CAPÍTULO 18
⚠Atenção ⚠
A música no link acima faz parte da leitura. Indicaremos o momento exato para você começar a ouvir e ter uma experiência maior.
Ela sentou na cama, ainda sem palavras pelo o que havia acabado de presenciar, tirou o objeto metálico de seu bolso, colocou-o na palma de sua mão, e observando-o, percebeu uma nova esfera metálica. Agora, a letra V contornava a extremidade vazada do pequeno pingente. Ela abriu sua pulseira cuidadosamente, zelando para os outros não caírem e se perderem pelo chão do quarto, colocou o novo junto ao conjunto, fechando os fechos novamente.
Observando e admirando aquilo que havia sido quase que um presente dado pelo próprio livro, ela observara a junção das letras formando D-I-V. Colocando seu pijama e encostando sua cabeça sobre o travesseiro, ela ainda sem muito sono, observava o teto dançando junto às lembranças que vinham a sua mente. Ela virou sua cabeça a esquerda encontrando-se com o livro na cômoda ao lado da cama. Deu um sorriso para o Livro, lembrando-se de quando ainda tinha 7 anos, e sua professora da escola havia mostrado o mesmo livro, ainda numa proteção de vidro.
Já houve relatos de algumas pessoas que sentiram, veram e tiveram experiências muito fortes com esse livro..
A voz de sua professora na lembrança ecoou pela sua mente, enquanto fitava o teto.
..E dizem que é ele quem escolhe a pessoa!
Ela percebeu o que acabara de ter lembrado e negando com a cabeça, não conseguia se imaginar naquelas páginas.
— Isso não é possível! — negava com a cabeça — São tantas Divas talentosíssimas em cada página.. não é possível que você me escolheu pra estar junto a elas.. — virou-se para o livro.
Incomodada, sentou-se na cama, abriu o livro novamente e foi folheando até encontrar Lady Gaga, última lida por ela. Virou mais uma página e encarou a folha em branco. Ela sabia que sempre que virava a próxima folha, depois de alguns segundos o próprio livro já começava a revelar quem era a próxima Diva. Impaciente, seus dedos tamborilavam nas extremidades do livro, o segurando, olhando continuamente para a folha, já um pouco amarelada pelo efeito do tempo.
— Cadê? — ela virou e voltou para a mesma página confusa — Vamos! Você não vai mostrar nada pra mim?
Pouco depois que ela terminou de falar, surgiu algumas letras sendo desenhadas na folha vazia.
— O que é isso? — aquilo era novidade — Não vai mostrar a próxima Diva? Eu quero ver! — as letras desapareceram, surgindo as mesmas palavras novamente na folha.
Ela bufou, deixou o livro aberto ao seu lado, pegou o celular que estava logo ao lado da cama, e pesquisou as palavras na Internet para ver se haviam algum significado. Ela percebeu que se tratava de uma frase em latim. Tudo tem seu tempo. Ela havia realmente se incomodado com o fato de não aceitar se juntar às outras Divas presentes no livro, pois não se achava digna de tudo aquilo, ficando impaciente de ver quem mais estava lá.
Pouco depois, as letras se esvaeceram, dando lugar a outras novas. Carpe Noctem. Pesquisando novamente, percebeu que se tratava de outra frase em latim. Aproveite a noite.
— Tá bom, livro mágico.. — fez movimentos com os dedos dizendo as últimas palavras — Amanhã eu continuo.. E é bom que você me deixe ler! — percebeu as letras sumirem lentamente.
Ela fechou-o, colocou-o sobre a cômoda ao lado da cama, repousou a cabeça novamente sobre o travesseiro, e sentiu o sono a invadir por completo. Ester achou cômico o modo como o livro havia a advertido de uma forma tão sutil, deixando escapar um sorriso já com os olhos fechados, virando e adormecendo.
♧
O sol aquecia levemente o rosto de Esther, cansada da experiência da noite passada, fazendo-a acordar naquela manhã de sábado ensolarado. Olhando pela janela e pensando em como poderia aproveitar o dia da melhor forma possível, decidiu fazer algo que nem ela mesma imaginava que um dia faria.
E pensar que eu já disse que livro não era minha praia. Pensou e riu. Talvez ele seja tão mágico que me conquistou até na leitura. Riu sozinha, levantando para se trocar.
Chegando na mesa para tomar café da manhã, seu pai a cumprimentou com um beijo na testa, e sua mãe, de longe. Sentando, na mesa havia algumas coisas como de costume; seu pai lia um livreto de pé, contendo algumas passagens e meditações bíblicas, seu hábito diário; e sua mãe, acabara de sentar na mesa junta a ela.
