Capítulo 13

Oliver

O churrasco está acabando e eu não vejo a hora de ir embora, não aguento mais. Gosto de festas mas me canso com facilidade de precisar interagir tanto.

— Coé, cara, tô falando contigo – Garret clama por atenção e me viro para ele.

— Foi mal, estava distraído, fala de novo.

Garret chegou uma ou duas horas depois de mim.

— Como eu estava dizendo, fico com qual daquelas duas? A loirinha ou a morena? – aponta para as duas garotas que nos olham.

— Sei lá, cara, fica com a loira – digo sem realmente pensar.

— Fé, tô indo lá então – se despede e eu aceno, desinteressado.

Levanto decidido a pegar mais alguma coisa para comer. Realmente quero embora, mas como vim com o Hugo e a Emily, não sei se eles planejam voltar comigo ou não. Falando em Emily, ela não falou comigo uma única vez desde que chegamos. Se concentrou em sumir com Enzo e conversar com suas amigas. Será que está muito difícil para ela ver que eu quero ficar com ela? Como ela não sacou que tinha sido eu que tinha pedido para o Caio ir falar com ela, na esperança — inútil, vejo agora — de que ela me escolhesse e não o Enzo? Francamente.

— Oliver —, Davi me chama. — Tô indo embora, mano, quer carona? – oferece

— Oferta tentadora, mas vou voltar com o Hugo e a Emily, valeu.

— Beleza – ele rouba uma batata frita do meu pote e olho feio para ele.

— Mas falando neles, sabe onde eles estão? – pergunto

— O Hugo sumiu com a Camila, acho que eles estão em um dos quartos, agora a Emily... — vira a cabeça procurando. — Achei! Tá bem ali com o Garret! – aponta e eu me viro para olhar.

Aparentemente a conversa entre os dois não está sendo lá essas coisas. Emily parece irritada, gesticulando igual uma doida e Garret eu não consigo ver tão bem, mas aparenta estar tranquilo.

Davi se despede mais uma vez e eu continuo olhando para onde Garret e Emily estão. Sei que a garota não é muito fã dele, mas estou na duvida entre ir lá e me meter ou deixar os dois se resolverem sozinhos. Afinal Emily sempre deixou claro que não é do tipo que fica esperando ser salva por ninguém. Como mais algumas batatinhas e quando Garret começa a puxar Emily pelo braço, claramente contra a vontade dela, eu decido intervir.

Ando até eles o mais rápido que consigo e em tempo de ouvir Emily pedir para que ele a solte

— Escuta ela, Garret, solte – digo me metendo e Garret me olha debochado.

— Não se mete, Oliver, sai daqui – ele pede.

Antes que eu possa fazer ou falar alguma coisa, Emily rapidamente puxa seu braço do aperto de Garret. Antes que ele possa reagir, Emily usa as mão para puxar os dedos de Garret para lados contrários e depois os empurra para trás como se estivesse os alongando, só que com muito mais força. Garret urra de dor e eu fico chocado com a força dela.

— Eu tinha pedido para você me soltar, seu babaca — ela vocifera. — Nunca mais chegue perto de mim, tá entendendo? 

— Me solta, sua maluca — Garret grita mais alto,  atraindo uma plateia —, você está chamando atenção, garota, me solta!

— Vamos embora, Emily. – A chamo, temendo que quebre os dedos de Garret.

Se bem que pela forma que ele vem agindo, não seria de todo mal que ele quebrasse os dedos.

Ela me olha e assente. Antes de soltar Garret ela ainda vira mais os dedos dele para trás, que tensiona o maxilar.

— Você vai ficar do lado dessazinha? – Garret pergunta, tendo a cara de pau de parecer ofendido.

— Você está agindo feito um filho da puta — acuso. — Sua sorte é que os irmãos dela não estão aqui, se não você estaria fodido. – Falo antes de puxar Emily para sair da rodinha que tinha se formado.

Reviro os olhos ao ouvir os cochichos e levo Emily para dentro da casa, a pondo sentada no sofá.

— Você está bem? Ele te machucou? – pergunto preocupado

Emily só assente e eu examino ela com os olhos. Seu braço esquerdo está vermelho e provavelmente vai ficar roxo mais tarde. Tento controlar a raiva que me sobe de Garret por ter machucado Emily.

Conheço a garota há menos de um mês e já estou assim? 

— Quero ir embora – ela murmura.

— Claro, sou só procurar o seu irmão – me levanto mas Emily segura meu braço, me impedindo de sair de perto dela.

— Ele foi embora com a Mila. – Explica e eu contenho um gemido de frustação.

Todos os nossos amigos já tinham ido embora, nem o Enzo, o dono da festa, eu estou vendo mais. 

Opto por chamar um Uber, que chega em menos de dois minutos. Emily passa o caminho até a casa dela todo em silêncio, mesmo com minhas falhas tentativas de puxar conversa. Saímos do carro ainda em silêncio e espero ela abrir o portão para entrar.

Quando vou me despedir, ela balança a cabeça em negação e abre espaço para que eu possa entrar também, me surpreendendo. Observo Emily tirar o sapato e largar a chave na mesinha perto da porta. Ela começa a subir as escadas e some no corredor. Mando uma mensagem para  Hugo, explicando mais ou menos o que aconteceu e que é para ele vir para a casa dele logo, mas minha mensagem nem chega para ele. A bateria deve ter acabado ou ele desligou o celular. Mando uma mensagem para o amigo dela, o Caio, na esperança de alguém vir me ajudar. Tenho experiência com garotas chorando, já que minha irmã sempre foi muito emocionada, mas Emily não parecia com vontade de chorar.

