✴ Aranel ✴ Volta ruim para a Floresta Branca
As altas árvores ergueram-se majestosamente diante ela. Suas copas brancas como neve refletiam uma cor alaranjada do sol de primavera, e a trilha pareceu abrir-se ante seus pés. Havia alguns dias que não via aquela floresta depois que partiu com uma pequena comitiva até a Cidade do Lago para tatrar de negócios com o Senhor local.
Ao ver as árvores de troncos negros e folhas brancas como neve ao sol, Aranel soltou um longo suspiro de alívio. Não era muito ligada a negócios de reinos, preferia mais caçar e aventurar-se no mundo em que vivia do que ficar em um trono o dia todo como sua mãe, uma elfa etérea, felina e tão indecifrável que as vezes Aranel perguntava-se como seu pai conseguiu domar-lhe o coração.
Estava prestes a entrar em seu território quando um vento soprou. Trazia consigo o aroma adocicado do carvalho, do rio e do lago onde a Cidade do Lago fora construída nos tempos de outrora, mas aquela brisa também trouxe o odor adocicado da Floresta das Trevas que ficava bem próximo a Floresta Branca, porém mais dividida em seus territórios do que qualquer um jamais viu. Os elfos que serviam ao arrogante rei Thranduil não podiam entrar nos territórios da impiedosa rainha Silmalótë, e virce e versa. Aranel fitou as altas árvores rústicas da Floresta das Trevas e suspirou, era um território inalcançável para seus domínios e vontades que tinha de descobri-los mas também não desejava conhecer aquele Rei Elfo que mudara a vida de sua mãe desde quando chegou ali, no começo da Segunda Era. E muito menos conhecer seu filho, o príncipe Legolas. Naquele momento, Aranel lembrou-se das palavras de sua mãe:
— Ele destruiu nossas vidas, Aranel... Quando os vê não demosntre piedade pois nem Thranduil e nem Legolas terão com você. — Silmalótë olhava para além das janelas, através do vidro, as terras de Thranduil reluziam ao sol.
— Aranel... Aranel... — o elfo ao seu lado, chamou-a. Embora seu nome fosse Aranel, ele não estava chamando-a pelo nome e sim, falando em Quenya no qual "aranel" era princesa. — Alteza! — ele ergueu a voz tirando-a de seus pensamentos.
Ela piscou e olhou para ele. O elfo era um pouco mais alto que ela, seus cabelos beiravam a cor de chocolate, seus olhos faíscantes eram verdes como folhas novas. Ele era bonito, quase tão bonito como seu falecido pai.
— Desculpe, Mormacil... — ela coçou os olhos abaixando a cabeça e esfriando a raiva que já começava a queimar em seu interior. —, estava distraída!
Mormacil riu docemente.
— Eu notei! — ele virou-se para os seis elfos que estavam atrás deles. — Três de vocês vão na frente e verifiquem se não há aranhas por ai!
Duas elfas e um elfo saíram correndo na frente.
— Merenwen, Ireth, Rómen! — ela chamou os elfos que já estavam adiantados. Os três se viraram, com arcos em punho, e aguardaram a princesa falar. — *Mára farië!
— *A si i-Dhúath ú-orthor! — os três gritaram em uníssono, erguendo suas armas e, saíram correndo novamente.
— Alwa! — murmurou Mormacil baixinho, desejando-lhes boa sorte.
Então eles entraram na floresta, seus passos imperceptíveis tocavam as pedras cinzentas da trilha. Aranel manteve o olhar atento e sua mão no arco dourado, havia facas élficas presas em suas costas e uma aljava pendia do cinto.
— Eu queria saber o motivo dessas aranhas estarem saindo de suas cavernas. — falou Mormacil com o olhar sobre as árvores. As folhas brancas, muitas vezes, encobriram as teias das aranhas.
— Você não é o único! — falou Clawren atrás dele. Clawren era um elfo louro e de olhos escuros, antigo membro do exército de Thranduil mas desertou depois que Silmalótë fundou seu reino na Floresta Branca.
— Está na ronda desta noite, Claw? — perguntou Mormacil.
— Você sabe que eu não recuso uma... — dizia o elfo distraidamente antes de ser esbarrado por uma criatura de estatura mediana e encapuzada. — Olha por onde anda elf...
Aranel se virou e viu Clawren fitar a figura.
— Quem é você? — ele agarrou-o pelo braço sobre o capuz escuro. Em comparação à ele, a criatura encapuzada parecia um hobbit.
