Capítulo 9
#_Helena_Jonhson
.
.
.
A chuva caía sobre nós, olhava para cima enquanto gotas de água molhavam meu rosto. O clima estava triste, até o céu chorava pelo luto que revestia-nos.
.
Pessoas reuniram-se ao funeral de Ben Morgan, tio do Téo. Os sobretudos pretos denunciavam o luto pelo seu falecimento.
.
Ben Morgan era um senhor alegre, cujo os seus dentes sempre estavam a mostra nos seus sorrisos contagiantes. Eu até simpatizei-me com ele enquanto amiga e colega de trabalho do Téo. Nem acreditava que o mesmo homem que com quem falei dois dias atrás em um quarto de hospital, hoje encontrava-se sem vida e que o seu corpo estava prestes a ser enterrado.
.
Algumas lágrimas cairam do meu rosto, não estava conseguindo segurar tamanha tristeza que surgia dentro de mim. Olhei em volta a procura do sinal de certo alguém, esse que, nunca deveria ter faltado em um momento desses. Mas, por mais que envergava o pescoço não o encontrei em lugar nenhum.
.
Essa era a verdade, crua e nua. Téo Morgan nunca existiu. Pese embora, o homem velho que naquele preciso instante estava sendo integrado, acreditava. Acreditava que Téo Morgan era o seu sobrinho e amou-o como alguém de sua família. Era triste de se ver, o vazio da sua presença no velório do homem que o tratou como filho.
.
Somente uma pessoa seria capaz disso e muito mais: Hector Logan. Esse era o verdadeiro nome de Téo Morgan, porém, infelizmente o senhor Ben não quis aceitar essa realidade e morreu acreditando em fantasias familiares.
.
Mãe: Não tive o privilégio de conhecê-lo, mas ele pareceu-me ser uma boa pessoa.
__ minha mãe comentou enquanto ouvíamos a homenagem fúnebre de Ben Morgan.
.
Eu mantive-me calada, concentrada na cerimônia.
.
Mãe: E parece que "ele" não veio para o velório do seu suposto tio.
__ ela continuou e dessa vez, criticando.
.
A cerimônia durou quase uma hora e quando terminou, o corpo foi enterrado. A cada rajada de areia que depositavam para cima do caixão, eu olhava com esperança de ver Téo em algum lugar. Talvez ele estava lá, observando de longe, ou até mesmo chorando. Mas, era só talvez mesmo. Por alguns segundos, peguei-me a ter também algumas fantasias.
.
E quando estava convencida, de que, não veria Téo naquele velório, meus olhos percorreram ao último ângulo do cemitério.
Lá bem no fundo, atrás de todos, estava ele, ou alguém que poderia ser ele. Pelo porte físico, eu apostaria que fosse Téo, mas tinha lá as minhas dúvidas.
.
O homem estava de terno e gravata e óculos escuros. Conseguia vê-lo de onde eu estava, no meio daquela multidão.
.
Mãe: Para onde você está olhando, querida?
__ minha mãe acompanhou a direção dos meus olhos e também pôde ver o homem.
.
Mãe: Não me diga que é ele.
__ minha mãe disse com dúvida.
.
Olhei para a minha mãe e ela fez o mesmo.
.
Helena: Talvez sim. Ou talvez não.
.
Olhei de volta. Naquele momento o homem já não se encontrava onde o havíamos visto. Fiquei intrigada. Se a mamãe não veria também, me daria como louca. Mas, ela viu assim como eu. O homem estava lá e depois de alguns segundos, desapareceu.
.
Mãe: Então, não era ele.
__mamãe concluíu.
.
Mas eu jurava que ele estava lá.
.
O enterro terminou e regressamos à nossa casa. As malas já estavam todas arrumadas. Estava na hora de mudar-nos outra vez. Outra vez, teríamos que fingir ser quem não éramos. Outra vez, teríamos que recomeçar tudo. Aquilo era um ciclo que degastava a minha e a minha alma, mas a vida não nos dava opções.
.
Então, com as malas prontas a nossa viagem para New York teria o início, até que, a porta foi aberta e aquele homem apareceu diantos dos nossos olhos.
.
Assustadas, recuamos nossos passos em alerta.
.
Helena: O que está fazendo aqui?
__perguntei assustada.
.
Assistimos ele entrando. Seus passos cutucavam nossos ouvidos, alertando todos os nossos sentidos. Parecia que não acabava aquele pesadelo.
.
- Endereço os meus cumprimentos, senhoras. Venho por ordens do meu senhor para levá-las comigo.
__disse ele, sereno, como se o que ele disse fosse normal ou aceitável.
.
Mãe: Eu disse para afastarem-se nós.
__minha mãe diz aterrorizada.
.
Helena: Que absurdo. Quem vocês acham que são?
