VINTE E QUATRO

Fico paralisada por alguns instantes. Sinto como se tivessem me tirado da realidade.
Isso não é possível! Ele não pode me amar!

- Me solte!

O empurro e me afasto. Tapo meu rosto e tento fazer a minha mente voltar a funcionar, mesmo com uma enxurrada de sentimentos dificultando e congestionando quaisquer pensamentos.

- Eu sei que agora você me odeia, mas confie em mim, eu posso mudar essa situação! Só me dê uma chance.

Ouço a voz de Matthew suave e suplicante. Respiro fundo... tenho que ser racional . E ainda de olhos fechados, penso na única solução para isto... ser dura e implacável.

- Isso não será possível!

Abro meus olhos, mas não o encaro, pois tenho que seguir o que a minha mente está me ordenando. Não posso me deixar comover!

- Por que?- sua voz levemente embargada, faz com que eu esmoreça.

- Por vários motivos, que você não entenderia. Mas eu só te digo uma coisa: nós dois não podemos ficar juntos. Isso jamais poderá acontecer- felizmente minha voz firme não deixa transparecer o que realmente se passa dentro de mim.

O silêncio que se segue me instiga a olha-lo, mas eu não posso fazer isso. Eu não suportaria vê-lo triste e não poder consola-lo.

- Será que você não me ouviu Julie? Eu disse que te amo. Nada mais importa para mim. Nenhum motivo fará eu me afastar de você. Nenhum!

Não sou uma nobre.
Eu menti para você.
Não sou condessa, nem sequer prima de Adam.
Eu sou da classe Baixa.
A lei não permite que fiquemos juntos.
Você é o príncipe, o futuro rei de Cancordion, não pode ir contra as leis.
E por último, mas não menos importante, estou aqui no palácio passando informações para o rei de outro reino.
Não sou uma traidora, mas isso não inibe minha culpa.

Estes são os motivos. Será que após ouvir tudo isso, ele ainda continuaria pensando da mesma maneira? Certamente não.

- Você não sabe o que fala!- digo, em um tom baixo.

- Nós poderíamos ir contra tudo e contra todos se este fosse o caso. Mas não é! Estamos noivos. Todos nos aceitam de bom grado.

Não Matthew! Todos acreditam nas minhas mentiras. Se todos soubessem da verdade, eu nem estaria viva agora. Com toda certeza seria condenada à punição mais grave do reino. A morte.

- Eu não posso ficar com você- engulo em seco- porque eu não te amo!

Deixo as minhas palavras serem lentamentes absorvidas. Queria ter o poder de mandar em seu coração e assim faze-lo deixar de me amar. Infelizmente é algo impossível. Mas e quanto a mim? Será que sou capaz de mandar em meu próprio coração?

- Diga isso olhando em meus olhos e só assim acreditarei!

Sinto ele se aproximar e sua mão deslizar pelo meu rosto, pressionando meu queixo.

O que eu realmente sinto por Matthew?

Mesmo relutante elevo meu olhar até sua face. Seus olhos ainda continuam marejados. Tento falar. Eu juro que tento. Mas é como se as palavras estivessem entaladas na minha garganta. Eu não consigo.

- Não!- é só o que sai de minha boca.

Empurro sua mão e abro rapidamente a porta atrás de mim.

- Eu não vou desistir de você!

São as últimas palavras que ouço, antes de fechar a porta e sair correndo pelo corredor.

Minha vista está embaçada por causa de algumas lágrimas que insistem em se juntar no canto de meus olhos, mas meus pés me guiam diretamente até o meu quarto. Entro e de imediato fico aliviada por não encontrar Brenda aqui.

Não! Não! Não!
Isso não pode estar acontecendo!

Sem forças para ir até a cama, encosto minhas costas na porta e deslizo até o chão, sentando no tapete.

Matthew apaixonado por mim? Nem em meus pensamentos mais inconsequentes eu imaginaria algo assim. O príncipe, futuro rei de Cancordion, apaixonado por uma simples moça da classe Baixa. Eu sei que isso soa ridiculamente estúpido, mas mesmo abominando essa distinção, ela ainda existe. É uma lei. Não é permitido o casamento entre pessoas de classes diferentes. Eu não sou uma nobre, então é impossível ficarmos juntos. A não ser... que eu continuasse sustentando a mentira de que sou uma condessa.

