🧁 Capítulo 7


 
10 anos depois , London.

 
Chamando Dr. Harry na emergência. O Dr . Harry .

 
O som soava alto e estridente nos corredores do  hospital The London Clinic, um aviso que Harry, mesmo cansado, não poderia ignorar. Afinal, ele mal havia tirado sua residência. E sua profissão o fez aprender rápido, que não havia nenhum chamado que ele pudesse ignorar. 

 
Assim sendo, ele abandonou seu sanduíche que já estava gelado, antes mesmo dele começar a almoçar e o  suco quente de lado, em seguida correu para o pronto-socorro.  

 
A situação diante de si poderia parece um  caos anos atrás, mas hoje não, afinal, ele era um dos melhores cardiologista de Londres, e lidar com ataque cardíacos, em jovens de 33 anos ,era uma especialidade sua, por assim se dizer, uma vez que não era comum um jovem ter uma parada cardíaca. Mas Harry era bom no que fazia. 

 
Uma hora depois, a situação já estava sob controle, ele andou até a sala do diretor do The London Clinic. Olhou para o relógio que estava na parede e suspirou, era duas da tarde,  e ele estava a mais de 24 horas em serviço, seu corpo pedia por um banho quente e uma refeição decente. 
 

— Dr.  Harry, meus parabéns, soube que você salvou a vida daquele jovem.  

 
Harry apenas fez um gesto com mãos, ele estava casando demais para falar algo que não fosse : 

 
— Apenas fiz meu trabalho. 

 
— Sim,  claro, aproveito esse momento para agradecer todo seu tempo aqui no hospital, soube que aceitou uma proposta de emprego em Doncaster?  

 
Harry suspirou e avisou: 
 

— Sim, foi uma proposta que não dava para recusar. Ser chefe cirúrgico da área de cardiologia. 

 
Se limitou a avisar Harry,  mas em seu íntimo, ele sabia que aquele não era o único motivo que o levava de volta a Doncaster, era somente um deles. 

 
— Meus parabéns, em nome do The London Clinic, desejamos sucesso a você.
 

— Obrigado. 


Meia hora depois, Harry entrou exausto pela sala do seu apartamento. Depois do demorado banho quente, da refeição digna, o mesmo sentou-se no seu sofá, e olhou para enorme janelas de vidro que tomava a parede do seu apartamento, a visão que ele via de longe era Oxford, era quase impossível não sentir-se, como o garoto que ele era a dez anos atrás,  quando chegou ali
 

 
 Ele ainda tinha a mente a primeira visão que ele teve de Oxford .Ali, tudo girava  em torno da universidade. E não teria como ser diferente: os centenários prédios da Universidade de Oxford se espalham por todo o centro da cidade, os mais de 30 mil estudantes estão por todos os cantos, as bibliotecas e livrarias sempre cheias e os parques e floridos jardins também. Era tudo um sonho para ele, o maior sonho de sua vida. 


Harry conseguiu realizar seu sonho, se formou em primeiro lugar em Oxford, isso porque ele trocou as festas pelos livros. Sua decisão de seguir seu sonho, não deixava para ele espaço em pensar em outra coisa que não fosse  seus estudos na época. 

 
Ele teve deixar muita coisa para trás para seguir seu sonho, seus amigos, sua cidade, sua culpa. 
 

Sempre que ele voltava ao passado, era difícil não pensar na sua culpa, engravidar um menino de 16 anos, era algo que não se esquecia com o tempo, e deixar esse mesmo menino para trás foi algo que jamais esqueceu. 

 
Por essa razão, ele se tornou um cara que só pensava em estudos. Assim que chegou em Londres, ele rompeu qualquer laço que poderia ter com Taylor. Assim, cada um seguiu seu caminho. No decorrer daqueles anos, ele se formou, conseguiu um nome no meio médico, um bom trabalho, uma vida estável e tranquila. Ele tinha certeza que se sua mãe o visse hoje, estaria orgulhosa dele. Teve alguns casos amorosos também. Nada que fizesse sua vida depende daquilo. 

 
De alguma maneira inexplicável, embora sua vida profissional estivesse indo muito bem, sua vida pessoal era vazia, assim como seus casos amorosos. Coisa que ele deixou de ter a muito tempo, porque nada parecia trazer satisfação plena e  real para ele. Ele vivia no meio de  um dilema, se pelo lado, ele era um homem realizado profissionalmente. Por outro, era  como se uma parte sua faltasse. Aquela  parte que era necessária para que ele tivesse uma vida completa e feliz. 
 

Quem sabe, sua volta para Doncaster não fosse a resposta para esses dilemas da sua vida. Ele olhou para o porta retrato na mesinha que ficava do lado do sofá, nele estava a foto da sua filha, Caledônia, ela era tão linda , sua menina via todas as férias para Londres, e naquele tempo que ambos passaram juntos, Harry se sentia o cara mais especial do mundo. Quem sabe, ter contato com sua filha o ano todo, o faria bem. 
 

