Capítulo 29👟Lambidas de amor!👟

Sentada no sofá da sala de espera, aguardo uma posição dos médicos sobre o estado de Drica. Leozinho chegou no hospital já sem vida. Pilotava em alta velocidade tentando fugir da polícia. Fez uma ultrapassagem perigosa e colidiu de frente com um carro que vinha em direção contrária. Os dois foram arremessados há quase três metros de altura. Ele teve um traumatismo craniano fatal. Minha irmã deu entrada no hospital inconsciente e com fraturas por todo o corpo.

__ Shiiiii, não chore. Ela vai sair dessa. Você vai ver.__ Kayke sussurra baixinho em meu ouvido. Sinto um beijo em minha cabeça. Estou agarrada em seu braço desde que chegamos.

__ Hugo disse que precisamos ter fé.__ Minha mãe sai de seu lugar e me abraça.

Ficamos assim por longo tempo. Um filme se projeta em minha cabeça. Drica e eu sempre implicamos muito uma com a outra, mas isso faz parte de nossa relação. Nosso amor fraternal é incontestável. Depois que nosso pai partiu nos unimos ainda mais e prometemos que sempre cuidaríamos uma da outra e de nossa mãe.

__ Tentei tirar alguma informação das enfermeiras, mas elas disseram que devemos aguardar. __ Ela não tira os olhos da porta da emergência. __ Meu coração está tão aflito! Não sei o que fazer!__ Permanecemos abraçadas.

__ Ela está sendo operada.__ Hugo entra na sala com as mãos nos bolsos.

__ Graças à Deus conseguiu alguma informação. __ Minha mãe se levanta com a mão no peito.

__ Tenha paciência, amor.__ Hugo a apoia e a leva para sentar ao seu lado.

Chico tentou me levar para comer algo ou apenas respirar ar puro lá fora, mas recusei todas as ofertas. Dobro as pernas e me encolho em um canto do sofá. Um copo de café foi colocado em minha frente. Ergo os olhos cansados e encaro kayke. De algum modo ele parece entender o que estou sentido. Senta ao meu lado e direciona o copo em meus lábios.

Não tenho noção de quantas horas se passaram. Mas a impressão que tenho é de que foi uma eternidade. Dou um salto do sofá quando um médico surge na sala.

__ Familiares de Adrielle Machado?__ Todos se levantam.

__ Como minha filha está, doutor?__ Minha mãe se aproxima com voz trêmula.

__Adrielle deu entrada no hospital com uma fratura exposta na perna direita e duas costelas quebradas. Perdeu muito sangue. Precisou de transfusão e agora está sedada. A cirurgia foi satisfatória, mas as próximas 72 horas são cruciais.

__ Aí meu Deus!__ As pernas de minha mãe fraquejam. Hugo a apoia.

__ É provável que tenha que passar por uma outra cirurgia na perna, portanto aconselho que se tiverem recursos providenciem a transferência dela o mais rápido possível para um hospital especializado em trauma-ortopedia.

__ Deixe isso conosco. Providenciaremos tudo.__ Hugo diz decidido.

__ Ótimo.__ O médico se retira com as mãos no bolso.

A sensação que tenho é que essa noite não terá fim. Poucas horas depois que Hugo deu alguns telefonemas, um helicóptero chegou para fazer o transporte de Drica para um hospital especializado, como o médico que a atendeu orientou. Minha mãe e Hugo foram juntos.

__ Vou entender se preferir voltar com ele.__ Chico aponta Kayke com o queixo.__ Vocês estão diferentes.

__ Somos os mesmos. Nada mudou.__ Estamos na porta do hospital. O carro de Kayke está sendo entregue. Os pneus furados foram devidamente trocados.

__ Pelo amor de Deus, Abi! A quem quer enganar? Vi como se tratam lá dentro. Se comportam como um casal. Toda a preocupação e cuidado dele contigo é tão evidente.

__ Não sei o que dizer, Chico. Acho que Kayke está apenas sendo generoso. __Abaixo a cabeça.__ Com tudo que aconteceu com Drica não tive tempo para pensar a respeito disso.

__ Claro, meu bem.__ Chico me abraça. __ Me desculpe por te pressionar com isso agora.__ A única coisa com que deve se preocupar agora é ir para casa, descansar e se fortalecer, porque Drica precisará muito de você daqui para frente.

