Capítulo 20.C
Maria Eduarda
A briga
Para não ser traída pelo meu coração que queria cumplicidade com meus olhos e, não sentir a raiva me invadir por completo, eu mudei de posição para ficar de costas para eles.
O Augusto interpretou errada minha atitude. Decifrou como eu cedendo as suas investidas, dando mais atenção para ele.
Precisava pensar rápido. Mas o quê?
Pensei na Carol e comecei a contar coisas engraçadas que já aconteceu comigo, tanto no balé ou na patinação.
Ele cada vez se sentia mais a vontade comigo, às vezes quando ria tocava em meu rosto, pegava no meu cabelo, vinha com a cabeça em minha direção encostando no meu ombro o que me deixava em situação, por um lado confortável para fazer ciúmes no Rafa, mas por outro, desconfortável. Isso porque ele poderia considerar que teria alguma chance comigo, isso não era verdade. Ele não me interessava nem um pouco.
Salvando-me de constrangimentos maiores a Bri chamo-me para ir ao banheiro com ela. Pedi licença e saímos.
Sabia que ela queria contar do Rafael. E não errei. Fiquei assustada dela contar que ele quase partiu para briga porque o Guto pegou no meu cabelo e deitado no meu ombro. Ele estava se pelando de ciúmes. Eu nem sei explicar o que eu senti. Mentira! Sei sim. Adorei.
Bem...
Por um lado, gostei de saber que ele sentia por mim mais alguma coisa. Por outro, estava confusa. Se eu não o quisesse mesmo era só ficar com o Guto na frente dele.
Deus me livre! Poderia dar uma briga daquelas e para quê?
Nada!
Eu não tinha a menor vontade de beijar aquela boca grande do Guto.
— Du, pense bem antes de tomar alguma atitude, o Filé disse que nunca viu o Bem interessado em alguém como ele está em você.
— Eu não sei o que fazer Bri. Eu gosto do Rafael, mas tenho receio dele querer apenas sexo. E me dispensar igual faz com todas as garotas. Penso que ele está agindo assim por que estou sendo um desafio para ele.
— Isso eu não posso te garantir, o que sei é que ele está bem diferente. E o Filé concorda, mas amiga, é você que tem que decidir.
Saímos do banheiro e seguimos na direção que eles estavam. De longe já percebi, ele esperava essa oportunidade para chegar perto de mim. Seu olhar de céu veio ao meu encontro.
— Quero falar com você — falou ao chegar perto.
— Não — respondi.
Ele segurou meu braço e puxou-me, o que me fez bater de encontro ao seu peito. Sentir seu cheiro perto da sua boca me fez ficar com as pernas bambas.
Tivemos um bate boca digno de casal de namorados, coisa que não éramos. Um alfinetava o outro, até que ele me puxou de novo e tentou me beijar, além de eu não deixar, falei muito séria que me encontrava acompanhada e desejava respeito.
Ele pirou!
Vi em seus olhos a raiva estampada. Por outro lado, tive vontade de rir quando falou do Guto parecer o coringa.
Sabia que ele me lembrava alguém e pensei a noite toda quem poderia ser.
Rafael me causava algo que não sabia explicar, como a coragem para dizer tudo aquilo. E na hora que ele me ameaçou e colocou o Guto na conversa dizendo que o arrebentava se eu envolvesse com ele... Eu não pensei um segundo para desafiá-lo.
Até parece que ia sair da casa dos meus pais para ser controlada por um não namorado. Nem ficante e muito menos fixante. Crush! Sei o qual nome eles davam por aqui.
Enfurecida, eu cheguei bem perto para não ter que gritar na sua cara. Aproximei.
Precisava dizer e disse que ele não mandava em mim. Mas seu cheiro.
Seu olhar.
Tudo nele gritava para eu aproximar mais e...
Precisava sair dali.
Fugir dele e de mim.
Teria que ser o mais rápido possível, senão eu não suportaria não cair nos seus braços ou nas suas cantadas. Ficar brava com a sua audácia ficou perigoso demais.
E foi neste instante que Guto aproximou e perguntou:
— Tudo bem, Du? Está acontecendo alguma coisa? — Pegou no meu braço e me tirou de perto do Rafael.
Nem sei como aconteceu, mas na mesma hora o Rafa deu um soco na cara dele.
Fui retirada do local pela Sabrina e o Filé, os outros vieram separar a briga. De longe nós víamos que estava difícil segurá-lo.
Precisaram dos seguranças intervirem para acabar a confusão.
Acabei saindo com a Joy e Alan, ou seja, Jacaré. Joy decidiu que iria chamá-lo pelo nome e eu gostei. Estes apelidos tinham muito a ver com a fama que pegador.
Não fui para casa para evitar perturbação, acreditava que ele iria bater na minha porta.
O Alan passou a noite na casa da Joy, nós ficamos conversando por muito tempo antes de nos recolhermos. Ele também achava o Rafael diferente ultimamente, tudo por minha causa. Nunca tinha o visto reagir daquela maneira.
Eu não queria envolvimento assim.
Às vezes, pensava que nós éramos muito diferentes para dar certo. Outras não...
Precisava conversar com ele, ou terminaria tudo de vez, ou não!
Precisava pensar e pensar muito. Decisão complicada. Nunca passara por nada nem de longe parecido.
Joyce convidou para ficar em sua casa no fim de semana se eu quisesse. Pensaria até amanhecer. Porque dormir, talvez não fosse a opção. E não foi mesmo, quase não dormi depois que a Joyce e o Alan foram para o quarto.
Fiquei pensando na vida. Sinceramente, eu não podia ficar nesta confusão com o Rafa, não fazia bem para mim nem para ele. Nunca me envolvi em nenhum tipo de briga na minha vida. Muito menos homens brigando por minha causa.
Era muito para minha cabeça. Se meus pais soubessem de uma coisa dessas iriam ficar arrasado com minhas atitudes. Eu não poderia deixar que acontecesse isso de novo.
A melhor atitude era por um ponto final nessa história, afinal nem começou.
Acalmar e colocar na mente as palavras certas, eram elas, muito difíceis.
Conversaria com ele.
Somos muito diferentes para dar certo. Era o que eu gostaria e queria acreditar. Precisaria convencê-lo disto.
Voltei para meu apartamento, final da tarde, rezava para não encontrá-lo. Ainda não estava preparada. Foi um alivio quando fechei a porta atrás de mim.
Passavam várias questões na minha cabeça, muitas besteiras. Admito. Cheguei a considerar usar um de meus filmes e acabar com isso da pior forma. Mas não teria coragem, e pior, ele poderia espalhar que eu era "a safada" por todo o campus.
O melhor que eu poderia fazer era priorizar meus estudos e esquecer os homens. Ou melhor, um em específico chamado Rafael. O Bem. Bem lindo por sinal. Se ele fosse feio e beijasse mal já teria me ajudado consideravelmente. Mas não...
Como diz a Joyce: "Homens!! Quando não dá certo melhor nem insistir. Os certinhos fazem trapalhadas, agora os safados, já vem com rótulo de especificação por todo lado. Cuidado!! Produto perigoso!"
🦷🦷🦷
E aí galera linda do meu core... Tudo Bem? Bem lindo?
O que será que a Duda vai decidir?
Ela quer... mas ao mesmo tempo tem medo...
O que fazer?
Vocês poderiam ajudá-la a pensar?
Eu quero saber.
Ate mais.
Lena Rossi
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