Três: Fugir?

"E agora como vai ser, meu Deus?"

"Será que consigo mesmo lidar com tudo isso?"

"Que besteira! Claro que consigo! Consigo, não é?"

Essa e outras perguntas resumiam bem a agitação da minha mente desde que ouvi a famigerada notícia: “Teófilo está voltando do Equador para cá”. Desde então meu trabalho para manter as emoções sobre controle triplicou.

Eu me sentia dividida entre ignorar completamente aquele assunto e pensar em quais eram as chances e como tudo poderia dar errado quando eu reencontrasse aquele velho conhecido novamente.

Qual era o meu problema?

Por que não conseguia ficar feliz com as novidades?

Ah, sim, talvez porque eu não só fui perdidamente apaixonada, como também, não intencionalmente, fiz com que Teófilo soubesse disso! Ou seja, meu leve abalo estava totalmente e absolutamente justificado.

De um momento ao outro, toda a nossa história juntos veio à tona e, surpreendentemente, eu ainda lembrava com detalhes de tudo. 

Vi Teófilo pela primeira vez acompanhando sua avó em um culto da família na igreja onde fui praticamente criada. Ele tinha quinze e eu, onze anos, pirralha demais para se interessar por alguém, sei disso. Em minha defesa, eu não me interessei logo de cara, afinal, apesar de ser bonitinho, Téo era também sinônimo de mistério, não se mostrando a pessoa mais desinibida e conversadeira do mundo. Entretanto, quando se tornou, de fato, um membro da congregação e passou a frequentar a mesma classe de escola dominical na qual eu também havia sido matriculada pude ter uma nova perspectiva daquele ser.

Até então eu não acreditava em príncipe encantado. Minha mãe sempre me ensinou a não confiar em desenhos infantis de princesas, pois até mesmo o mais belo homem da realeza não passava de um pecador. Contudo, foi impossível não enxergar Téo como meu príncipe quando o ouvi contando com um misto de coragem e timidez ao professor da nossa classe que nunca havia beijado uma garota e nem pretendia, pois fora ensinado pela avó e seu antigo pastor que deveria guardar esse gesto para sua esposa.

"Preciso me casar com ele" foi o primeiro pensamento vergonhoso que me veio a mente quando ouvi as convicções dele.

Nem mesmo preciso dizer que depois disso, eu entrei de cabeça naquela paixão platônica e o resultado não foi nada agradável.

Tentei resistir aos sentimentos, mas Téo também não ajudava. Além de muito bonito e gentil com todos, ele era, sobretudo, um cristão de verdade e demonstrava fé e temor a Deus em seu modo de agir. Com isso, minha expectativa de viver um romance ao lado dele só aumentou, mesmo sabendo todos os impedimentos óbvios existentes entre nós. Além de eu ser muito nova e imatura em tudo, nem mesmo o ensino médio eu havia começado. Sendo assim, como raios ele se interessaria por mim?

Vendo minha crítica situação, algumas amigas mais próximas da igreja se compadeceram de mim e me apoiaram naquela causa. E com apoiar, quero dizer que, na verdade, elas colocaram lenha na fogueira dos meu coração sem se preocupar com os riscos de alguém sair queimado. Mas, pra ser sincera, eu sequer pensava nas chances de me machucar ou ferir outra pessoa e achava até divertido me ajuntar com aquelas meninas mais tolas do que eu, com objetivo de fantasiar e bolar planos mirabolantes para que assim, Téo me notasse.

Minha falta de noção foi tão grande que quase cedi quando me proporam declarar meus sentimentos a ele de uma vez. Não fiz isso, graças a Deus e apesar de tentada, mantive-me firme às minhas convicções, tendo certeza que desespero nenhum nessa vida me levaria a passar por uma humilhação tão grande. Seria mais seguro esperar no Senhor, mesmo que demorasse anos.

Apesar disso, eu não conseguia abandonar aquela paixão impossível e era rebelde mesmo quando os nãos do Senhor eram claros como água. Foi assim que, para me ensinar e repreender, Deus permitiu que minha precipitação me colocasse numa posição de grande humilhação.

Sim, errei feio!

