🎄Capítulo 1🎄
Dia 07/12/2019.
_Acorda tia! Acorda!_grita uma voz estridente e animada.
_Deixa eu dormir_murmuro e puxo a minha coberta cobrindo a minha cabeça. Sinto o peso que antes estava sobre meu corpo diminuir,até voltar novamente.
_Você quer brincar na neve?_pergunta a mesma vozinha só que mais calma.
Me levanto e pego minha sobrinha de cabelos loiros colocando- a na colchão e a enchendo de cócegas,seus risos ecoam pelo quarto me fazendo sorrir também.
_Sua sapeca!_digo e lhe dou um beijo na bochecha_Não está cedo demais pra você está acordada? Crianças deveriam dormir mais no inverno.
_Não consigo! Quero vê a neve,e passear no gelo_ela começa a pular na cama como uma coelhinha_Vamos tia eu quero vê a neve!
_Porque não acorda a sua mãe? Estou com sono,podemos vê a neve mais tarde Vitória, tenho certeza que ela não vai sair do lugar_me deito novamente na cama e fecho os olhos.
Sinto Vitória subir em cima de min com seu corpinho e juntar as mãos em forma de pedido.
_Porfasinho tia Emmy_diz com uma voz meiga.
_Isso é golpe baixo,levanta e se arruma,vamos dá uma volta no parquinho. _borcejo enquanto vejo ela sair saltitante do meu quarto_É parece que o inverno chegou mais rápido do que eu imaginava_murmuro ao me levantar da minha cama quente.
Caminho até o banheiro e ligo o chuveiro,testo a água para vê se esta quente,eu não estou afim de correr o risco de virar um cubo de gelo.
Depois de um banho quente procuro no meu guarda roupa meus casacos mais fofinhos, pego uma calça jeans e minhas botas pretas. Depois de escolher uma blusa laranja e um casaco bege, caminho para fora do meu quarto.
Ao me aproximar da cozinha posso ser sentir o doce cheiro de chocolate quente.
Me deixo levar pelas lembranças que esse cheirinho me trás e entro na cozinha com um sorriso.
_Bom dia maninha!_dou um abraço apertado na minha irmã mais velha sonolenta. Ela esta com seus cabelos loiros amarrados em um coque bagunçado e usa seu roupão roxo.
_Me diz que não foi você que acordou Vitória?_pergunta depois de um longo bocejar. Ela mexia no chocolate e piscava freneticamente os olhos para não dormir em pé _Ela simplesmente pulou na minha cama e só sossegou quando eu vim fazer o café da manhã o Hélio esta tão cansado que nem acordou.
_Eu juro que não acordei ela,por min dormia até ano que vem,mas minha querida sobrinha está muito energética. Ela acabou me convencendo e vamos no parquinho da uma olhada na neve_me sento na baquete do balcão de mármore e fito minha irmã Carolina colocar o chocolate quente em uma xícara _a mamãe ligou?
Pergunto temerosa,eu não queria falar com ela ainda,pois tinha que dá a triste notícia de que fui demitida. As vezes um pequeno descontrole pode custar muito.
_Não,mas você deveria falar e contar o que aconteceu,eu sei que a dona Regina não é fácil mas você dá conta _ela me estende a xícara e eu fito o meu próprio reflexo no chocolate.
Talvez Carolina estivesse certa,até porque a culpa não foi completamente minha,ser professora do quinto ano não é fácil e qualquer um no meu lugar enlouqueceria. E cedo ou tarde meus pais vão acabar sabendo,e o melhor é que seja por min do que por outra pessoa,ainda sim não continua sendo difícil.
_Ela vai querer que eu volte pra Detroit e você sabe que eu não quero, gosto daqui e não vou me mudar novamente _bebo o chocolate e sinto o doce sabor descer pela minha garganta,me aquecendo por dentro _ela vai dizer que eu preciso de um marido e tenho que parar de brincar de ser independente.
_Bom ela não está 100℅ errada,você nem sempre consegue controlar a sua vida Emma _diz arqueando uma sombrancelha.
_A culpa não foi minha eu já disse! Tudo estava indo muito bem, até aquele pirralho resolver encher minha bolsa de cola com tinta ninguém merece,eu estava em um péssimo dia e aquilo foi o que faltava pra eu explodir_tomo o resto de chocolate já me sentindo nervosa ao lembrar daquele dia trágico que me custou o meu emprego e minha bolsa nova_é claro que eu ia dá uma bronca nele,mas a peste resolveu mentir dizendo que eu bati nele, a mãe fez um escândalo e eu fui demitida injustamente. Eu jamais bateria em uma criança.
_Eu sei meu bem_ela me consola me dando um abraço de lado_e você sabe que pode ficar aqui o quanto quiser,eu amo sua companhia e a Vitória também,até o Hélio gosta ou melhor ele ama você as vezes fico com ciúmes.
Ela faz um bico engraçado o que arranca risadas minha.
_Você sabe que ele ama muito você,não existe outro ser nesse universo que é capaz de aturar os seus dramas,ele é um santo_brinco com ela que mostra a língua em um ato infantil_mas não quero incomodar.
_Você não incomoda sua boba_ela retruca.
Helio e Carolina estam casados quase a dez anos,e o amor deles resultou Vitória ,esse doce de criança que eu tanto amo. Quando ela se mudou de Detroit para cá Portland eu fiquei meio chateada, até porque sempre fomos muito unidas,mas era uma grande oportunidade para ela e Hélio, e hoje eu sei que valeu a pena o sacrifício.
