QUATRO
Assim que o jaguar parou em frente ao prédio onde Anelise morava, a morena pulou para fora do veículo. Seu rosto estava corado e ela sentia a raiva consumir toda a sua paciência. Bateu a porta do carro, com mais força que o necessário e marchou sobre os saltos altos rumo a entrada do prédio.
— Anelise, espera! — Dexter a chamou mas a mesma o ignorou. Não queria falar com ele. Não queria olhar para ele. Não queria nada dele, mesmo que a saudade a corroesse por dentro.
Dexter se aproximou e segurou o pulso dela, fazendo com que ela parasse. Girando nos calcanhares, não pensou muito quando ergueu a mão e acertou um tapa na cara do homem, que a soltou devido o choque.
— Nunca mais, nunca mais mesmo coloque suas mãos em mim.
— Ane!
— Não existe mais Ane, princesa e nenhum caralho a quatro. Você perdeu o direito de me chamar de qualquer nome quando me abandonou. Você partiu meu coração, Dexter, e eu não estou indo te perdoar por isso.
Dexter engoliu cego olhando nos olhos de Anelise, ele sabia que havia magoado a mulher que amava, sabia que seria difícil obter o perdão dela, e que seria complicado ela o aceitar de volta, mas agora olhando nos olhos dele, ele tinha quase certeza que a havia perdido para sempre. Mesmo que momentos atrás o tesão estivesse refletido nos olhos de mel que ele tanto amava, agora, havia apenas dor, magoa e decepção. O olhar apaixonado que ela sempre dirigia a ele não estava mais refletido em suas íris. Ele sentiu o seu peito se apertar, e quis chutar a própria bunda por ter partido.
— Eu tive meus motivos. – ele começou a dizer.
— eu não quero saber. Não me importa quais foram seus motivos, eu não quero mais uma ligação com você, não quero que me siga ou apareça em lugares que estou. Apenas, continue longe como fez nesse um ano, siga sua vida, pois eu estou seguido com a minha.
Ele queria gritar com ela e dizer que a sua vida era ela, mas ele não tinha esse direito, não depois de tê-la abandonado. Comprimindo os lábios, aceitou por um momento o que ela disse, mas logo retomou a consciência, não estava indo perder sua mulher. Ela poderia estar o quanto fosse chateada e magoada com ele, mas ele iria tê-la de volta.
— Ane, eu não estou indo te deixar partir.
Jogando a cabeça para trás e abraçando o próprio corpo, Ane riu, gargalhou na cara dele, quando conseguiu se controlar, colocou a mão sobre a boca comprimindo a vontade de rir.
— Você não tem que deixar Dexter, eu estou indo. E duvido muito que possa me impedir. – girou sobre os saltos, mas parou por um segundo e olhando sobre os ombros disse: — E assine o divórcio, não complique mais as coisas.
Em seguida, deu as costas para ele e caminhou para dentro do prédio.
— Eu ainda vou te ter de volta. — ela o ouviu gritar. O nó em sua garganta estava cada vez maior e não sabia como havia conseguido se controlar para não chorar na frente dele. A verdade era que não o havia superado e duvidava muito que um dia pudesse.
Entrou no elevador e apertou o número de seu andar, ela ainda residia no mesmo apartamento que morava quando estava com Dexter, havia pensado em se mudar, voltar para seu apartamento de solteira, mas quando se lembrou da loucura que foi fazer sua mudança, desistiu completamente, sendo assim, apenas juntou tudo que lembrava o ex-marido, pois era assim que ela o considerava, jogou numa lixeira e tacou fogo, não deixou nada que pudesse lembrar dele, as lembranças em si só já eram dolorosas, não precisava de mais nenhum lembrete constante dele.
Quando entrou em seu apartamento, tirou os saltos e encostada na porta se deixou escorregar até o chão, já não conseguia controlar o nó em sua garganta e com isso soluçou alto se entregando ao choro, deixando que a mágoa que sentia fosse colocada para fora.
Seu choro era dolorido e sôfrego, seu corpo convulsionava com os soluços, sua visão era apenas um borrão e sua maquiagem, já não existia mais, as lágrimas haviam a levado embora.