Minhas atitudes foram um verdadeiro desastre e jamais me esqueceria do quanto sofri por conta delas. Só depois de muito refletir, vi o quanto fui abençoada, pois meu Pai Celestial agiu com misericórdia comigo e me poupou de um grande constrangimento quando levou Teófilo para o campo missionário, bem longe de mim, me impedindo de encará-lo depois de tudo o que fiz. Era como se o Senhor me dissesse: "Tudo bem, Bianca, minha filha, você fez uma grande burrice, mas não se preocupe vou te dar graça e a livrarei da vergonha, mandarei esse garoto embora e você poderá crescer no evangelho antes de pensar em se apaixonar novamente".

Após aceitar isso fiquei mais tranquila e, às duras penas, acabei aprendendo grandes lições sobre precipitação. Até prometi a Deus que não agiria tão imprudentemente, deixando meu coração ser levado por um sentimento platônico sem nexo outra vez.

Sim, aí estava o meu consolo!

Teófilo foi o meu primeiro e último erro com os assuntos do coração e eu poderia muito bem explicar para ele o quanto mudei naqueles últimos anos. Eu já não era mais a mesma garota tola, tinha certeza disso. Além do mais, sendo um cristão maduro, como imaginava que ele era, certamente compreenderia, não é?

Só de pensar por esse perspectiva, eu ficava mais calma. Já até me imaginava conversando casualmente com Téo, perguntando dos seus anos em missões, rindo de alguma coisa estranha do nosso passado, tudo sem estresse, como deveria ser.

Mas e quanto as meninas? O que elas diriam caso descobrissem sobre meus erros? E se me chamassem de hipócrita?

Imaginei todo o contexto onde Manuella ou uma das moças mais novas me confrontavam dizendo coisas, como: "Quem diria, hein, Bianca? Não era você quem vivia nos mandando guardar o coração e blá-blá-blá?". Isso seria possível, mas...

Meu Deus, chega!

Onde eu estava com a cabeça para me permitir surtar assim?

Era apenas Teófilo.

Sem dúvidas, eu podia perfeitamente lidar com tudo aquilo como a dama que era. Todavia, se quisesse um pouco de paz, talvez devesse tomar algumas medidas.

— Você tem certeza disso, Bibi? — Naiara perguntou enquanto me olhava com espanto.

— Sim, eu só vou esperar o pastor concluir esse módulo do curso e vou lá falar com a Lídia — respondi no mesmo tom. — Passei a noite pensando e depois de orar bastante durante todo esse dia, cheguei à conclusão que o melhor agora é eu passar um tempinho longe dessa base.  

Naiara balançou a cabeça, fez umas caras e bocas e olhou para o pastor a frente do auditório improvisado, enquanto balançava as pernas freneticamente.

— Bem, se você orou e Deus te deu uma resposta, então, tudo bem fugir dos seus problemas...

— Fugir? Quem está fugindo? — Cruzei os braços, indignada e ela ergueu uma sobrancelha. — Tudo bem, depois do que aconteceu ontem com o você-sabe-quem o clima ficou muito estranho e admito estar um pouquinho desconcentrada no meu trabalho graças a expectativa da chegada do outro você-sabe-quem, mas fiquei comovida com Lídia contando que só conseguiu convencer você a ir para Canto da Sereia. Quero ajudar.

Naiara balançou a cabeça e pelo seu olhar, certamente deveria me considerar uma cabeça dura.

— Sei... — Ela deu de ombros. — Só quero dizer que compreendo. Se eu estivesse no seu lugar e tivesse rejeitado um garoto que está claramente ressentido e precisasse encarar um antigo amor, também desejaria fugir o mais depressa possível.

Revirei os olhos. De onde ela havia tirado aquilo?

— Em primeiro lugar, Micael vai superar. Logo encontra outra que não resista ao seu charme — nesse momento encarei o rapaz no outro lado da sala bem a tempo de flagrá-lo me lançando um daqueles olhares sérios, como se eu fosse culpada das atitudes dele —, depois, não tenho problema algum com Téo. Na verdade, ele é muito chegado ao meu pai, que é o seu mantenedor.

— Sim, mas você não me disse quão confrangedor foi quando...