Distraidamente, ele olhou para outro retrato, um que sua filha trouxe consigo na última férias, era uma foto dela  com Louis. Caledônia comentou na época, que trouxe uma foto do seu papai Lo, pois assim a saudade que sentia dele, amenizaria. 
 

Lentamente, Harry segurou o porta retrato e estudou em  detalhes a imagem de Louis, assim como ele, o tempo também deixou Louis diferente. Mas ele ainda podia ver naqueles olhos azuis, aquele garoto de 16 anos, ele estava maior, mais maduro, através do porta retrato,  Harry podia ver seu reflexo e de Louis juntos. 
 

Por vezes, ele pegava se perguntado como Louis de fato estava, que tipo de homem ele se tornou? Porque Harry ainda tinha vivido em suas lembranças a visão  daquele doce garoto adolescente de 10  anos antes. De uma  noite especial, de um baile que virou uma lembrança do tempo, ainda continuava sendo até nos dias atuais, a noite em que Harry se sentia mais especial.

 
Sempre que ele pensava naquela noite, pegava-se perguntando como era possível aquele sentimento avassalador que ele sentiu por Louis na época?  Uma vez que conheceu Louis a pouco tempo na época, mas isso não foi empecilho para o que vinha acontecer depois do baile. De uma forma, ou de outra, aquela noite marcou a vida de ambos, e Caledônia era prova disso.

 
Sua mente tinha vivido com o cheiro de Louis, a imagem dele, o sorriso, o toque, as músicas que foram tocadas no baile, e que até hoje, se Harry escutasse alguma, ele era levado automaticamente para dez anos atrás. A noite de crimes inocente deles, visitando lugares históricos, a noite de amor.

 
Então, sua culpa o  trazia para o que havia depois dali, sua aproximação com Taylor  na época, nada mais era do que o  fato dele tentar aplacar aquele sentimento e fascinação que Louis passou exerce nele depois do baile. Uma vez,  que Harry, não parava de pensar em Louis por nenhum instante. 

 
Ser aceito em Oxford sempre foi seu sonho, ser cardiologista  era sua meta de vida . Louis e seu sonho ao mesmo tempo era algo impossível na época. Assim, ele optou por se afastar do menino, quando ele soube da gravidez, sentiu-se  perdido, seu pai, na época, o fez decidir o que era melhor para sua carreira.

 
A imagem que ficou na sua mente foi de Louis, encolhido e chorando. Como aquele menino de 16 anos lidou com tudo? Ele não sabia responder,  e sua volta para Doncaster o deixava apreensivo por esse motivo, o de ter encarado a maior culpa da sua vida anos depois. Com suspiro triste, foi até seu quarto, e deixou que seu cansaço dominasse finalmente seu corpo. 
 

Uma semana depois, Harry chegará a sua cidade Natal, assim que colocou seus pés em Doncaster, ele teve a sensação que nada mudou nos últimos dez anos. Era incrível como a maturidade fazia as pessoas enxergarem algo que a juventude não deixava. 

 
Quando ele era jovem, tudo o que mais queria era sair dali,  mas bastou seus pés tocarem o seu chão, para que ele se desse conta, de que estar ali era tudo o que ele mais queria, e se pudesse, jamais teria saído de lá. 
 

Enquanto o táxi percorria as ruas até sua residência, seus olhos se pegava emotivo. A cada ponto que passava, sua mente registrava momentos de sua vida. Passeios e momentos de sua infância, junto a sua família. Momentos de descobertas da sua adolescência,  suas aventuras com seus amigos. Assim que carro passou em frente do ginásio, foi difícil para ele não engolir seco.  Em um impulso que ele não sabia da onde vinha, o mesmo pediu ao motorista. 

 
— Pode parar por um momento aqui, por favor? 

 
— Claro. 

 
O motorista estacionou na frente do ginásio. Assim que Harry saiu do carro, ele olhou a fachada do Ginásio por alguns instantes. Uma sensação deja vu tomou conta dele. Porque foi possível sentir o mesmo que sentiu quando era aquele garoto de 18 anos. A hesitação em entrar no local.  

 
Lentamente, seus pés o levaram para dentro do ginásio, ali, diante do seus olhos, estavam todos treinando, ele olhou para um pequeno garoto, de olhos azuis, que era lindo e fazia números incríveis. Sentou-se encantado em canto do ginásio, enquanto assistia tudo com fascinação. 

 
Em determinado momento, uma voz doce o pegou de surpresa: 

 
— Hein, você é amigo do namoro de Niall, né?

 
Então subitamente ele acordou, o ginásio não estava cheio, e sim vazio, não havia som ali,  não  havia  um menino inocente de olhos azuis.  O ginásio estava como sua vida, solitário. Harry,  sabia que sua volta estaria diversas sensações, ele só não estava preparado, para lidar com aquelas lembranças de Louis. 

 
Após se recuperar do seu momento no ginásio, Harry finamente chegou em sua casa. Após a morte do seu  pai, sua casa esteve fechada por longos anos. Ele amava seu lar, o mesmo era cheio de lembranças felizes,  ali, as  ruas cheias de árvores, que no outono deixava aqueles lindos tapetes floridos no chão. 
 

