Capítulo 39👟Cabo de guerra👟

__ Acordou disposta, filha.__ Dona Eleanor me observa de cima a baixo no café da manhã.

__ Ando muito sedentária. Preciso me exercitar.__ Dou uma mordida em uma torrada, beijo a testa de minha mãe e de meus avós e me dirijo à porta da sala.

__ Tudo bem!__ Minha mãe parece não notar minha agitação.

__ Está precisando queimar energias para não socar a cara de alguém, não é Abi?__ Drica me dirige um sorrisinho cúmplice.

__ Como assim?!__ Minha mãe fica alerta.__ Você não me contou como foi o fim de semana em Búzios...

__ Não aconteceu nada demais, mãe. Fique tranquila.__ Tento escapar do interrogatório dela.

__ Ei! Não esqueça que à noite Hugo virá aqui. Precisamos conversar algo importante com vocês.

__ Pode deixar. À noite estarei aqui.__ Saio fechando a porta.

Com roupas leves e fones nos ouvidos aplico toda minha energia na corrida. Corro até a praia, percorro toda a mureta da Urca e ainda me exercito na areia. Tento de todas as formas esvaziar a mente dos acontecimentos da semana. Meu estômago ainda embrulha ao lembrar da imagem de Cíntia e Kayke saindo do prédio de mãos dadas.

Rico ouviu o comentário maldoso de Cíntia e notou meu abatimento, mas foi discreto e preferiu não tocar no assunto. Me deixou no portão de casa na sexta-feira sem especular. Foi um bom amigo. Mas já notei que quer mais do que amizade, porém não estou pronta para isso. Preciso de um tempo para cuidar de meu coração e esquecer Kayke.

Parece que existem pessoas que não importa o quanto se gostem, nunca ficarão juntas. Sempre acontece algo para afastá-las. Acredito que esse é nosso caso.

A bateria de exercícios pela manhã deixou meu corpo mais relaxado, mas minha mente continua conturbada. Por isso, quando chego em casa, tomo uma ducha fria e vou direto para a cozinha. Inventar pratos sempre me ajuda a relaxar.

__ Nossa! Teremos alguma festa hoje?__ Vó Cleusa observa espantada as travessas de panquecas repousadas na mesa.

__ Só resolvi ajudá-la com o almoço, vó!

__ Obrigada, filha. Mas acho que tem comida demais para nossa família aqui.

__ Temos panquecas de carne, frango, queijo, de legumes e essa de chocolate.__ Coloco outra remessa na bandeja. 

__ Uhm, alguém me chamou?!__ Vô Abner vem entrando na cozinha. Seus olhos brilham com a visão das panquecas.

__ Lá vem ele! Pensando bem, acho que você acertou na quantidade de comida, Abi!__ Vó Cleusa observa horrorizada Vô Abner devorar uma panqueca de carne ainda fumegante...

Após o almoço farto, acompanhei o mecânico que contratei para desenguiçar Vanda mais uma vez. A tarde dei um banho em Tik Tok e encerrei o dia podando algumas plantas do jardim...

__ Boa tarde, Abigail! Está animada heim!__ Hugo vem entrando pelo portão social.

__ Olá, Hugo! __ Levanto do meio do jardim.__ As plantas estavam precisando de uma atenção faz tempo.__ Passo o antebraço na testa para tirar uma mecha que caiu em meu rosto.

__ Está fazendo um ótimo trabalho! Mas não se canse demais. É sábado uma jovem tão linda deveria estar saindo para se divertir.__Minha mãe aparece na varanda.

__ Cansei de falar isso para ela. Mas passou o dia assim fazendo limpeza e cozinhando para um batalhão.

__ Eu estou bem. Trabalhar me revigora.__ Abaixo e continuo minha tarefa.

Os dois pensam que não noto os olhares que trocam.

__ Mas o que é isso?!__ Vejo a ponta de um tecido colorido despontando da terra do meio do jardim. Tik Tok que vinha deitado na varanda me observando se levanta e sai correndo pelo corredor lateral da casa. __ Tik Tok, venha aqui!

Reconheço o estampado de minha blusa tomara-que-caia que havia sumido há semanas. Puxo da terra e confirmo.

