CINCO|
Depois daquela mensagem, tudo virou um turbilhão. Parte de mim estava feliz por saber que, graças à bondade do Sr. Ageu, eu agora tinha um emprego em vista, o que seria uma resposta de oração. Todavia, um nome presente naquele recado, o qual li e reli incontáveis vezes, foi o suficiente para levantar uma série de dúvidas em meu coração.
"Procure pelo maestro Ítalo... Ele se encantou depois de te ver tocando no sábado".
Será que havia alguma possibilidade de o reitor ter se referido ao mesmo Ítalo com quem conversei na noite de apresentação?
Podia ser apenas uma mera coincidência, mas e se não fosse? E se eu estivesse prestes a encontrar aquele rapaz tão gentil novamente? O que eu diria? Como seria?
Passei minha primeira semana de aula buscando respostas para aquelas perguntas, mas, falhei em encontrá-las. Acabei sendo dominada por uma ansiedade que me perseguiu e atingiu o ápice com a chegada do dia da entrevista.
Meu nervosismo foi tanto que mal dormi naquela noite. Levantei muito cedo, me arrumei e tomei um café bem forte. Depois de passar algum tempo com o Senhor, gastei minhas horas livres, tentando me dedicar a algo que me manteria ocupada e calma, ou seja, compor uma nova canção.
Compor músicas era algo que eu geralmente fazia com bastante naturalidade e era capaz de, sem muito esforço, expressar musicalmente algo que me inspirasse. Podia parecer exagero, mas uma vez quando menina, compus mais de 6 músicas diferentes sobre as coisas que eu mais amava na roça e vivia registrando nos meus diários diversas composições que nunca tive coragem de mostrar para ninguém, além da minha família. Ou seja, a música costumava me servir de terapia, mas não foi bem isso o que ocorreu naquela manhã.
— Sol, Mi, Fá ou, quem sabe, um Dó, Si Bemol e Ré Menor — sussurrei enquanto transcrevia as notas em meu caderno de partituras, nos tempos e com as pausas que julguei necessário. Tive esperança de ter feito as escolhas certas para o surgimento de uma melodia harmoniosa, porém, na hora de executar no teclado velho que eu costumava pegar emprestado na igreja, meus pensamentos me levaram a entrevista.. — Ficou horrível. Eu sou péssima.
— Ora, não seja tão dura consigo mesma, docinho — falou dona Míriam, mãe de Isabella, entrando na sala batendo palmas e me dando um susto com sua chegada repentina. Até onde eu sabia, ela e o pastor Antônio haviam ido a uma consulta e eu não esperava que voltassem tão cedo. — Você é talentosa demais.
— Concordo! Para mim, Esterzinha, se você arranhasse um garfo em um prato soaria bem, tenho certeza — completou o pastor com graça, vindo logo atrás de sua esposa e tomando um lugar em sua poltrona marrom favorita, perto de mim.
Os dois eram um casal muito querido e importantes na minha vida, pois me acolheram quando certas circunstâncias me levaram a precisar mudar da casa da família Maia, pais da minha melhor amiga, Bianca, que estava em missões. Graças a doce providência de Deus, encontrei duas famílias dispostas a cuidarem de mim como uma filha querida e me darem todo o apoio. Eu não teria chegado tão longe sem eles, sem dúvidas.
— Obrigada por serem tão bondosos, mas está horrível, é a verdade. — Suspirei e, derrotada, resolvi fechar meu caderno. — Não consigo me concentrar e minhas mãos não param de tremer. Será mesmo que estou preparada para essa vaga?
Dona Míriam cruzou a sala e parou diante de mim, apoiando suas mãos nas laterais de seu quadril avantajado.
— Esse é um momento singular na sua vida, eu sei, mas eu já lhe disse para não se desesperar e sua mãe também. Agora é a hora de respirar fundo e encarar o desafio.
— Procure lembrar que o Senhor é soberano, te ama e quer o seu bem, filha — o pastor Antônio completou com suas palavras de sabedoria e eu o agradeci por me lembrar de uma verdade tão profunda e essencial na minha vida.
— Isso mesmo, meu bem! — exclamou dona Míriam, animada como sempre. — Agora, ande Esterzinha, termine de se arrumar, pegue suas coisas, vou te dar uma carona até a igreja.