Depois foi a minha vez de vim para Portland. Consegui uma bolsa de estudos em uma faculdade e cursei pedagogia,quando me formei foi uma alegria só,o estágio resultou em um trabalho maravilhoso em uma escola particular. Pena que todos os meus sonhos foram destruídos por um pirralho mimado. Perdi meu apartamento e vim morar com a minha irmã(temporariamente) para não ter que voltar para Detroit e da motivos pra minha mãe ficar enchendo minha cabeça com abobrinha, de como eu preciso de um marido.
Sério isso é um pensamento muito machista,estamos em pleno século vinte um,nenhuma mulher merece ter que ouvir esses comentários. Além de que eu não tenho sorte com homens, a maioria só me deu dor de cabeça,e olha que só foram três namorados.
Acho nenhum nunca correspondeu as minhas espectativas,é isso mesmo "espectativas" acho que toda mulher tem pelo menos uma,até porque não é fácil controlar isso. Mas também não posso ser hipócrita e dizer que as vezes não sinto saudades de ter uma pessoa pra fazer coisas de namorados, mas isso não muda o fato de que um homem não vai resolver os meus problemas,e é capaz de multiplicar eles.
Helio e Carolina são amigos desde pequenos,ele também é meu amigo e um doce de pessoa apesar de ser muito protetor comigo as vezes. O considero como um irmão mais velho que bom, eu tenho um só que esse está bem longe,eu não faço ideia de onde já que o mesmo não dá notícias,então Hélio o substituí em todos os aspectos.
_Podemos ir tia?! Se não a neve vai derreter!_escuto a minha sapeca me chamar enquanto puxa meu casaco.
Saio dos meus devaneios e olho para baixo,vendo a menininha de seis anos que é minha sobrinha com um sorriso animado no rosto bochechudo.
_Claro meu amor_a pego no colo lhe dou várias beijos.
_Não voltem tarde,e Emma não esqueça as luvas_diz Carolina como se fosse minha mãe.
_Sim senhora! Vamos cabelos dourados antes que a neve saia voando!_digo e saio da cozinha com Vitória no ombro que ria sem parar por conta da minhas brincadeiras com sua mãe.
A brisa fria bate sobre minha face e sinto meu corpo estremecer. A ruas agitadas de Portland, estavam sendo enfeitadas por luzes de todos os tipos e enfeites natalinos, que a noite brilharam como o céu estrelado. Me sento em um banco e observo Vitória brincar alegre com outras crianças no parquinho, Carolina teve sorte pois o amor da vida dela sempre esteve ao seu lado,eles pra min são um exemplo de casal e tem uma filha maravilhosa.
E quanto a min eu preciso urgentemente de um emprego antes do Natal, no qual sempre vamos para Detroit passar o esse dia com nossos pais e familiares. Esse dia é muito especial pra nossa família pois além de nós reunimos como poucas vezes no ano fazemos doações para um lugar para idosos.
Me levanto sentindo que o frio parecia ter ficado mais intenso,caminho até Vitória que brincava em um dos escorregas do parquinho.
_Vamos meu amor?_digo assim que estou próxima e a vejo escorregar.
_Só mas um pouco tia_pede com olhinhos brilhantes.
_Se você vier prometo comprar macarons pra você _faço essa pequena chantagem com o seu doce favorito,vejo ela sorrir e pegar em minha mão com a sua pequena.
_Aceito a proposta _diz me fazendo rir.
Caminhamos de mãos dadas pelas calçadas cobertas por neve,enquanto via o transito horrível de Portland,acho que em dezembro às pessoas deveriam andar em trenores em vez de carro.
Sorrio imaginando a cena de vários trenores sendo puxados por renas. Eu acharia melhor do que atola o carro na neve.
Entramos em um café movimentado e sentamos em uma mesa vazia no fundo da lanchonete. Logo me sentir mais aquecida,apesar de amar dezembro às vezes o frio pode ser insuportável.
_Fica aqui meu amor vou fazer o pedido _falo para minha sobrinha que concorda enquanto mexe distraída no cardápio.
Me aproximo do balcão onde há uma bela moça de cabelos castanhos e pele pálida. Ela sorrir assim que me olha.
_Bom dia, o que vai perdir?_pergunta gentilmente.
_Bom dia,eu vou querer macarons,um croissant,e um copo de leite e outra de café _respondo enquanto me fascino com os belos doces que estavam posto na vitrine_e uma fatia de bolo de chocolate.
_Só um momento.
Vejo a moça entrar em uma porta que dava para o lugar onde se fazem todas essas belezas. Olho para mesa e vejo Vitória balançando as perninhas enquanto olha o lado de fora pela janela de vidro do café. O local estava bem movimentado e várias pessoas conversavam, o ambiente agradável entrava em perfeito contraste com o cheiro de doces recém saídos do forno que pairava no ar.
_Aqui_diz a mulher chamando minha atenção.
Sorrio ao pegar a bandeja com os pedidos.
_Você não quer ajuda? Esta um pouco pesado_ofereçe ela meio receosa ao me entregar a bandeja.
Mas como eu não gosto de incomodar não aceito.
_Não precisa,mas obrigado _dito isso me viro,para voltar a minha mesa,mas o resultado não poderia ser mais desastroso.
As vezes me surpreendo com a minha falta de cuidado. Trombei em alguém e as coisas simplesmente voaram pra cima da pessoa,olho para o lindo homem a minha frente e sinto meu coração parar por breves minutos.
_Ops!_digo forçando um sorriso.
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