__ por alguma razão, eu estava perdendo o medo aos poucos.
.
Era a questão de liberdade. Já fazia tempo desde que assumi a minha liberdade, o livre arbítrio e mesmo que a vida não me desse escolhas, ainda assim, morreria por tentar fazê-las.
.
- As senhoras não têm escolha. Ou vêm comigo, ou uma terá que morrer para a outra ceder.
__ dessa vez os seus olhos ficaram diferentes, eram mais intensos e mais assustadores.
.
Por impulso, abracei minha mãe e ela retribuiu. Ficaremos juntas até ao fim, mas...
A coragem desfez-se imediatamente quando uma arma teve-nos como alvos. Ele estava apontando uma arma para nós.
.
Helena: O que vocês querem afinal? Matem-nos e pronto.
__disse desistindo de tudo: das pessoas terem de obrigar-me a fazer o que elas queriam. Sempre e sempre.
.
Quando é que eu iria fazer as minhas próprias escolhas? Quando é que a vida me daria esse direito, quando?
.
.
Fomos obrigadas a entrar em sua Limousine, eu não quis que magoassem a minha mãe, estava claro que quem eles queriam, era eu. Daí a chantagem.
.
Então, estávamos deixando Los Angeles para atrás. Não por nós mesmas, mas porque alguém assim o quis.
.
Maldito Hector Logan.
.
.
.
#Hector_Logan
.
.
Eu tive que me adiantar. Aquele velório já estava a enjoar-me. Quase que saiu merdas de minha boca. Mas, o bom é que um dos problemas já foi resolvido. Menos da lista dos alvos que eu tinha que eliminar.
.
Meus mordomos vieram pegar-me de helicóptero, precisava tomar de volta as rédeas de tudo. O curso da viagem não demorou até chegarmos à Chicago. De cima, via o conjunto de verdes compreendido a mais de milhares de hectares. A minha residência está em algum lugar no meio do conjunto de verdes. Alhás, tudo aquilo era o meu território, mas estava completamente ocultado da visão de qualquer um, pois, a tecnologia foi um quesito muito importante na construção de tudo. De longe parecia só uma floresta, mas, quando a terra se abria, lá estava o meu lar, o meu doce lar.
.
O piloto pousou em uma pista da minha residência que ergueu-se assim que anunciamos a nossa presença. Desci e caminhei para o portão que automaticamente se abriu com o meu sensor. Dois dos meus mordomos vieram receber-me.
.
- Seja bem vindo, meu senhor.
__ os dois fizeram vénia e eu acenei.
.
Sem de longas, entrei com os dois atrás de mim.
.
Hector: Preciso que me atualizem sobre o tempo que fiquei fora.
__ exiji.
.
Entrei com eles no elevador.
.
Helena: Último andar.
__anunciei para o detector de voz.
.
O painel ativou-se e assim, o elevador estava nos levando para baixo.
.
Éden: Cuidamos de tudo, até agora não houve nenhuma irregularidade. O senhor não tem o que se preocupar sobre os assuntos ligados a Facção.
__ ele informou.
.
Alston: E por outra, parece que o seu irmão está com sérios problemas com a Bratva e com a Ndrangeheta.
__ cerrei o cenho.
.
Estava mais do que claro que aquele incompetente levaria a máfia a essa situação.
.
Alston: E a ausência do meu senhor durante esses cinco anos, fez com que as máfias russa e italiana estarem livres para operarem no território da Shak Gild.
.
Desgraçados. Então, foram capaz de desfazarem o acordo de restrição de territórios? Não que me importo nos interesses daquele incompetente, mas não suportaria máfias estrangeiras actuando no nosso território.
.
O elevador apitou depois de 15 longos andares, anunciando o fim da viagem. Chegamos no último andar, onde era o meu cantinho, a minha zona de conforto, o meu apartamento.
.
Os andares anteriores, era onde os meus homens executavam as operações, deixando o último, para o meu relento. Tudo estava conforme havia deixado cinco anos atrás. Parecia que nem um dia fazia desde que ausentei-me.
.
A sensação de estar de volta encheu-me de regozijo, era como se fosse anos que eu não me sentia em casa.
.
Não parecia, era isso mesmo. Eu estava naquele Maldito lugar, a conviver com merdinhas feito insectos. Enchi-me de nojo só de lembrar.
.
Hector: Preparem o carro. Irei fazer uma visita naquele bando de incompetentes.
__ordenei.
.
Éden: Agora mesmo, meu senhor.
.
Hector: Alston, leve alguns homens com você e mande uma mensagem ao Dominic, que se quer guerra, assim terá.
__ordenei.
.
Alston: Como o meu senhor quer, assim será.
__ele afirma.
.
Ouço de trás os seus passos se distanciando.
.