Balanço freneticamente a cabeça e sorrio amargamente.

Isso é uma loucura! Será que perdi minha razão?

Sustentar essa mentira, seria como assinar minha própria punição e a de minha família
também. Mas o que de fato me deixa confusa, é não entender o porquê eu não consegui olhar nos olhos de Matthew e dizer claramente que não o amo.

Acho que o medo me corrói. O medo de enfrentar essa bagunça que tenho dentro de mim e me deparar com algo, ou melhor, com um sentimento, que não deveria existir. E se eu também o amar?

Só de pensar nisso, sinto calafrios que me obrigam a descartar essa hipótese. E o mais estranho é que não tenho uma resposta para essa pergunta. Eu não sei o que é estar apaixonada, porque simplesmente nunca me envolvi com alguém, então não posso negar ou afirmar absolutamente nada.

Ah, como eu queria poder esclarecer esse turbilhão de sentimentos dentro de mim!

Meus olhos estão quase transbordando as lágrimas que tento a todo custo conter. Mas eu não vou chorar!

Eu não tenho o costume de fazer isso. São raras as vezes em que desabo e choro. Mesmo quando era criança e caia, me machucava, nunca sequer chorava, pois sempre  guardei o pensamento de que chorar não irá mudar a minha atual situação. Talvez seja por isso que sinto as coisas com tanta intensidade, talvez seja por isso que elas doem mais também. Só chorarei no dia em que algo me dilacerar de uma forma que eu realmente não consiga conter as lágrimas. Até lá seguirei forte.

Respiro fundo e me levanto. Não tenho outra escolha a não ser deixar as coisas seguirem o seu rumo. Logo sairei do palácio e tudo voltará ao normal. Matthew irá me esquecer e seguirá com sua vida, assim como eu também farei.

Tudo ficará bem! É o que espero.

Olho para a penteadeira e avisto de longe o papel com o selo de Magnest e mesmo com a grande instabilidade em meus sentimentos decido que já é hora de executar o plano!

Já cumpri tudo o que Adam me pediu para fazer, então, agora só o que me resta é esperar pela sua volta e manter meus ouvidos atentos para captar qualquer informação útil. E eu não sei como será daqui pra frente, por isso tenho que cumprir o quanto antes com o meu plano de ajudar aquelas pobres pessoas, já que não sei o dia exato em que deixarei o palácio. Pode ser hoje, ou amanhã. Não faço ideia, mas desejo ardentemente que esse dia logo se concretize.

Ando até a penteadeira e pego o precioso papel.

Caro rei Ignatius.
Solicito que abaixe os altos impostos provenientes do modelo do reino de Cancordion. Isso trará melhorias à vida de todas as pessoas que não possuem condições de pagar esses altos valores à corte.
Peço encarecidamente por isso, ou então, infelizmente cogitarei a hipótese de abandonar este modelo quando o meu reinado entrar em vigor.
Atenciosamente, o príncipe e futuro rei de Magnest.

A assinatura de Edward e o selo de seu reino complementam o conteúdo do papel. 

Esta é a minha única oportunidade de ajudar as pobres pessoas da Classe Baixa. E eu irei conseguir!

Ando em direção a porta e saio decidida e pronta para realizar meu objetivo.

Ouço pelos criados que rei Ignatius se encontra no salão de jantar, juntamente com a rainha e os convidados.

E enquanto me dirijo até lá, repasso mentalmente tudo o que terei que falar. Direi que Edward teve que ir embora e que me deixou encarregada de apresentar este papel ao rei. Também terei que exigir a resposta imediata, e caso necessite, já tenho preparados diversos argumentos para convence-lo.

Respiro profundamente ao passar pelas portas do salão e de imediato meus olhos já fitam rei Ignatius e Charles conversando alegremente ao fundo.

A rainha e uma mulher estão sentadas à mesa, conversando distraídas. Vou em direção ao rei e aperto levemente o papel em minhas mãos. Nada pode dar errado!

