Diversão
º Visão de F. Knox º
Poucas coisas na vida realmente me divertiam. De longe vi uma moça gritando com Tyler e no final ela deu um tapa na cara dele – no meio da escola. Foi engraçado, porque enquanto ele discutia com todos na escola, naquele momento ele não se moveu.
No dia anterior tínhamos voltado a conversar, depois de ele escolher assistir meu treino. Eu sabia das consequências de uma aproximação com o cara que meu irmão nutria sentimento há algum tempo, mas sabe quando você não consegue evitar? Ele dizia que nossas almas machucadas se cumprimentavam e eu concordo com isso. Mesmo sem conversar, nos encontrávamos nos mesmos lugares, pensávamos de forma parecida e eu também me sentia confortável com ele. Isso era inédito... tinha medo de me viciar na sensação e o perder de repente, mas quando ele estava diante de mim aquilo não me preocupava muito, confesso.
No final das contas, todos que estávamos no pátio naquele momento paramos para assistir os acontecimentos daquela manhã e mesmo depois que o sinal tocou para o início das aulas, ninguém saiu dali até Tyler sair. Eu já tinha escutado algumas pessoas falarem que ele era o "rei" da escola, mesmo que quem carregasse a coroa fosse Erick e por esse motivo ninguém tinha coragem de bater de frente com ele ou algo do tipo, até aquele momento.
Por algum motivo eu o via como alguém perdido e conforme ia conhecendo o verdadeiro Tyler, percebia que ele era assim, porque tinha perdido seu único ponto de referência, que era seu irmão. Pelo o que me contou do acidente, o trauma maior vem da questão de não conseguir processar as informações depois do acontecido.
– Esse final de semana tenho uma festa pra ir. – Yohan comenta, se aproximando com as amigas, enquanto eu ando até minha sala.
– Olá, meninas. – cumprimento elas, que sorriem e acenam. – Você não é a menina que acabou de dar um sarrafo no garanhão do time? – ela sorri de lado, tinha acabado de ficar confortável na conversa.
– Sim, não dá pra se aproximar do Tyler sem querer espancar ele em algum momento. Descobri que os caras do time estavam falando coisas de mim e ele sequer me defendeu. Um amigo que estava presente me contou... – ela explica. Isso era curioso.
– E esse amigo, te defendeu? – pergunto de volta e o sorriso dela some por alguns segundos. – E você... – aponto para Yohan. – Que festa é essa?
– Do Erick.
– Vou com você. – digo. Não estava com crédito na praça pra deixar meu irmão me jogar em outra confusão.
– Não precisa, Knox.
– Eu não te perguntei se precisa, eu afirmei que vou com você. A última vez que foi sozinho pra festa desses caras, quase não voltou. – ele fica claramente contrariado, mas não diz nada mais. Logo se preparam para ir até suas salas.
– Espera... – a menina amiga dele para, me olhando nos olhos. – Por qual motivo ficou chateado de eu ter dado um tapa no Tyler? – sorrio.
– Chateado? Eu gostei muito, acho incrível pessoas que tem coragem. Só te fiz uma pergunta. Se a resposta dessa pergunta não te agrada, acho que não é só ele que merece um tapa servido daquele, não é? – ela sorri novamente. Sendo sarcástico era fácil conquistar as pessoas.
Eles se distanciam e eu vou pra minha aula. O final de semana estava próximo e pela primeira vez naquele mês eu não tinha qualquer assunto pendente para resolver. Era bom saber que não tinha mais assuntos inacabados pra lidar, pois mesmo que o Tyler fosse a pessoa que mais falava sobre os sentimentos, eu era a pessoa que mais sentia, certamente.
Meus sentimentos explodiam dentro do meu peito, liberando uma toxina forte, ao ponto de me deixar com mal estar. Nas últimas semanas eu tinha comido mal, dormido mal, pilotado mal, jogado mal... me forçava a cumprir meus compromissos por ser responsável, mas se dependesse das minhas vontades, teria sido o mês de cão.
