CINCO
Anelise empurrou os esboços dos croquis pelo tampo da mesa e se escorou na cadeira, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás. Sentia sua cabeça latejar e uma chata dor de cabeça começar. Fazia uma semana que Dexter havia voltado para a cidade e desde então tinha a impressão de estar sendo vigiada a cada segundo do dia, além de não conseguir tirá-lo de sua cabeça. Estava indo tão bem, praticamente superando o abandono, não conseguia entender o porquê de ele ter voltado.
— Toc Toc! – Ane ouviu o leve bater na porta e a voz masculina, abriu os olhos, olhando em direção a porta.
— Oi! – ela sorriu, sentando direito em sua cadeira. — O que lhe traz aqui, papai?
— Não está feliz em me ver? – perguntou ele, puxando uma cadeira e se sentando em frente a Anelise.
— Claro que estou. Só estou surpresa, quase não o vejo.
— Eu sei, muito trabalho. E você, como está? – Hector, analisou a filha com um olhar preocupado.
— Eu estou bem. – respondeu. — Apenas cansada.
— Querida, por que não tira um tempo, você quase foi sequestrada, o Dexter está de volta, acho que você precisa de um tempo para você. – disse fazendo com que Anelise suspirasse alto. O quase sequestro era algo que ela vinha evitando a todo custo, não queria preocupar as pessoas e no mais, estava tudo bem com ela.
— Eu estou bem, papai. Eu juro. – se levantou e rodeou a mesa, se dobrando sobre a cadeira que Hector ocupava, passando os braços sobre os ombros do pai e lhe abraçando por trás.
— Eu fico preocupado, você sabe que o caso que estou trabalhando é grande e essas pessoas não estão para brincadeira.
— Eu sei, mas eu estou bem, papai. Não precisa se preocupar. — Hector suspirou dando-se por vencido, não adiantaria discutir com a filha, Anelise conseguia ser tão cabeça dura quanto ele.
— Ok. – disse. — Eu tenho que ir agora. – Anelise desfez o abraço após beijar o rosto do pai de jeito carinhoso. Hector, se levantou e deixou um beijo casto nos cabelos da filha antes de se pôr para fora do ateliê.
Buscou pelo celular no bolso do paletó e discou o número de Dexter, precisava ter certeza que Ane estava mesmo segura.
— Dexter?
— Aconteceu algo? – a voz rouca do ruivo soou do outro lado da linha.
— Não. Só quero ter certeza que está tudo bem com a minha filha.
— Não precisa se preocupar, Hector. Estou com meus olhos sobre ela vinte quatro horas por dia.
— Obrigado por estar fazendo isso. – disse.
Dexter respirou fundo antes de responder. Hector não tinha que lhe agradecer por estar de olho em Anelise. Era o dever dele, sua obrigação e serviço.
— Não precisa agradecer.
— Mesmo assim, eu agradeço, não está sendo um período fácil para sua família.
— Está tudo bem. – respondeu apenas, não queria entrar no assunto que Hector estava puxando.
— Ok. Até mais, garoto.
Dexter continuou com o celular na orelha mesmo após a ligação ser encerrada, seus olhos vidrados nas telas dispostas na parede, onde imagens do ateliê de Anelise passavam.
Baixou o celular e abriu o aplicativo de mensagem, digitando rapidamente para Simon. Em seguida, deixou o celular sobre a mesma à sua frente e se encostou na cadeira giratória, enquanto bebia a imagem de Anelise.
Não estava sendo fácil se manter distante, agora que estavam na mesma cidade se manter longe é ainda mais difícil. Quando estava na cabana, o pensamento de que estava fazendo a coisa certa o impedia de correr de volta para ela, mas agora, sua vontade era apenas de tê-la em seus braços para sempre. Ele estava dando tempo para que ela absorvesse a sua volta, dando tempo para que ela acostumasse com a ideia de que ele não estava deixando que ela partisse.
Quase vinte minutos após ter enviado a mensagem para Simon, o homem apareceu no apartamento onde Dexter estava ficando, o lugar antes pertencia a Conrad, mas após sua morte, o lugar estava fechado desde então.
— O que precisa? – Simon perguntou, se jogando no sofá no canto do quarto de vigilância.
— Preciso sair. Fica de olho em tudo para mim. – disse se levantando. Simon assentiu. Não precisava perguntar onde Dexter estava indo, ele sabia.
— Leve o tempo que precisar. – disse se levantando do sofá e ocupando a cadeira Dexter estava.
Com um maneio de cabeça, Dexter deixou o quarto, que ele havia montado exatamente para vigiar Ane, no passado, Conrad havia usado o quarto com o mesmo propósito, mas quando Alex começou a frequentar o apartamento, o quarto foi desmontado.