— Deixe-me ir, senhor! — disse o homem com uma voz alarmada. — Eu tenho que ir! — ele estava visivelmente nervoso e tentava soltar-se desesperadamente das mãos firmes do elfo.
— Quem é você? — perguntou Aranel, caminhando até ele e sentindo um frio na barriga.
Ele mantinha a cabeça baixa e pés batendo no chão com impaciência.
— Preciso ir, senhora! Preciso ir! — repetia ele.
Aranel franziu o cenho e olhou para os elfos ao seu redor. Todos estavam com olhares confusos e olhavam uns para os outros.
— Tire o capuz dele! — ordenou à Clawren.
O elfo colocou as mãos no capuz preto e tentou tirá-lo mas franziu o cenho e olhou para a princesa.
— Não saí! — disse ele de modo sombrio.
— Como assim não saí? — disse Aranel colocando as mãos no capuz dele.
Ela puxou o pano grosso mas o mesmo não saía, era como se tivesse sido preso a cabeça daquele homem. Mas com um puxão rápido, a criatura encapuzada libertou-se das mãos de Clawren, empurrou o elfo com tanta facilidade e força que o mesmo derrubou duas elfas da comitiva que tentaram segurá-lo. Então virou para Aranel e ergueu a cabeça, somente era visível seus olhos – dourados e brilhantes como o sol.
A princesa sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao fitar aqueles olhos doentios e brilhosos, seu rosto não era possível observar. A voz fria e cortante como nevascas, acertou os ouvidos da elfa quando ele murmurou:
— Preciso ir! — e então desapareceu correndo pela trilha para fora da Floresta Branca.
Aranel balançou a cabeça, engoliu em seco tentando pensar em tudo que aconteceu ali... O que tinha acontecido ali? O que era ou quem era aquele ser de capuz preto? Ela olhou para o lado e viu Clawren se levantando com a ajuda das duas elfas que haviam sido derrubadas.
— Temos que pegar aquele homem! — gritou ela atravessando o arco nas costas e disparando na direção da trilha.
Estava prestes a escalar o tronco de uma árvore quando ouviu Rómen gritar:
— Aranhas!
— Princesa? — gritou Mormacil armando o arco e disparando entre as árvores. Um guincho alto soou na floresta alguns minutos depois.
Aranel olhou da trilha para sua comitiva e, de volta para a trilha. Precisava cuidar das aranhas mas não podia deixar aquele ser escapar.
— Clawren e Númenessë! — gritou ela para o ex-soldado e uma das elfas. Eles viraram-se para ela, aguardando suas ordens. — Encontrem o desconhecido, eu, Mormacil e Saphira cuidamos das aranhas!
Os dois elfos assentiram e correram para a trilha. Aranel pegou seu arco e olhou para Mormacil e Saphira que já estavam prontos para enfrentar aquelas malditas aranhas. Ela correu para dentro da trilha. Seus ouvidos de elfa captaram uma luta não muito longe dali e então apressou-se para chegar a tempo.
O palácio da Floresta Branca começou a ganhar forma entre os troncos negros das árvores. Aranel viu vários elfos espalhados, protegendo os portões e alguns dos arqueiros de elite da rainha sobre as ameias. A princesa olhou para a batalha fervente em frente ao castelo, Merenwen finalizava um golpe na aranha que acabara de cair em seus pés com sua faca de caça e então olhou para Aranel.
— Como chegaram tão perto do palácio? — perguntou Aranel com a voz calma, a meia distância da elfa.
— Não sei! — ela deu de ombros e armou uma flecha.
Aranel olhou para as altas árvores e viu as aranha aproximando-se ruidosamente pelos galhos e troncos. Uma dúzia de aracnídeos negros de corpos felpudos e olhos brilhantes, desciam pelas árvores e tentavam atacar os elfos no chão, pois não conseguiam chegar muito próximos dos Elfos de Elite, sobre as ameias. Aranel era uma dos elfos da elite de sua mãe. Ela mirou uma aranha que descia pela árvore na direção do portão de entrada e atirou. O animal caiu inerte no chão com uma flecha atravessada em seu crânio redondo.