Quando enfim conseguiu ficar mais calma, se arrastou para o banheiro, preparou a banheira e voltou para a cozinha, buscando na pequena adega embutida na parede um vinho — romanée-conti 1994 — o seu preferido e sorriu lembrando de algo que Camille lhe disse quando contou que havia sido abandonada pelo marido.
"Se vai afogar as mágoas por um amor que lhe destruiu, que pelo menos seja com um bom vinho e de preferência, bem caro."
Abriu a garrafa e encheu uma taça, levando ela consigo para o banheiro, depositou a taça na beirada da banheira e se despiu, em seguida se afundou na banheira, deixando seu corpo, moreno e esquio ser abraçado pela água morna.
⅏
Com os punhos cerrados, Dexter viu Anelise entrar no prédio e logo sumir de suas vistas. Sentia seu peito se comprimir sempre que as palavras dela ecoavam em sua cabeça e agora, olhando a situação de perto ele já não tinha certeza que abandona-la havia sido o certo a se fazer.
Queria sentar com ela e lhe contar toda a verdade, queria obter seu perdão e então se perder nos braços da morena que tinha seu coração, mas Anelise não estava muito voltada a escuta-lo e pela fúria que via refletida nos olhos dele, não tinha certeza que ela estaria disposta a algum dia escuta-lo.
Dando se por vencido — pelo menos no momento — entrou em seu carro, e deu partida no jaguar, guiando-o pelas ruas de Chicago. Seus pensamentos estavam longe e ele queria apenas voltar para sua cabana e continuar em seu martírio pessoal. Se sentia tão idiota com tudo que até conseguia escutar a voz de seu irmão lhe dizendo que ele havia ferrado com sua felicidade.
Quando passou pelos portões da mansão Rizzo, se sentiu em casa, o lugar sempre lhe trazia uma sensação gostosa de acolhimento. Antes mesmo que pudesse desligar o motor do carro, a porta da mansão se abriu e a figura loira e baixinha de sua mão se fez presente, vestida em uma roupa de dormir, os cabelos loiros que antes eram longos, agora estavam cortados na altura dos ombros e ela tinha olheiras roxas abaixo dos olhos, nada parecida com a mulher sorridente que era.
Desceu do carro e sentiu o impacto do corpo pequeno batendo contra o seu e o apertando em um abraço.
— meu bebe! – ela disse chorosa.
— Não precisa chorar, mãe. – disse ele, retribuindo o abraço da mulher. — Vamos entrar está frio aqui fora. – disse guiando a mulher grudada nele para dentro da casa.
A morte de Conrad, havia abalado a estrutura da família Rizzo. E isso se podia ver pelo estado atual de Anna. A mulher era apenas a sombra do que já foi um dia e mesmo que se esforçasse não conseguia ser como antes, uma parte sua havia morrido junto com o filho.
Anna se deixou ser guiada por Dexter para a sala de estar e quando se sentaram no amplo sofá, memorias de momentos em família invadiram sua mente, fazendo com a mulher se agarrasse mais ao filho e chorasse em seus braços.
— Me perdoa, mãe. Me perdoa por ter sumido. Me perdoa por ter pensado apenas em como eu me sentia e ter te deixado aqui sozinha. Me perdoa por ser um péssimo filho. — ele pediu abraçando forte a mãe e deixando que as lágrimas que vinha segurando se derramasse. — Me perdoa! — suplicou em um sussurro.
Naquele momento agarrado a mãe igual a uma criança, Dexter tomou consciência que não era apenas ele que estava sofrendo, sua família estava despedaçada e a sua dor não era nada comparada a dor que sua mãe sentia. Ele havia perdido o irmão, mas Anna, Anna havia perdido um filho e ele não tinha consciência da dor que ela vinha sentindo até te-la desmoronando em seus braços, chorando e soluçando, buscando nele o apoio que precisava desde o início.
Oi amados, olha eu aqui. Peço perdão por não ter vindo postar antes para vocês, eu estava me mudando e estava uma loucura que só aqui. Espero que compreendam.
Me digam o que acharam desse capitulo. Confesso que meu olho ficou cheio d'água com esse finalzinho.
Não esqueçam de deixar sua estrelinha e o seu comentário. (Saber o que estão achando é o que me motiva a continuar escrevendo.)
Beijinhos e até o próximo capítulo.
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