— Não precisa, dona Mí. — Levantei e organizei minhas tralhas. — Deus me livre de dar trabalho para vocês. Sei que a senhora precisa preparar o almoço e cuidar do pastor. Pode deixar que vou de ônibus.
— Só se for para se perder — Bella comentou, descendo as escadas trazendo consigo seus materiais de fotografia ao lado. — Pode deixar que eu te levo. Vou tirar as fotos de 15 anos da Laurinha, filha do diácono. Se o papai emprestar o carro, posso te levar.
— Bella, você não se esqueceu da reunião da mocidade, não é? — pastor Antônio sondou, olhando sério para a filha que deixou cair os ombros levemente. — Você é primeira secretária, não pode faltar.
— Ela não vai faltar, meu bem. Não é, filhinha? — sondou dona Miriam agindo como uma boa apaziguadora.
— Não se preocupem, vou cumprir meus deveres — ela respondeu chateada e supus que isso tivesse relacionado com o fato de Camila ser a presidente da mocidade. Bella era dedicada na igreja, mas já havia confessado que não lidava bem com certas cobranças sobre ela. Isso costumava atrair certos conflitos familiares, nos quais eu não me metia, porém, como amiga, procurava aconselhar a garota a obedecer ao Senhor e honrar seus pais. — Vamos lá, Ester?
— Tem certeza, Bella? Eu também não quero te atrapalhar.
— Sem discussões. Não vai me atrapalhar, pelo contrário, você é meu passe livre para dirigir por aí e não posso perder essa chance.
— Tenham juízo e não cheguem muito tarde, meninas — pediu dona Miriam. — Ah! E boa sorte na entrevista, Ester.
Agradeci e depois de pronta, me despedi de todos, fiz uma oração e só então saí com minha motorista.
O caminho até a igreja foi tranquilo, mas eu não conseguia parar de chacoalhar minhas pernas ou enrolar mechas de cabelo em volta do meu dedo indicador. Isabella até tentou me distrair, comentando algo sobre sua grade curricular daquele semestre, mas não ouvi nada e agradeci quando me deixou colocar para tocar no rádio alguns concertos do Dmitri Shostakovich, mesmo que ela não fosse uma grande fã de música clássica.
Também recebi uma ligação muito oportuna de mamãe e louvei a Deus pelo seu carinho e disposição de me contar que todos em Nova Canaã estavam torcendo e orando por mim. E conhecendo dona Rute e seu jeito coruja de ser, aposto que ela deveria ter pedido por orações a toda nossa pequena cidade.
"Confie nos planos de Deus, Estrelinha" foram as últimas palavras de mamãe, antes de o GPS anunciar que estávamos a alguns metros do nosso destino e eu encerrar a chamada.
— Quer que eu te acompanhe? — Bella questionou ao estacionar em uma vaga próxima daquela igreja gigantesca.
Ainda que a proposta dela fosse tentadora, eu, como adulta, neguei com a cabeça.
— Não precisa. Você já fez muito, me trazendo aqui, sério. — Sorri sincera. — E estou admirada por ter mantido a calma quando aquele carro te fechou no farol.
— Viu só? Não é tão difícil dirigir em São Paulo. Você deveria tentar algum dia desses.
Só de imaginar a cena, tremi inteira. Eu sabia que era um desperdício fazer uso da minha habilitação só quando estava em Nova Canaã, mas tinha meus traumas quanto a dirigir em cidade grande e não estava pronta para superá-los.
— Hoje não. Uma luta por dia é o bastante. — Tomei ar. — É melhor eu encarar logo esse desafio. Ore por mim, tá bom?
— Sempre.
Depois de ajeitar meu vestido e cabelos, checar a hora, deixei o carro e andei até parar diante dos portões dourados da belíssima igreja, que era uma verdadeira obra prima da arquitetura. Enquanto admirava a construção, em especial aquela torre central com uma cruz na ponta, pude ouvir de longe o som de uma orquestra tocando uma melodia familiar que rapidamente reconheci ser de um dos hinos favoritos do meu pai e meu também, chamada A Pedra Fundamental. Recordar da letra daquela canção me deixou um pouco mais calma e também me ajudou a vencer a vergonha para pedir instruções ao porteiro. Perguntei sobre o tal maestro Ítalo e fui orientada a pegar o elevador até o terceiro andar e encontrá-lo na Sala de Ensaios, número 6.