Depois de vinte minutos Emily desce, já tomada banho, com o cabelo cacheado molhado e preso em um coque frouxo, vestindo um baby doll cinza e no pé meias de gatinho.

— Emily? – chamo e não recebo resposta.

Ela segue em direção a cozinha e eu vou atrás.

— Garota, fala comigo – de novo, ela não responde.

Sento em uma das cadeiras giratórias da bancada da cozinha e observo Emily abrir os armários e começar a tirar farinha e açúcar de lá de dentro, depois abrir a geladeira e pegar ovos e uma barra de chocolate. 

Ainda sem falar comigo, Emily começa a misturar os ingredientes e eu entendo o que está fazendo. Cookies. Quero rir, porque ver Emily fazendo biscoitos numa situação dessas me lembra a Izzie, de Grey's Anatomy, que quando ficava triste na série, começava a fazer um monte de comida.

Fico observando ela preparar, preocupado. É normal alguém ficar quieto por tanto tempo? Me levanto, já pronto para perguntar de novo se ela está bem, mas antes que eu possa fazer alguma coisa, Emily empurra a barra de chocolate para mim e uma faca. Assinto, começando a picar o chocolate.

— Você pode ir embora, se quiser – ela finalmente abre a boca, depois de tirar os biscoitos do forno.

— Cadê os seus irmãos? – pergunto, ignorando o que ela disse, mas ela só dá de ombros. — O Scott?

— Tá no Rio, só volta segunda.

— E o Brian? Não vou te deixar aqui sozinha – digo e ela ri.

Ri!

— Do que você está rindo, Emily? – pergunto já me irritando, porque ela estava gargalhando

Espero que ela se acalme, mas só piora. A gargalhada começa a dar lugar ao choro, até que os ombros de Emily começam a tremer e ela soluçar.

A princípio, fico sem reação, mas depois me achego a puxando para um abraço.

— Tá tudo bem, Emily, já passou. – passo minha mão com cuidado por seu cabelo, desfazendo o coque sem querer.

Ficamos abraçados no meio da cozinha até Emily se acalmar e se afastar, indo pegar os biscoitos.

— Desculpa ter rido, não estava rindo de você – se desculpa e eu faço um sinal com a mão de que não ligo.

E não ligo mesmo, não depois de um choro desses.

— Sem problemas. O que a gente vai fazer com esses biscoitos?

— Eu vou comer, você pode ir embora, Oliver. Tá tudo bem. Já passou – reviro os olhos, me irritando de novo.

— Não vou a lugar nenhum, Emily, deixe de ser cabeça dura – reclamo, mas ela só dá de ombros passando por mim e indo para sala.

Sigo atrás dela, me sentando no sofá ao seu lado. Emily liga a TV, procurando um filme. Até penso em dar uma sugestão, mas fico quieto e espero, já que ela parece estar a procura de algo específico, acho que ela encontra, porque dá um sorriso orgulhoso quando entra na cinelist de Missão Impossível e põe o primeiro filme para rodar.

🔆

Já estávamos no quarto filme e nem sinal dos irmãos de Emily. Já liguei para Hugo umas vinte vezes, mas sempre cai na caixa postal. Estou aliviado, já que depois do choro na cozinha, Emily não chorou nem mais uma vez. Os biscoitos já acabaram e eu já estou com um pouco de sono. Agradeço mentalmente por não ter bebido muito, porque senão eu estaria péssimo agora.

— Seu celular tá tocando. – Emily avisa, me tirando dos meus pensamentos.

Pego o celular que estava na mesinha de centro e vejo o nome da minha irmã na tela. Atendo antes que ela começasse a mandar mil mensagens, às vezes Anitta consegue ser um pouquinho exagerada.


— Aonde você está, Oliver!? – afasto o celular do ouvido com o grito que ela dá.

— Oi, Anitta, tá tudo bem com você? Porque eu vou bem, obrigada por perguntar – sou irônico.

— Diz logo, Oliver — ela ignora o que eu digo. — A mamãe está a um passo de ligar para a polícia.

— Eu avisei que ia passar o dia fora, não sei porque tanto alarde – respondo, sem entender porque minha mãe é tão dramática.

Já são quase nove horas da noite e hoje é a folga dela, ela te queria em casa — reviro os olhos. — Mamãe disse para você chamar um Uber e vir para casa agora.

Respiro fundo.

— Ok. Tinha esquecido que hoje ela folgava. Daqui a pouco chego aí.

Vem direitinho. Te amo, Ollie.

— Também te amo e pode deixar. Beijo.

Finalizo a chamada e Emily nem esconde que estava prestando atenção.

— Eu falei para você ir embora – ela diz, apontando para o celular.

— Dessa vez eu vou mesmo. Mas você podia ser mais agradecida, né? Fiquei aqui com você, assisti a quatro filmes com o Tom Cruise pulando de prédio em prédio e nem um "obrigada, Oliver, você é demais". – Faço uma imitação bem ruim da voz dela, para que ria um pouco e fico feliz por ter dado certo.

— Eu não pedi para você fazer nada disso, pedi? – dou de ombros, porque ela realmente não pediu, mas nunca que eu deixaria Emily ou qualquer outra garota na mão numa situação daquelas.

Mas confesso que me dá uma murchada ouvir ela falando assim. Precisava ser tão orgulhosa?

— O carro está a sete minutos daqui, vai chegar rapidinho. – Mudo de assunto.

Suspiro cansado, não estava nos meus planos terminar o dia assim.

aí, olha, tá ficando difícil passar pano para a Emily assim

nem um obrigada.

foram quase 2000 palavras hoje, perdão😅🙊

esse foi o golpe aplicado pela Emily, galerous:

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