Capítulo 26.A

A Casa caiu

Rafael

Passamos a tarde no shopping patinando,  ou caindo claro, mas
demos muitas risadas. Quando você entra na diversão tudo fica mais fácil — Menos ficar de pé e patinar. —, pois não era para mim aquilo. Enquanto ela fazia daquele lugar a extensão de sua casa.

Antes de acabar nosso tempo, ela deu umas voltas sozinhas, um espetáculo particular para mim. Tenho certeza que faria proeza se estivesse sozinha ou numa competição.

Saindo da pista, um rapaz lhe entregou um panfleto e disse:

— Venha! Você tem muita chance, fiquei te reparando.

Eu hein, o que ele "ficou reparando"? Engraçadinho...

— O que aquele Mané "bitonhudo"* quis dizer? Estava te paquerando e teve a petulância de falar na minha cara?

— Seu bobo, veja isso! – Passou para mim o panfleto.

—Vai participar?

— Não sei, vou pensar. Faz par comigo?

— É competição, não "caíção" você não entendeu?

— Dar para vir treinar. Veja aqui, quem fizer inscrição ganha uma hora e meia para treinar livre. Nem que fosse somente para ganhar essas horas já valeria à pena.

— Mas você gosta mesmo dessas coisas, hein?

— Adooro...

— E de mim?

— Estou gostando de cada momento que estamos passando juntos. — E me deu um beijo no rosto.

— Venha aqui e me beija direito! – Depois do beijo perguntei – Vamos comer algo aqui?

- Vamos.

Fomos para casa e combinamos assistir tevê mais tarde. Como sempre ela me despachou dizendo que precisava fazer algumas coisas. O que será? Eu já pensava numa surpresinha...

Eu me sentia acabado, deitei um pouco e deu preguiça, acabei pegando no sono. Meu corpo doía todo. Brinquei com ela que teria que fazer massagem na minha bunda.

A música começou a tocar e eu não havia tomado banho. Combinamos que, quando ela colocasse a música eu poderia ir. Teria terminado o que precisava fazer, — A tal coisa.

Tentei levantar rápido, mas não deu. Ia precisar de um analgésico e muito carinho, essa era a parte boa.

Saí do banho e outra música tocava. Agora diferente, não mais as clássicas horríveis para dormir. Era Rod Stewart – I don't to talk about it.

Hum... será que a letra significava alguma coisa?

Eu não quero conversar sobre isso. Sobre como você partiu meu coração...

Ah não... Era coincidência... Nem isso, ninguém partiu nada!

A música acabou e ficou sem nada por um tempo. Nossa! Será que estou atrasado e ela ficou brava? Comecei a me apressar. Escutei algo estranho. O que era aquilo?

Santo Deus!

Alguém transava? Que barulho era aquele?

Que isso?

Senti um frio subir pela minha coluna e uma raiva me doer por dentro.

Saí feito um louco do meu apartamento, bati com as mãos na porta e tocava campainha sem parar. Ela abriu assustada um tempo depois.

— O que foi? Está doido?

— Estou! Quem está aqui?

— Ninguém.

— Não minta para mim! – gritei.

— Pare com isso! Não tem ninguém aqui, eu te esperava.

— E mais alguém? Vai ter uma ménage a trois?

— Uiê! O quê? O que você está falando, Rafael?

Eu fui entrando e ela começou a gritar para eu não entrar no quarto dela. Ah é?

— Por que não? Está escondendo alguém?

— Claro que não! Mas não dê mais um passo.

Então eu abri a porta.
E fechei na mesma hora que escutei os sussurros e gemidos vindos de dentro do quarto.

— O que está acontecendo aqui? Quem está lá dentro? Você empresta seu quarto pra alguém? Você participa disto? — Eu estava descontrolado.

— Quer ficar calado! — exclamou totalmente abalada.

— O quê? — falei mais alto — Não podemos atrapalhar os "pombinhos"?

Andei de um lado para o outro sem entender o que acontecia. Por mais liberal que eu fosse não conseguia acreditar no que ocorria ali. Onde eu me encaixaria? Será que teria mais um convite para essa noite? Troca de casais?

— Maria Eduarda, eu não sei o que se passa pela sua cabeça, mas nós nem transamos ainda e você quer o quê? Você tem gostos diferentes? É isso? — Ela sentou no sofá colocou a cabeça entre as mãos. – Eu não sou assim tão liberal. Não aceito certas coisas. Gosto de privacidade e de está sempre no comando. Não sou adepto a grupo.

Ela olhou para mim com seus olhos espantado, como se eu estivesse falando besteira. Caracas! Como pude enganar tanto com essa menina. Essa carinha de anjo...

— Era sobre isso que você queria conversar? Você estava esperando um momento para me contar? — Ela balançou a cabeça devagar entre sim e não, mas não falava nada. — Precisava ser assim?

Respirei fundo para colocar os pensamentos em ordem. Não poderia falar nada que ela pudesse me mandar embora e nem achar que aceitaria aquilo.