Nel correu para mais próximo do castelo e ficou ao lado de Merenwen que atirava em sua próxima vítima. A princesa olhou para a muralha de pedras brancas que levava até as ameias, atravessou o arco nas costas e começou a escalar. As pedras eram bem trabalhadas e a parede possuía poucos apoios para os pés e mãos mas ela escalava aquelas paredes desde muito pequena e sabia onde possuía apoio ou não. Logo Aranel estava sobre as ameias e viu seus homens em uma sincronia impecável como era de costume em batalhas. A princesa pulou sobre a mureta e agachou-se ali para conseguir mais apoio. Havia cinco aranhas no chão e quatro aproximavam-se pelas árvores. Ela armou duas flechas de uma vez, mirou e atirou. Duas aranhas foram ao chão em um guincho alto e doloroso, cada uma com uma flecha entre os olhos. A terceira aranha estava mais próximo do castelo do que a outra. Aranel a ignorou, deixando-a aproximar-se mais e atirou na quarta aranha que descia pelos troncos em direção de ataque à Rómen, no pé do castelo. O aracnídeo foi ao chão com uma flecha no torso e Rómen finalizou com a decapitação do animal.
A aranha fitou Aranel com os olhos queimando em ódio e jogou-se para cima da ameia. A princesa pulou para dentro e deslizou sob o corpo peludo brilhante enquanto ela batia com força contra a parede de pedras.
— Agora! — gritou Aranel agachada atrás da aranha que serviu-lhe de escudo.
Os arqueiros viraram em conjunto em um movimento tão perfeito que até Thranduil invejaria, e então atiraram na aranha que foi atingida por, no mínimo, trinta flechas em seu corpo. O animal caiu no chão sem vida e Aranel pulou de volta na mureta com uma flecha carregada. Havia uma última aranha movendo-se ferozmente na direção de Mormacil que estava caído na trilha, segurando a perna e gritando de dor. Sangue manchava as pedras cinzentas da trilha e ele arrastava-se com a perna inerte.
— A si i-Dhúath... — ela gritou mirando na aranha que estava bem perto de Mormacil, agora desmaiado na trilha.
— Ú-orthor! — todos os elfos completaram a frase de campanha em sincronia, o som de suas vozes ecoou pela floresta inteira.
Então Aranel disparou e uma chuva de flechas atingiu a aranha que levantava uma de suas pernas enquanto que veneno escorria por ali, e foi arremessada para trás, caindo inerte no chão. Seu corpo mais parecia uma almofada de agulhas do que um corpo gordo de uma aranha. Ao ter certeza de que não havia mais nenhuma ameaça, Aranel pulou da ameia e aterrissou com suavidade no chão. Ela correu até Mormacil e ajoelhou em seu lado.
— Tragam uma maca! Mormacil foi ferido! — gritava Rómen desesperado entrando dentro do palácio.
Nel pegou o rosto sereno do elfo e notou que ele estava bem mais branco que o habitual. Sangue cascateava do ferimento em sua coxa de forma gosmenta e muito rápida, havia um odor pungente que invadiu o nariz de Aranel fazendo-a ter uma leve náusea. Mormacil foi atingido pelo veneno da aranha, sem sombras de dúvidas.
— Mormacil... Você vai ficar bem! — falou ela com os olhos marejando.
A princesa rasgou sua blusa ao meio e cortou uma tira do tecido, amarrou o pano um pouco acima do ferimento, que retalhou metade da coxa do elfo, e apertou o nó. Rómen logo apareceu carregando uma maca de madeira de carvalho bruto junto de dois elfos curandeiros e aproximou-se deles.
Aranel e Merenwen ajudaram Rómen a colocar Mormacil na maca. Os dois elfos levantaram a maca com uma facilidade sobre-humana e dispararam na direção do castelo. Como amiga, Aranel queria seguir os elfos e não sair do lado de Mormacil até saber se aquele veneno era mortal, porém, como princesa, havia muito mais coisas para fazer do que ela esperava.
Nel olhou em volta, para aqueles corpos de aranhas enraivecidas e atravessou o arco nas costas, Merenwen permanecia ao seu lado e fitava o corpo de uma com suas mãos apertando o arco com ferocidade. Aranel colocou as mãos no ombro dela e sorriu.
— Ele vai ficar bem! Nunca vi elfo mais forte que Mormacil. — falou Aranel docemente tentando não pensar no pior.
A elfa assentiu e respirou fundo.
— Como conseguiram chegar tão perto do palácio? — perguntou Merenwen olhando em volta.
— Onde estava a Guarda que não percebeu a aproximação delas? — perguntou-se Aranel sentindo uma raiva crescer.
— Estávamos aqui o tempo todo, Vossa Alteza. — disse um elfo se aproximando. Seus olhos azuis queimando em dúvidas e desespero. Tinha a feição dura e ríspida e seus cabelos louros caíam livres pela sua armadura prateada. — Não percebemos a aproximação delas... Estava tudo perfeito...
— Eu acabo de voltar de viagem da Cidade do Lado, deixo a liderança de minha Guarda por sua conta e quando eu chego, encontro isso? — trovejou Aranel sentindo seu sangue ferver. — Atenção, Ieven! Foi só o que pedi!
