Capítulo 4

#Hector_Logan
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Precisei de quase uma hora para poder digerir tudo o que Lídia contou-me. Parecia que estive a viver um filme, cheio de paradoxo. Então decidi. Quis ver de perto se tudo era autenticado pela verdade.
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Porque só deve existir um Hector Logan, e esse era eu.
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Lídia: Tens certeza?
__ Lídia questionou-me
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O meu silêncio foi a minha resposta.
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Lídia fez questão de arrumar algumas roupas para mim. Vesti-me delas e assim ela levou-me até onde o meu suposto "outro lado" vivia.
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Era um bairro pobre, cheirava a esturro e era quase nojento respirar o ar que lá habitava. Fiquei intrigado com o fato de que existia pessoas que viviam naquelas condições.
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Cuspi com nojo só de pensar que estive nesse lugar durante 5 anos. Nem todas as verdades libertam, algumas condenam-te por uma sentença de nojo.
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Lídia: Chegamos.
__ Lídia anuncia. E eu fiquei sem acreditar nisso.
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Chegamos? Não encontrava sentido algum nessa palavra, pois, não condizia com aquilo que eu estava vendo.
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Hector: Lídia, eu já aturei-te demais. Não achas que estás abusar da minha paciência?
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Lídia: É aqui, onde Téo Morgan vive com o seu Tio.
__ ela disse.
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Juntei paciência e segurei todo tipo de desejo mortífero plantado nas minhas entranhas. Eu estava presenciando uma subtração da minha grandeza.
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Lídia: Eu avisei que não seria fácil ter que enfrentar a sua outra realidade.
__ ela reitera.
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Respirei fundo. Expirei e inspirei profundamente até atingir o tenrio do meu ser. Tive que garantir a minha sanidade acima de qualquer tipo de emoção.
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Então pensei comigo mesmo:
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"A calma costumava ser a minha aliada número um, então que está se passando comigo? Será que mudei tanto assim nesses últimos 5 anos?"
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Mudei o semblante e recobrei a sanidade. Era crucial obter informações sobre o meu suposto "outro lado".
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Ser cauteloso era a minha maior qualidade. Eu vivo num mundo onde qualquer informação sobre ti podia ser um dedo no gatilho contra a sua vida. Portanto era necessário estar consciente dos seus pontos fracos e fortes. E o meu outro lado poderia ser um dos meus pontos fracos.
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Então saí do carro, mas antes de dirigir-me até a residência do tal Téo Morgan, Lídia segura o meu braço.
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Lídia: Tome isso.
__ ela estendeu-me a sua mão que segurava uma chave.
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Lídia: Precisas disso para abrir a porta. Afinal, a casa também é sua.
__ senti uma certa ironia nas suas malditas palavras.
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Recebi a chave, porém, sem olhá-la nos olhos. Alguém estava tentando passar dos limites.
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Hector: Melhor moderar a sua forma de falar comigo. Você não esqueceu-se de como se faz isso, pois não?
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Lídia: Não esqueci.
__ ela disse, baixo, tal como eu gostava.
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Hector: Agora sim, estamos a falar a mesma língua.
__ falei satisfeito.
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Dei costas à Lídia e andei alguns passos em direção à casa de Téo Morgan.
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Lídia: Espero por ti, ou quer que eu vá embora?
__ ela indaga enquanto andava.
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Hector: Espere por mim dentro do carro e ligue para o Lukas.
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Infiei a chave e destranquei a porta. Assim abri-a e cautelosamente entrei.
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O fedor que enxalava no cômodo maltrava as minhas narinas, isso criou um nojo que revirou meu estômago.
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Meus olhos varreram a casa inteira e encontrei algumas fotos. Nelas estavam um velho com alguém que parecia ser eu. Logo percebi que aquele era o tal Téo Morgan. Lídia estava falando a verdade. Existia sim, um outro lado de mim.
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Ouvi o barulho da porta se abrindo. Escondi-me até ver quem era...
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- Quem está aqui? Téo, é você?
__ a voz era de um homem cansado.
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Deve ser o velhote da foto. E se bem me lembro: seu nome era Ben Morgan, o tio de Téo Morgan.
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Então me revelei para ele.
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Quando o velho me vê, seus olhos brilham e um sorriso brota em seus lábios.