— Sei muito bem o que fiz, tá legal? E são águas passadas — expliquei rápido ao notar os olhares de umas garotas, claramente incomodadas pelo fato de Nai e eu estarmos discutindo aquele assunto no meio de uma importante aula de interpretação bíblica. — Agora chega desse assunto. Já tomei minha decisão.

Vencida e sem mais oposições para argumentar, Naiara deu de ombros.

— Sim, eu sei que tomou — sussurrou. — Lidia e eu vamos no sábado. São quatro dias para pensar se quer mesmo deixar essa base. Quero muito que você vá, mas pelos motivos certos. Por isso, seja prudente e sábia.

— Eu serei, se Deus quiser — garanti e embora meus olhos estivessem voltados para o pregador a frente, minha atenção estava longe, ponderando sobre meus problemas atuais e as possíveis soluções a serem tomadas.

Permanecer naquela base onde iniciei minha vida missionária e encarar meu passado vergonhoso e presente confuso de peito aberto ou seguir Lídia para outro projeto e deixar as futilidades de lado a fim de dedicar ao Senhor sem preocupações? A resposta me parecia clara.

Embora fosse um pouco assustador interromper todo o trabalho em qual me empenhei por meses e seguir um novo caminho, eu queria atender os conselhos de meu pai quando me instruiu a esquecer a vaidade e confiar sempre no Senhor, dependendo dele sem reservas, ainda que para isso fosse necessário deixar o conforto de lado e assumir novas funções. Enfim, à despeito das circunstâncias, meu coração se encontrava em plena paz, afinal já havia pedido a direção do Senhor e sabia que tudo ocorreria conforme o querer Dele e não o meu.

Ao término da aula, alguns avisos foram passados, incluindo a chegada de um novo líder no dia seguinte. Meu coração idiota acelerou contra minha vontade e minhas pernas tremeram. Para o meu espanto, a simples menção do nome de Téo gerou certa comoção no pessoal. Inclusive, pude ouvir alguns comentários de certas moças solteiras, que chegaram a conhecê-lo e fiquei curiosa ao perceber tantos elogios entusiasmados quanto a fé, e claro, beleza dele.

— Olhe lá, não queria falar com a Lídia? Ela me avisou que iria sair agora a noite, então, provavelmente você só a verá de madrugada — Naiara apontou para a nossa líder já reunindo seus materiais, pronta a deixar o auditório.

— Bem, se é assim, eu prefiro resolver isso logo. Me espera para a janta? — perguntei e ao vê-la confirmar meu convite, pedi licença e saí.

Tracei o curto caminho a passos largos e já estava alcançando a moça loira quando notei que, para o meu azar, Micael teve uma ideia semelhante à minha, resolvendo abordá-la naquele mesmo momento. Fui coagida internamente a abortar meu plano e deixá-lo para uma outra oportunidade, querendo ao máximo evitar qualquer tipo de confronto com aquele a quem rejeitei. Contudo, quando eu já fazia menção de retornar de onde vim, fui notada.

— Bibi, querida, está precisando de algo? — ouvi a voz de Lídia soando e não tive mais por onde fugir.

Suspirei e, voltando aos meus objetivos iniciais, decidi me aproximar, sem conseguir disfarçar o constrangimento por ter os olhos de Micael observando meus movimentos.

— Na verdade, se tiver um tempinho gostaria de falar com você — declarei e procurei me manter focada à mulher agitada.

— Bem, estamos um pouco atrasados para um compromisso. É muito sério? — ela sondou e me convidou a segui-la em direção a saída do auditório, acompanhadas, é claro, pelo intruso ao nosso lado.

— É sobre o projeto na igreja do pastor Cléber — contei rápido. — Soube que partirá nesse sábado.

— Sim! Ainda estou tentando convencer as novatas a irem — contou um pouco eufórica e eu sorri em acordo. Quando menos esperei, Lidia me abraçou lateralmente. — Ah! Sentirei a sua falta, minha menina. Não se preocupe, viu? Só vou abandoná-la temporariamente e se continuar por aqui certamente farei questão de vir visitá-la de vez em quando.

Dei risada com aquela demonstração de afeto exagerada e resolvi dar logo a boa notícia.

