I -Palco-

    Aqui em cima eu me sinto vivo. O palco é onde realmente devo estar, pois sinto que a música corre em minhas veias. Quando é o nosso sonho, quando gostamos do que fazemos, não tem como dar errado. Vejo o sucesso apenas como uma consequência do que faço. Meu estilo? Sertanejo. 

    Canto a última música da noite e faço uma despedida antes de descer. Escuto meu nome sendo entoado pela multidão e vejo inúmeros rostos eufóricos enquanto caminho em direção ao meu camarim. Uma menininha que deve ter aproximadamente uns três anos, sentada sobre os ombros do pai, manda um beijo e abre um lindo sorriso. É esse tipo de sorriso que recarrega minhas energias e me fortalece para continuar o meu trabalho.

    Deito um pouco para relaxar. Foi o segundo show que fiz hoje e a agenda desse mês continua lotada. Rio de Janeiro, São Paulo e Coritiba são meus destinos nos próximos dois dias. Precisei não aceitar alguns shows porque não estava dando conta. Também gosto de reservar um tempo para as fãs no camarim e não valeria a pena atendê-las cansado.

— Como está o meu cantor favorito? — Uma voz preenche o ambiente atrás de mim.

    Nesse mesmo instante um segurança aparece alterado.

— Desculpa, John. Eu disse que você não queria ser incomodado — diz ele nervoso.
— Tudo bem! Pode deixar. — Tranquilizo-o e ele se retira.
— Da próxima vez fala pro seu segurança que uma mãe não pode ser impedida de ver o filho dessa maneira. Que deselegante! — esbraveja Joana.
— Desculpa, mãe. Ele é novo. É que eu disse que queria descansar um pouco.

    Ela para de reclamar da atitude do meu funcionário e beija minha bochecha esquerda.

— Vamos pra casa? — sugere.
— Ainda tenho que falar com a imprensa e com as fãs. Me dê uma hora.

Em casa tudo que desejo é um banho quente e demorado. Dispenso a banheira para sentir a ducha quase fervente adormecer meus ombros e progressivamente meu corpo inteiro. Deito no sofá da sala de estar para assistir um pouco de TV. Antes tivesse ido dormir se pudesse pressentir a programação do canal. Arremesso o controle na tela fazendo barulho com o impacto e com a queda. Minha mãe corre para ver o que está acontecendo e eu apenas grito para que ela desligue a TV. Perco o controle de meus movimentos e um arrepio sobe a minha espinha. Consigo pelo menos por as mãos sobre os ouvidos. Flashes surgem na minha mente...

— É ele. — Consigo pronunciar.
— Respira — diz minha mãe enquanto acaricia meus cabelos. — Vou pegar água.

    Ela chega com um copo de água. Bebo dois goles e o resto despejo sobre minha cabeça, molhando o sofá de couro. Ironia do destino ligar a TV e estar passando um show dele. Humberto Martins, lembro-me de ouvir o locutor o anunciar. Um nome que me dá fobia. Um nome que me remete a um momento o qual eu faço de tudo para esquecer.

— Se acalma. Ele não pode fazer nada. Eu estou aqui com você — pronuncia minha mãe.

    Apenas digo que vou tentar dormir um pouco e saio. Na manhã seguinte, acordo com uma pequena luminosidade sobre meu rosto, um raio de sol que conseguiu atravessar uma brecha no canto superior da cortina.

— Dormiu bem? — pergunta Joana ainda de roupa íntima e cabelo bagunçado.
— Tive alguns pesadelos, mas estou bem.
— Se você tiver outra crise como aquela, vai precisar voltar com o tratamento — diz com certa preocupação
— Não, mãe — digo asperamente. — Não vai acontecer de novo. Só estava muito cansado.
— Pensou na minha proposta? — sinto um tom de animação em sua voz.
—Três dias em Noronha? — questiono e ela confirma com a cabeça. — Quem sabe no próximo mês! A agenda está cheia durante os próximos dias.

.....

Que atitude suspeita foi essa que Jhon teve, hein?
#Descontrolado kkk
Para mães que convidem o filho para passar uns dias em Noronha, eu voto SIM!

Não esqueçam de me contar aí embaixo o que acharam!!

.....

Tenho outros livros postados, se quiser conferir, fique a vontade!

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