Capítulo 26: "Bem-vindos ao Desconhecido".


O coração da garota pareceu paralisar naquele instante, o fluxo sanguíneo parou de correr, petrificando suas veias geladas, sua boca seca ficou entreaberta, seus olhos prantearam e o ar pareceu faltar nos seus pulmões. Era uma brincadeira?

Dentre inúmeros inscritos, justamente a diretriz que não suportou a ideia de abrigá-la na Congregação ser sua guia... Era injusto.

Uma certeza calculada penetrou sua mente, jamais obteria coeficiente para evoluir no caminho da magia. Era sua sentença de banimento, seu corpo repeliu a ideia de forma instantânea.

Sayne ergueu-se esplêndida de seu trono confortável, movimentou os ombros e soltou uma respiração baixa, crispou os lábios e flexionou as mãos sobre as pernas.

Dhorion a observou com sua visão periférica. A Diretriz mirou Marine com um semblante gélido e ameaçador enquanto esboçava um sorriso de canto de boca e caminhou elegantemente até a aprendiz.

A maioria das pessoas aplaudiu com um fervor intenso, sabiam que aquilo ocasionaria o banimento da garota, ninguém passara em um aprendizado com Sayne. A loira não a cumprimentou, apenas posicionou-se ao seu lado.

Marine engoliu a seco.

Os círculos individuais se apagaram, o turbilhão desintegrou todos os papéis, desenhando um grande círculo pérola em volta dos dez — aprendizes e guias —, no salão.

Todos os guias sacaram seus athames, e a ponta da lâmina encontrou o cristal no peito de cada selecionado.

— Que os caminhos de vocês, aprendizes, sejam iluminados com a mais pura harmonia e inteligência, e que eu possa vê-los crescendo adequadamente em um mundo espiritual novo e cheio de reviravoltas. Lembrem-se, o desconhecido é fantástico, porém jamais se esqueçam do correto, pois a magia sabe cobrar de quem deve. Agora passo a palavra ao guardião supremo — encerrou Gregory.

Dhorion desceu os degraus e ficou ao lado do britânico.

— Junto ao círculo sagrado, selo aqui o início do aprendizado e que todos os conhecimentos sejam absorvidos e executados de forma plena e útil. Que a magia flua em cada selecionado.

Nesse instante, as cores que representavam cada elemento dos selecionados foram transferidas dos cristais para os athames de cada guia.

Todos os guias se aproximaram de seus aprendizes.

— A partir de agora, eu sou sua mãe, sou seu pai, e sua representação de poder e obediência na terra. — Os athames foram erguidos na altura do pescoço, e as cores retiradas dos cristais foram absorvidas pelo símbolo da Congregação no teto.

Dhorion movimentou a mão direita e o círculo branco se desfez.

— Sejam bem-vindos ao desconhecido — declarou empolgado.

Nora encaminhou os selecionados para uma antessala, onde vestiram suas roupas e pegaram seus pertences. Um carro esperava os cinco e os deixaria nas suas respectivas residências.

A intermediária informou sobre os horários e mais acertos necessários e logo os liberou, levando-os até a saída.

Havia um motorista moreno à espera e os cinco entraram no grande automóvel. Carl sentou-se no banco da frente e evitou olhar para trás o percurso inteiro. Sarah queria tecer inúmeros comentários, mas, a julgar pelo semblante da maioria, preferiu continuar calada.

Marine foi a primeira a ser deixada. Agradeceu ao motorista, que retribuiu com um aceno de cabeça.

Carl olhava para o outro lado da rua, já Sarah esboçou um largo sorriso. Despediram-se.

Marine atravessou o jardim, ainda anestesiada com tudo o que ocorrera na cerimônia. Trancou a porta e verificou que estava sozinha novamente. Sozinha em tese, porque, do lado de fora, vigilantes da Congregação cercavam o recinto disfarçadamente.

Foi até a janela e olhou em várias direções, sentindo-se fiscalizada, sem privacidade. Foi à cozinha e verificou que o jantar estava pronto e quente. Ao lado do prato havia um bilhete e um livro. Era de Claire, lhe desejando sorte.

A garota abriu um grande sorriso e passou a mão na capa, lendo o título: "Ponte para o Invisível".

Folheou as páginas e pôde sentir o perfume da avó de Susan.

— Muito obrigada, Sra. Claire — falou como se a mulher ali estivesse e colocou o livro contra o peito.