- Tenho um assunto para tratar com o senhor!- digo, firmemente atraindo a atenção de ambos, assim que me aproximo.

- Julie!- o rei abre um grande sorriso- é sobre Matthew?- pergunta sem dar muita importância.

- Não, o que tenho para falar é algo...

- Veja Charles, já trouxeram o jornal- ele aponta para a mesa e os dois sorriem alegremente, ignorando minha presença.

- Com licença rei Ignatius, é algo realmente importante o que eu tenho para lhe falar- digo em um tom alto e sério.

- Mais tarde trataremos desse assunto- ele me lança um olhar rude e superior.

Charles, que mais parece uma sombra do rei, nem disfarça uma careta de incômodo.

- Agora estamos em clima de comemoração!- o rei suaviza novamente sua face- Não é mesmo Charles?

O homem de meia idade balança a cabeça concordando e os dois tilintam suas taças, soltando altas gargalhadas.

Frustrada mas prudente, decido que é melhor não contraria-lo.

- Posso saber o motivo dessas tais comemorações?- pergunto enquanto enrolo o papel em minhas mãos.

Pelo visto terei que adiar meu plano...

- Claro!

Sua risada maléfica me causa calafrios. E instantanemente um pressentimento ruim toma conta do meu ser. Os dois trocam olhares vitoriosos e bebem do conteúdo de suas taças, mas o meu nervosismo faz com que suas ações fiquem exageradamente lentas.

- Filho, que bom que já chegou!

Viro meu rosto e me surpreendo ao ver Matthew parado diante de nós. Eu nem sequer vi o momento em que ele entrou, estava tão absorta observando rei Ignatius que só agora me dei conta.

Matthew nem o responde, pois seus olhos permanecem vidrados em mim e isso me faz ficar envergonhada. Não esperava ve-lo novamente, pelo menos não por hoje.

- O motivo de nossa comemoração Julie- rei Ignatius fala; puxando minha atenção- e aproveito para dizer a você também Matthew, já que ontem, nem um dos dois estavam no salão na hora em que revelei.

Deve ter sido na hora em que estávamos discutindo. Penso.

- É que Charles e eu criamos novas leis.

Pelo canto dos olhos, vejo que Matthew encara seu pai, e suspiro aliviada por isso.

O rei estufa o peito e continua, triunfante:

- A partir de hoje, haverá uma baixa nos salários e todos que forem presos por qualquer razão, perderão todos os seus direitos como cidadão do reino e passarão a ser escravos, ficando assim submissos a mim,  obedecendo às minhas ordens sem qualquer remuneramento.

- Como?- falo atordoada com o que acabo de escutar.

- Diga que isso não é verdade pai!- Matthew se aproxima, indignado.

Minhas pernas bambeiam e tenho que me apoiar na parede atrás de mim para não cair.

- É claro, que isso valerá apenas para as pessoas da classe Baixa- o rei conclui. Dando ainda mais surrealidade a situação.

- Você não pode fazer algo tão cruel!

Praticamente grito as palavras e todos me olham surpresos. Qualquer resquício de respeito, medo ou consideração por esse homem, desapareceram completamente de mim.

- Ela está certa!- Matthew vem para o meu lado- aquelas pessoas já trabalham muito para pagar os altos impostos e não serem presas e agora o senhor vem com essa leis absurdas, baixando os salários. Assim eles claramente não terão como pagar mesmo.

Olho para Matthew, e enquanto absorvo suas palavras, me dou conta do plano maquiavélico do rei.

- Tudo isso foi proposital!- o príncipe continua, como se lesse meus pensamentos- fez isso para que todos se tornassem escravos.

Coloco a mão sobre a boca, sem conseguir acreditar que algo assim está realmente acontecendo. E eu que pensei que Matthew se apaixonar por mim, seria a coisa mais impossível que poderia acontecer em minha vida. 
O rei balança a cabeça afirmando e exibe um sorriso orgulhoso em seu rosto.

- Como pôde pensar em algo assim?