__ Vamos?__ A voz de Kayke surge atrás de nós. Solto Chico. Olho para Kayke em silêncio e depois retorno para Chico. Meu amigo apenas sorri.

__ Vá com ele. Nos falamos mais tarde.__ Me beija na testa e se dirige ao seu carro.

É madrugada quando o Audi para no portão de minha casa na Urca. Estou sonolenta, porém consciente. Kayke não me faz perguntas, apenas desce do carro, dá a volta, abre a porta, solta meu cinto de seguranças e me pega no colo.

__ Ei! Isso não é necessário. Estou em perfeita condições de entrar sozinha...__ Minha voz está arrastada. O cansaço me vencendo pela segunda noite consecutiva sem dormir.

__ Hum, hum. Acredito em você. __ Continua a me carregar. Chuta o portão. Tik Tok está solto no quintal e começa a latir a nossa volta.__ Relaxe aí, rapaz! Não estou fazendo nenhum mal a sua dona.

__ Fique quieto, meu filho. Assim vai acordar toda a casa.__ Estendo o braço para o cão que lambe minha mão e se acalma.

__ Você chama seu cão de filho?__ Kayke sorri debochado.

Interessante que esse sorriso não me incomoda mais.

__ Mas ele é meu filho! Tente convencê-lo ao contrário!__ Olho bem de perto em seus olhos. As mãos segurando em sua nuca.

__ Não está mais aqui quem falou.__ Ergue os ombros.

A casa está na penumbra e silenciosa. Kayke caminha com facilidade comigo nos braços. Cochilo por alguns segundos com o rosto em seu pescoço. Em algum momento, ele atravessa a sala e segue para meu quarto. Me deposita na cama com cuidado.

__ Kayke Avellar dando o braço a torcer.__ Sorrio baixinho.__ O que aconteceu com você?__ Bocejo.

__ Não faço a mínima ideia, Abigail Machado.__ Tira minhas sandálias e me cobre. Sinto seus braços me envolverem e mal tenho forças para protestar, apenas me aconchego mais em seu corpo e apago...

Beijos úmidos são depositados em minha face. De olhos ainda fechados sorrio das cócegas em meu rosto e de um leve peso por cima de meu corpo. Até que começo a despertar e lembrar de ontem, tudo o que aconteceu com Drica e de Kayke me trazer para casa tarde da noite.

Ele me trouxe mesmo ou eu estava sonhando?

Estava tão cansada que lembro-me vagamente dele me carregando e depois só me recordo de borrões.

Outro beijo úmido em minha face! Agora bem desperta, sinto perfeitamente a língua áspera subir de meu queixo até os olhos.

Meu Deus! O que ele está fazendo?! Será que nós...

__ Kayke, pare com isso!__ Sento na cama em um salto.

__ O quê?!__ Desperta ao meu lado .__ O que aconteceu?__ Me olha confuso. Também acaba de acordar. Os cabelos em desalinho.

Tik Tok ainda em cima de mim, me dá uma última lambida. Depois sobe em Kayke e o lambe também. Salta da cama abanando o rabo para nós.

__ Não!__ Kayke faz cara de nojo e limpa a boca.

__ Ah, era você!__ Esfrego os olhos sem jeito.

__ O que pensou? Achou que era eu?__ Debocha.

__ Incrível! Já acorda com esse humor irônico?__ Fecho a cara e desço da cama.

__ Ei, ei. __ Se levanta e me segura pelos ombros.__ Estava brincando. Acha que me aproveitaria de um momento como esse em que está tão fragilizada?__ O encaro séria. __Como está?

Devo estar um horror.

__ Melhor. Só preciso de um banho e um gole de café. __ Dou um passo para trás. __ Depois vou direto para o hospital ver como está minha irmã.

__ Certo. Te deixo lá e depois vou para o escritório.

__ Não precisa se preocupar. Já te dei muito trabalho. Posso ir com Vanda.

__ Abigail, só se arrume. Te espero lá fora.__ Começa a sair do quarto.

__ Kayke! Cuidado com meus avós. Não quero que tirem conclusões erradas a nosso respeito.__ Ele me encara em silêncio.

__ Não se preocupe. Explicarei o que aconteceu.__ Bate a porta.

Mas o que houve aqui? Além de todos meus problemas ainda tenho que lidar com as mudanças de humor de Kayke Avellar?!

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