— Aranel, não percebemos a chegada delas... — Ieven manteve a voz baixa e o olhar confuso.
— Como não? Vocês são elfos ou o quê? Imagine só o que poderia acontecer se elas conseguissem entrar no palácio? — ela ergueu a voz e aproximou-se dele. — Você está fora da minha Guarda! — disse entre dentes com o indicador na armadura dele.
— Perdão, Vossa Alteza... Eu juro que fiz tudo o que podia! — Ieven caiu de joelhos e suplicou à ela.
Aranel suspirou tirando seus olhos dos dele. Ela não era irredutível como sua mãe muitas vezes era, costumava dar uma única chance aos seus "devedores" para quitar suas "dívidas". Uma. E nada mais!
— Por favor, aranel! Perdoe-me! — Ieven estava aos prantos e com as mãos em súplica.
Seus olhos encontraram-se com os de Ieven e ela bufou.
— Levante-se! — ordenou friamente.
O elfo se levantou e encarou a princesa, limpando as lágrimas com o torso das mãos.
— O que esta Guarda é para você? — perguntou à ele séria.
— Minha vida, Alteza! — respondeu o elfo, murmurando.
— O que esta Guarda é para você? — gritou ela esperando captar a atenção de todos, até mesmo dos pássaros.
— Minha vida, Alteza! — respondeu ele à altura, erguendo a cabeça e alongando o tronco.
— Então faça por merecer seu título de sub-capitão! — ordenou ela friamente. — Eu te dou uma chance... Não a desperdice!
Ieven assentiu e fez uma referência.
— Limpem isso! — ordenou aos elfos ao redor e saiu em direção ao castelo sendo acompanhada por Merenwen.
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Do Quenya para o Português:
Mára farië – Boa Caçada
A si i-Dhúath ú-orthor – A escuridão não controla...ainda não!
‡
Ela entrou no palácio e foi direto para a sala do trono. Vários elfos corriam para fora do palácio para ajudar os elfos que cuidavam das aranhas. Marenwen caminhava no mesmo rítmo alarmado de Aranel. Os cabelos louros da elfa voavam a medida que seus passos aumentavam. Nel atravessou o hall de entrada e seguiu na direção da grande porta dourada, já aberta, da sala do trono.
Ela entrou no grande salão. Era amplo com paredes brancas e pé direito alto. O teto era abobado e decorado com ladrilhos de ouro, havia um rodapé alto e suntuoso de prata percorrendo as paredes, janelas enormes serpentiavam por toda ampla sala e cortinas vermelhas pendiam do teto até o chão. A rainha estava sentada em seu majestoso trono de carvalho branco cravejado de joias e trilhas de ouro, e sorriu ao ver Aranel passar pela porta.
Silmalótë levantou-se do seu trono e desceu os três degraus de vidro que levavam até ele. Ela era alta e esguia e movimentava-se tão suavemente que parecia voar, não era nem um pouco bruta como Aranel costumava a ser. Estava usando um elegante vestido de seda branco, onde as curvas definidas de seu corpo eram realçadas. Sua pele alva era sedosa e macia. A rainha tinha os cabelos longos e louros, dourados mas foscos e sedosos, olhos azuis turquesa que brilhavam como se toda a luz estivesse dentro deles. Lábios carnudos, pequenos e rosados e bochechas sutilmente coradas. Seu rosto era sereno, carregado de sabedoria e magia antiga porém, muitas vezes, Aranel via-o cheio de dor e angústia quando ela lembrava-se dos tempos de outrora. Silmalótë era etérea e de voz calmante como marolas no mar.
— *Maratulda, yeldë! — disse a rainha com um sorriso largo no rosto ímpio.
— *Hantalë, ammë! — Aranel abraçou a mãe de forma rápida e depois afastou-se.
Silmalótë suspirou percebendo o comportamento estressado da filha.
— Bruta igual seu pai quando fica estressada. — disse a rainha indiferente.
— Ieven não tomou cuidado e por culpa dele as aranhas quase entraram no palácio! — falou a princesa ainda sentindo a raiva queimar em seu peito.
— Não foi culpa dele. — falou Silmalótë com veemência. — Desde quando você partiu para a Cidade do Lago as aranhas, estranhamente estão conseguindo se aproximar sem serem percebidas! É algo realmente preocupante... — a rainha caminhou calmamente até seu trono. —, e tão preocupante quanto as Gemas Brancas estarem desaparecendo. — ela sentou-se nele.