Por dentro, aquela igreja pareceu ainda maior. Tive receio de acabar me perdendo, por isso, sem atalhos ou paradas para encontrar banheiros femininos, me contive em seguir as instruções cautelosamente até chegar à sala indicada.
Eu estava cerca de meia hora adiantada e tive dúvidas sobre entrar ou não, afinal, a porta estava fechada e da pequena janelinha de vidro no centro, era possível ver que o ensaio ocorria a todo vapor.
Resolvi esperar um pouco, mas minha presença, não muito depois, foi notada por uma moça indo tomar um pouco de água. Ao vê-la, perguntei se o maestro demoraria muito até estar livre e ela me aconselhou a entrar e tomar um lugar nos fundos aguardando o fim do ensaio, que não deveria demorar.
Relutei um pouco, mas, sem muitas opções, acatei a sugestão da moça e entrei discretamente, agradecendo por poder tomar um lugar nas últimas cadeiras sem chamar a atenção de ninguém. Corrigindo, de quase ninguém.
Segundos depois de me acomodar, reparei que da outra extremidade da sala, um certo maestro notou minha chegada e me analisava de longe naquele exato momento.
E era ele.
Ítalo. O mesmo Ítalo do teatro bem ali, dando aquele mesmo sorriso discreto e simpático que foi mais do que suficiente para me agitar.
Minhas mãos começaram a tremer e suar, o coração ficou a milhão com qualquer mínima movimentação do rapaz e meu estômago encarcerou mil borboletas ali, provocando um leve enjoo.
Por que não me preparei antes?
Em alguns minutos, eu estaria frente a frente com um belo rapaz que, a propósito avaliaria minhas aptidões para uma vaga e eu estava em pânico.
Graças a Deus, ganhei cerca de vinte minutos para tentar recobrar meu estado normal e tentei ocupar minha mente lendo alguns trechos do diário do meu pai e analisando as partituras soltas que ele havia guardado entre as páginas, todas compostas por ele. Enquanto isso, eu ouvia a música sendo tocada pelos pequenos naipes divididos em metais, cordas e percussão.
Ítalo era um bom maestro e, mesmo parecendo mais jovem que todos os instrumentistas ali, tinha uma percepção musical e uma habilidade incrível de conduzir a orquestra com elegância e força.
Fiquei admirada com os talentos dele, confesso, mas o que me balançou de verdade foi vê-lo tomar a iniciativa ao fim do ensaio para fazer uma oração, agradecendo ao Senhor pelo tempo de aprendizado e pedindo por uma boa apresentação no dia seguinte.
"Que maravilha", pensei. Tendo grandes indícios de que ele poderia ser um rapaz cristão, desejei saber mais a seu respeito e, quem sabe, se eu não morresse de vergonha, pudéssemos até conversar melhor.
Quando percebi que a hora da entrevista se aproximava, voltei a ficar nervosa, por isso tentei me concentrar no diário.
— Viu só? Eu sabia que nos encontraríamos de novo.
Ao som daquela voz, meu coração foi a milhão. Eu não esperava encontrar o maestro tão rápido, já que a sala de ensaio estava uma bagunça de músicos andando de um lado para o outro, organizando cases e pastas. No entanto, ali estava ele, exalando toda a sua beleza masculina, conseguindo a proeza de me constranger com esse atributo, mesmo que eu não fosse o tipo de garota que me deixava encantar fácil por um rostinho bonito. Aliás, esse pensamento me fez recordar que um rapaz daqueles jamais olharia para uma moça como eu. Nem adiantava eu me iludir. Nesse instante, minha ficha caiu.
Foi então que me levantei, disposta a cumprimentá-lo, mas me atrapalhei ao deixar o diário do papai cair no chão, espalhando algumas de suas partituras pelo chão de carpete.