Depois de organizar suas coisas no devido lugar , uma vez que ele assumiu o quarto que era de seus pais, ele estava louco para ver sua filha, Liam, ir até seu novo trabalho e reencontrar Louis. Como será que ele ia recebê-lo?  Harry avisou Liam e Caledônia do seu retorno um mês antes. Mas de fato, ele não sabia se sua filha havia informado Louis. Seus pensamentos ficaram em suspenso no momento que ele  ouviu o som da campainha tocar. 
 

— Olhe para você!!! — Gritou Liam abraçando o amigo. 
 

Harry sorria com lágrimas nos olhos e abraçava forte Liam, durante aqueles dez anos, ele viu o amigo pessoalmente somente três vezes, e a última, foi a cinco anos atrás.  A saudade era imensa, Harry e Liam puderam constatar que uma das melhores sensações do mundo era o abraço de saudade de um amigo. 
 

— Como você está?  Nem acredito que você retornou, sempre foi seu sonho sair daqui . — comentou Liam entrando na casa. 
 

Harry foi até cozinha buscar uma cerveja para ele e o amigo, sentou-se do lado de Liam e comentou: 

 
— Meu sonho sempre foi ser cardiologista, sair daqui foi apenas uma consequência. 

 
Liam deu um gole na cerveja e perguntou ao amigo: 
 

— E como se sente em retornar ao lar depois de 10 anos?  
 

Harry suspirou e respondeu: 
 

— E estranha a sensação, sinto como se tivesse voltado para meu lar. E uma mistura de emoções,  saudade, melancolia, culpa…

 
Liam suspirou , ele  entendia o amigo. 

 
— Eu nunca deveria ter saído daqui. — sussurrou Harry 

 
Liam encostou suas mãos na costa do amigo e murmurou: 

 
— Você fez o que achou certo na época. O passado não volta atrás, agora está de volta ao seu lar, vai assumir um lugar importante no hospital da cidade, vida que seguir. 

 
Harry afirmou com gestos de cabeça dando um gole na sua cerveja. Liam olhou para o amigo e sorriu, Harry franziu o cenho desconfiado e perguntou: 

 
— O que foi ? 

 
— Estou  me perguntando como você foi ficar com essa cara de psicopata. — Gargalhou Liam. 
 

Harry bebeu o restante de sua cerveja e resmungou: 

 
— Besta. 
 

— E sério, esse cabelo enorme te deixa com ar de psicopata.  

 
Harry gargalhou com o amigo, na horas seguinte ambos pediram pizza e Liam colocou Harry a par de tudo que havia acontecido em sua ausência. 

 
Horas mais tarde, Liam olhou para o relógio e com suspiro avisou o amigo: 
 
— Meia noite, meu loiro vai me matar por chegar uma hora dessa em casa. 
 

— Ué,  mas você avisou ele que estava aqui! 

 
— Avisei, mesmo assim ele fica preocupado, e uma coisa nossa, saber,  um cuida do outro. 

 
Harry suspirou e ficou pensativo, não,  ele não sabia, porque nunca tinha se permitido viver aquele tipo de amor. O amor de Liam e Niall.  

 
— Você nunca quis sair daqui,  né, nem deixar Niall, digo, vocês estão unidos desde criança. 
 

— Niall é meu lar, lembro da primeira vez que vi ele no jardim de infância, de como nos tornamos namorados na adolescência. Sim , minha vida é ele. Nunca quis sair daqui porque não via motivo para começar minha vida longe do lugar que conheci o amor da minha vida. 
 

Harry afirmou com a cabeça, ele engoliu em seco quando a imagem de um lindo garoto moreno de olhos azuis dominou sua mente. Sua volta o estava deixando com os nervos à flor da pele. 

 
— Preciso ir, boa noite Harry, não faz ideia de como fico feliz em vê-lo de voltar. 
 

— Eu também.  Eu também.  

 
Liam saiu e deixou Harry sozinho com seus demônios, em sua mente, várias perguntas silenciosas entravam. O porquê que ele foi embora do seu lar, o porque hoje, apesar de realizar seu sonho ele estava incompleto. O porquê de Louis estar tão presente em sua memória. 

 
Sim,  Harry  realizou seu sonho, mas a que preço? 


Próximo capítulo vai demorar, essa bruxinha não está recebendo muito incentivo nessa fanfic, diferente das minhas obras originais. Assim não dá para saber se quem ler  estão curtindo ou não,  ( não que esteja reclamado do votos que venho recebendo,  mas que de fato, minha Obras originais tiveram um alcance um pouquinho melhor, e o feedback para quem escreve é bem importante)

Em todo caso, irei concluir essa fic sim, pois já tenho todo esqueleto dela pronto. Mas a quem ler , aviso que o próximo capítulo irá demorar. Pois de fato não tem motivo para fazer tudo na pressa, a falta de feedback faz ter a noção de que quase ninguém  está lendo.  E isso, até qualquer momento. 

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