A relva seca subia com a brisa mansa que vinha do norte, o lado mais afastado de Enid era pouco povoado, além de ficar na divisa com a floresta, o ambiente era calmo e ao mesmo tempo assustador. As árvores desfolhadas e o ângulo visto de frente das três serras, cujos nomes eram Sol, Lua e Estrela, era atemorizante.

O sol da tarde fria banhava, fantasmagoricamente, as telhas angulares de uma casa malcuidada ao fundo de um jardim de flores mortas.

Olhos castanhos brilhavam em uma expressão nostálgica, pois regressar a Ennead remoía lembranças ruins que invadiam sua mente depreciativa. Os cabelos oleosos e pretos desciam pelo rosto enrugado e seco, os lábios finos se contorciam com o vento álgido que soprava do sul, os cabelos mexiam lentamente, as mãos com veias a mostra percorreram a face infeliz de um homem que o tempo envelheceu amargamente.

Segurava um livro preto contra o peito estufado enquanto caminhava apressadamente rumo a casa abandonada à sua frente. Antes de chegar ao primeiro degrau de pedra, a porta se abriu com um gemido latente, um jovem surgiu com um cigarro aceso no pátio pequeno.

— Bem-vindo, guardião — cumprimentou Jeremy.

— Não gosto que fumem perto de mim. — Fez o cigarro explodir com apenas o estreitar dos olhos.

Jeremy assustou-se, limpando a boca com receio de tê-la queimado.

Adentrou na sala e constatou que era um ambiente vazio e sem vida, com assentos pelos cantos e uma mesa de madeira no centro. Havia um corredor à direita e outro à esquerda, apenas um banheiro e sem nada para comer. Repousou o olhar com um nojo absoluto.

— Que lugar mais lamentável — constatou com repulsa.

— Foi o melhor que consegui, temos que ser discretos. — Jeremy o acompanhou, crispando os lábios.

— E a garota? — perguntou de imediato.

— Está na Congregação, é uma escolhida — revelou, encostando-se à mesa.

Um choro de criança invadiu seus ouvidos, fechou os olhos.

— Ele a aceitou.

— Dhorion é um péssimo guardião. — Jeremy exprimiu um desprezo letal.

— Não diga absurdos, ele é um excelente guardião — rebateu automaticamente, surpreendendo seu ajudante.

— Pensei... — Não ocultou a surpresa.

— Ele tomou as minhas funções, contudo, posso admirá-lo por ser o que eu não fui. — Caminhou pelo recinto opaco. — Desprezo-o! No entanto, seus adjetivos têm uma resguarda absurda.

Jeremy o acompanhava com o olhar.

— A meu ver, ele foi um erro que tem que ser consertado. Estamos aqui para isso, não? — Avaliou pensando que Feltrin já estava oscilando com o plano.

— Sim. Tudo regressará ao seu devido lugar — disse ordenando alguns objetos em uma estante imunda.

Alguns móveis moveram-se sozinhos, alinhando-se.

Jeremy aproximou-se.

— Falei a pouco com aquela pessoa que nos auxiliou com a chave — praticamente murmurou.

— O Infiltrado? E quem é senhor?

— Não interessa. O que importa é quem o Guia de Marine Talbott... — Delineou um sorriso torto.

Virou-se rapidamente para ouvir.

— A doce Sayne Hayman — ironizou Feltrin.

O homem esboçou um sorriso maquiavélico e bateu na mesa ao seu lado.

— Dhorion está manipulando tudo novamente, o poder dele cresce entre as pessoas. — Jeremy discorria com aversão.

— E a chave, você foi à Dublin?

— Não. Cybele está à espreita — respondeu atenuando a raiva.

— Temos que recuperar a chave antes que essa imbecil arrependida ponha as mãos, esse é o nosso único trunfo. Sem a chave, não iremos concluir.

— E quanto ao Labirinto? — Era um assunto delicado.

— Ela precisa se manter distante de lá, ou um portal entre o passado e o presente selará o nosso fim.

Feltrin mirou na janela torta e repousou o olhar na paisagem morta adiante, pressentindo uma energia que há tempos não sentia.

— Ele está vindo ao meu encontro.

Jeremy o encarou surpreso e indagou quem seria.

— Dhorion.

Jeremy crispou os lábios e acendeu outro cigarro.