Constrangida por ter feito aquilo, me abaixei às pressas e comecei a recolher minhas coisas. O rapaz, talvez com pena do desastre ambulante a sua frente, resolveu me ajudar e foi atrás de um papel que voou para longe. Quando ele retornou, eu já estava de pé novamente, mas agora minhas bochechas queimavam de vergonha.
— Desculpa por isso — pedi e só então me dei conta que o maestro analisava uma das composições do meu pai. — Posso guardar?
Ele assentiu e observou o papel por mais alguns segundos antes de devolver.
— Você quem compôs? Parece tão bem estruturada que me deu vontade de tocar.
Balancei a cabeça, negando.
— Não. Era do meu pai — expliquei saudosa como se aqueles elogios fossem para mim. — Ele era um músico talentoso.
— Era? — ele perguntou cauteloso. — Aconteceu alguma coisa com ele?
Senti aquele nó na garganta. Esse não era o tipo de pergunta que eu esperava que me fizessem em uma entrevista.
— Meu pai faleceu quando eu era uma menina — contei de um modo contido. — Essas composições e os escritos foram tudo que me sobraram dele.
O rapaz encheu o peito e expirou devagar.
— Sinto muito por isso. Eu não queria tocar nas suas feridas. — Me olhou com sinceridade e alisou o tecido da sua calça jeans. — Saiba que eu te entendo, pois também perdi meu pai quando era garoto. Sei como é a dor de sentir falta de alguém, sem ter tantas lembranças.
Eu o encarei, tocada com a compaixão dele.
— Obrigada e sinto muito por você também.
— Pelo visto, seu pai deixou um grande legado com a filha talentosa — elogiou e eu agradeci. — Uou! Essa entrevista não começou do jeito que eu esperava.
Eu sorri.
— Posso garantir que também não esperava por isso.
Ele se aproximou, como alguém prestes a contar um segredo.
— Para sua sorte, eu sou o mestre das entrevistas incomuns. — Bateu no próprio peito. — Acredite ou não, mas uma vez eu não passei em uma audição só porque, querendo quebrar o gelo, elogiei o retrato da doce avozinha do entrevistador em seu escritório e descobri que, na verdade, a mulher da foto era ninguém menos que a esposa dele — ele contou divertido e eu imediatamente sorri imaginando a cena. Ítalo era bom em deixar as pessoas a vontade. — Por isso, não vou te pressionar ao ponto de te forçar a dizer algo embaraçoso, prometo.
— Isso seria muito gentil da sua parte e eu agradeço — respondi, já sentindo meus músculos relaxarem. Era incrível o efeito que o bom-humor e simpatia dele tinham sobre mim.
— Não foi nada e agora vamos ao que interessa. — Ele fez um sinal com a cabeça, como se pedisse para que eu o acompanhasse e começou a andar em direção a porta de onde eu tinha vindo. Ele andava rápido, por isso apertei o passo até que estivesse ao seu lado novamente. — Você sabe que o Sr. Ageu não me pediu para te entrevistar e sim te convencer a aceitar a vaga, não é?
— Sério? — Uni as sobrancelhas e reparei quando ele me olhou de relance, enquanto me guiava por um corredor que nos levou direto a uma escadaria gigante.
— Bem, nós só entrevistamos um candidato quando desejamos saber se ele está apto ou não para o cargo. Nem eu ou o Sr. Ageu duvidamos das suas capacidades e na verdade, precisamos muito da sua ajuda para o nosso projeto — contou durante a nossa descida pelos três lances de degraus. — Você já deu aulas para crianças antes, não é?
— Sim. Na minha antiga igreja dei aulas de música e também já ajudei o Sr. Ageu antes.
— É, ele me contou. Mas dessa vez, vamos te pagar pela ajuda — falou animado. — Não te contei, mas cheguei na cidade há apenas duas semanas. Meu trabalho, além de maestro, é ajudar a levar música de qualidade para os quatro cantos do Brasil. Monto projetos em lugares pobres ou em igrejas, procuro professores de música voluntários, arrecado dinheiro para instrumentos. Um trabalho árduo, sem dúvidas. — Ele continuou me guiando, agora por um grande pátio. — Cresci nessa igreja e quando retornei de viagem, o novo reverendo logo me pediu para assumir a orquestra e também, se fosse possível, o ajudasse com o ensino da música no Instituto de Estudos de reforço que mantemos por aqui.