Aranel sentiu a pele empalidecer. As Gemas Brancas não poderiam estar desaparecendo, alguém devia as estar roubando...
— Como assim? — Aranel e Merenwen perguntaram juntas. O frio passando pela espinha de cada uma.
— Não sabemos como, quando ou por que! — a voz dela, apesar de ser uma coisa preocupante, não transmitia nada além de uma calma surreal. — Mas a cada dia que passa uma Gema desaparece.
— Por que não reforçou a segurança no cofre? — perguntou Aranel tentando transparecer tranquilidade.
— Fiz isso e mais! Dobrei os turnos e coloquei mais guerreiros em todo reino mas todos os dias, na contagem que faço, uma está em falta. — explicou a rainha.
Aranel ficou pensativa. Não haveria razões para um elfo roubar as Gemas Brancas pois todos tinham acesso à elas. E então lembrou-se da criatura encapuzada na floresta. Não haveria outra razão para ele estar tão nervoso em fugir se não estivesse carregando alguma coisa que não era dele em seu capuz negro. Ela mandara Clawren e Númenessë, uns de seus melhores caçadores, atrás da figura encapuzada mas se ele fosse realmente tão bom, pegá-lo não seria uma tarefa fácil. Mesmo para dois elfos de oitocentos anos de idade.
— Antes de cuidar das aranhas, esbarramos com um ser encapuzado e de olhos dourados que nos deu um... — ela olhou para Merenwen procurando palavras.
— Certo trabalho! — completou a elfa olhando para a rainha.
— Sim! Ele tinha uma força estranha e era muito rápido! — disse Aranel a sua mãe. — Ele desapareceu muito rápido! Mandei o Claw e a Núme atrás dele mas eu aposto que ele está com uma Gema.
O olhar terno da rainha mudou com um brilho de esperança surgindo ali.
— Stevan! — gritou Silmalótë e quase que imediatamente o Chefe da Guarda da Rainha entrou na sala. — Acho que temos uma chance de encontrar nosso ladrão. — ela sorriu de lábios fechados.
— Isso é bom, minha rainha. — falou o elfo com uma voz marcante e ríspida
— Leve minha guarda para a floresta, procurem seu irmão e Númenessë Halah... — ordenou com a voz calma. —, eles estão atrás do pressuposto ladrão!
— *Ná, minha senhora! — ele fez uma reverência e sorriu para a princesa. — Hantalë aranel, por essa vantagem.
— Escutou a conversa? — brincou Aranel.
— Não foi preciso, pois seus Caçadores não fazem nada sem suas ordens! — ele sorriu com seus olhos brilhando de alegria.
Aranel riu, agradeceu a reverência de Stevan e observou o elfo sair correndo da sala do trono.
— Ammë, os negócios na Cidade do Lago foram bem sucedidos mas peço que libere-me para visitar Mormacil na enfermaria. — pediu a princesa.
O olhar de Silmalótë ficou perturbado.
— O que houve? — quis saber a rainha.
— Ele foi atingido na coxa e veneno corria pela ferida... — suas palavras estavam pesadas na garganta. —, estava inconsciente quando os curandeiros levaram-no mas...
— Mormacil é forte! Se não morreu ao lado do exército de Thranduil não corre mais esse risco. — disse a rainha esperançosa. A palavra "Thranduil" quase foi cuspida para fora de sua boca. — Mas libero-a para visitar Mormacil... A noite conversamos e depois vou até a enfermaria vê-lo.
— Obrigada mãe. — Aranel fez uma leve reverência e junto com Merenwen, saiu da presença de Silmalótë.
‡
Do Quenya para o Português:
Hantalë – Obrigado (a)
Ammë – mãe
Ná – Sim
Yeldë – filha
Aranel – Princesa
Maratulda – Bem-vindo (a)
‡
Atenção: Aranel – com "A" maiúsculo está referindo-se ao nome e "A" minúsculo chamando a personagem de princesa. E em começo de frase? Eu vou diferenciar nas linhas seguintes.
***
Olá pessoal...
Queria saber o que acharam do capítulo 1 e do prólogo. Gosto de falar com vocês então em todo final de capítulo vou vir aqui para conversar com vocês. Podem me mandar mensagem no PV e aqui também pois responderei todas. Eu espero que gostem dessa nova aventura que estou escrevendo aqui com muito amor.
– Foto de Silmalótë no multimídia do capítulo.
– SPOILER INOCENTE – O próximo capítulo será com Legolas e Thranduil.
Vejo vocês nos próximos capítulos. Beijinhos élficos...
Tenn' enomentielva...
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