ONZE

No momento em que o carro saiu da pista pavimentada e entrou rumo a floresta, Anelise gemeu em protesto. Não que ela fosse anti natureza, mas na situação em que estava tudo o que não precisava era ficar presa no meio do nada.

— A gente não pode mesmo ficar na cidade? – questionou olhando para Dexter com os olhos esperançosos.

Ele soltou um risinho fraco e negou com a cabeça, recebendo novamente outro gemido de protesto dela.

— Eu juro que não é tão ruim quanto está pensando.

— Não é esse o problema. – resmungou ela.

Suspirando Dexter guiou o carro mais floresta adentro e quebrou em uma pequena estradinha de terra, quase imperceptível.

— Acho que estamos perdidos.

— Não estamos, só relaxa e curte à vista. – respondeu.

Ane encostou a cabeça no vibro da janela e encarou a mata ao seu redor, tentando acalmar o nervosismo que começava a tomar conta dela. Uma coisa era estar com Dexter em um lugar onde havia outras pessoas, agora estar sozinha com ele no meio do mato, onde ela tinha certeza não pegar sinal telefônico era completamente diferente.

Dexter guiou o veículos mais alguns quilômetros e entrou em uma clareira oval espaçosa, cercada por árvores altas, parou o carro e desligou o motor.

— Uau! — exclamou surpresa. Os olhos de Ane passearam pelo lugar em apreciação, o que estava vendo era completamente diferente do que imaginou. — É linda!

A cabana suspensa foi construída na encosta da inclinação do morro, como se entrasse no morro, a construção de madeira parecia ter saído dos contos de fadas, janelas de vidros e uma pequena escada que levava até a porta onde havia uma pequena varanda, no térreo, uma porta dupla que Ane imaginou ser uma garagem, ou algo do tipo, o telhado inclinado como se montasse um desenho era branco, o que deixava o local ainda mais charmoso.

— Simon fez milagre aqui. – respondeu Dexter, abrindo a porta e saindo do veículo, deu a volta e abriu a porta para Ane ajudando-a descer. Pegou as muletas no banco de trás e entregou para ela.

— Cuidado para não cair. – disse. — Vou te ajudar a se acomodar e depois venho buscar nossas coisas. – avisou antes de segurar no braço de Ane guiando ela com cuidado pelas escadas de madeira. Destrancou a porta e a guiou para dentro. O ar quente da cabana foi bem recebido por eles.

— Aqui é lindo! – Ane elogiou.

— Obrigado. — agradeceu. — Mas você tinha que ter visto ela a uns meses atrás. Não se parece nada com o que é hoje.

Dexter guiou Ane até o sofá de couro vermelho depositado no meio da sala e deixou que ela se acomodasse antes de sair e ir buscar suas mochilas.

Anelise olhou ao redor apreciando a decoração cabana. A parede a sua frente era revestida de pedras que combina perfeitamente com a parede a sua direita toda de vidro, dando uma visão clara da floresta ao lado de fora. O lugar apesar de parecer bem pequeno visto de fora, na verdade era bastante espaçoso por dentro. As mobílias escolhidas com muito bom gosto em uma decoração rústica campestre que combinava perfeitamente com a personalidade de Dexter.

— A decoração é bem a sua cara. – comentou Anelise, quando ouviu Dexter entrar na sala.

— Acredite, eu não escolhi nenhuma dessas peças. – disse. — Vou deixar as mochilas nos quartos e venho te mostrar o seu. – disse se afastando, não dando espaço para que ela respondesse qualquer coisa. Ane franziu a testa e deu de ombros, ignorando a grosseria dele.

Passou o olhar minuciosamente por cada canto da sala e sorriu comprovando o seu primeiro pensamento. A personalidade de Dexter estava toda na decoração do lugar mesmo que ele tenha dito não ter escolhido nada.

Dexter voltou minutos mais tarde e acompanhou Anelise, dando a ela um pequeno tuor pela cabana e em seguida mostrou a ela o quarto em que ficaria.

— Espero que goste do ambiente. – disse. — Eu estou no quarto a esquerda.

Ane assentiu e entrou apoiada nas muletas.

O quarto era espaçoso, a cama grande e de madeira, com uma colcha azul sobre ela, e pequenas mesas laterais também de madeira em um estilo marquesa de peroba, uma poltrona de veludo acompanhada de um pufe do lado esquerdo da cama dão um toque todo especial ao quarto. A janela de vidro vai do chão ao teto e abre em uma pequena sacada. Cortinas brancas finas, que deixam a luz entrar no espaço. Ane caminhou até a cama e deixou seu corpo cair sobre o colchão macio e suspirou frustrada não entendo a mudança de humor em Dexter.

Ane não percebeu em qual momento caiu no sono, mas quando acordou estava escuro do lado de fora. Buscou por seu celular chegando as horas e se assustou vendo haver dormido por quase oito horas.

— Eu fiz o jantar. – a voz de Dexter soou na porta e Ane se assustou deixando o celular cair sobre o carpete fofinho que cobria o chão e gemeu quando sentiu as costelas doerem. — Você está bem? Eu não quis te assustar. – disse Dexter se aproximando e segurando o rosto de Ane, analisando suas expressões.

Ter Dexter tão próximo a deixava sem ar, sentia falta de tocar nele, beijar seus lábios e fazer amor com ele, mas não se sentia preparada para a turbulência que era Dexter Makzinn.

— Eu estou bem. – respondeu em um fio de voz, seus olhos castanhos fixos na boca de Dexter. Engoliu em seco e balançou a cabeça tentando afastar a vontade de beija-lo. — O que fez de jantar? – questionou se afastando do toque dele e indo em direção a sua mala.

— Risoto de frango na pressão. – respondeu se sentando na beirada da cama.

— Isso é uma evolução. – disse ela com um leve sorriso. — Dá última vez que você cozinhou, queimou toda a comida.

— Juro que não queimei nada dessa vez. – ele estava gostando da abertura que ela estava dando, mesmo que ainda sentisse uma barreira entre eles. Ele havia fodido com tudo quando partiu, mas estava disposto a esperar o tempo que fosse preciso para tê-la de volta.

— Eu só vou tomar um banho e já encontro com você. – disse Ane, com uma muda de roupa na mão.

— Okay. Tem toalha no banheiro, primeira porta.

Dexter se levantou e saiu do quarto dando privacidade para que Ane tomasse seu banho e se arrumasse para jantar. 

Na cozinha, Dexter ajeitava os talheres pela milésima vez sentindo o nervosismo se apossar de cada célula de seu corpo. Essa era a primeira vez que ficava completamente sozinho com Ane desde que voltou para a vida dela.

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