✴Aranel✴ Insanidades do Passado

Revelações e mais revelações... Onde vamos parar, não é? Kkkkkk

O céu é o limite, baby.

Boa Leitura amores...

~***~

Não! Não podia ser verdade! Não podia... Thranduil estava mentindo... Tinha que estar...

Aranel sentiu lágrimas nos olhos e seu peito se apertou. Ela olhou para Legolas atrás do rei, petrificado, não ousando acreditar em nenhuma palavra do pai. Nel engoliu em seco e abaixou a cabeça, sugou o máximo de ar que pôde até seu pulmão doer e viu o sentimento de desespero tomar conta de todo seu ser. Ela se virou de costas e saiu correndo para fora dali. Lágrimas molhavam seu rosto, respingavam em seu colo e molhavam seus seios.

Precisava saber se aquilo era verdade... Precisava entender...

Ao sair pelos portões do castelo viu a Floresta das Trevas erguer-se perante ela, árvores de troncos imensos e àquela altura negros como a noite sem estrelas. As folhas verde-escuras farfalhavam e os sons aterradores da noite encheram seus ouvidos. Nel olhou em volta e chamou por Floco de Neve.

O garanhão marrom surgiu por entre as árvores e galopou até ela. Nel pulou para a sela e limpando parte das lágrimas, apertou a rédia e ele disparou para fora de Mirkwood.

As palavras do rei não paravam de ecoar em sua cabeça. Não podiam ser reais... Sua mãe nunca faria aquilo, conhecia seu gênio mas seu passado era enevoado; nunca disse nada sobre sua relação com a mãe, com o rei Thranduil e nem sobre seu pai. Silmalótë não era o tipo de mãe que contava a sua filha como seu pai era. Nel não o conheceu, só sabia seu nome: Aranrossë, um elfo cinzento. Ela sentia falta de um amor paternal e agora, algo lhe dizia que a morte de seu pai e a morte de Wilwarin tinham alguma coisa haver.

Enquanto as terras do rei ficavam para trás, a luz da lua iluminava sutilmente o campo a frente. A Floresta Branca se erguia mais a oeste como uma linha cinzenta no horizonte. Floco de Neve disparou naquela direção. Um vendo frio batia contra seu rosto, as nuvens estavam carregadas e relâmpagos cortavam o céu. Começou a chover, forte e torrencialmente. Trovões retumbavam e raios iluminavam as nuvens. O cavalo acelerou e as lágrimas salgadas se misturaram com as gotas doces de água.

As árvores pareceram se mover para abrir passagem à ela. A Floresta Branca estava mais silenciosa e assustadora do que da última vez que ela pôs os pés ali. Havia uma atmosfera fria, sombria e não era só por causa da forte tempestade.

Nel abriu os olhos, tentando desesperadamente encontrar um ponto de apoio para a sanidade... Não encontrou. Ela soluçou mais uma vez antes de ver o castelo erguer-se na mata. Estruturas brancas de mármore cresciam até as árvores. Nel sentiu um peso nas costas ao ultrapassar os portões. Tudo estava silencioso, havia elfos fazendo ronda e outros simplesmente passeavam pelos corredores mas estava faltando a melodia suave do canto que faziam para as estrelas, porém naquele lugar o único som ouvido era o da tempestade.

Ela entrou no jardim e saltou da sela do cavalo. Dirigiu-se para dentro do castelo com uma pressa incalculável... Só queria respostas... Só queria entender porquê tudo desmoronava em sua vida.

Ela subiu as escadas e se deparou com Stevan. Ele estava usando a armadura do reino e seus cabelos estavam molhados.

— Minha princesa! — exautou ele arregalando os olhos e parando em frente a ela. — O que houve?

— Stevan, onde está ammë? — questionou ela ignorando completamente aqueles olhos assustados. — Preciso falar com ela.

— A rainha já se recolheu... Não acho que seja uma boa hora...

— Já estou cansada de adiar o inevitável! Ela vai ter que contar! — Nel gritou e saiu em direção aos corredores.

A iluminação estava aconchegante mas parecia que tudo queria sufocá-la. Nel caminhou apressadamente em direção ao quarto da mãe, no quarto andar e viu as portas brancas cravejadas de joias no final do corredor.

Suas mãos socaram a madeira, Nel berrou pela mãe e a rainha abriu a porta.

Silmalótë ainda usava a coroa quando a porta foi aberta. Os olhos azuis da rainha se encheram de surpresa e desespero ao ver a filha. A rainha usava um vestido simples, branco e um manto nos ombros. Seus cabelos caíam em ondas pelo busto.

