Capítulo 1 - Sr. Presidente
Tod era um garoto muito bonito, mas não era o mais bonito do colégio. Ele tinha os olhos castanhos, cabelo alinhado como aqueles de donos de grande empresa, com um topete perfeitamente arrumado, rosto magro, porém marcante, lábios bem delineados com uma coloração quase rosácea.
Era magro, tinha 17 anos e estudante do ensino médio, amava músicas, e além, é claro, de ser o presidente da classe e representante do grupo de idiomas. Ele sabia falar: inglês, português, espanhol e um pouco de francês. Ele nunca teve uma namorada, porque a sua preocupação era a escola.
Tudo começou em um dia que tinha tudo para ser completamente normal como todos os outros na vida de Tod. Ele acordou e fez tudo o que estava acostumado: banho, roupa, sapatos, mochila, café da manhã e esperar um ônibus para a escola. Cumprimentou alguns vizinhos que viu pelo caminho e ficou no ponto esperando o ônibus.
Ao entrar no ônibus o motorista o cumprimentou e continuou o trajeto. Ele então focou sua mente em procurar um lugar tranquilo, já que demoraria um pouco para chegar à escola. Ele foi caminhando pelo ônibus a procura de um lugar, mas todos pareciam ocupados, contudo seus olhos brilharam quando percebeu um lugar no fundo.
Enquanto ele se aproximava percebeu que o lugar não aparentava estar vazio, quer dizer, não por completo. Alguém estava no banco ao lado. Era um menino, mas não qualquer menino, era o Henrie. Um garoto que não ia muito com a cara de ninguém, pelo menos era isso que diziam. Ele era um dos líderes do conselho do colégio junto com Tod, e representante do clube de letras do colégio. Mas ele sempre entrava em conflito com as decisões de Tod no conselho.
Ele era mais alto que Tod por alguns centímetros, mas fazia uma diferença um pouco considerável. Tinha 18 anos e era de uma classe acima. O rosto dele era muito bonito, com as maças do rosto bem demarcadas, um maxilar quase que desenhado, cabelos cacheados e pretos, com cachos enormes e volumosos, quase caindo aos olhos, que por sinal eram castanhos claros.
Ele simplesmente percebeu a presença de Tod, olhou no fundo dos olhos dele por alguns segundos e colocou a sua pasta em seu colo não dando atenção e se virando novamente para a janela. Tod simplesmente o encarou de volta, acenou com a cabeça como se o agradecesse por ter pegado sua pasta e liberado o lugar e sentou com um pouco de receio. Começou a lembrar de tudo que ouvira sobre Henrie, de como ele tratou mal um atendente de fast food, brigou com o diretor por uma suspensão por causa de brigas, e varias confusões envolvendo o seu nome, mas Tod sabia que na escola havia muitas fofocas e resolveu não ficar pensando nisso.
O trajeto para o colégio pareceu uma eternidade aquele dia e Tod ficava impaciente olhando para o seu relógio de pulso, conferindo cada segundo. Henrie viu aquilo e decidiu ignorar, mas Tod não parava até decidir falar algo por causa de sua frustração:
- Desse jeito chegaremos atrasado! – exclamou ele, baforando e insistindo em olhar para o relógio como se quisesse que o tempo congelasse.
Ele não obteve nenhuma resposta, mas também não esperava obtê-la uma vez que sua indignação não foi provocada para esse feitio. Não demorou muito e o ônibus havia estacionado em frente ao colégio e antes que Tod pudesse pensar em levantar Henrie já havia levantado e estava nesse momento passando em frente a Tod. Mas antes que ele pudesse terminar sua passagem, o ônibus deu um pequeno arranque, já que o ônibus não estava em boas condições fazendo com que Henrie caísse sobre o colo de Tod ficando sem expressão e o encarando.
O tempo naquele momento parecia ter congelado no relógio de Tod. Eles ficaram se entreolhando por alguns segundos sem expressarem nenhuma reação, apenas os batimentos cardíacos que estavam acelerados por causa do momento de susto, até que se deram conta do que havia acontecido.
Henrie foi o primeiro a perceber a situação levantando do colo de Tod com raiva e o empurrando como se tudo aquilo fosse culpa dele. Saiu falando algo que parecia ser um xingamento, mas Tod estava entorpecido demais para perceber. Ele levantou depois e percebeu que o ônibus já havia esvaziado e somente o motorista o encarando esperando ele descer. Ele notou aquela cena e se dirigiu para a escola ainda tentando entender em tudo que aconteceu.
Na escola ele teve várias aulas, mas não parecia no melhor momento para entender o que estava se passando nelas, ele só conseguia pensar no que tinha acontecido no ônibus. Por que aquele menino o odiava tanto? Começou a questionar sobre a sua própria personalidade e não conseguia lembrar sobre nenhum momento em que havia o tratado mal ou algo parecido.
As aulas pareceram voar e quando ele se deu conta já estava no conselho de líderes do colégio discutindo sobre as disciplinas que deveriam ser reforçadas pelos professores em relação à nota da classe. Sua mente só procurava um lugar, a cadeira de Henrie, mas não tinha ninguém e ficou se perguntando onde ele deveria estar. Ele suspirou e olhou para o relógio e nada dele aparecer até que foi interrompido por um dos conselheiros:
- TOD! TOD!.... Você está bem? – perguntou Rosie a presidente do grupo de fotografia.
- Sii.... Sim! – respondeu ele entre gaguejos encontrando os olhos dela.
- É que estávamos perguntando o que você acha do projeto da politica do banheiro? – perguntou ela.
- Na verdade, vocês podem votar sozinhos, eu vou para a casa agora, não estou me sentindo bem – disse ele recolhendo suas coisas e indo em direção à porta sem dar atenção sobre o que ela ou os outros presidentes perguntavam. Quando ele abriu a porta sua visão foi bloqueada por uma camisa azul de botões.
Seus olhos então rolaram para cima e encontraram os olhos de Henrie. Seu corpo pareceu paralisar, sentiu uma mistura de ódio e dúvidas invadirem sua mente, mas seu semblante triste ainda transparecia algo que Henrie não pode ter deixado de notar, e antes que ele pudesse dizer alguma palavra Tod quase o atropelou ao sair da sala. Henrie apenas o acompanhou com o olhar vendo Tod desaparecer na primeira curva.
Tod chegou a sua casa bufando sem conversar com ninguém apenas subiu para o quarto, jogou suas coisas no chão, tirou o seu sapato e se jogou na cama com raiva, e de tanto pensar acabou dormindo. Ele acordou algumas horas depois. Estava faminto, mas antes de procurar algo para comer decidiu checar o celular e para a sua surpresa quando o celular acendeu havia uma mensagem e seus olhos quase queimaram ao ler a notificação. Com raiva jogou o celular para longe e voltou a dormir mesmo com fome.
Na notificação da mensagem estava escrito:
"Oi, Tod, Tudo bem? Parecia estar triste ao sair da sala, queria saber se está tudo bem, espero que sim. Boa noite.
– Henrie."
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