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Ben Morgan: Teo! Oh meu rapaz. Onde é que te meteste, hein?
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Ele aproximou-se de mim e deu-me um forte abraço. Eu nada fiz, afinal, só estava ali para obter informações.
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Ben Morgan: Desde ontem que estou a sua procura, rapaz.
__ o homem embargava-se nas suas palavras. Ele parecia estar chorando.
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Isso me trouxe repulsa.
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Hector: Téo? Quem deu-me esse nome és tu?
__ tentei ser o mais gentil possível, mas em mim não existia gentileza alguma.
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O homem afastou-se um pouco para olhar nos meus olhos com os seus arregalados.
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Ben Morgan: Está tudo bem, rapaz?
__ a sua pergunta foi feita sem um mínimo de respeito.
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Rapaz?
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Com quem ele pensa que está falando?
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Em um movimento rápido e eficaz, segurei seu pescoço. Não com tanta força, mas parecia que o velhote já estava sufocado. Empurrei-o contra a parede e o encarei com os olhos cerrados.
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Hector: Quem é você para dar-me esse nome chujo? E ainda, como pôde dirigir-se a mim com tanta intimidade?
__ o desejo de matar estava me consumindo, a força em cada dedo que envolvia o pescoço do velhote estava aumentando.
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Eu jurava que o homem já estava entre a vida e a morte. Mas antes de retirar todo o oxigênio dentro do velhote, lembrei do meu objectivo. Então, larguei-o.
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O homem perdeu a força dos pés e caiu ao chão. Olhava de baixo, assim como era o seu nível.
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Ouvia-se o som de tosse em todo o cômodo. Enquanto deixava o velhote recuperar-se, parambulei em todos os cantos da casa.
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Ben Morgan: O quê que aconteceu, meu rapaz?
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Se eu tivesse qualquer tipo de emoção, sentiria pena e mais alguma coisa por esse homem. O problema é que eu não tinha isso por ninguém, nem mesmo pela minha familia. Eu só sei que todos além de mim, são escórias.
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Eu só tinha o desprezo para ele. Então voltei para o homem, o mesmo que há segundos olhava para mim com um brilho nos olhos, mas agora, o medo dominou-o por completo. Quanto mais me aproximava, mais os seus passos regressavam.
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Hector: Não sei. E é isso que eu vim saber.
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Cheguei até onde ele estava.
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Hector: Diz-me, Tio Ben: o que aconteceu comigo nesses 5 anos?
__ preenchi com uma dose de ironia nas minhas palavras.
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O velhote estava morrendo de tanto medo que nem estava conseguindo responder. Era assim como todos deveriam sentir diante da minha presença: medo e respeito.
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Eu só preciso dessas duas coisas, o resto deixem para o túmulo.
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Ben Morgan: Você não é o Téo. Você é um monstro.
__ o homem surtou.
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Me peguei a rir do homem. Ele está cumprindo bem o seu papel de escroto que é.
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Hector: Téo nunca existiu. E para garantir isso, vou começar por apagar a sua existência.
__ os seus olhos estavam negros de medo.
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O seu corpo tremia. Ele buscava por alguma saída, por uma brecha para fugir, ele tentou mas acabou por cambalear em seus próprios passos.
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Hector: Prometo não fazê-lo sofrer. Será rápido a tua viagem daqui para o... Inferno.
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Ben Morgan: Socorro! Não... Socorro. Alguém... Por favor!
__ o velhote gritava como podia.
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E eu me aproximei para dar o ultimato.
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Decidi apagar qualquer rastos de que existiu Téo Morgan, começando por matar esse homem e fazer desse lugar um deserto como se ninguém havesse existido.
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Téo Morgan era um perigo para mim, a sua existência condenava a minha; ele era o meu ponto fraco e eu, nunca deveria ter um. Azarado era esse homem que o abrigou em sua casa, deu-lhe de comer e beber e ainda por cima, colocou-lhe um nome...
Graças a ele o Téo existiu e graças a ele, a existência do mesmo será esquecida.
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Ben Morgan: O que está fazendo, rapaz? Não está me reconhecendo? Sou eu, o seu tio.
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O homem deixou de surtar e começou a alucinar. Parecia que era um sonho lindo que o homem estava tendo...
Bom, que seja! Ele poderá sonhar o tempo que quiser lá no inferno.