— Pai, como tá lá no trabalho?
— Tá indo, filha.. estamos levantando aqueles dois Hotéis gigantes no centro da cidade. Vai ficar uma beleza!
— Tô ansiosa pra ver como vão ficar prontos! — disse passando manteiga no pão.
— Vai levar o Pipoca pra passear hoje, Esther? — sua mãe os cortaram.
— Na verdade eu tava pensando em ir no Verdejantes hoje.. Posso levar ele pra dar uma volta comigo, então.. — sentiu ele passar entre suas pernas, fazendo-o carinho.
— Verdade, aquele parque é ótimo mesmo! Ele vai adorar — sua mãe disse pegando o cão no colo — Né bebê, vai gostar sim, né? — disse como se Pipoca fosse um bebê mesmo.
— Aproveita esse sol mesmo, filha! Só não volta tarde.. — seu pai disse dando uma olhada para sua mãe — Não quero ter que ficar conversando com você sobre isso! — a olhou de cima dos óculos.
— Não se preocupa, pai, só vou lá ler um pouco enquanto levo o Pipoca pra passear. — tomou um gole de seu café.
— Ler? Essa é nova! — seu pai soltou.
— Pois é, Jô, eu mesma vi com esses olhos que minha mãe me deu! Que descanse em paz! — sua mãe disse mastigando o pão.
— Quê é? Eu não posso ler agora? — Esther encarou os dois.
— Você não é muito de ler né, filha! Você preferia sempre que eu cantasse as passagens dos livros quando você era pequena, ao invés de ler pra você! Principalmente aqueles que já eram escritos com rimas.
— Melhor que ela leia mesmo.. talvez tire aquela idéia doida de ser cantora da cabeça! — seu pai disse ainda mastigando sem tirar os olhos do livreto.
— E o que um livro tem a ver com esquecer meus sonhos, pai? — A garota deixou o pão de lado.
— Só tô falando que é legal se aventurar, talvez, num livro; imaginar outras coisas, outros lugares.. — tomou um gole de seu café — Porque é aí que as fantasias acontecem. Mas quando você para de ler, apenas batalhe naquilo que é real.. que vai te dar retorno, filha.
— Pai.. não é você mesmo que fala que, independente do que vamos fazer, devemos fazer sempre bem feito, pois isso atrai sempre coisas boas?
— Sim, filha, mas..
— E qual a diferença em eu fazer minha vida cantando? Não vou deixar de estudar, ou batalhar como o senhor diz.. sei que nada vem fácil, vocês mesmos me ensinaram tudo isso!
— Sté, a gente sabe.. — sua mãe tentou falar.
— Fiquem tranquilos que eu mesma já aprendi que é necessário ter pão.. — levantou o pedaço que segurava — .. antes mesmo de conquistarmos tudo que queremos! Não deixarei vocês na mão, pai..
— Eu sei, filha.. — seu pai tentou falar.
— E não peço pra que vocês me incentivem. Apenas acreditem em mim.. pois eu honrarei, primeiramente, o que vocês me ensinaram, e aquilo que eu estou falando pra vocês agora!
Um silêncio tomou a cozinha.
— Confiamos em você, amor. — a feição de sua mãe estava mais doce.
Esther sorriu pegando na mão de sua mãe, e percebeu seu pai quieto encarando a janela. Seu olhar era distante, mas o apoio de sua mãe confortava a garota.
— Filha.. — a voz grossa de seu pai assustou Esther, virando-se para ele — .. confiamos em você.
Ela sorriu feliz, levantou dando um pulo da cadeira e o abraçou, apertando com toda força. Sua mãe sorria alegremente da mesa, enquanto seu café molhava sua boca.
— Chega, chega.. vou ficar sem ar assim — disse respirando fundo e ajeitando o óculos. Ela riu.
— Vou me trocar pra ir no parque, tá?
— Não esquece o Pipoca, hein! - sua mãe disse.
— Vai lá, aproveita! Qualquer coisa liga pra gente, hein! — disse seu pai.
— Pode deixar! — gritou de seu quarto.
O parque ficava a algumas quadras dali. Os enfeites em seu portão de entrada eram feitos com ferros forjados, de acordo com os ornamentos das letras, formando o nome do parque: Verdejantes. Vinculado a uma ONG da cidade, aquele parque era considerado um dos lugares mais lindos da cidade. Tal como um cartão postal para os visitantes de fora, se tornando, indiretamente, um ponto turístico certas vezes.
