam. E vamos levando até que a ciência desenvolva uma vacina para o coronga.
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Fora de ordem
Depois de entrar em uma estreita estrada de terra rodeada por árvores a paisagem se amplia revelando uma grande fogueira com várias pessoas ao seu redor. Estaciono minha caminhonete ao lado da moto de Aaron em um lugar um pouco mais afastado e mal iluminado junto com outros veículos. Olho para Emmy estranhando seu silêncio e a vejo rígida no banco olhando fixamente para frente, suas mãos estão fechadas tão fortes e sua respiração é profunda, antes que eu diga algo seu irmão dá dois toques na janela com um olhar preocupado, eu vejo a mudança acontecer rapidamente, ela solta o ar relaxando seu corpo, pisca algumas vezes enquanto tira seu cinto e antes de virar em direção ao irmão abre um grande sorriso destrancando a porta. Ele parece querer dizer algo, mas apenas solta um suspiro quando ela continua olhando-o sorrindo.
Sem entender nada solto meu cinto de segurança e saio do veículo sentindo a grama cobrir meus pés, coloco minhas chaves no bolso da minha jaqueta e olho para Emmy quando a mesma se aproxima de mim com uma expressão serena, entretanto, agora eu consigo ver a dor que ela tenta esconder, seu celular faz um barulho de mensagem interrompendo o que ela ia falar, enquanto espero ela responder observo Aaron que está no mesmo lugar olhando para onde sua irmã estava alguns minutos atrás, ele deve perceber que estou encarando porque de repente seus olhos estão em mim, mas é como se ele não me visse realmente, prendo a respiração quando a profundidade de suas emoções me atingem é um ódio tão intenso com tanta culpa e acima de tudo vejo tanta tristeza, sentindo como se eu estivesse sendo sugada para esse turbilhão de emoções quebro contato com seus olhos me sentindo fraca volto a respirar tentando retornar ao meu controle.
-Um trabalho em grupo que eu faço tudo. -Emmy reclama guardando o celular e assim que olha para mim sua expressão é de preocupação. -Você parece como se fosse desmaiar. -diz com a testa franzida dando um passo em minha direção como se eu fosse cair a qualquer instante.
-Não é nada! -falo negando com a cabeça o que me faz tonta por um momento me apoio na caminhonete sentindo minha cabeça latejar. -Não comi nada o dia todo, deve ser isso. -digo sabendo que não é esse o motivo e pensando o que pode ser.
-Você não pode ficar tanto tempo sem comer Clarissa! -Emmy diz com as mãos na cintura me olhando com reprovação. -Aaron fique aqui com ela que vou pegar alguma coisa para ela comer. -manda virando as costas para nós sem esperar uma resposta.
Escuto a música que toca onde as pessoas estão reunidas não consigo entender a letra só ouço a batida animada, fecho os olhos e concentro em minha respiração ainda atenta com o que acontece ao meu redor. Escuto os passos de Aaron em minha direção poucos segundos depois ele se apoia ao meu lado na caminhonete e então passamos alguns minutos com ele me encarando e eu o ignorando.
-Pare com isso Aytor! -solto um suspiro irritada falando seu nome errado para irritá-lo também.
-Você é bonita. -escuto ele falar com a voz um pouco rouca.
Abro meus olhos de uma vez e olho para ele que ainda me observa com algo que não consigo identificar em seus olhos, junto as sobrancelhas desviando os olhos pensando no que ele planeja quando uma hora atrás ele mal me tolerava, dou um passo para frente me sentindo um pouco melhor. Digo para encontrarmos sua irmã que está demorando e sem esperar resposta começo a andar escutando seus passos atrás de mim.
Quando nos aproximamos da fogueira estamos andando lado a lado com alguns centímetros de distância a maioria das pessoas me parece bêbada demais, algumas estão sentadas em troncos conversando com copos de bebidas em mãos, outras estão dançando, tem um grupo perto de uma grande mesa onde estão as comidas e bebidas soltam altas gargalhadas o que chama um pouco mais minha atenção escuto um rosnado ao meu lado que me arrepia e Aaron segue em direção do grupo com as mãos em punhos sem entender eu vou atrás.
Algumas pessoas veem Aaron se aproximar e medo preenche suas expressões antes de abaixarem a cabeça como que em submissão. Não consigo pensar muito sobre isso porque então eu vejo Emmy caída no chão com sangue escorrendo de seu rosto, tem comida por seu cabelo e roupa.