— Sabe, para ser sincera, estive pensando e caso, o convite ainda esteja valendo, gostaria de acompanhá-las. Conversei com o professor Maurício e ele prometeu dar assistência dobrada aos meus alunos — revelei e Lídia parou sua caminhada no mesmo instante apenas para me encarar. — Não estou brincando.

Ela levou algum tempo para processar minhas palavras, mas quando enfim compreendeu, abriu um largo sorriso, batendo palmas.

— Claro que o convite está valendo, Bianca! — declarou com grande entusiasmo. — Graças a Deus minhas orações foram atendidas.

Aquelas palavras aumentaram mais a certeza de que minha decisão não fora equivocada. Fiquei até mais tranquila e permiti me dar a liberdade de, tal como Lídia, expressar a alegria. A animação foi tanta que até concordei com a ideia dela de promovermos uma confraternização de despedida ainda naquela semana.

— Lídia, o Júlio já ligou e está nos aguardando lá na frente. Temos que ir ou vamos acabar atrasando — a voz grossa de Micael soou para acabar com a nossa graça.

Eu havia praticamente me esquecido da presença dele ali e me senti incomodada ao contemplar seu rosto e perceber o descontentamento evidente.

Será que ele era um daqueles caras que não sabiam lidar com um "não"? Já havia passado por uma situação semelhante uma vez e no fim da história, precisei usar meus conhecimentos adquiridos nas aulas de defesa pessoal contra um tal irmão em Cristo que me desrespeitou. Que não se repetisse, amém!

— Volto mais tarde e conversamos melhor — Lídia se despediu de mim com um abraço rápido e se afastou um pouco. 

Micael também se deu o trabalho de ao menos vir me cumprimentar e aproveitou a pequena distância de Lídia para me abordar:

— Olha, Bianca, não precisa ir embora por conta do ocorrido entre nós. Se o problema sou eu, prometo que não vou importuná-la novamente — ele declarou baixo e não me deu a chance de respondê-lo apropriadamente, saindo da minha vista logo em seguida.

"Ah, ótimo! E agora essa!" Bufei, inconformada com tamanha infantilidade e, exausta de todo aquele drama, preferi não me importar, indo logo ao encontro de Naiara me esperando para a janta.

Pensei que teria um pouco de paz durante a refeição, porém mal havia tomado um lugar à mesa e logo vi que Teófilo seria indiscutivelmente o assunto comentado do momento. Meu corpo ficava até coçando a cada referência ao jeito ou às ações dele e tive como único consolo o fato de que não seria preciso lidar com situações embaraçosas como aquelas por muito mais tempo. Em breve meus nervos voltariam ao seu estado normal de tranquilidade, sem dramas, sem paixões antigas ou admiradores nada secretos.

— E ele, por acaso, é solteiro? — ouvi Manu sentada ao meu lado, questionando uma das mais antigas participantes do projeto, sem um pingo de discrição, como de costume.

— Sim, mas tire seu cavalinho da chuva. Aliás, isso é pra todas vocês.Teófilo não dá espaço ou intimidade para as moças. Creio até que seja um daqueles chamados ao dom do celibato — a outra respondeu com todo um ar de mistério e conseguiu me fazer questionar se seria possível eu ter conseguido me apaixonar uma única vez por um celibatário? — Ele é legal, mas também é muito reservado, o que complica bastante a aproximação.

— Quando o vimos por aqui no ano retrasado até brincamos com algumas colegas, especulando qual deveria ser o grande segredo do passado escondido dele, já que ele sempre era muito evasivo sobre suas origens — respondeu a amiga forçando todo um tom de mistério. — Muitas teorias surgiram, mas nunca descobrimos a verdade.

Bem, o Teófilo que conheci um dia era bem reservado, mas era um rapaz comum, nada daquilo que as meninas estavam especulando.

— Segredo? — Ri, escarnecendo. — Pelo amor de Deus, não há nada de obscuro em suas origens. O pai dele é mecânico, a mãe enfermeira, são divorciados... — parei de falar quando percebi aqueles olhos curiosos voltados para mim.

— Eles eram da mesma igreja — Naiara respondeu por mim e me encarou como se quisesse ter certeza se devia ou não ter esclarecido.

