Capítulo 6.A
Encontro
Rafael
Acordei no sábado cedo e fui correr. Uma oportunidade de encontrar aquela "deusa" dos patins. Assim seria um ótimo incentivo para esquecer que tenho uma maníaca do outro lado.
Passaria na padaria para tomar café antes. Então, coloquei camiseta, short e saí, abaixei para amarrar o tênis no lado de fora da porta. Alguém saiu do elevador e foi nesta hora que vi aquelas pernas torneada passar por mim e entrar na porta do lado. Disse apenas:
— Bom dia.
Eu não tive coragem de subir meu olhar. Respondi o "bom dia" concentrado no cadarço do tênis.
Ao escutar a porta fechar, eu quase corri atrás e implorei para ela voltar.
O que deu em mim?, pensei. Cadê o homem que mora aqui dentro? O que aconteceu comigo? Um sonho ruim pode me deixar assim? Fiquei ali olhando sua porta com vontade de chorar.
Aquelas pernas torneadas ficaram na minha mente, mas as do meu pesadelo também eram lindas e aquela bunda? Era linda também. Não! Não quero saber. Preciso sair daqui. Chamei o elevador de novo e fiquei ali olhando aquela porta. Queria ultrapassá-la e olhar de frente aquela gata miadora.
Entrei na padaria sem vontade de comer, mas tomei uma vitamina e comi um pão na chapa assim mesmo. Meus pensamentos estavam longe quando alguém me chamou.
— Bem! Caiu da cama hoje? — Uma menina do curso falou me assustando. — Ou nem foi para casa ainda?
— Oi Fafá. — Dei um beijo no rosto dela. — Caí mesmo da cama. Vamos correr?
— Está de brincadeira, né? Eu vou correr, mas é para casa. Dormi na Val, mas a galera já acordou e sem condições de permanecer por lá. Vai à festa da república das Lobas hoje? Dizem que vai bombar.
—- Não sei. Tem tempo até a noite ainda.
— Até mais. Vou levar meu café para casa. —Pegou seu pacote e saiu rindo. — Se você for encontramos lá. Vai ter muitas calouras...
Paguei minha conta e saí. Cheguei na pista de corrida e estava vazia. Dei uma volta e comecei a segunda quando vi a loira dos patins indo em direção da faculdade. Não pensei duas vezes e fui atrás.
Mas como pode aquelas rodinhas ser tão rápidas? Até que ela diminuiu um pouco, eu acelerei e me aproximei até que quase a alcancei. Ela abriu os braços e um garoto veio na mesma direção, de patins também, e a enlaçou nos braços. Os dois pareciam estar numa peça de dança.
Parei e nem aproximei, decepcionado comecei a voltar para pista. Perdi o ânimo de dar mais umas voltas antes de ir para casa. Ou nem correria mais, pois estava puto da vida. Qual foi minha surpresa?
Vindo à pista toda linda, loira e olhando para mim a minha loira dos patins. O que era aquilo? Miragem! Eu agora via coisas mesmo? Neste instante passam do meu lado o casal patinando de mãos dadas indo em direção a pista. Pararam com ela e se beijaram, falaram alguma coisa e se despediram.
Puts!! Eu confundi e errei de garota. Agora reparando, elas perto uma da outra dava para perceber a diferença. A minha era mais alta e curvilínea que a outra. Nem eram tão parecidas assim.
Andei em sua direção e ela passou por mim no sentido contrário, o da saída, eu esse babaca aqui não fiz nada mais uma vez.
Eu realmente havia perdido o jeito. Quando na vida uma linda garota que me interessava, eu deixava passar assim? Meu Deus!!! Nem me venha dizer que estou apaixonado? Isso já é maluquice nem conheço a garota.
Pronto! Vou atrás dela. Virei com tudo e corri em direção a saída. Mas onde ela foi parar? A perdi de novo. Burro, burro e burro. Desesperei, soquei o vento e queria puxar meus cabelos.
Desisti de correr e voltei para casa. Precisava estudar e parar de pensar em mulher. Agora eram duas para tirar meu sossego, essa e minha vizinha. Como diz por aí. Elas podem acabar com um homem de bem. Neste caso, o Bem. Eu!
Precisava tomar uma providência. Pelo menos tirar uma delas da minha cabeça. Começar pela vizinha. Hoje eu enfrentaria meu pesadelo e conheceria a danada. Pronto! Já estava decidido.
Durante a tarde fiquei bolando meus planos. Como iria abordá-la? Pensei: compraria um bolo na padaria para dizer que fiz e estava levando um pedaço. Que horror!
Onde tirei essa ideia? Mamãe com certeza faria isso. Hum... e se eu fosse lá perguntar se ela tinha um sal de fruta para me dar. Diria que passava mal, ela ficaria com dó de mim e...
Credo!
E se ela for aquela mocreia do sonho?
Não melhor não!
Pensa, Rafa, pensa! Bati na testa. Sua cabeça oca. Cadê suas ideias mirabolantes?
Eu andava de lá para cá. Por fim, conclui: nada! Isto é o certo. Não inventar nada. Chegar e dizer:
— Oi, boa tarde, eu sou seu vizinho. E vim te dar boas-vindas. Você sabia que nossas paredes parecem feitas de papel? Escuto tudo!
Não! Essa parte não! Está doido, cara?
Escutei um barulho no hall. Fui no olho mágico. Era ela. Estava de costa para mim, saia curta jeans, desfiada na barra. Que pernas! Que bunda! Um cabelo longo e parecia ser sedoso.
— Vira pra mim? Vai! Vira? — sussurrei.
Ela não virava. Então decidi.
Era agora ou nunca! Coloquei a mão na porta.
— Cadê a chave? Por que tirei?
Corri até a mesa, nada! Balcão da cozinha? Nada. Onde estava? Corri no quarto. Encontrei junto com o celular e carteira.
Abri a porta. Nada! Já havia descido. O elevador se encontrava parado no quinto andar. Não pensei duas vezes me enfiei escada abaixo numa velocidade que faria inveja ao superman. Quando cheguei à portaria com a língua de fora, eu não conseguia nem falar e a porta do elevador fechada e parado. Cadê ela?
— Jô Josu Josué Cadê mi nhã vizinha... — mal conseguia falar.
— Saiu agora, por quê?
— Eu precisava falar com ela.
— Corre na sorveteria então. Ela disse que ia se refrescar com as amigas.
— Onde? Qual sorveteria?
— Ah Rafael, assim você está querendo muito, não acha?
Dei meia volta e abri a porta do elevador e voltei para meu apartamento. Havia deixado tudo aberto.
Pensei em pegar o carro, dar uma volta. Ela não deveria ter ido longe, só se alguém a pegou de carro. Pensei melhor e desisti por fim. Mulher nenhuma merecia tanto sacrifício.
Será?
Quem?
O que você acha?
Deixe seu voto e sua opinião.
Acompanhe.
Abraço
Lena Rossi
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