— Uau! — exprimi, sentindo minha admiração por ele crescer.
— Foi então que após montar tudo, pedi recomendações ao Sr. Ageu por professores e seu nome foi o primeiro que surgiu na conversa. — Nós paramos diante de uma porta de madeira e o vi tirando um molho de chaves do bolso e logo nos deu acesso ao tal salão, que era realmente enorme. — Quando a vi tocar tão bem no sábado, eu sabia que não poderia escolher ninguém melhor para me auxiliar com as criancinhas daqui.
Aquele elogio me desconcertou, mas senti grande alegria com a proposta.
— Eu ficaria honrada em me voluntariar. — Sorri e analisei aquele sala de aula modesta, bem iluminada, já imaginando como seria dar aulas para os pequeninos ali. — Esqueça isso de pagar, tenho certeza que a oportunidade de ganhar experiência como estudante e servir ao Senhor, já são recompensas muito maiores do que eu mereço.
— Negativo. Vamos te pagar sim. O Sr. Ageu contou que você veio do interior e conta com ajuda dos seus amigos aqui em São Paulo. Seria injusto me aproveitar do seu talento e não te abençoar também. Já até conversei com o pastor e se ele não puder fazer esse pequeno investimento, eu e o Ageu vamos providenciar.
Nesse momento eu me virei para encará-lo e pisquei algumas vezes.
— Tem certeza? — questionei, preocupada. — Eu ficaria muito feliz em ajudar de graça. Ainda sou apenas uma estudante e vocês poderiam realmente investir em um professor mais qualificado.
— Já tomamos nossa decisão — ele disse irredutível e apoiou-se em uma das paredes. — Sei que será incrível ter sua presença na nossa equipe. Podemos montar um cronograma de aulas e fazer um trabalho sensacional juntos. Além disso, você terá minha assistência e eu prometo não te desamparar, nem deixar que o trabalho atrapalhe os seus estudos. Só resta aceitar.
Refleti um pouco e recordei das vezes que orei ao Senhor por uma renda extra. Eu não gastava nada com a faculdade, nem tinha muitas despesas, mas sempre quis um meio de poder contribuir e auxiliar a família Martins, além daquilo que minha própria família já mandava.
— Tudo bem, então. Quando começamos? — perguntei e vi os olhos dele brilharem.
— Ah! Sério? Nem acredito que aceitou! O Sr. Ageu me mataria se eu não te convencesse — ele expressou divertido e se aproximou de mim. — Vamos começar em cerca de uma semana e meia. É o tempo que temos para organizar tudo. Falando nisso, se puder me passar seu número, eu agradeceria. Vou marcar uma reunião e também te passar alguns materiais didáticos.
— Como quiser!
Depois disso, nós acertamos mais alguns detalhes e eu, me sentindo radiante como nunca, dei adeus a ele com um aperto de mão e deixei a igreja, dando sorte de que o ônibus necessário para voltar passava logo ali em frente e isso facilitaria minha jornada quando o trabalho começasse.
Meu Deus! Eu tinha mesmo um emprego.
Mal podia acreditar naquilo e não via a hora de contar a boa-nova a todos que bondosamente oraram e torceram por mim. Claro que liguei para mamãe imediatamente e depois para o Apolo e Sol, que vibraram comigo. Também quis ligar para cada um dos Martins, mas decidi esperar e contar quando os visse pessoalmente. Seria uma festa só e talvez, uma boa desculpa para pedirmos pizza no jantar, eu imaginava.
Mais de uma hora e meia depois, desci no ponto e caminhei algumas quadras antes de chegar em casa. Ansiosa, fui rápida em abrir o portão de casa, subi as escadas correndo e antes mesmo de entrar na cozinha, resolvi avisar logo das maravilhosas notícias.
— A vaga é minha! Eu consegui! — anunciei eufórica, mas no exato momento que cheguei na sala vi que alguns dos líderes do nosso presbitério estavam sentados no sofá ao redor da mesa de centro, orando.
Toda minha alegria foi substituída pela vergonha do mico enorme que eu tinha acabado de pagar.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top