— Olha só! Essa é novidade — Heloísa comentou intrigada. — Estão você o conhece bem, suponho?

— Sim, mas já não o vejo há oito anos — expliquei sem muita vontade de fazer parte daquele assunto. — Ainda assim, pelo que me lembro, ele é um ótimo rapaz.

— E então? Ele é mesmo tão bonito quanto dizem? — Manu quis saber cutucando meu braço.

Minhas bochechas queimaram como fogo e eu achei um absurdo precisar responder aquilo.

— Oras! Como posso saber? Ele deve ter mudado muito! — exclamei e senti a coceira retornando.

— E você acha que ele é celibatário? —  foi a vez de Heloísa me importunar.

Bufei impaciente e contei até cinco, esperando a manifestação do domínio próprio em mim.

— Ah, não sei! Quer saber? Meu dia foi longo e estou exausta e não gosto nada de ficar falando sobre garotos pra lá e pra cá. Podemos mudar de assunto? — perguntei um pouco irritada e percebi nesse instante quão estressada e necessitada de um descanso eu estava. — Deixa pra lá, é melhor eu ir dormir mesmo.

Desejei boa noite a todas ali e após lavar meu prato, segui para o dormitório, aonde depois de um banho frio, troquei minhas roupas casuais por um pijama e deitei na cama disposta a dormir.

Tudo o que eu queria era relaxar, mas minha cabeça estava a milhão. Eu fechava os olhos, mas não conseguia pegar no sono. Virava de um lado para o outro, sentindo a cabeça e o estômago doerem sem explicação.

As horas foram passando, as meninas foram aparecendo para dormir e eu continuei ali na agonia de virar de um lado ao outro, sem encontrar uma posição agradável. Nada era mais desagradável do que insônia.

A agonia se estendeu até umas três da manhã, quando decidi que precisava de ar e um copo de água para tomar com o remédio para dor que sempre carregava comigo para momentos como aquele. Certamente me faria pegar no sono rapidinho.

Fui cuidadosa e fiz o possível para não fazer barulhos quando deixei o dormitório e, meio cambaleante, desci as escadas e segui por um corredor até chegar ao refeitório.

O efeito podia não ser imediato, mas me senti melhor quando o comprimido deslizou com o líquido pela minha garganta. Optei também por me dar mais algum antes de voltar ao quarto e aproveitei o silêncio para orar um pouco, pedindo o derramar da graça do Senhor sobre a minha mente assustadoramente afita.

Envolvida naquele momento de comunhão com o meu Deus, acabei perdendo a noção do tempo e sabendo que em poucas horas o despertador tocaria, achei melhor tentar voltar a dormir. Já estava deixando o refeitório quando vi de longe os faróis acesos iluminando estrada de terra que levava aos portões da base. Pelo ronronar horrível de motor, logo deduzi que só podia ser a nada discreta Kombi do Júlio. Curiosa, fui até a entrada do refeitório e dali fiquei observando toda a movimentação na expectativa de ver Lídia, que àquela hora ainda não havia voltado do tal compromisso para o qual foi com Micael mais cedo. 

Morrendo aos poucos a lata-velha parou no campo, próximo aos alojamentos e isso me deixou um pouco confusa, confesso. Será que Júlio esqueceu o caminho até a área onde os veículos eram costumeiramente guardados ou estava fazendo favor para alguém, encurtando o caminho para o dormitório?

Resolvi esperar para ver.

Não muito depois, algumas pessoas começaram a deixar a perua. Sorri aliviada ao ver minha amiga querida ser a primeira, contudo, mais uma vez estranhei ao ver que ela carregava um estojo de violão para alguém. Em seguida vi duas moças e as ouvi comentando uma com a outra sobre o calor que fazia ali ainda que fosse alta madrugada e estivéssemos cercados de árvores para todos os lados. Bem, elas estavam certas, eu mesma estava derretendo, mas quem eram?

Mantive-me atenta e passei a formular algumas teorias na mente. Enquanto isso, Micael também deixou a Kombi e falava com alguém que não era Júlio. Havia mais um integrante no grupo de novatos. Era homem, alto, moreno, de cabelos pretos e, eu não tive dúvidas, era Teófilo.

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