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Então, o homem estava a palmos de distância. Era só esticar o meu braço e torcer o seu pescoço, mas antes disso, uma dor horrível surgiu dentro da minha cabeça.
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Maldição.
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Hector: Aaaahh! Droga!
__ rosnei.
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Meus olhos estavam revirados, cambaleei para trás, tudo estava girando. Meu corpo encontrou o chão.
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Então, tudo se apagou.
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#Teo_Morgan
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- Téo... Téo...
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Ouvia alguém chamando por mim. A voz era familiar...
Forcei as minhas pálpebras e assim consegui abrir os olhos.
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A primeira pessoa que vi foi o meu tio.
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Téo: Tio?
__ disse.
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Tio Ben: Oh meu rapaz. Você voltou!
__ meu tio abracou-me como se eu voltasse do mundo dos mortos.
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A cabeça estava girando, a dor era insuportável.
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Téo: O que aconteceu, tio?
__ perguntei.
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Tio Ben: Não se agite. Você precisa descansar.
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Meu tio levantou-me e fez com que me sentasse em uma cadeira. Eu estava confuso...

Mas, a cada segundo que passava, eu percebia que algo estava estranho. Era suposto eu estar no hospital, mas onde eu estava era em casa.
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Téo: o senhor foi buscar-me ao hospital?
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Tio Ben: S-sim, meu rapaz. Eu fui pegar você no hospital.
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Notei que o Tio Ben estava meio estranho. Alguma coisa aconteceu e ele não quer me contar.
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Téo: E porque não estou lembrando?
__ indaguei.
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Tio Ben: Você só precisa descansar.
__ ele disse com alguma coisa estranha nos olhos.
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Eu conhecia meu tio, e esse que estava na minha frente não parecia o Tio Ben.
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Téo: O senhor está estranho. Tem a certeza que está tudo bem?
__ insisti buscando dessa vez a verdade nos seus olhos. E uma lágrima caiu.
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Tio Ben: Está tudo bem. Só estou feliz por vê-lo mais uma vez. Acho que estou ficando muito emotivo. Deve ser a velhice.
__ ele disse sorrindo.
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Não sei o porquê, mas senti uma certa tristeza nas suas palavras.
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Puxei meu tio para um forte abraço. Sentia os seus braços tremendo. E vi que ele estava tremendo.
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Téo: Você não está bem. Precisamos ir ao hospital.
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Quis ir pegar o telemóvel ligar para ambulância. Mas meu tio segurou meu braço... Fez-me olhar para ele.
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Tio Ben: Está tudo bem, meu rapaz. A minha atenção só subiu um pouco, mas vai ficar tudo bem.
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Téo: Não. Você precisa de um médico agora.
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Liguei para ambulância e minutos depois vieram pegar meu tio. Eu estava com ele dentro do veículo.
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Os olhos do meu tio não deixavam de olhar para mim.
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Téo: Essa sua nova forma de me olhar, está me assustando, tio.
__ disse.
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Ele mexeu a cabeça de um lado e depois do outro. Fitei algumas lágrimas caindo dos seus olhos.
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Poucos minutos depois, Chegamos no hospital. Os médicos encaminharam meu tio para uma sala para então receber tratamento. Ouvia os médicos dizendo que a sua atenca havia subido.
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Tio Ben sofria do coração. Ele não deve estar exposto a situações de grande pressão. Então pensei... "O que será deixou-o naquele estado? Ele não parecia estar normal, aquele Tio Ben Não era o Tio Ben que costumava ser.
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Helena: Téo...
__ a voz de Helena me fez levantar bruscamente.
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Téo: H-Helena? O que está fazendo aqui?
__ balbuciei
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Helena: Ouvi dizer que o seu tio foi trazido aqui, no hospital.
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Téo: Sim. A sua atenção subiu e os seus batimentos cardíacos estão além do normal.
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"Assim como os meus, assim que eu te vi.", disse dentro de mim."
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Helena: Não fique assim. Ele vai melhorar.
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Téo: Eu sei... Eu sei!
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Fui surpreendido com um abraço caloroso. O abraço Enchia-me de paz e sossego. Nem queria que ela me soltasse nunca.
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Mas infelizmente a realidade não era como nos sonhos. E ela quebrou o abraço segundos depois.
