NOVE
O suor escorria por sua testa, nuca e tronco, o fios ruivos quase castanhos de seu cabelo grudavam em sua testa e a bermuda esportiva colava em seu corpo enquanto ele desferia socos seguidos contra o saco de boxe, suas juntas começavam a doer, mas ele não se importava com aquilo, a dor era bem-vinda, era sua amiga e aliada. Ela o deixava focado e fazia com que esquecesse os problemas que tinha. Seu corpo se movimentava firme absorvendo o impacto de cada golpe que era desferido.
Era pouco mais de dez horas e ele estava na academia do clube desde às sete da manhã. Depois que saiu do hospital de madrugada, não conseguiu voltar para casa, rodou pela cidade até amanhecer e assim que o sol despontou, dirigiu para o clube, precisava descarregar a frustração que sentia.
O olhar curioso de Anelise ainda dançava em sua mente e seu coração de apertava cada vez que pensava na possibilidade de que ela não o reconhecesse. Camille havia garantido que ela estava bem, que o médico disse que ela não tinha sequelas, mas aquele olhar... aquele olhar estava mexendo com sua cabeça.
Socou o saco com mais força empurrando-o para trás e rebatendo-o assim que ele voltou, colocando mais força que o necessário.
— O que o saco de pancada fez para você?
Dexter parou de desferir socos contra o saco e respirou em haustos recuperando o folego. A voz feminina alcançou seus ouvidos, e ele se virou em direção a voz, abrindo um meio sorrio quando fixou seu olhar na mulher negra. Ele deu de ombro ignorando a pergunta feita e saiu do ringue retirando as luvas.
— Quando chegou? – descartou as luvas na plataforma do ringue e caminhou em direção a ela, fazendo menção de lhe abraçar.
— Não ouse encostar esse corpinho suado em mim. – disse fazendo uma careta de nojo, e Dexter riu. — Meu voo pousou a meia hora. – respondeu ela a pergunta lhe feita.
O grandalhão pegou uma garrafinha de água no freezer e abriu bebendo alguns goles e derramando um pouco em sua cabeça, refrescando o corpo.
— E como foi na Irlanda? – questionou se jogando em um dos sofás que havia esparramados pela academia.
— Tranquilo. – respondeu se sentando ao lado dele. — Precisava resolver alguns assuntos que ficaram pendentes.
— Matar alguém você quis dizer.
— Na verdade não. – ela mordeu o lábio cheio, coberto por um batom roxo, quase preto. Dexter a olhou com curiosidade, mas sabia que ela não lhe revelaria nada. Amirah era um túmulo quando se dizia respeito a sua vida pessoal. O único que conseguia arrancar alguma coisa dela era Conrad. — Eu soube o que houve com Anelise. Como ela está?
Dexter se mexeu desconfortável no sofá e soltou um longo suspiro.
— Está se recuperando, vai levar alguns meses, mas ela vai ficar boa.
Amirah assentiu com a cabeça notando o desconforto de Dexter. Ela queria lhe questionar sobre o que estava acontecendo, mas não queria ser invasiva, nunca teve muita intimidade com ele para falarem sobre assuntos pessoais, mesmo que tivesse sido criados praticamente como irmãos.
— Você sabe onde o Ettore e o Keid estão? – ela o questionou mudando totalmente de assunto.
— Não os vejo desde o jantar a dois dias. – respondeu fazendo com que ela franzisse a testa.
— Eles sempre somem quando preciso deles. – resmungou se esparramando no sofá de modo que ficasse confortável e jogou as pernas sobre a mesa oval baixa que havia na frente do sofá.
Dexter riu.
— Achei que já havia se acostumado com isso.
A mulher revirou os olhos, mas antes que pudesse rebater o comentário o celular de Dexter vibrou em cima da mesa. O ruivo o pegou checando a mensagem que havia acabado de receber.
"Ela aceitou te ver"
Aquela simples frase aqueceu seu coração e ele sentiu como se um formigamento percorresse todo o seu corpo.
— Eu preciso ir. – disse após bloquear o celular e se levantar.
— Está tudo bem? – Amirah quis saber, enquanto empurrava uma mecha rebelde de seu cabelo para trás da orelha.
— Está sim. Preciso ir ao hospital.
⅏
Quando se ama alguém, você quer ver a pessoa feliz, torce por ela e deseja que todos os sonhos dela se tornem realidade, mesmo que você não esteja ao lado, segurando sua mão, mas o que poucos sabem é que o amor também é egoísta. E, mesmo que ele quisesse ser nobre e deixar que ela fosse feliz longe dele, ele sabia que não era bom o suficiente para deixá-la partir.
Anelise era seu ar, seu chão e céu. Amá-la era como ir do céu ao inferno em uma fração de segundos.
Havia tentado ficar longe depois que seu irmão foi assassinado enquanto protegia Alex, e ele quase enlouqueceu de saudades dela. Anelise era dia mulher, sua cara-metade, a porra do seu coração, e mesmo que desejasse que ela encontrasse a felicidade longe dele, era egoísta demais para deixá-la longe de seus olhos.