-Ela me desafiou! -uma garota fala com o tom cheio de desprezo fazendo Aaron parar onde estava.
Solto um suspiro observando Emmy com muito esforço se sentar sob suas pernas tentando entender como ela chegou a isso eu não a conheço muito, mas sou boa em fazer perfil das pessoas e ela não é do tipo que se envolve em brigas, olho novamente para a garota alta, magra, tem o cabelo loiro grande e olhos castanhos, veste uma calça jeans colada, um top e um par de saltos que eu não sei como ela consegue andar em um lugar como esse. Seus olhos tem tanto desprezo e ostenta um sorriso de escárnio enquanto observa Emmy o que me deixa confusa sobre esse tratamento a família dela é uma das principais até onde sei e pelo jeito que se dirigem ao Aaron a informação procede.
Com toda essa agitação mais pessoas se aproximam para ver o que está acontecendo, mas nenhuma se atreve a pegar o celular para filmar o que não faz tanta diferença quando não conseguem manter suas bocas fechadas. Semicerro os olhos quando vejo a garota se preparando para lutar quando Emmy consegue ficar de pé ainda que oscilando, olho para Aaron que se mantém firme no lugar olhando sua irmã e não sei porque estou surpresa.
-Qual é o seu problema? -pergunto irritada quando passo por ele o empurrando com o ombro para fora do meu caminho.
Ninguém faz nada e tenho meu caminho até Emmy que mal tem os olhos abertos. Ajudo ela a continuar em pé deixando que se apoie em mim e me pergunto porque raios estou me metendo, mas não posso deixar de pensar que se ela não estivesse querendo me ajudar isso não teria acontecido, faço menção de dar um passo, mas a garota se põe em minha frente.
-E quem é você? -pergunta em tom de ordem.
-Saia da minha frente! -ordeno em tom baixo malditamente esgotada desse dia.
-Toma cuidado com o jeito que você fala comigo que te deixo pior do que ela. -ela me ameaça apontando para Emmy com nojo.
-Quero ver você tentar. -digo sentindo meu corpo esquentar e sorrio com a ideia de acabar com ela -Eu deixo até você dar o primeiro golpe porque será o único.
Ela rosna e meu sorriso aumenta, ela quer se transformar, mas não pode. Não foi muito difícil descobrir que ela é lobisomem assim como os outros que estavam com ela, no entanto, eu não sou a única mortal aqui e se transformar implicará em sérios castigos. Entretanto, eu mexi nos pontos certos com sua cabeça e ela não se manterá no controle porque tem que provar ser a melhor.
-Já chega Keila! -Aaron comanda em um tom baixo, mas o suficiente para parar a garota e fazê-la se afastar.
Reviro os olhos frustrada e ajudo Emmy que tem a cabeça baixa parecendo prestes a chorar, aperto seu braço um pouco esperando que ela não desmorone na frente dessas pessoas. Começamos a andar lentamente e ninguém faz um movimento, passamos por Aaron que eu ignoro completamente, mas escuto seus passos atrás de nós. Assim que damos as costas alguém ri e não tenho dúvida que é a tal de Keila, Emmy estremece e começa chorar.
Assim que a ajudo sentar no banco de carona ela desmorona e eu não sei o que fazer.
-Eu vou levar ela comigo para casa. -Aaron fala olhando para a irmã depois que fecho a porta por ela me pedir alguns minutos sozinha e dou a volta na caminhonete encontrando com ele na parte da frente.
-Agora você quer fazer algo. -acuso irritada e ele estremece como se eu tivesse o acertado.
-Você não entende. -fala passando a mão no cabelo frustrado. -Porra! Ela desafiou a Keila e mesmo eu não poderia interferir, são as regras. -ele fala me olhando atormentado -Eu só fiquei olhando, eu não iria fazer nada, como eu poderia não fazer nada? Se não fosse você, ela... ela... -ele fala meio desesperado, sua voz falhando e começo a ficar nervosa ao pensar em ele também começar a chorar.
Sem saber o que dizer porque tudo era verdade, ele foi um completo covarde. Apenas ponho minha mão em seu ombro pensando que eu não preciso dizer mais nada porque além de hipocrisia ele já se culpa o suficiente, dou algumas leves batidinhas retirando minha mão em seguida. Ele foi bem treinado, afinal não vai contra a alcateia nem mesmo pela irmã.
-Depois vocês conversam, agora nós precisamos levar Emmy para fazer alguns curativos. -falo e ele concorda dizendo que irá me guiar até a casa deles.
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