Matthew passa as mãos pelo rosto e vejo que ele está tão perturbado quanto eu. A rainha e a mulher apenas assistem a tudo de longe, certamente apoiaram esse disparate.

- Charles- o rei bate nos ombros do homem, que passa as mãos pelo cabelo em um sinal de nervosismo- ele me deu a ideia. E uma ideia gloriosa diga-se de passagem. Veja, ganharemos um lucro inimaginável com os escravos construindo obras sem remuneramento. Você sabe que essas pessoas só estavam sujando a imagem do reino, pelo menos agora elas terão alguma serventia.

Eu ouço, mas é como se tudo isso fosse um pesadelo e eu estivesse prestes a acordar. Até abro minha boca para falar, mas nenhum som sai. É como se apenas o meu corpo estivesse ali, pois a minha mente divaga para os meus pais que agora estão bem protegidos em Oryon e para aquelas pobres pessoas da minha classe que não tiveram a mesma sorte que eu, de encontrar um rei que lhes fizessem uma proposta arriscada, mas que lhes tirariam dessa situação. Meu coração está apertado. Eu poderia estar entre eles agora. Eu e minha família estaríamos sujeitos a nos tornar escravos do reino. Isso é horrível! Horrível! Não pode ser verdade!

- O senhor não pensa no sofrimento daquelas pessoas? Crianças estão entre elas, pessoas idosas também. Não se sente culpado por fazer algo tão sujo?- falo.

Estou me controlando para não me exceder, mas é impossível manter a calma em uma situação dessas.

- Julie- ele sorri- essas pessoas é que sujam o reino por si só. Estou apenas dando uma serventia para aqueles pobres miseráveis que não servem para nada- sua expressão revela uma raiva contida- Afinal eu sou o rei, e a minha decisão é soberana, não permito que ninguém me contrarie.

Não me deixo intimidar pelo tom ameaçador em suas palavras. Mas antes que eu possa prosseguir, Matthew pega a minha frente.

- É a pior decisão da sua vida! Por acaso acha que eles irão aceitar de bom grado? É claro que não, isso irá gerar muitas revoltas, espero que esteja preparado.

O rei desvia seu olhar, furioso, mas ao mesmo tempo capto um certo lapso em sua confiança.
Ele certamente não pensou nisso. Claramente está cego, ponderando apenas os lucros.

- O que está feito, está feito! Já publiquei a nota oficial no jornal e a lei já está em vigor no reino de Cancordion.

Matthew balança a cabeça incrédulo, enquanto Charles dá leves tapinhas no ombro do rei, o apoiando.

- Você fez a coisa certa!

O ouço cochichar em seu ouvido. E sinto a raiva fervilhando em mim, em uma proporção que não consigo controlar.

- Diz isso porque não tem sentimentos, é um frívolo egocêntrico que não pensa em ninguém além de si mesmo- digo, fuzilando Charles com meu olhar.

Todos ficam em silêncio, estranhando a minha reação. Devem estar abismados com uma nobre se portando dessa maneira, mas o que eles não sabem, é que não sou da nobreza. E nem gostaria de ser!

- Ora, sua menina...

- Não fale e não se meta em assuntos que não lhe dizem respeito- Matthew se dirije a mim em um tom sério e entra na frente do rei, o impedindo de me reprimir.

O encaro perplexa. Mas não me darei por vencida. Abro a boca, só que as palavras morrem, assim que Matthew me lança um olhar duro, me alertando para que eu permaneça calada.

- Com licença pai, Charles!- ele acena com a cabeça e agarra em meu braço, me puxando.

Nem dou atenção aos rumores que percorrem o salão enquanto sou arrastada para fora.

- Me largue!- murmuro puxando meu braço de suas mãos, mas ele finge não me ouvir.

Matthew apenas me solta quando entramos em uma sala mal iluminada, bem distante do local onde estávamos.

- Por que não permitiu que eu continuasse dizendo umas verdades para o seu pai e para aquele homem desprezível?- o questiono exasperada, enquanto massageio meu braço.

- Para te proteger!- sua voz soa calma- não queira conhecer os limites da raiva de meu pai.