Tomando uma respiração longa, empurrou a porta do quarto em que Ane estava e entrou, seus olhos varreram o quarto e pousaram sobre sua mulher deitada na cama. Ela estava tão frágil e machucada. Ele avançou para ela e parou poucos centímetros da cama.
— Está acordada? - questionou em um tom rouco, sua voz causando arrepios em Anelise, fazendo com que uma corrente elétrica percorresse todo o seu corpo, indo do dedinho do pé até os dois de cabelo. Deixando uma sensação gelada em seu estômago. Ele ainda a afetava como a primeira vez que se viram.
Anelise se mexeu na cama e abriu os olhos. Ela não estava dormindo, estava apenas cansada de encarar aquele quarto branco e sem vida.
— Oi - seus olhos correram o corpo de Dexter e ela suspirou quando pousou os olhos sobre seu rosto. A barba estava maior, assim como os cabelos dele, também havia bolsas quase roxas abaixo dos seus olhos, ela queria tocar o rosto dele, sentir a barba pinicar sua mão, mas segurou a vontade. Não era o momento para aquilo.
— Obrigada! - ela o agradeceu fazendo com que ele ficasse confuso. Puxou a poltrona para próximo da cama e se sentou.
— Pelo que está me agradecendo?
— Por me salvar. - disse. — Por me segurar em seus braços no momento em que achei que estava morrendo. Que ia morrer.
Dexter engoliu em seco e empurrou as lembranças para o fundo de sua mente. Não queria reviver o momento em que Ane sangrava em seus braços.
— Você não precisa nunca me agradecer por isso. Eu daria minha vida pela sua. Derrubaria o mundo só para que você estivesse bem. - disse olhando nos olhos dela, e mesmo que não quisesse admitir e acreditar, ela sabia que ele falava sério. A verdade brilhava nos olhos castanhos quase verdes dele. Ela engoliu com dificuldade enquanto absorvia a revelação, sentiu a atmosfera do quarto mudar, ficando pesada, mas não conseguia desprender seu olhar do dele.
A atração magnética que exerciam um sobre o outro era coisa de outro mundo.
Dexter curvou o corpo para frente, se aproximando mais de Ane, que também se moveu, seu corpo estava no automático mesmo que sua mente gritasse que estava cometendo um erro, não podia negar o fato de que os dois tinha uma química fora do normal.
Seus corpos se reconheciam, suas almas se pertenciam mesmo que ela quisesse correr para o outro lado, não podia, estava corrompida por ele.
Dexter roçou seus lábios nos dela, sentindo a maciez, ansiando por seu sabor, mas antes que pudesse de fato beijar sua esposa, a porta do quarto se abriu, fazendo com que eles se afastassem. Anelise balançou a cabeça de leve tentando recobrar o juízo, quase cederá, quase deixou que ele a beijasse.
— Acho que cheguei em má hora. - disse o médico. Dexter resmungou baixo e Ane sentiu suas bochechas esquentarem, não era uma pessoa de se sentir envergonhada, mas odiava ser pega em flagrante.
— Não, que isso. - disse ela com a voz baixa. — Dex já estava indo.
Ele franziu a testa.
— Não estou não. - disse.
— Por favor. - pediu com um olhar suplicante.
Dando se por vencido, se levantou. Não iria discutir com ela na frente de um estranho, mesmo que quisesse bater o pé igual a um menino mimado e dizer que não sairia dali.
— A gente ainda não acabou.
Ane concordou em um maneio de cabeça e observou ele partir, dando um olhar mortal ao médico que estava em silêncio, observando a interação dos dois.
— Acho que seu amigo não foi com a minha cara. - disse se aproximando da cama. Ane forçou um meio sorriso.
— Ele não vai com a cara de ninguém. - respondeu. — E ele não é meu amigo, é meu marido.
O médico enrugou a testa confuso, mas não disse nada, ele estava ali para cuidar dela, não para ser seu amigo e muito menos para se envolver em seus problemas pessoais. Se aproximou da cama e começou a examiná-la, recebendo dela um sorriso leve e verdadeiro, ela gostava do médico, mesmo que ele fosse sempre tão profissional. Do outro lado da porta, Dexter a observava sorrir para o homem, queria ter ficado com ela, nem tiveram tempo de realmente conversarem, queria que ela não o tivesse expulsado do quarto, mas bater cabeça com ela não daria em nada; Ane sempre teria a última palavra em tudo que dissesse respeito a ela, mesmo que ele não gostasse. Observou a interação deles uma última vez e se virou, pisando duro saiu do hospital, consumido por um sentimento até então desconhecido por ele: ciúmes.
Oi gente, como estão?
Vamos conversar um pouquinho: O que estão achando da história?
Eu sempre vejo que vocês estão lendo, mas estou sentindo falta da interação de vocês, saber o que estão pensando a respeito me ajuda a elaborar os próximos capítulos, além de ser um cadinho chato falar sozinha rsrs. Então, conversem comigo, eu juro que não mordo.
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