— Aranel? O que aconteceu, filha? — Silmalótë envolveu Nel com o manto dourado que usava e puxou-a para dentro do quarto.
O quarto da rainha era feito de pedras cinzas e azuis, revestido por uma fina camada de gel cintilante. Cortinas vermelhas pendiam das janelas e uma grandiosa lareira erguia-se ao fundo. Era um ambiente acolhedor, luxuoso e rico de detalhes minuciosos porém parecia que tudo era uma monstruosa mentira.

Nel sentou-se na cama da mãe e ficou observando Silmalótë pegar alguns cobertores para tentar aquecer a filha. A rainha parecia mais desesperada do que nunca, os olhos brincavam de emitir tristeza e preocupação.

— Pronto. — a rainha conseguiu emitir um sorriso depois de agasalhar Aranel e entregar-lhe uma xícara de chá quente. — Sente-se melhor, querida?

Aranel fitou a mãe com um nó na garganta. A rainha tinha um olhar doce, sincero, puro no entanto uma chama queimava ao fundo... Uma chama fria que nasceu após a traição de Thranduil. Aquela chama ainda estava lá mas não parecia que seria forte o bastante para matar alguém. Mesmo assim, Nel não conseguiu esconder o nojo que sentia ao olhar para ela.

— Como consegue ser tão cínica? — não foi uma pergunta direta.

— Como é?!

— Sem teatro ammë, por favor! — ela colocou a xícara sobre o criado-mudo. — Nós duas já sabemos que você já não é tão confiável assim!

— Do que você está falando? — questionou a rainha com fogo nos olhos. — Desaparece por dias e quando volta é para me chamar de cínica? Com quem pensa que está falando?

— Sim eu fugi! Mas não fugi por vontade própria... Estava tentando proteger meu povo da ira de Thranduil... Eu partiria para Valinor se não fosse por Legolas. — disparou ela — E você nunca saberia... Sabe por que ammë? Estava cansada de mentiras, traições, segredos e quando finalmente achei que ficaria tudo bem, descubro a pior coisa em relação a minha mãe.

— Que coisa? — a voz da rainha pareceu sumir por algum tempo.

— Ammë, você matou Wilwarin?

A respiração da rainha pareceu ter sumido. Seus lábios se abriram e o olhar dela ficou esparro. Silmalótë deu um passo para trás e engoliu em seco.

— Quem te disse isso? — sua voz saiu quase que inaudível.

— Matou ou não, ammë? — Aranel gritou, levantando-se da cama. — De uma vez por todas, diga-me a verdade! Conte-me o que devo e mereço saber... Eu preciso saber ammë... A verdade! — Nel sentiu lágrimas queimarem em seus olhos. — Apenas a verdade!

Silmalótë suspirou. — Não! Eu não a matei!

A princesa bateu o pé e colocou as mãos no cabelo. — Chega de negação, ammë! — rugiu Nel soluçando.

— Juro por todos os deuses que não fiz nada contra Wilwarin. Nada! — falou a rainha.

— A verdade mamãe! Por favor!

Silmalótë pegou a mão da filha e juntas sentaram na cama. A rainha estremecia e seus olhos possuíam um brilho triste, destruído.

— A verdade? — ela sugou o ar. — Muito bem! A verdade. — Silmalótë olhou nos olhos da filha e molhou os lábios. — Quando tornei-me rainha a primeira coisa que eu fiz foi ajudar os humanos. Thranduil me ajudou a superar a morte da minha mãe mesmo tendo perdido o pai e, juntos construímos os dois maiores reinos élficos da Segunda Era. A Floresta Branca era um dos maiores centros de armas, tecidos e especiarias daquela época. Só ficava atrás da Floresta das Trevas e de Erebor. Naquele tempo, conheci uma garota... Uma humana, chamava-se Morgana e era tão inteligente e forte. Eu e Thranduil cuidamos dela depois que a salvamos de um Grupo de Extermínio, ensinamos sobre nossos costumes e habilidades. Ela era o gancho que nos aproximou ainda mais... Porém... — a rainha tomou fôlego antes de continuar. —, Thranduil conheceu outra pessoa. Wilwarin, a futura rainha da Floresta das Trevas e rompeu nosso noivado, aliança e tudo que minha mãe e Oropher lutaram para construir. Eu fiquei destruída... Eu entreguei meu coração mas não recebi o dele em troca.

“Anos depois, conheci seu pai. Aranrossë era o que se podia chamar de "marido perfeito", ele era gentil e cuidadoso. Um elfo cinzento tão bonito e corajoso que acabei gostando muito dele. Nos casamos e ele se tornou rei mas estranhamente, Aran também era amigo de Thranduil. Eles mantiveram contato apesar da Floresta Branca ter assumido o posto de Centro Comercial da Terra Média naquela época, deixando Erebor e Mirkwood para trás.