__ Volte logo aqui! Já descobri seu crime!__ Grito do meio do jardim.

O cão surge disparado do outro lado do corredor. Morde a ponta da blusa e começa a puxar.

__ Largue já isso, TikTok! Não estou brincando! Essa blusa era minha preferida!__ Quanto mais insisto, mas o cão puxa. Ficamos nessa luta até que ele rasga o tecido com os dentes e caio sentada na terra.

__ Mas o que está acontecendo aqui?!__ Viro assustada ao reconhecer a voz de Kayke.

O contraste entre nós dois é absurdo. Ele está com um traje esporte, o cabelo bem penteado, a barba feita e seu perfume exala pelo ambiente. Em compensação, estou descabelada, de short jeans surrado, camiseta rasgada e toda salpicada de terra.

__ O que faz aqui?__ Franzo a testa.

__ Fiz uma pergunta primeiro.__ Sorri de lado e se aproxima.

__ Não está óbvio?__ Abro os braços. __ Cuidando do jardim.

__ Acabo de encontrar você fazendo cabo de guerra com seu cão, Abigail. __ Kayke ergue a mão e retira uma folha de meu cabelo.

__ Esse malandro enterrou minha blusa no jardim.__ Começo a recolher o material de jardinagem com o propósito de me afastar um pouco. Ridiculamente, meu coração está disparado.

Mas Kayke se aproxima novamente e começa a me ajudar.

__ Não faça isso. Vai se sujar.__ Tiro as ferramentas de suas mãos.

__ Não me importo.__ Kayke me encara. Desliza o dedo por minha testa e face.__ Tem terra aqui. 

Olho em seus olhos por um tempo, mas logo desvio o olhar e viro de costas.

Deus, quando vou aprender?!

Minha respiração fica acelerada só dele chegar muito perto.

__ Porque não entra? Nossos pais estão lá dentro. Vou terminar de recolher essas coisas, tomar um banho e daqui a pouco me junto a vocês.

__ Tudo bem.__ Sua voz sai baixa...

Toda a família está reunida na sala quando entro no ambiente, agora de banho tomado, cabelos úmidos e roupas limpas. Sento-me ao lado de Drica e o mais distante possível de Kayke.

__ Gostaria de experimentar uma panqueca, rapaz?__Vó Cleusa oferece a Kayke.

__Não senhora, obrigado. __ Ele sorri educado.

__ Ah, não sei o que farei com tanta panqueca! Abigail exagerou dessa vez.__ Vó Cleusa resmunga.

__ Você quem fez?__ Kayke me olha surpreso. Apenas aceno a cabeça. __ Na verdade, acho que vou experimentar uma.

Minha mãe e Hugo dão sorrisinhos cúmplices. Drica me cutuca com o cotovelo.

__ Bem, reunimos todos essa noite porque gostaríamos de comunicar algo.__ Hugo chama nossa atenção. Olha para minha mãe. __ Você fala ou eu falo?

__ Diga você, querido.__ Minha mãe sorri derretida.

__ Como todos sabem, Eleanor e eu estamos apaixonados.__ Dá um beijo na testa de minha mãe.__ Enquanto  estiveram viajando a pedi em casamento e ela aceitou.

Meus avós sorriem e aplaudem. Abro a boca e olho para Drica.

__ Você sabia disso?

__ Sim, mas me fizeram jurar que não lhe contaria.__ Drica revira os olhos.

__ Nós queríamos contar para vocês pessoalmente. __ Minha mãe explica.__ Porque terão um papel muito importante nisso.__Kayke olha confuso para mim.

__ Queremos que sejam nossos padrinhos!__ Hugo anuncia empolgado.

__ Quê?!__ Olho espantada para os dois.__ Não façam isso!

Kayke apenas sorri debochado.

__ Não vai dizer nada?!__ O confronto.

__ O que posso dizer?!__ Ergue os ombros.__ Eles nos escolheram.

__ Isso.__ Aponto de Kayke para mim.__ Não dá certo. Somos péssimos padrinhos. Quase estragamos a cerimônia de Theodora e Sebastian.

__ Ah, deixe de bobagens, filha!__ Minha mãe me abraça feito criança. __ Será a madrinha perfeita. E Drica minha dama de honra.__ Abraça Drica com o outro braço...





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