Fico em silêncio apenas sentindo minha cabeça latejar de frustração. E o pior é que não posso fazer nada, absolutamente nada, para ajudar aquelas pessoas inocentes que em breve se tornarão escravos do reino.

Me sinto impotente. E isso é horrível!

- Matthew, eu me sinto muito mal. Como o seu pai pode fazer algo assim com essas pessoas?

Então, era esse o tal segredo que ouvi rei Ignatius comentando com Charles aquele dia no gabinete. 

- Isso vai trazer muito lucro! Apesar de ser algo perigoso, vai ser de grande valia. E eu estou disposto a correr este risco.

Como se pode perceber, a única coisa que importa para ele são os lucros.

- Não sei. Charles deve ter enchido sua cabeça. Aquele homem não me inspira nem um pingo de confiança, mas infelizmente meu pai defende ele com unhas e dentes.

Apenas uma parte do rosto de Matthew está iluminada pela luz que jorra do corredor. Ando a passos lentos até a lareira e a acendo, ignorando a vontade de voltar ao salão e esbofetear aquele homem. Aperto com força o papel em minhas mãos, cravando as unhas em minha própria carne. Pensei que este papel poderia mudar muitas coisas. Pensei que com este plano eu finalmente poderia fazer algo para ajudar as pessoas da minha classe. E agora... agora tudo acabou!

- Meu pai sofrerá a consequência de seus atos. Se ele pensa que aquelas pessoas irão aceitar algo assim, ele está muito enganado!- ele diz.

Sua voz revela um misto de frustração e tristeza, o que naturalmente é compreensível. Ele está triste pelas consequências que essas leis trarão ao seu pai e ao seu reino. Mas eu, sou incapaz de sentir piedade por um homem frívolo como rei Ignatius, e no fundo espero fielmente que todas as pessoas se rebelem, que não aceitem leis tão absurdas quanto essas.

Observo as chamas estalando na lareira e rasgo o papel em vários pedacinhos, jogo no fogo e assisto pacientemente eles se dissolverem, como se aquelas palavras contidas ali, nunca tivessem sido escritas.

- Por que fez isso? O que tinha neste papel?

Ouço Matthew me questionando, ele está tão perto de mim que consigo sentir sua respiração em minha nuca.

- Isso é o fim de uma esperança- falo amargamente- neste papel continha algo que pensei que poderia ajudar aquelas pobres pessoas da Classe Baixa. Mas, rei Ignatius acabou com tudo, antes mesmo que eu pudesse começar- balanço levemente a cabeça- Ah- digo, ao me lembrar- e era por isso que eu estava tão próxima de Edward. Ele estava me ajudando com isto.

Matthew coloca uma mão em meu ombro e se desloca, ficando a minha frente.

- Por que não falou comigo? Eu poderia te ajudar também- diz, compreensivo.

- Porque eu pensei que você compartilhasse das mesmas ideias de seu pai. Que também visse as pessoas da classe Baixa como a escória do reino.

- Eu nunca concordei com as injustiças de meu pai. Nunca! E para mim todos são importantes, independente das classes.

Baixo a cabeça e me repreendo mentalmente. Eu tirei conclusões precipitadas a respeito de Matthew. Eu deveria ter perguntado a ele primeiramente.

- Sei que você pensa como eu- ele ergue meu queixo- não fique triste. Eu farei algo com aquelas leis insanas. Não sei, conversarei com meu pai, ou pensarei em alguma outra solução, mas fique tranquila!

Fito seus olhos azuis e a sua face, que possui uma coloração alaranjada pelo brilho do fogo da lareira. Sinto a sinceridade em suas palavras e um pequeno alívio se instala dentro de mim. E sem conseguir me conter, o abraço fortemente, desejando que tudo isso não passe de um simples pesadelo.

- Isso não ficará assim, eu prometo!

A voz de Matthew me acalenta. E agora, retiro as minhas antigas palavras de que Cancordion poderia esperar o pior tendo ele como o futuro soberano.

Matthew será sim um ótimo rei, bem melhor do que o seu pai. E no futuro, Cancordion se orgulhará de te-lo como monarca.

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