Uma noite, nosso reino foi atacado. Não sabemos quem estava no comando mas tudo foi destruído e quase apagado do mapa... As ruínas que você conhece hoje como Ruínas Midrith era o local onde meu castelo ficava. Fomos apagados do mapa, muitos elfos morreram, perdemos todas as nossas coisas e os inimigos desapareceram como uma névoa. Eu estava grávida de você quando tudo aconteceu e fui obrigada a conseguir um novo lar. Os poucos elfos que sobraram foram feridos mas seu pai resolveu pedir ajuda a Thranduil. Eu não aceitei a ideia mas ele não me ouviu e partiu em direção a Floresta das Trevas para tentar um apoio. Morgana foi com ele naquele dia.

A noite, apenas Morgana retornou. Eu não consegui acreditar nas palavras dela... Eram frias e sombrias demais.”

— O que ela lhe disse? — perguntou Nel com a voz entrecortada pela dor.

— Que tudo; o ataque, o roubo e as mortes... Tudo foi culpa dele... — mais uma lágrima escorreu pela face da rainha. — Thranduil! Ele mandou que exterminassem meu reino... E que naquela noite, o rei da Floresta das Trevas havia assassinado cada membro da comitiva que foi pedir socorro... Inclusive... Seu pai.

Aranel arfou e um nó muito maior se formou em sua garganta, tampando a passagem de ar. Ela colocou as mãos na garganta e fechou os olhos com força, gritando o nome do rei e sentindo uma dor descomunal invadir seu peito. Nel socou o colchão e olhou para a mãe, em súplica. “Faz parar!”, ela pediu quando as lágrimas molharam o tecido fino da colcha.

— Não sei como, filha. — lamentou a rainha — Eu também ainda sinto a pancada.

— Continua. — ela pediu — Quero saber tudo!

— Morgana me convenceu de que só tinha uma saída, naquele momento; vingança. Eu não queria machucar ninguém... Mas não tive outra saída...

— Então você matou a mãe de Legolas? — questionou a princesa.

— Não! Eu consegui entrar no castelo sem ser vista, estava com o veneno na mão e queria matar Thranduil mas o que seria melhor do que tirar quem ele mais amava? Eu mataria Wilwarin sim, mas quando cheguei no quarto vi a rainha cantando uma música de ninar para um bebê. Ele era tão lindo, rostinho tão pacífico e doce... Então me lembrei de você, no meu ventre. A única parte da minha vida que ficou intacta, eu não faria aquilo... Não me rebaixaria ao nível dele... Seria melhor e reconstruiria meu reino sem a ajuda de ninguém. Eu saí de lá e voltei para a Floresta Branca... Nunca mais vi Thranduil novamente, e a rainha Wilwarin morreu depois de alguns meses... — a rainha soltou uma respiração pesada depois de tudo que contou.

Aranel soluçava mas não tinha mais forças para chorar. Era tudo ainda muito doloroso para ela... Engolir aquilo não seria fácil. Thranduil destruiu sua vida antes mesmo de ter nascido. Ela sentia seus sentimentos colidirem uns contra os outros e um turbilhão de coisas passava em sua cabeça.

Ela olhou para a mãe que permanecia com o olhar baixo e desesperador. Tudo foi sádico demais e sua mãe não teve culpa... Sempre foi ele, Thranduil enchendo o passado de insanidades.

Precisava contar sobre ela e Legolas... Agora que tinha entregado seu coração ao filho do assassino do seu pai... Mas ele também não tinha culpa... Pois ele salvou sua mãe da vingança de Silmalótë.

— Ammë, eu e Legolas...

— Agora entende por que fiz com que você não se apaixonasse por Legolas? Não suportaria vê-la nas mãos do rei...

— Ammë, estou noiva dele! — disse Nel com o olhar baixo. Silmalótë ficou calada de repente. — Eu entreguei meu coração a ele... Eu o amo, ammë.

Os olhos da rainha voltaram a faíscar de raiva. Ela mordeu o lábio e fitou Nel.

— Você, o que?

— Ammë, escute-me...

— Você não tem ideia do mal que libertou, Aranel! — rugiu Silmalótë assustando a princesa.

— Como assim? — a voz dela soou fraca demais.

— Aquelas joias não guardavam só o seu coração e o de Legolas, elas também aprisionavam a alma de uma bruxa. — falou a rainha firmemente — Uma bruxa tão poderosa que se fosse libertada... Destruiria... Todos os elfos!

— O que? — a voz de Nel se perdeu no ar.

~***~

Capítulo tenso... Verdadeiro motivo "revelado" mas a história ainda não acabou.

Ainda estão vivas? Que bom! 💟💟💟

Tenn'enomentielva...

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top