Durigi-me ao espelho: me vi completamente despojado, a barba desfeita e o corte de cabelo estava mais para um Zé-Ninguem do que outra merda. Peguei o gilete e desfiz-me da barba. Chamei pelo mordomo responsável pelo meu estilo de cabelo e imediatamente veio tratar dele. Após ter de volta a imagem do iminente e invicto, Hector Logan, sorri de satisfação. Eu amava transmitir uma imagem de alguém temeroso.
.
Engraçado. Eu era temeroso e tudo o que envolvia... medo.
.
Satisfeito, levei o meu corpo ao banheiro, fiz a água quente percorrer no meu corpo desfazendo-me assim de qualquer tensão.
.
Revitalizado, sai do banheiro e encubei-me no meu sobretudo preto, assim como eu gostava. Tudo preto.
.
Já estava pronto, mas antes, tinha que averiguar a dinâmica dos meus homens dentro da minha residência. Sendo eu o responsável pela Facção, tudo teria de estar em ordem, embora já esteja, eu exijia o dobro daquilo que deveria ser, o impossível.
.
Hector: Consegue rastrear os contactos de Dominic, assim como os locais que frequenta?
__ questiono a um dos meus homens responsáveis pela área de inteligência.
.
- Sim, senhor. Posso fazer isso em cinco minutos.
.
Hector: Então, faça em dois.
__disse.
.
Ouvi-o balbuciando.
.
- C-certo.
__ele disse afirmando.
.
Continuo averiguando se tudo estava em ordem até um dos meus homens informar-me que decteram um veículo dentro do meu território.
.
- É o senhor Shanks, meu senhor.
__ assegurou.
.
Então, já chegaram?
.
Nesse instante, decidi subir.
.
Quando cheguei a superfície, a Limousine que Lukas conduzia estava se aproximando.
.
Assisti ele saindo do carro. Deu a volta e abriu a porta para as nossas convidadas. As duas, com o medo estampado em seus rostos saíram do carro. Meus lábios curvaram-se, não por graça, mas sim, por ironia. Era irônico ver alguém que eu quis matar ainda estar respirando.
.
Parabenizei mentalmente a garota por estar viva até agora.
.
Relutantes, elas chegaram perto de mim com uma ajudinha de Lukas.
.
Helena: O que você quer de mim?
__ ela perguntou, me encarando, com raiva e desprezo.
.
Sorri para esses sentimentos que ela desenvolveu por mim, durante esse tempo, mas não durou até os meus olhos estarem cerrados por ela ter se dirigido a mim desse jeito.
.
Hector: Não desperdice a oportunidade que dei-te para viver. Da próxima vez...
.
Segurei o seu pescoço e com força, fiz com que olhasse para mim com atenção. Sua mãe tentou intervir-se mas Lukas fez questão de impedi-la.
.
Hector: Estará morta se falar comigo desse jeito outra vez. Mas...
__ larguei o seu pescoço, fazendo-lhe procurar ar.
.
Hector: Permito que você olhe-me com esse ódio. Até que gosto quando me olha assim.
__ disse com sarcasmo.
.
Ela ainda buscava pelo oxigênio, enquanto isso, meus olhos foram para a sua mãe. Eu até que suportaria a sua filha, mas a sua mulher, aí era outra história. Temeron, seu desgraçado. Eu farei você sofrer até mesmo no inferno por ter me traído. Irei cortar a cabeça da sua mulher. E quanto a sua filha, a farei sofrer até que implore pela sua morte.
.
Hector: Lukas, não preciso de dois insectos dentro do meu palácio.
__ ele entendeu a mensagem.
.
Lukas: Como o meu senhor quiser.
.
Depois de ter a sua confirmação, caminhei até ao BMW que havia mandado preparar. Antes de entrar, olhei mais uma vez para o rosto da garota que estava sendo empurrada pelo Lukas para dentro das minhas instalações.
.
Helena Temeron: O que isso quer dizer? O que vocês vao fazer?
__ ela perguntava desesperada.
.
Lembrei da mensagem que Téo Morgan deixou pra mim através do Lukas. "Se tocar outra vez nas pessoas que eu amo, nós os dois vamos desaparecer."
.
Sorri tanto quando Lukas passou-me a mensagem que o meu estômago ficou doendo. Ele tinha acabado de desafiar-me. Agora, trouxe a única pessoa que lembrava da sua existência para fazê-la sofrer, começando por matar a sua mãe.
.
Sorri com satisfação e entrei no carro. Então, conduzi a caminho do Texas, irei fazer uma visita a "aquela família".
.
.
.
CONTINUA...
.
.
Mais um capítulo concluído.
.
Se gostou, ajude-me a continuar, apenas deixando o seu voto.
.
.
ONE LOVE 😘💗
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top