Isso tudo, porque ao contrário de mim, Tyler queria se sentir acolhido por alguém em algum momento. Ele tinha uma referência clara de como queria ser e perseguia isso, mas em contrapartida por tentar se espelhar em outra pessoa, ele se sentia frustrado por não se sentir ele mesmo. Isso era meio triste de assistir, mas ele era a única pessoa que poderia mudar essa questão. O irmão dele estava morto corporalmente, mas vivo em sua memória. Por ser uma referência de conforto, ele perseguia isso como se fosse solucionar todos seus problemas, mas não conseguia enxergar que isso lhe dava outros problemas.
Eu... não tinha uma referência ou sonho, além do meu profissional. Não queria ser amado por todos, como ele. Pra mim não fazia diferença ter o que nunca tive, não me impactava em nada. Se uma pessoa ou o mundo inteiro me odiasse, não tinha sentido pra mim sentir esse fato. Morar em NY depois do acontecimento não foi difícil pra mim, mesmo que todos me olhassem torto... me incomodava mesmo era o fato de eles me olharem torto, por eu ter feito o que fiz com quem fiz. Tenho certeza se que as pessoas que me julgam teriam uma reação ainda pior que a minha se tivessem estado no meu lugar.
No geral tive minhas aulas normalmente. Tinha conseguido me concentrar, realmente absorver o conteúdo e tive um intervalo tranquilo. Os colegas de time de Tyler ainda me olhavam bastante e por esse motivo eu sempre oferecia um brinde a eles de qualquer coisa que estivesse bebendo. Não importava se estavam pouco atrás de mim, na minha frente ou laterais, eles sempre comiam me encarando, como se tentassem me intimidar.
Pra quem cresceu na rua, no entanto, um grupo de imbecis não conseguia chegar nem perto de me assustar. Sempre cultivei a frase "eu não estou preso com ninguém, as pessoas estão presas comigo" com afinco. Se qualquer um deles tentasse chegar perto, entenderiam o motivo de eu quase ter tirado prisão perpétua com 15 anos.
Depois da escola fui pra casa e tomei um banho. Antes que eu pudesse me deitar, no entanto, recebi uma mensagem e me preparei pra sair de novo.
– Me chamou aqui pra quê? – pergunto a Tyler, que sorri, assim que me vê. Estávamos em um outlet.
– Eu incrivelmente só achei o papel que tinha deixado na capinha do meu celular hoje. – ele explica. – E olha que isso aconteceu há semanas, quando nos conhecemos minimamente, aquele dia que surtou.
– Não respondeu minha pergunta, Tyler. – não deixo que ele desvie do que eu queria saber e ele dá de ombros.
– Minha prima vai dar uma festa de aniversário e eu sinto que preciso encontrar uma boa roupa. Você é a pessoa mais sincera que eu conheço, então meio que pensei que podia me ajudar.
– Dispenso. – dou as costas.
– Eu te pago um lanche naquela lanchonete que gosta e encho o tanque da sua moto. De graça. – sorrio, me virando pra ele novamente.
Acabei ficando com Tyler, pra tentar ajudar ele a encontrar a roupa ideal. Fomos em algumas lojas e o acompanhei ajudando ele a se trocar e experimentar as roupas. Era complexo achar blusas que servissem nele, então tivemos que andar demais. Em alguns momentos eu o ajudei a se vestir, porque algumas blusas ficavam presas, entaladas nele.
Acabamos sendo a diversão das pessoas que trabalhavam nas lojas, porque as vezes ele sugeria umas coisas tão absurdas que me faziam ter certeza que dinheiro não comprava bom gosto.
Eu não era inocente. Era perceptível que ele me olhava diferente em alguns momentos e é claro que eu também as vezes não controlava uma olhada ou outra, enquanto ele se vestia. A sexualidade dele era uma incógnita pra mim até aquele momento. Escutava sobre as histórias dele dentro dos vestiários, já tinha escutado meu irmão conversar com uma amiga na época que ele e ela estavam juntos, mas ele nunca tinha dito uma palavra sobre realmente ser hétero ou não.
– Me ajuda com isso? – ele pede, saindo do trocador. Estava entalado em outra blusa.