A manhã seguinte demorou tanto a chegar que Marine chegou a cogitar que o tempo era seu inimigo mortal. A aflição era desmedida e indulgente e fazia seu estômago despencar todas as vezes que conferia as horas no relógio de pulso. Nora havia marcado horário para apanhá-la, para apresentar todas as dependências da Congregação.

O celular tocou e um sorriso discreto se moldou na face corada de Marine. Era ela avisando que a aguardava na frente da casa.

Chegou ao carro da Congregação e os outros quatro selecionados já se encontravam ali. Cumprimentou os três e o motorista, já que Carl Dornan mantinha-se debruçado sobre um livro.

O motorista deu partida na van e Nora iniciou as instruções necessárias. Chegaram rapidamente ao estacionamento próximo à entrada da cidade. Apesar de ser no meio da floresta, em um ramal que interligava a Congregação, não era deserto. Muitos outros carros estavam alinhados e alguns homens altos, vestidos com roupas escuras e uma capa preta, pareciam velar o local.

— Os chamam de vigilantes — Sarah Finnin falou baixo junto ao ouvido de Marine. — São os guardas da Congregação.

Marine olhou fixamente para um deles e o reconheceu de imediato, estava sempre perto da casa de Claire.

Nora os conduziu para a entrada e logo chegaram ao corredor céltico, a movimentação do átrio aguçava a curiosidade dos cinco. Carl disfarçava, mirando sempre com desprezo para Marine, que preferiu ignorar.

— Já quero conhecer tudo! — confidenciou Sarah.

— Eu tanto quanto você. — Marine sorria receosa.

Percorreram todo o corredor enquanto Nora explicava a origem e o significado dos símbolos nas paredes, além de abrir quase todas as portas, explanando pausadamente o que ocorria em cada sala. Em alguns minutos, chegaram na frente da grande escada de mármore que alçava para o andar administrativo e avistaram alguns eminentes, que possuíam sua hierarquia explícita no escudo simbólico da Congregação.

Ao lado deles, Taylor Greene surgiu acompanhada por Wagner Shaw. Os olhares delas novamente se cruzaram e aquela sensação incomum se moldou na mente de Marine.

Nora cumprimentou Wagner, que sorriu para todos e tocou levemente no ombro de Marine.

A jovem de cabelos vermelhos delineou um grande sorriso para todos, exceto para ela. Ao invés disso, continuava encarando-a de maneira incomum.

Assim que os dois passaram diante de Marine, que inclinou o pescoço para continuar olhando Taylor, sua visão encontrou a porta lacrada, com a placa em cobre com o aviso "Não entre". A fisgada estranha a prendeu mais uma vez, fazendo tudo se distanciar.

Havia algo além daquela porta que a fascinava.

— Marine, você está bem? — perguntou Sarah, tocando no braço da garota.

— Estou — respondeu rapidamente, voltando a atenção ao grupo.

— No alto dessas escadas encontra-se o andar mais importante de toda a Congregação — continuou Nora. — Pois estão reunidas as salas administrativas, a sala do Guardião, Diretriz, Conselheiro, Eminentes, Mestres e o Conselho. Vocês apenas subirão essas escadas se forem convocados, do contrário, jamais subam.

Todos escutavam atentamente o que Nora narrava.

A mulher virou-se para a direita e apontou para um corredor escuro que possuía uma placa em cima, escrita também em cobre "Passagem".

— Esse corredor também é um dos mais importantes, pois nos interliga com a superfície, onde boa parte dos nossos membros reside.

— Moram pessoas aqui? — desfechou Kevin.

— Sim, há muitos que ingressam no caminho da magia que preferem esquecer a vida que tiveram antes. Estes que não possuem casa ou que optam pelo ingresso total na tradição são acolhidos aqui, a Congregação é um lar para todos.

Carl voltou a atenção para a porta lacrada.

— E quanto a essa? Por que não se deve entrar?

— É um assunto que não nos concerne, apenas sei que pertenceu ao primeiro guardião há mais de 500 anos.

Marine repousou o olhar curioso sobre a porta e soltou uma respiração pesada.

— Vamos prosseguir com as instruções. — Olhou o relógio. — Está quase na hora marcada com os guias de vocês.

Nora, sempre à frente, caminhou para dentro do corredor escuro, e à medida que avançavam, puderam notar que o teto angular era cercado por luzes no formato do símbolo da Congregação. No final, existia uma escada de pedra e ao lado, um monitor com um leitor de cartão magnético. Ela inseriu e os dados apareceram na tela, fazendo uma porta abrir-se acima.

