Capítulo 11 - Descoberta
Tod ficou completamente imóvel com aquelas palavras, como se estivesse petrificado, mas a sua mente estava fervilhando. Ele sabia sobre o que Henrie queria falar, e o porquê ele estava ali. Era aquele momento. Ele não poderia fugir, na verdade, ele até tentou:
- Então, na verda... – disse ele ao ser interrompido por uma voz um pouco estridente.
- Tod, querido! Quem é? – perguntou a mãe dele se aproximando da porta e avistando Henrie.
- Henrie! – exclamou ela o abraçando. – Eu não sabia que estava vindo para cá, você devia ter me avisado, mocinho. - continuou ela dando um leve tapa no ombro de Tod.
- Na verdade, nem eu sabia. – sussurrou ele.
Henrie ouviu o comentário e não pareceu muito alegre, mas antes que pudesse falar algo, a Sra. Evans o interrompeu de novo:
- Vamos querido, entre! Eu acabei de terminar o jantar. Você vai ficar para jantar conosco, não?
- Na verdade... Eu não queria incomodar. – disse ele olhando fixamente para Tod que estava com uma feição nada agradável.
- Ah, vamos! Você já é da família. – insistiu ela.
- Tudo bem então, já que a senhora insiste. – respondeu ele com um riso forçado no final.
Tod percebeu tudo aquilo tentando ao máximo não esboçar nenhuma reação, mas o seu corpo não conseguia, e quando se deu conta já estavam todos na mesa de jantar conversando:
- Então, o que devemos a honra da sua visita? – brincou a Sra. Evans.
- Na verdade, eu vim conversar com o Tod a respeito do projeto que estamos fazendo em conjunto. – mentiu.
- Projeto? Juntos? Por que não me contou, Tod?
- Eu acabei esquecendo, mãe. – bufou. – É que são tantas coisas acontecendo que acabei esquecendo.
- Tudo bem, mas podem ficar tranquilos. Vocês poderão conversar a vontade depois do jantar, e, Henrie você sabe muito bem, se ficar muito tarde pode ficar por aqui que não seria um incômodo.
Tod não gostou nem um pouco daquele comentário e apenas resolveu ignorá-lo. O jantar continuou do mesmo jeito, Tod fingindo que não estava preocupado com a conversa de Henrie; a mãe de Tod empolgada contando sobre seu dia e algumas lembranças de Tod quando era criança, e Henrie quase morrendo por dentro querendo falar com Tod.
O jantar se estendeu por mais algumas horas até que a mãe de Tod, já quase caindo de sono. Decidiu ir se deitar.
- Tod, você se importa de tirar a mesa e guardar tudo? É que eu estou muito cansada.
- Claro que não, mãe! Pode ir, eu limpo tudo.
- Eu ajudo! – exclamou Henrie sem pensar.
Tod e sua mãe apenas viraram para ele e soltaram um pequeno riso, mas logo em seguida ela se despediu de Henrie e subiu deixando os dois sozinhos.
Tod logo se levantou e começou a levar a louça para pia sem dizer uma única palavra, mas seu corpo suava frio com medo do assunto que poderia surgir a qualquer momento.
Henrie rapidamente o seguiu pegando o restante da louça e levando até a cozinha. O silêncio era absurdo, mas Tod não pareceu ligar muito para isso, ele apenas alcançou o pano de prato e jogou em direção a Henrie com um sorriso no rosto, e começou a lavar a louça.
Henrie se aproximou para enxugar a louça e não se conteve:
- Desculpa por te tratar daquele jeito hoje à tarde, eu estava...
- Tudo bem, Henrie. Eu entendo. – interrompeu Tod com um tom ríspido.
Henrie não pareceu nem um pouco intimidado e continuou:
- Obrigado! É que é tudo muito recente para mim. Eu não sei o que está acontecendo e eu tenho muitas dúvidas em minha cabeça...
Tod quase deixou um prato cair ao ouvir aquelas palavras. O seu batimento estava acelerado e ele tentava não demonstrar seu nervosismo, mas Henrie continuou:
- Eu não sei... Mas parece que eu mudei. Eu amava tanto a Lucy, na verdade, eu ainda amo muito ela, mas de algum modo eu sinto que estou gostando de...
*CRACK!*
Um prato havia quebrado. Tod apenas se afastou para pegar algo para colocar o prato quebrado. Henrie parecia estar furioso, como se Tod tivesse quebrado aquele prato de propósito para não escutar o que ele queria dizer.
Ele notou que nada tinha acontecido com Tod. Contudo, Tod parecia evasivo e não prestava atenção no que Henrie, o que deixou Henrie irritado e com a voz um tom acima, exclamou:
- Será que você pode me ouvir?
Tod parou na hora sem nenhuma reação, apenas o encarou assustado. Ele sabia que não poderia fugir daquilo, pelo menos não naquele momento.
- Sim, eu posso. – disse ele com raiva.
- Na verdade... – respirou fundo. – Esquece! Você não parece nem um pouco interessado no que eu tenho para falar. – bufou saindo da cozinha.
Tod percebeu aquela reação e seu corpo falou mais rápido, e antes que Henrie pudesse chegar até a sala Tod o agarrou pelo braço não o deixando ir.
Henrie sentiu a pressão da mão de Tod sobre o seu braço e que ele não parecia nem um pouco destinado a soltá-lo. Os olhos dele encheram de lágrimas. Ele se virou para Tod que notou os olhos deles marejados e não se conteve, em um movimento súbito ele abraçou Henrie como se o quisesse proteger do mundo inteiro.
O corpo dele estava quente e o batimento acelerava cada vez mais. As lágrimas não conseguiam parar, apenas fluíam como uma cachoeira. Tod colocou a mão por trás da cabeça dele a puxando para perto fazendo com que Henrie encaixasse o queixo sobre seu ombro.
Henrie não conseguia parar e soluçava enquanto chorava, ele voltou a um estado infantil e apertava Tod cada vez mais murmurando algo que Tod não conseguia entender. Eles permaneceram assim por vários minutos até que Henrie pareceu se acalmar e soltou-se do abraço encarando Tod, mas segurando em suas mãos com os olhos vermelhos.
No mesmo momento a mãe de Tod havia acordado com a sensação de garganta seca. Ela então saiu do quarto, mas quando se aproximou da escada ouviu alguns murmúrios e começou a descer as escadas e se deparou com a cena de Tod e Henrie próximos um ao outro de mãos dadas. Ela apenas parou e ficou olhando sem se mover.
Os dois continuaram a se olhar até que Henrie não se conteve e começou a se aproximar de Tod que estava imóvel apenas o encarando. O silêncio era tanto que se podia escutar o batimento dos dois completamente acelerados. A mãe de Tod permaneceu imóvel, não conseguia acreditar no que estava acontecendo diante dos seus olhos, o seu corpo paralisou.
O momento pareceu durar uma eternidade e quando Tod se deu conta os lábios de Henrie estavam a milímetros do seu. Ele não recuou, uma vez que Henrie estava segurando seus braços. E com um movimento único, os lábios deles se encostaram.
Uma sensação estranha pareceu tomar conta do corpo de Tod. Ele não sabia explicar o que estava acontecendo, mas ele sabia que de algum modo o seu corpo queria aquilo. Eles continuaram nessa posição por alguns segundos e antes que pudessem fazer qualquer outra coisa foram interrompidos por um barulho. Eles se assustaram e olharam em direção da onde o barulho veio. Era a mãe de Tod, ela tentou se mover e a madeira da escada arranhou. Em um movimento rápido ela subiu a escada e desapareceu até seu quarto.
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