Me levantei e fui até ele, tentando tirar a blusa dele. Aquela estava tão apertada que eu não entendia o motivo pelo qual ele simplesmente não tinha desistido. As costas de Tyler eram largas, claramente não era qualquer forma de roupa que passaria tranquilamente. Eu tentei puxar, mas acabou que o meu peso aplicado na blusa o desequilibrou e ele deu alguns passos para trás, caindo sentado na poltrona dentro do trocador. Eu cai em cima dele.
– Agora eu que te pergunto, esse é o seu jeito de dar em cima dos outros? – ele pergunta e eu tento me levantar. – Não sai. – praticamente implora, com uma respiração pesada.
– Acha que eu sou mente fraca o suficiente pra me apaixonar, só porque sentei no seu colo? – pergunto e ele sorri.
– Não acho que seja mente fraca, Knox, você é durão. Eu que não aguento mais. Nunca me vi no limite do desejo e da necessidade de ficar com alguém. – ele abaixa levemente o rosto e eu puxo seu queixo, fazendo com que ele me olhe.
Tyler estava com a boca levemente aberta, como se me implorasse por um beijo. Claramente vulnerável e ainda entalado na blusa, ele passeava seus olhos pelo meu rosto – a blusa tinha passado pelos ombros, mas estava presa no peito, com isso seus braços estavam livres, mas a cena não deixava de ser engraçada. De qualquer forma eu não era capaz de impedir o que aconteceu.
Me virei e fechei a cortina daquele trocador, olhando-o novamente. Passei meu dedão pela sua boca e ele sorriu, dando um beijo leve nele. Tyler parecia gostar de seduzir e eu confesso que gostava de ser seduzido.
Me aproximei de Tyler e nossas bocas se encostaram. Ele me segurou cuidadosamente, enquanto me puxava contra seu corpo. Suas mãos passearam pelos meus braços, ombros, cintura e barriga. Dado certo momento, ele se ajeitou na cadeira e eu também, em seu colo, ficando frente a frente pra ele.
Ele desceu sua boca pelo meu pescoço e peito, cuidadosamente, como se explorasse meu corpo e depois disso voltou a me beijar. Dava pra perceber que se dependesse dele, tudo aconteceria ali e foi por isso que parei o que estávamos fazendo, quando a mão dele começou a descer pelas minhas costas.
– Não sou uma das pessoas que você come em vestiário. – é o que digo e ele sorri, abaixando a cabeça. – Levanta os braços, vamos tirar isso antes que seu sangue fique preso.
– Meu sangue inteiro está em um lugar apenas. – ele rebate, olhando nos meus olhos. É inacreditável como o Tyler conseguia ser cara de pau.
Começo a ajudar ele a tirar a blusa e quando está livre, ele segura minha mão e começa a passá-la pelo seu corpo.
– O que é isso? – pergunto, enquanto ele continua deslizando minha mão pelo seu peito.
– Quero sentir seu toque. Não é acostumado a tocar nas pessoas?
– Não. Nunca recebo nem abraço, quem dirá tocar aleatoriamente por qualquer motivo que seja.
– Eu já te dei um abraço.
– É, você já ultrapassou muitos limites que estabeleci. – rebato.
– O próximo que quero é te chamar pelo seu nome. – olho seriamente em seus olhos. – Não sei porque não gosta... quer dizer, eu não sei verdadeiramente porque não gosta. Me disse que só sua mãe te chamava assim, mas se sente mal, porque lembra positivamente dela, ou porque ela só fazia isso pra discutir contigo?
– As pessoas só me chamam quando estão decepcionadas. Me chamar pelo sobrenome que compartilho com meu irmão, faz eu sentir que metade da decepção vai pra ele também. Quando me chamam pelo meu primeiro nome, sinto que o peso é unicamente meu. – explico.
– Não posso chamar de Knox o cara que quero beijar. Não é um sentimento que é compartilhado entre você e seu irmão pra mim. – ele segura meu pescoço, me puxando para si. – Quero ter o Felix, apenas. – sussurra na minha orelha.