Os seis subiram e pareciam estar em uma saleta de dois metros quadrados, logo adiante havia uma passagem. Eles enxergavam a movimentação de pessoas na sala a seguir, porém ninguém os mirava.

— Bem-vindos à casa de campo. — Nora atravessou uma espécie de portal invisível.

Os cinco assim o fizeram e olharam de volta, vendo apenas uma parede viva como se fosse uma cascata de água cintilante.

— Isso foi incrível! — Sarah Finnin deixou escapar, deslumbrada.

Estavam em uma sala muito larga e circular, com paredes de vidro, revelando um jardim extasiante dos dois lados. Aquele lugar era o miolo da grande casa, pois havia inúmeros cômodos para frente e para trás. Duas escadas circulares alçavam para o próximo andar, então puderam notar que era um mezanino com mais três andares acima.

A mobília elaborada aos moldes do vasto ambiente se perdia de vista. Quadros, estofados, mesas, cadeiras, lustres, monitores de TV espalhados pelas paredes, persianas, todos os detalhes de uma decoração impecável e detalhista.

— A casa de campo foi fundada há 300 anos, mais recente que todas as instalações da sede da Congregação, podemos dizer que aqui realmente é o nosso lar.

Não tinha como não se maravilhar com a imensidão e sofisticação do lugar, até mesmo Carl deixou de lado sua arrogância em meio à admiração.

— O guardião da época não tinha mais como abrigar todos os membros dentro da gruta esculpida pelos primeiros integrantes e resolveu construir uma casa para acolher todos os membros que se escondiam. A casa seria o lar, e a sede seria onde seriam ministrados os treinamentos secretos. — A mulher sorria, mirando os cinco. — Também uma justificativa tinha que ser dada aos povoados vizinhos, pois existia a movimentação dos membros dentro da floresta, então uma casa foi a solução encontrada.

— E que solução. — Kevin sorriu animado.

— Nós abrigamos aqui membros de outras ramificações, pessoas iniciadas no aprendizado que foram renegadas pela família, membros que não possuem outro lugar a não ser este. A casa comporta 100 suítes, cinco cozinhas, quatro bibliotecas, treze escritórios, salas de jogos, salas de leitura, salas de vídeo e um conforto adequado a todos os membros que integram nossa sociedade secreta. Neste lugar, podemos ser quem realmente somos — relatava empolgada. — Eu, por exemplo, moro aqui. Minha família é de Belfast.

Nora entregou uma planta da casa impressa em um folder ilustrativo com todos os cômodos. Logo depois, os levou a boa parte dos lugares, finalizando no grande hall de entrada onde uma porta dupla imensa revelava uma fonte exuberante, mais jardim e uma plantação gigantesca adiante.

Do lado esquerdo, um estacionamento com inúmeros carros. Nora mencionou que eles poderiam vir dirigindo, bastava passar o leitor e a senha do cartão magnético conferido a cada um.

A área da propriedade por completo era gigantesca, abrigava um estábulo com inúmeros cavalos, uma estufa na lateral da casa com diversas espécies de flores e plantas, uma piscina térmica ao fundo do grande gramado verde-esmeralda, um espaço reservado a grandes eventos produzidos pela Congregação e cercado pela floresta de Ennead na parte direita. Inclusive, as árvores protetoras cercavam todo vasto terreno da propriedade, ocultando tudo de olhares curiosos.

As varandas imponentes percorriam os quatro andares, exceto o último que era menor em forma de um arco triunfal.

A construção magnífica não se via de longe por estar cercada de vegetação alta, fora os muros e cercas eletrificadas à margem da estrada de terra que rumava para outras propriedades rurais que se estendiam ao longo da rua. Entretanto, para quem fazia parte daquele mundo, a imensa casa de campo com todas as paredes pintadas de branco, por dentro e por fora, compunha um ambiente estarrecedor e acolhedor, como se tudo ali transportasse seus membros para um mundo mágico repleto de mistérios.

Nora os encaminhou para uma sala à direita e voltou a falar.

— Este é o contrato momentâneo que irá vigorar por trinta dias contando a partir de hoje. — Mostrou o papel. — Caso o aprendizado seja satisfatório com os guias, vocês assinarão outro contrato de vigência indeterminada, que terá validade até o final de seu aprendizado mestral. É de total importância a preservação do segredo da Congregação, não expondo a terceiros o que ocorre aqui dentro, nem trazer alguém nas dependências da propriedade, pois isso implicará na sua expulsão.