Dexter tomou um banho rápido, se vestiu com calça jeans rasgada nos joelhos, camiseta preta lisa e jogou a jaqueta de couro sobre, bagunçou os cabelos, deixando que alguns fios caíssem sobre seus olhos e buscou a chave de sua moto, e saiu indo em direção a garagem, montou em sua Harley - 1200 Custom CB e pilotou para sua moto para fora do prédio.
Dexter sentiu a adrenalina da velocidade correr por suas veias, seu coração bateu rápido no peito e ele acelerou mais sua moto, sentindo o vento gelado cortar seu rosto enquanto dirigia pelas ruas de Chicago em direção ao ateliê de Anelise.
Ele estava tranquilo a observando de longe, cuidado dela sem que ela soubesse, mas depois da ligação de Hector, começou a se sentir angustiado, precisava ver pessoalmente que ela estava bem. Precisava ter seus olhos sobre ela para ter certeza de que o aperto em seu peito não era nada de mais.
Dexter diminuiu a velocidade quando se aproximou do ateliê de Anelise, manobrou a motocicleta com cuidado e a estacionou do outro lado da rua, mas não desceu dela estava criando coragem para atravessar a rua e entrar no prédio. Ele havia prometido não desistir dela, mas também havia prometido lhe dar espaço e não forçar uma aproximação, ele iria conquistar sua esposa de volta, mas para isso precisava fazer com que o ódio e o rancor que ela sentia por ele diminuísse e ficar encima dela igual a um maluco perseguidor não era o caminho. Ele respirou fundo colocando seus pensamentos em ordem e ligou a moto novamente, mas quando estava pronto para se afastar, Anelise empurrou as portas duplas, saindo para a calçada, seus cabelos castanhos balançando com o vento e o sorriso largo nos lábios enquanto conversava animadamente ao celular. Dexter ficou com os olhos vidrados na imagem de sua mulher, não conseguia tirar os olhos dela, estava tão vidrado em Anelise atravessando a rua que não notou o carro em alta velocidade se aproximando, antes que fosse tarde e como se estivesse em câmera lenta, Dexter viu o momento em que o carro chocou contra o corpo magro de Anelise, acertando-lhe em cheio, jogando o corpo feminino para cima do capo e logo em seguida caindo no chão, coberto de sangue.
O barulho do acidente soou alto em seus ouvidos e ele acordou do transe vendo a multidão que se formava ao redor de sua mulher. Desceu da moto e correu de encontro a Anelise, se jogou no chão e puxou ela para seu colo, enquanto gritava para as pessoas chamassem uma ambulância.
Dexter chegou os sinais vitais de Ane, e respirou pouco aliviado ao notar que ela ainda tinha pulsação.
— Ei, fica comigo - pediu desesperado. — Você não pode me deixar, Ane. - um soluço escapou de sua garganta. — Ainda não é a sua hora. Não pode fazer isso comigo.
Anelise tossiu fraco nos braços de Dexter, o sangue escorrendo por seus lábios enquanto a pulsação dela ficava cada vez mais fraca. Anelise encarava os olhos de Dexter e tentou forçar a ele um sorriso, mas estava se sentindo letárgica, seu corpo não a obedecia e estava ficando cada vez mais difícil respirar.
Ela não queria morrer ali, não queria que aquele fosse o seu fim. Queria dizer a ele que tudo ficaria bem, que ela não estava partindo, mas as palavras não saiam por seus lábios.
— Anelise! - Dexter a chamou. — Ane, amor!
As pálpebras de Ane foram ficando cada vez mais pesadas até que se fecharam, seu corpo perdeu a força e ela amoleceu nos braços de Dexter.
Dexter a sacudiu tentando acordá-la, se agarrou ao corpo dela e chorou, não acreditando que aquele seria o fim, que ele veria a mulher que ele ama morrer em seus braços, não podia acreditar que o destino estava sendo tão cruel assim com ele.
— Ane! Não faz isso comigo - pediu ele. — Acorda, meu amor. Fica comigo.
Oi geeente, sentiram minha falta? Peço desculpas pelo sumiço, fiquei super atolada em trabalhos da faculdade.
Esse foi o capítulo de hoje, espero que tenham gostado, não esqueçam de me dizerem o que estão achando. Me contem as teorias de vocês e o que acham que vão acontecer nos próximos capítulos. Não esqueçam de deixar aquela estrelinha.
Ah, lembrando a todos, que o primeiro volume de Amores Corrompidos está disponível lá na amazon. (link na minha bio)
Deem uma passadinha por lá. Conrad e Alexsandra aguardam vocês.
Beijinhos e até mais!
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