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Helena: E onde é que você se meteu?
__ ela pergunta.
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Os seus olhos pareciam que ela estava preocupada. Isso era bom e deixava-me feliz.
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Téo: Estava em minha casa. Onde eu mais estaria?
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"Queria estar também dentro do seu coração."
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Helena: Em sua casa? O seu tio estava te procurando assim como a gente!
__ Helena reitera.
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Como assim o meu tio estava me procurando?
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Téo: Foi ele que veio buscar-me ao hospital.
__ disse.
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Helena: Não tem erro. Todos nós estávamos a sua procura depois que o doutor ligou para o seu tio dizendo que você fugiu do hospital.
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As palavras de Helena foram como uma estaca infiada na minha cabeça, deixando lá um turbilhão de confusão. Já não sabia mais sobre o que estava acontecendo. O que podia pensar era que o meu tio por alguma razão mentiu para mim. Mas porquê?
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Téo: Não entendo...
__ disse com a mente longe de mim.
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Helena: O quê?
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Téo: O tio Ben disse que foi ele quem veio buscar-me no hospital.
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No mesmo instante, dois agentes da polícia aproximaram-se de nós. Eram os mesmos que interogaram-me dias atrás.
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Agente Calvin: Téo Morgan, você está preso por agredir os homens da segurança do hospital.
__ as palavras dele pareciam ser um absurdo.
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Olhei para Helena e notei que de alguma forma ela sabia mais do que eu.
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Téo: Como assim? Eu não machuquei ninguém. Seria incapaz de tal coisa.
__ neguei.
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Agente Calvin: Aconselho-o a manter-se calado, ou tudo o que disser será usado contra ti no tribunal.
__ enquanto que ele falava o outro algemava-me como se eu fosse um criminoso.
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Agente Calvin: Tem direito a arranjar um advogado, se assim não poder, o tribunal vai encomendá-lo um para o defender.
__ ele terminou.
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Helena: O seu tio acabou por ser trazido cá no hospital. Não é possível leva-lo noutra altura?
__ Helena retrucou o agente.
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Agente Calvin: Lamento pelo seu tio, mas foi emitido uma ordem de prisão contra ele.
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Téo: Helena, você sabe de alguma coisa? Se souber me diga. Você sabe que eu não seria capaz de machucar alguém.
__ falei indignado.
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Helena: Eu sei. Mas, os médicos estão te acusando que você o fez. Vai ficar tudo bem. Acredita em mim. Eles vão soltar-te.
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As palavras de Helena me encheram de esperança.
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Então, os agentes levaram-me, Helena acompanhou-me até fora do hospital. Ela deu-me um abraço e depois os agentes me botaram dentro do carro da polícia.
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Nunca pensei que um dia seria levado num carro da polícia como qualquer criminoso, e para piorar, em frente de Helena.
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Droga!
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Não lembro-me de atacar nenhum seguramca, então como? Como era possível eu ter agredido alguém no hospital?
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Agente Calvin: Quem é esse homem?
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A pergunta do agente chamou a minha atenção e levei meus olhos para frente...
Então pude ver também. Era um homem de traje preto, porte físico enorme. Ele estava na estrada impedindo o carro de continuar.
Os agentes entraram em alerta e ja preparavam suas armas para um possível ataque. E por mais incrível que parecia, eles tinham toda a razão de tanto alarde, pois o homem estava armado, sem tempo pra conversa e começou a disparar.
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Logo atirei-me no chão para não ser atingido. O alarme do carro disparou. Eu estava com medo e fiquei ainda mais quando apercebi-me de que os dois agentes estavam mortos.
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Então não tinha opções: se eu tentasse fugir, seria morto num instante, mas se eu permanecesse dentro do carro, o fim seria o mesmo. Portanto, em agonia, fiquei esperando pelo meu fim.
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O homem abriu a porta de trás e alcansou-me.
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- Saia do carro.
__ ele ordenou.
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Sem rodeios, sai logo do carro.
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Para a minha surpresa, o homem guardou sua arma e fez vénia diante de mim. O homem estava tão elegante que nem parecia um assassino, e o mais impressionante era o respeito prestado a mim.
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Téo: Q-Quem é o senhor?
__ perguntei sem entender.
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- Sou o seu mordomo, Lukas Shanks.
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CONTINUA...
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