— Tudo bem, se quer contar essas coisas venha para o meu apartamento. Não quero ter que encontrar com ninguém aqui. — Tentei pegar a sua mão. Ela não aceitou.

— Posso falar? — perguntou.

— Claro! Quero uma explicação! Estou esperando. Ou você acha que me faz ficar a seco sem transar por tanto tempo e agora vem com essa novidade! — exclamei.

Ela deu um sorrisinho sacana. Filha da puta, agora vai foder tudo. Ela virá com uma proposta indecente e eu vou perdê-la de vez. Para sempre mesmo, pois não vou aceitar isso.

— Maria Eduarda, por favor, não! — Parei a sua frente. — Vamos ter nossa noite juntos, sozinhos, somente nós dois. Eu posso de provar que sou bom nisto. E não precisa de mais ninguém.

Ela soltou uma gargalhada e não parava mais de rir.

Fiquei puto da vida.

Quem ela pensa que é para rir assim de mim? Que eu não dava conta?

Virei e fui em direção a porta, não iria ficar ali para ser motivo de gozação dela, e quem mais estivesse naquele quarto.

Ela correu e entrou na minha frente. Percebeu que eu falava sério e minha cara de raiva, por isso pediu.

— Espera! O que vai fazer?

— Você acha que vou ficar aqui para quê? Para você continuar rindo na minha cara!

— Se você parar de falar bobagem, eu explico, resolveremos esse assunto de uma vez por todas.

— Pode falar, mas eu já vou avisar que nada vai me convencer a isso. — Mostrei a porta do quarto.

Ela pegou minha mão e caminhou em direção ao seu quarto.

Travei na porta. Parei. E ela me olhou.

— Eu não vou entrar aí — afirmei.

— Rafael, deixe de besteira! Entre!

— Não vou nem fodendo. — Soltei sua mão e me afastei.

— Rafael! Por favor, não torne a coisa mais difícil para mim! Não tem ninguém aqui dentro.

— Como não? De quem são aqueles... Sons?

— Eu vou te mostrar. Venha?

— Não! — Fui firme.

Ela jogou as mãos para cima e abriu a porta. Alguém havia acabado de chegar ao clímax. Urrava.

Ela entrou e de repente os sons pararam. Eu caminhei devagar até a porta. Ela encontrava-se parada no canto do quarto. Entrei olhando por todos os lados. Realmente ela encontrava-se sozinha. Uma luz do abajur e a tela do seu notebook clareavam o quarto. Olhei para ela, depois para o note, segui um fio que dava a uma caixa de som presa na parede.

— Ãn?

Reparei a parede. Ela era toda revestida de algo emborrachado, acho que não, uma espuma. Uma vedação a som. O quê?

Balancei a cabeça, precisava entender o que acontecia ali.

— Você vai falar? — por fim perguntei.

— Você não conseguiu entender ainda?

— Estou tentando, mas está difícil, prefiro escutar de você.

— E eu preferia não ter que explicar — murmurou sentando na cama.

Aproximei dela e sentei de frente ao seu notebook. Apertei o play, apareceu um casal deitados lado a lado na cama controlando a respiração. Fui mexendo. Abri as pastas dos arquivos e fui olhando...

Eram cenas de filmes pornôs, clipes de músicas variadas, musicais de danças e patinação artística.

— Era isso que eu escutava?

Ela balançou a cabeça que sim.

— Você nunca esteve com homem nenhum aqui?

— Não — sua voz saiu baixa e rouca, mas balançou a cabeça negando.

— Por que você fez isso?

Ela ficou calada. Sentei a sua frente após desligar o note. Seus olhos estavam brilhantes fixos em mim, como se fosse chorar.

— Fale Duda, por que você me fez acreditar que transava com alguém aqui.

— Tudo começou quando você chegou no início do semestre. Eu não te conhecia, nunca tinha te visto. Mas você começou a trazer a cada dia uma garota para passar a noite com você e não me deixava dormir. Tive que passar a dormir na sala, o que me fazia acordar toda quebrada na manhã seguinte. Isso foi me dando uma raiva danada. Até que baixei alguns vídeos e coloquei para você ver o que era escutar essas coisas e não dormir.

— Puta merda! Você é doida? — perguntei indignado.

— Não! Eu nem sei se pensei muito no que iria fazer, mas quando fiz achei engraçado. Principalmente, por que você ficou puto comigo e, apenas por isto, fiquei me sentindo vingada.
Foi então que a Sabrina me mostrou você, amigo no ficante dela e disse que achava ser meu vizinho. Eu quase morri. Porém, eu já havia feito e não tinha como voltar atrás.

Comecei a rir relaxado. Balançei a cabeça não acreditando em tudo aquilo.

Escutamos o celular dela tocar, ela levantou e foi pegar.

— Oi mãe. Tudo bem? Sim. Não. Sim. Não!!Não! Mãe! — Olhei para ela estranhando aqueles monossílabos. — Sim. Tudo bem. Até amanhã, mãe!

🦷🦷🦷

E agora?
O que vai acontecer? O que a mãe queria?
Cenas dos próximos capítulos...

Lena Rossi

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