As cores verdes e amareladas cobriam boa parte das árvores, seguidas de algumas com flores vermelhas e rosadas. Esther caminhou para onde haviam longas árvores de troncos largos, enquanto Pipoca cheirava as raízes que sobressaíam da terra, sentando-se ao lado de uma. Ela viu o canino tomar seu lugar e resolveu juntar-se a ele. A brisa leve que soprava em seu rosto, trazendo consigo um odor da verdadeira essência da natureza, e uma lembrança da infância. Uma mistura de grama com flores. O carrinho de cachorro-quente exalava seu cheiro, se misturando ao ambiente, deixando sua marca pelo local.
A garota cantarolava uma música enquanto enrolava e amarrava Pipoca em uma das raízes da árvore. Ela tirou de sua bolsa o livro, e, pela primeira vez, se sentiu alegre em poder estar num lugar tão belo, aproveitando aquela tarde ensolarada com seu cão, e inimaginavelmente, com um livro. Quem conhecera Ester, sabia muito bem o quanto ela não ligava para leitura. Seu amor sempre foi o canto e a dança. Jennifer e Ítalo, seus amigos mais íntimos, muitas vezes chamavam a atenção da garota por ficar sempre cantando. Uma garota muito alegre, tentava demonstrar isso através da música. E mesmo em seus momentos mais sensíveis, o canto lhe ajudava, tanto confortando-a, quanto derramando tudo que ela podia pôr para fora através do canto.
(Aperte play na música no link acima antes de continuar a leitura)
Ela observava algumas pessoas passando com sua família, casais, pessoas e seu animais domésticos, e sua maior vontade na hora era soltar a voz para demonstrar a alegria que tanto sentia. Lhe veio a música Umbrella da cantora Rihanna na cabeça, começando a cantar bem baixinho, somente para ela ouvir, enquanto abria a bolsa para pegar o livro. Abrindo de onde havia parado, ela viu os ornamentos do próximo capítulo surgir pela folha, e virando a página, parou de cantar com o surpresa a qual o livro a mostrara.
Robyn Rihanna Fenty
Conhecida simplesmente por Rihanna, é cantora, compositora, atriz, modelo, estilista, empresária e filantropa de Barbados, de ascendência barbadiana, guianense e irlandesa. Assinou contrato com a editora Def Jam Recordings após uma audição, que despertou o interesse do produtor Evan Rogers e do vice-presidente na altura da editora, Jay-Z, para a jovem artista.
Em 2005 gravou o seu primeiro álbum de estúdio, Music of the Sun, que alcançou o Top10 da Billboard 200. Um ano depois lançou o seu segundo trabalho de originais, A Girl like Me, obtendo a quinta posição da tabela musical norte-americana, incluindo a canção que foi o seu primeiro topo norte-americano em single, "SOS".
O livro a fez ouvir a mesma música que ela cantarolava pouco antes, enquanto que seguiu cantando a mesma enquanto lia. Viu o céu se fechar levando o sol embora, e quando viu um pingo cair na folha, levantou a cabeça vendo o parque quase que vazio. Algumas pessoas ao longe ainda estavam lá, mas eram poucas. Observou aquelas nuvens negras e desacreditou.
— Não acredito que vai chover agora, é sério isso? — nervosa bateu as duas extremidades do livro, fechando-o com fúria.
Quando foi guardá-lo novamente na bolsa, viu um raio de sol brilhar em sua perna.
— Ah não, tá de brincadeira comigo! — disse olhando para o céu. Ela abriu os braços como se esperasse uma resposta do alto. Abrindo o livro, voltou a ler.
Em 2007, o álbum Good Girl Gone Bad é lançado e atingiu a segunda posição na tabela de álbuns da Billboard, sucedendo-se os álbuns Rated R em 2009 que obteve o quarto lugar, Loud em 2010 que alcançou a terceira posição e Talk That Talk em 2011 que alcançou a terceira.
Caiu mais um pingo na folha, ela ouviu um trovão, e já estressada, Ester se levantou e viu o céu mais escuro que da primeira vez. Antes que pudesse desamarrar Pipoca da raiz, ela viu alguns homens vestindo terno todo preto, se aproximando todos juntos, segurando um guarda-chuva preto cada. Todos usavam um chapéu coco de cor negra sobre os olhos, dificultando a visão da garota de ver quem seriam. Ela tentava desamarrar o cão, mas suas mãos tremiam quanto mais ouvia os passos daqueles homens se aproximando, parecendo que estavam marchando. Sua alma gelou quando ouviu um homem, no meio da multidão se aproximando, dizer:
— É ela!
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