Carl fez um barulho com a boca, debochando.

— Uma coisa importante: vocês só poderão dormir aqui quando se tornarem membros fixos, isto é, quando iniciarem após a cerimônia de Elevação, ao fim do nosso primeiro aprendizado. E receberem seu amuleto, como este, em forma de chave. — Nora puxou para fora do suéter o emblema da Congregação lapidado na pedra. — Assim que assinarem o contrato mestral, vocês receberão o número de sua inscrição e senha. Este amuleto é mágico e vocês poderão entrar pela entrada principal, que mostrarei em breve. Em suma, é uma passagem entre as árvores, que estão enfeitiçadas desde a época do primeiro guardião. Agora quero que leiam e assinem o contrato.

Entregou um contrato individual a cada um, uma bolsa preta com os itens e uma lista com o material que precisariam comprar no Pentagrama. Todos pegaram o contrato em silêncio e leram detalhadamente.

Marine concordou com tudo o que estava expresso nas três páginas e assinou, entregou à Nora, que conferiu tudo e apertou a mão da jovem.

Todos fizeram o mesmo.

— Agora abram suas bolsas — pediu Nora.

Eles abriram. Dentro estava um caderno prateado grande, uma camisa de botões e manga longa verde-musgo com o emblema de estrelas amarelas com o nome da Congregação bordado em cima, duas canetas, um mini caldeirão e um cartão magnético com o nome de cada aprendiz.

As regras continuaram a ser explicadas e cada vez que Nora citava "escolhidos", Carl debochava olhando Marine.

Minutos depois, os membros do Conselho bateram na porta e Nora pediu para que os iniciantes os acompanhassem. Assim que Marine passou pela porta, Carl esbarrou fortemente na garota, fazendo as bolsas caírem no chão.

Sarah puxou Carl pelo braço, irritada.

— Não aguento mais a sua imaturidade, Carl! — bradou.

— Então solte o meu braço e saia de perto de mim! — rebateu altivo.

Sarah avançou, porém foi impedida por Kevin, que gesticulou com a cabeça e pediu para que a jovem não prosseguisse.

— Se você continuar... — ameaçou Nora.

— Com o quê? — inquiriu Carl, rangendo os dentes.

Nora pediu para que alguns vigilantes que transitavam segurassem Carl, que relutou.

— Soltem-no — ordenou Zenneher, aparecendo convenientemente para Carl.

Obedeceram e o aprendiz posicionou-se ao lado de seu guia.

— Vocês estão encurralando meu aprendiz. Se isso proceder, suspendo você, Nora.

A mulher baixou a cabeça e desculpou-se.

— Ele empurrou a Marine! — acusou Sarah.

— Mais uma palavra e você está expulsa, Srta. Finnin — Zenneher cuspiu as palavras.

Marine segurou levemente no braço de Sarah, contendo-a. Zenneher girou nos calcanhares e seguiu pelo corredor, Carl continuou encarando Marine, desafiando-a com um olhar repulsivo.

Os três movimentaram-se, cada aprendiz com um membro da Congregação, apenas Christine observava Carl serenamente.

— Por favor, sigam com eles, já estão atrasados — finalizou Nora, fechando a porta constrangida.

Marine desceu pelas escadas ao lado de um dos membros da Congregação, que nada falou. Antes de cruzar a falsa parede na grande sala circular de vidro, correu até Sarah.

— Obrigada por ter me defendido.

— Estou farta daquele imbecil! — confessou embravecida.

— Mas posso te pedir algo? — não a esperou responder. — Não se meta nisso, eu não quero prejudicar mais ninguém — pediu cautelosamente. — Também não quero ser indelicada com você, entende?

— Entendo — concordou, controlando a raiva que nutria por ele.

— Obrigada. — Estendeu a mão para ela.

— Disponha. — Apertou a mão da garota.

Ambas sorriram e desejaram-se sorte.

Marine desceu pela escada que interligava a Congregação e cortou o corredor céltico, chegando à rampa diante do Átrio. Enxergou Josh na recepção, procurou por William, porém não o encontrou. Dobraram no primeiro andar e seguiram por um corredor deserto, até o homem indicar a porta.

Marine agradeceu e tocou levemente seus dedos trêmulos na maçaneta, girando-a devagar. O temor a assolava, Sayne a aguardava e o medo a preenchia. 


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