Começamos a nos beijar mais uma vez e dessa vez Tyler me prende junto ao seu corpo, com mais força. Ele direciona minha mão por onde quer que ela percorra e quando paramos, encostamos nossas testas.
– Fiquei feliz de ter te visto em alguns dos meus treinos. Foi a primeira vez que alguém me escolheu. – falo e ele abre um largo sorriso.
– Como sabe que te escolhi? Posso ter ido pelo basquete, vai que de repente comecei a gostar. – sorrio.
– Não consegue me provocar assim, Tyler. – é o que respondo. De repente encontro algo estranho. – O que é isso?
– É um adesivo pra parar de fumar. – ele responde.
– Desde quando usa?
– Desde que um imbecil me disse que era burrice morrer lentamente por escolha própria. – sorrio, passando meus dedos por cima do adesivo. – Comecei a usar os adesivos e pastilhas, tem me ajudado, mas em picos extremos de estresse é difícil. Por causa dos sintomas da abstinência, não tenho conseguido jogar direito, então pedi uma pausa. É por isso que estou temporariamente fora do time e tenho conseguido ir te ver treinar. Pensei que fosse sentir falta, mas sinceramente pra mim tá ótimo assim.
– Por que não me contou?
– E te dar o sabor de saber que mudei minha forma de lidar com as minhas frustrações por causa de uma frase sua? Jamais. – ele sorri e eu sorrio também, dando um beijo rápido em sua boca. – Se eu pudesse congelaria esse momento.
– Por que é a primeira vez que beija outro homem?
– Não, porque é a primeira vez que sinto que estou com alguém. – é o que ele responde e eu me aproximo, puxando-o pra mim.
Tyler me abraça e ficamos nessa posição por um tempo. Meus dedos passearam pelos seus braços devagar e ele se arrepiou várias vezes. Todas as vezes que ele se arrepiava, eu também sentia o mesmo, em seguida. Era como se estivéssemos na mesma sintonia naquele momento.
Continuamos procurando a roupa ideal pra ele e acabamos por ficar a tarde inteira andando pelas lojas. Quando saímos, fomos lanchar e ele pagou o meu lanche e abasteceu minha moto, como tinha prometido – mesmo que eu sequer tivesse cobrado.
– Como se vê daqui alguns anos? – ele me pergunta, enquanto estamos sentados em uma escadaria qualquer, olhando o céu.
– Jogando. É a única coisa que planejei na vida, o resto deixo pra minha existência escolher. E você?
– Nem isso planejei. Comecei no futebol pelos outros e fiquei pela possibilidade de me livrar das pessoas futuramente... agora eu não sei qual rumo seguir. Pensei em aplicar pra seletiva de pilotos do MotoGP, mas minha mãe surtou. – ele explica. – Depois que meu irmão morreu, eu perdi até o sentido de entender ou imaginar se vou estar vivo. Ele tinha sonhos, queria se casar, ter filhos, conhecer o mundo... nada disso foi possível. E se comigo for igual? Fora que tentar algo completamente desaprovado pela família é triste pra mim.
– Pode ser que contigo seja igual foi com o seu irmão. – é o que respondo. – Por isso torço pra entrar pra NBA e o restante, não me importo. Daqui alguns dias, meses ou anos tudo e todos que conhecemos não existirão mais. Nossas fotos vão se perder em um backup aleatório de internet e tudo de bom ou ruim que fizemos vai ser esquecido. Só somos especiais pra quem é especial pra nós e depois que morremos pela segunda vez, acabou.
– Morremos pela segunda vez? – pergunta, dando uma mordida em seu lanche.
– Sim, pra mim todas as pessoas morrem duas vezes. A primeira é quando somos enterrados em uma cova. Essa é a mais dolorida e inevitável, a segunda vez é a última vez que alguém menciona nosso nome. Essa é a definitiva. Por isso pessoas famosas são eternas, porque em algum lugar do mundo, sempre vai ter alguém falando dessas pessoas... enquanto pessoas como eu e você sequer estarão nos álbuns de família no futuro, já que ninguém revela foto mais. Quando você morrer com a sua senha do celular contigo e todas as suas memórias, o que vai sobrar são poucas imagens em qualidade duvidosa que algum dia alguém postou no story, mas não importou de verdade.
– Isso é melancólico no mesmo grau que é reconfortante. – é o que ele diz e eu mordo meu lanche.
– O importante é que pra mim sua busca pelo seu irmão não é importante. – comendo, mastigando e ele me observa.
– Por quê?
– Porque ele vive dentro de você todos os dias. – respondo e os olhos dele se enchem. – Enquanto viver buscando alguém que já está contigo, vai se perder todos os dias. Não pensa no que quer fazer, você pensa no que seu irmão faria. Mas e o Tyler? Vai matar em vida? – Tyler dá mais uma mordida em seu sanduíche em silêncio, pensativo.
Depois do nosso lanche, nos separamos. Quando cheguei em casa fui ler. Meu pai estava de plantão e meu irmão estava na casa das amigas. Ultimamente ele tinha se aproximado bastante delas, o que era bom, já que antes ele ficava em casa e ao contrário de mim, ele parecia estar meio deprimido por isso.
Fiquei na sala, concentrado, até perceber que uma das gavetas da mesa que meu pai mantinha trancada, estava aberta. Minha curiosidade foi maior do que meu autocontrole, então resolvi ver o que ele guardava ali.
Quando comecei a ler, percebi que se tratava dos papéis ligados ao meu caso. Meu pai parecia ter posse de documentos de uma investigação sobre um estuprador em série de meninos do Bronx. Eu conhecia praticamente todos aqueles garotos e também conhecia o principal suspeito.
– Ele tentou com você? – ouço a voz do meu pai atrás de mim e o observo.
– Desde quando sabe?
– Algumas semanas. Quando aconteceu o investigador que conheço do Bronx estava afastado. Quando voltou, me mandou essa documentação. E então? – ele insiste.
– Não sou inocente, como meus colegas eram. Quando um cara 5 anos mais velho que eu começou a me cercar, eu já sabia qual era a dele. Me arrependo de muitas coisas na vida, mas sobre ele a única coisa que me arrependo é não ter batido mais. – respondo. – Meu avô me criou na rua, pai. Os únicos diálogos que tive na primeira infância foram com cintos, chinelos e qualquer coisa que se consiga tacar com uma mão. – olho nos olhos do meu pai, me aproximando dele. – Você pelo menos teve sua mãe, que te ajudou a não apanhar tanto. Agora imagina como foi pra mim, que fui entregue como um pet pra um sádico. Por que seu amigo aceitou começar a seguir a linha de investigação nele?
Meu pai estava com a cabeça meio baixa, coçando a testa. Ele parece ter tomado o último gole de coragem que sobrou e me observou.
– Desde que ele voltou, percebeu que os casos pararam desde o momento que você deixou ele em coma. Traçando a linha dos lugares onde esse cara atacou garotos da sua idade naquela época, foi compreendido que era sempre perto de uma quadra de esportes. Ele viu seu caso e me ligou, perguntou sobre sua personalidade.
– E você?
– Falei que era difícil, mas considerei o fato de que nunca mais tinha se metido em confusão. Essa foi a única vez que você surtou. – concordo com a cabeça.
– É. – é tudo que digo.
– Se tivesse me explicado, filho...
– Você teria sido imparcial. Sempre é, isso quando não pesa pro lado contrário ao meu. – respondo. – Não tem como contar com um apoio que nunca tive. Fico feliz de saber que agora tem a verdade. – dou as costas.
– Knox... – ele me chama e eu paro de andar. – Antes ele do que você. O último jantar foi a última vez que fomos encontrar os pais dele. Tentei arrancar algo deles, mas aparentemente não fazem ideia do que o filho fazia.
– Ele era inteligente. O único problema é que ele não contava que encontraria alguém mais louco que ele. Descontei todo o ódio que senti na vida, nele. – olho de lado pro meu pai. – Pelo menos agora quando sinto raiva, não sinto a necessidade de descontar fisicamente em nada nem ninguém. – volto a andar.
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